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terça-feira, 11 de outubro de 2016



SALGADO, ZEINAL E A PT

Numa entrevista recente Ricardo Salgado veio dizer que não foram os 800 milhões do financiamento ao GES por parte da PT, que destruíram a empresa.
Desta vez Salgado até tem razão, apesar de toda a sangria que a PT já tinha sofrido ao longo dos anos, não chegaria um golpe de "apenas" mais 800 milhões para acabar com ela.
Mesmo sendo aquela argumentação correcta, ela em nada altera o carácter criminoso do referido financiamento ao GES, e não o iliba, nem a ele, nem a Zeinal, nem aos outros que tornaram essa operação possível.
Mas mais importante ainda é que Salgado e Zeinal, para além de responsáveis por aquela operação, foram também responsáveis pela operação que, essa sim, destruíu a PT, e que foi a forma como foi negociada e concretizada a entrada no capital da OI.
A declaração de Salgado seria assim, quase como a de um assassino que argumenta que não foi a sua primeira facada que originou a morte da vítima, "esquecendo" entretanto de mencionar que a facada fatal também fora dada por ele mesmo.
Toda a gente sabia que a OI era uma empresa duplamente complicada, primeiro porque era uma má empresa (descapitalizada, tecnologicamente atrasada, com inúmeros vícios, etc), segundo, porque era controlada por accionistas "complicados". Neste quadro, qualquer negociação com vista uma entrada no capital da OI, ou fusão com ela, teria de ser feita com os maiores cuidados, isto supondo a existência de uma justificação segura para esse investimento.
As pressões políticas para a concretização do negócio da OI terão sido grandes, mas mesmo que assim tenha sido, tal não pode justificar a dimensão dos erros que se sucederam.
Que responsabilidade teve Salgado na operação? Apenas a de confiar em Zeinal? (porque embora Salgado formalmente nada tivesse a ver como assunto, dado que não era nem sequer administrador da PT, de facto tinha sido ele que "nomeara" Zeinal para a PT e o recebia a "despacho" no BES). Foi Salgado traído por Zeinal? Ou será que Salgado teve envolvimento pessoal directo na operação e nos seus detalhes?
Quanto a Zeinal as responsabilidades são claras e ineludíveis, nem o argumento de ter sido enganado poderia colher, porque embora Zeinal não seja o "génio da finança" que gostava que constasse por aí, era um gestor tecnicamente competente e com grande experiência neste tipo de operações. Porque se "enganou" Zeinal? Pressões políticas e "outras" de caracter urgente? Excesso de confiança? Acabou enganado pelos accionistas brasileiros? Ou será que Zeinal não se enganou, e tudo decorreu conforme ele previra e programara? Ou...?
Passado todo este tempo continuamos sem respostas,e à boa maneira portuguesa parece que já todos esquecemos.
Esquecemos a PT, como esquecemos o BCP, a CIMPOR, o BPN, a CGD, o BES, o BANIF e outros.
Devem ter sido qualquer coisa como 50 biliões (cinquenta mil milhões) perdidos, portanto nada com significado para um país rico como o nosso..
E o pior é que tudo vai acontecer de novo, porque, pura e simplesmente, mais uma vez nada mudou, nem a CMVM, nem a responsabilização dos gestores.



Foto de Eduardo Correia de Matos.

domingo, 9 de outubro de 2016



SEPARADOS À NASCENÇA?

Os dois venceram sozinhos, cada um à sua maneira, cada um a sua batalha. As suas vitorias não foram vitorias de partidos ou de instituições, foram claramente pessoais.
O que existe de comum entre estes dois homens? Que forças os animam? O que os aproxima e o que os afasta?
No aspecto físico as diferenças entre eles são grandes e crescentes, até porque enquanto Marcelo emagrece, Guterres engorda, mas de resto em tudo parecem semelhantes.
São homens da mesma geração, que convergiram nas concepções social-democratas, católicos praticantes, ex-alunos brilhantes, trabalhadores incansaveis, conhecidos pela inteligência e pelo dom da palavra, ambos com perfis "muito políticos", os dois com baixo perfil executivo, dois corredores de fundo ambiciosos, duas personalidades que com facilidade criam empatia, dois resilientes à solidão pessoal, etc
Apenas uma característica importante os afasta, enquanto Guterres sempre foi uma figura bem comportada, Marcelo só agora parece ter conseguido controlar a sua proverbial "traquinice". Para além daquele aspecto, o que os afasta parece ser muito pouco, pequenas diferenças ideológicas, diferentes níveis de extroversão, formação académica diferente, percursos também diferentes, mas tudo somado muito pouco.
Será esta uma receita para o sucesso político em cargos não executivos? (Já que para cargos executivos os perfis mais "rústicos" parecem mais adequados)
E se, nas passadas eleições presidenciais, o duelo entre os dois tivesse acontecido? Que bom teria sido assistir! Que teria restado depois de uma intensa luta fratricida?
Ter-se-ia perdido um SG da ONU, mas teríamos satisfeito uma curiosidade que nunca mais poderá ser esclarecida.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016


E AGORA?

Guterres ganhou, foi ele que venceu, não foi Portugal, não foram os portugueses, foi ele. Mesmo as nossas instituições, que podem ter ajudado alguma coisa, nunca se saberá se foram de facto importantes nesta vitória.
Quem venceu foi a habilidade política de Guterres, foi a sua determinação de entrar e de se manter num jogo que à partida estava viciado contra ele, foi a sua resistencia de maratonista, numa corrida que ele começou há muitos, muitos anos.
Como foi ele que ganhou a eleição, no final do seu mandato também será apenas ele a ser o vencedor ou o derrotado, não Portugal, não os portugueses.
Tudo parece apontar para que os proximos anos sejam especialmente difíceis em termos da política mundial. O nível de conflitualidade está aumentar, as dúvidas sobre a globalização crescem, o extremismo religioso está de volta, os "bárbaros" agitam-se, etc Neste quadro o papel de Guterres será extremamente difícil, ou ele opta por ser mais um Secretario Geral/Relações Publicas, ou terá pela frente dificuldades enormes, que irão desafiar toda a sua habilidade, a sua calma, a sua tenacidade e o seu conhecimento.
Quanto a mim vai ser difícil, muito difícil. Boa sorte!



COMO MORTÁGUA INSULTOU A ESQUERDA
(A CONFIANÇA E A FISCALIDADE)

Mariana desmontou da sua moto, tirou o capacete, e com aquele seu ar de menina comportada e séria, que o Bloco tem feito questão de desenvolver nela e noutros camaradas, virou-se para as câmaras e disse:
"Temos de deixar de ser cobardes e pouco inteligentes, a maneira de diminuir a desigualdade é simples, tiramos um bocadinho aos muito ricos e distribuímos pelos mais carenciados, só é necessário ter coragem e visão!"
É difícil perceber como toda a esquerda, em Portugal e no mundo, nunca tinha percebido isto. Na verdade,foi preciso chegar ao sec XXI, para que uma menina, com ar ainda de colegial, lhe viesse apontar o caminho!!
O PS, meio embaraçado, balbuciou diversas posições confusas sobre o assunto.
O PC, depois de em privado ter dado meia dúzia de saltos no ar, mais uma vez engoliu em seco, perante mais esta operação de vedetismo das meninas do bloco. tudo apenas para salvar a geringonça.
A direita esbracejou quanto pôde, mesmo depois de lhe ter sido lembrado que há pouco tempo tinha defendido algo de parecido com a proposta da Mariana. No meio de tanto esbracejar, os argumentos mais importantes contra o perigo desta idéia quase que se perderam.
E assim vamos.
O BE, capitaneado por Louçâ, continua a investir tudo na sua pele de cordeiro, tanto que tem referido diversas vezes a importância de se ser como um vendedor de automóveis usados confiável (um pouco demasiado USA, para meu gosto), sempre sem qualquer preocupação de rigor económico, imperdoável para um Prof do ISEG, mas com o seu ar de São Francisco lá vai conseguindo passar uma mensagem de fiabilidade. A revolução virá a seu tempo, quando as condições materiais se concretizarem, e aí terá de ser um "pouco menos" amigável, mas tudo será feito em nome de "amanhãs que cantam".
Para o PS o que importa é o pragmatismo, é apenas "deixar pousar" que alguma solução se arranjará. Não foi assim até aqui? Não se tem resolvido tudo? Porquê stress?!
O PC, face às operações de charme das meninas e do Sâo Francisco, vai engolindo os seus sapos, procurando apenas capitalizar em cima dos disparates do Bloco relativamente às "rupturas moderninhas". Não esquecendo nunca que a revolução é o objectivo único, altura em atirará tudo fora, incluído o bébé com a água do banho.
A direita esbraceja tanto, que ficam confusos os seus argumentos no meio de tanto ruído.
Apesar de sermos hoje talvez o país mais endividado do mundo, considerando as dívidas pública, empresarial e pessoal.
Apesar do investimento público e privado estar pelas ruas da amargura.
Apesar de tudo isto, ninguém explica o que é o investimento e os seus efeitos, o que a entrada ou saída de capitais significam, como é que os países enriquecem ou empobrecem, e também, e talvez sobretudo, o valor económico e financeiro da CONFIANÇA.
Como já vimos recentemente em Portugal, e vemos constantemente noutros países, o valor da "riqueza" é altamente volátil, não só porque parte dela pode efectivamente "voar", mas sobretudo porque ações de empresas de um dia para o outro podem não ter qualquer valor, como nada valem palácios que ninguem quer para nada, ou empresas e herdades abandonadas, ou mesmo dívida pública e empresarial que nunca serão pagas, o valor de tudo isso depende sempre da tal confiança.
Perante isto, as grandes questões fiscais deveriam ser questões para pactos de regime.
É improvavel que isso venha a acontecer, e por essa razão, o nosso futuro continuará sombrio

domingo, 25 de setembro de 2016



SARAIVA, OS NOSSOS COMENTADORES E O MARKETING
Como é que foi possível que Saraiva tivesse conseguido envolver a quase totalidade dos nossos comentadores políticos, da esquerda à direita, na sua manobra de marketing?
Falta de assunto? Atracção pela polémica? Procura destes comentadores em agradar aos seus públicos? Aversão ao Saraiva?
É difícil compreender o que se passou, o que é indiscutível é a habilidade de Saraiva para pôr todos os seus inimigos, críticos e outros, ao serviço da sua operação mediática, com a finalidade única de vender enormes quantidades de um livro sem qualquer novidade ou interesse e, simultâneamente, reforçar a sua imagem como escritor/comentador polémico para futuras iniciativas (agora que está se emprego).
Ou terá sido simples solidariedade dos nossos comentadores para com o arquitecto/jornalista desempregado? Não é de crer nesta possibilidade, mas essa seria a única explicação lógica.
A verdade é que o livro é extremamente pobre, quer em termos literários, quer de conteúdos. Não existe nele nada que qualquer dona de casa que siga a política nacional não conheça. Os tão apregoados escândalos, para além de não serem novidade para ninguém, são contados de forma tão natural que ninguém os notaria caso não tivessem sido tão enaltecidos pelos nossos comentadores.
A manobra de Saraiva foi simples, fez correr pelas redacções a sua intenção de editar um livro baseado na intimidade dos políticos, e anunciando como "aperitivo" dois ou três pontos, que fez questão de sugerir como "escabrosos". Logo de seguida, inexplicavelmente, a nata dos nossos comentadores mordeu o isco e a maior campanha publicitaria gratuita que alguma vez se fez em Portugal foi desencadeada. Parabéns para o Saraiva!
Esta não foi a primeira campanha deste tipo feita em Portugal, ainda recentemente, Henrique Raposo, quando do lançamento do seu livro sobre o Alentejo, fez algo semelhante, em pequena escala e sem invocar questões pessoais ou escabrosas. Aquele lançamento de Raposo talvez tenha "inspirado" Saraiva.
Parabéns para o Saraiva, que com este livro já pagou o seu andar no Jamor, assim como o IMI para muitos anos (incluindo a sobretaxa da vista sobre o rio e tudo)!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

AINDA HÁ ESPERANÇA
As loucuras de Trump em lugar de ficarem mais moderadas, o que seria o expectável nesta fase da campanha, tornam-se de dia para dia mais loucas.
O homem perdeu totalmente o controle sobre si próprio e a sua campanha.
Esperemos que a situação se continue a agravar, o grande risco que existia de ter Trump como presidente parece agora afastar-se.
Campaign staff are reportedly “suicidal” as Republicans turn on their own nominee.
VANITYFAIR.COM|DE TINA NGUYEN

quarta-feira, 20 de julho de 2016



O ERRO DE MARCELO

Marcelo foi mais do que eleito, ele foi aclamado. Só que, por pouco mais de 50% dos votantes das presidenciais.
E isso é pouco, muito pouco, porque Marcelo é carente, Marcelo precisa de ser amado por todos.
Bem, pode ser que se contentasse com "um quase todos", talvez uns 90% o descansassem, mas enquanto lá não chegar ele não irá parar, e nessa campanha desenfreada ele irá cansando e destruindo o seu eleitorado-base.
Marcelo devia compreender que, salvo num hipotetico quadro de desastre nacional, haverá sempre uma percentagem da ordem dos 40% dos portugueses que nunca o apoiará (meio PS, BE e PCP), faça ele o que fizer.
Por outro lado, ao banalizar a sua presença e as suas intervenções, com os inerentes erros, e ao procurar ser sempre o "bonzinho de serviço", Marcelo está a correr o risco de alienar parte do seu eleitorado potencialmente cativo.
Nesta corrida vertiginosa diária para ser amado, ele nunca irá além da casa dos 60%, mas corre crescentemente o risco de ficar abaixo dos 50%. Vale a pena arriscar uma maioria garantida em troca de uns hipotéticos pontos a mais? Tudo isso apenas para ter o prémio "Simpatia"??
O mundo é injusto, com tantos ditadores profundamente amados pelos seus povos, com mais de 90% do eleitorado em eleições sucessivas, porque não pode Marcelo também lá chegar?!

quinta-feira, 7 de julho de 2016


A TAÇA??
UMA LIÇÃO

Se vem ou não a Taça pouco me importa.
Importante mesmo é compreender a lição.
Foi uma lição enorme de trabalho de equipe, de disciplina, de dedicação e de esforço.
Foi também uma lição de um grupo de jovens, que desde crianças dedicam as suas vidas a tentar ser "apenas" dos melhores do mundo.
Alguns deles terão até passado fome e muitas e diversas dificuldades, mas que nunca desistiram, continuaram sempre a trabalhar para o seu objectivo.
São certamente jovens especialmente dotados, mas outros haverá, tanto ou mais dotados, que ficaram pelo caminho, porque não tiveram a dedicação, a disciplina ou a capacidade de trabalho destes.
Esta lição nunca foi tão importante como hoje é, porque a globalização não vai perdoar aos jovens que não forem "muito, muito bons".
Isso de ser apenas dos melhores do bairro, da cidade ou até do país, cada vez valerá menos. Ou se trabalha para estar entre os melhores do mundo, seja qual for a área, ou o nível profissional, ou o seu futuro será sombrio.
Os jovens que se arrastam à espera que o futuro venha de qualquer lado, de preferencia do Estado, arrastam-se a sí e aos países para o descalabro.
Não se pense que os nossos jovens vencedores em França não seriam ninguém se o futebol, ou até mesmo outro desporto de competição, não existissem. As suas qualidades de trabalho e de superação teriam certamente feito deles gente especial em qualquer campo de actividade, mesmo que sem o sucesso financeiro e mediático que o futebol lhes permitiu.
Taça ou não taça, pouco ou nada importa, isso é apenas folclore deste "show-business".
O IMPORTANTE É A LIÇÃO

segunda-feira, 4 de julho de 2016


SERÁ BOM CHEGARMOS À FINAL?

Sei que nos dias que correm esta pergunta é quase uma "traição à Pátria", apesar disso vou continuar.
Temos aqui de considerar dois tipos de impactos, os externos e os internos.
Começando pelos efeitos externos, eles podem ser globalmente pouco significativos mas têm a vantagem de ser neutros ou positivos.
Aqueles efeitos seriam sobretudo positivos junto dos nossos emigrantes espalhados pelo mundo, aumentando o seu sentido de pertença a uma comunidade que não lhes leva muitas razões de conforto ou alegria. Seriam também positivos em grande parte dos PALOPs, que nestas questões do futebol ainda estão ligados aos grandes feitos internacionais das equipes portuguesas quando eles acontecem, até mesmo no Brasil o efeito na nossa imagem poderia ser positivo embora pouco significativo. Quanto ao impacto no resto do mundo, as coisas já não seriam tão simples, chegar à final a "coxear", numa de apenas "ir passando" sem se perceber bem como, em nada melhorará a nossa imagem internacional, pelo que tudo dependerá da nossa actuação, não apenas técnica mas também comportamental.
E agora o mais complicado, qual será o impacto interno efectivo? Todos ficaremos muito contentes, por alguns minutos/dias voltaremos a ser os "heróis do mar" e outras baboseiras pseudo-patrioticas que gostamos de invocar. O nosso bi-polarismo continuará intacto, variando entre os melhores e os piores do mundo, continuando sem encarar os nossos problemas reais nem as soluções para eles. Terá sido apenas uma boa festa, sem ressaca de maior, permitindo manter o nosso mundinho de fantasia.
Enquanto estes grandes acontecimentos desportivos, forem vistos por nós apenas como grandes espectaculos catarticos e não como lições de trabalho e de superação, individual e colectiva, eles serão apenas perda de tempo e dinheiro, e um grande negocio para uns poucos.
Gosto
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quarta-feira, 15 de junho de 2016




PORQUE NÃO HÁ GESTORES PRESOS?

E o mais grave é que depois de tudo quanto se passou as coisas não vão melhorar, as fraudes vão continuar a acontecer sem que haja culpados.
Foram dezenas de milhares de milhões de euros que se esfumaram no ar, por incompetência, por omissão, por dolo, por fraudes diversas, com e sem conivência política.
Apesar de tudo isso, na verdade ninguém quer mudar nada, assim se garante que tudo irá acontecer de novo. Outra vez sem culpados.
Existe um grande e pacifico entendimento entre as diversas elites para que tudo assim continue, seja o bloco central das negociatas, os empresários que sempre viveram à custa do estado e dos seus erros, os políticos que aguardam benesses presentes e futuras, os escritórios dos advogados de negócios, a esquerda radical que joga no quanto pior melhor, os sindicatos e comissões de trabalhadores que nunca viram nada e vão continuar a não ver, os reguladores e fiscalizadores que não regulam nem fiscalizam, os legisladores que não legislam.
Como se compreende que até em países como o Brasil, que nós tanto gostamos de criticar, caso haja indícios de alguma situação grave num banco, no dia seguinte todos os bens de todos os administradores, executivos e não executivos, são congelados, e que entre nós, até mesmo quando os bancos vão à falência nada aconteça?
A quem beneficia este estatuto de impunidade dos gestores da banca e das grandes empresas públicas e privadas? Quem protege os depositantes, os accionistas, os trabalhadores, o interesse público, etc? Na verdade ninguém,está tudo demasiado interessado em outras questões.
Este processo só irá parar quando os gestores da banca e das SA's passarem a ser responsabilizados civil e criminalmente pela gestão das empresas em que estão. Isso irá não só proteger todos os "stakeholders", como até os gestores competentes e honestos que por vezes não têm nem capacidade, nem justificação, para resistir às pressões dos "poderosos", sejam eles políticos, accionistas, chefes enlouquecidos, ou outros.
Do que se está à espera?
Vai ser preciso que desapareçam outros 50 biliões?

segunda-feira, 13 de junho de 2016


O BREXIT, UMA OPORTUNIDADE?

A Europa está em tal mau estado, que uma saída do Reino Unido da Comunidade ou desencadeia a sua desintegração, ou a salva.
Uma Comunidade em que todos acham que apenas os outros é que têm de fazer alguma coisa para a sobrevivencia colectiva, é uma entidade em risco de vida.
Assim é com a Europa, com uma esquerda radical que não a quer, uma esquerda moderada que julga que a solução para tudo é que os países ricos passem cheques em branco aos países pobres, uma direita que não sabe bem o que quer, uma extrema direita crescentemente xenofoba que quer apenas retirar vantagens enquanto tal for possível, e no meio de isto tudo uma Alemanha que continua a acumular crescentes saldos comerciais e se recusa a fazer uma política fiscal que dinamize a sua e as outras economias. Tudo isto sem uma visão à altura dos desafios, sem um líder, apenas conduzida, em teoria, por um bando sem fim de burocratas, de qualidade variável e custo enorme, tão perdidos e divididos como todos nós.
Num cenário mundial cada vez mais complexo para a velha Europa, com a perda da sua importancia relativa, as ambições de Moscovo, o Mediterrâneo em ebulição e o provavel distanciamento dos Estados Unidos. Neste quadro, o espaço e o tempo de manobra europeu estão a reduzir-se, rápida e significativamente.
O Brexit pode por si só pôr o projecto europeu à beira do desastre, não porque a saída de Inglaterra/RU não fosse gerível sob o ponto de vista económico, mas porque desencadeará uma decomposição política e psicológica que levará à desintegração, isto, caso a Europa não consiga finalmente reagir de uma forma forte, uníssona e convincente.
O Brexit, a confirmar-se, será a vacina ou o começo do fim.

quinta-feira, 9 de junho de 2016



O PRESIDENTE TRUMP

Quer gostemos ou não, só muito dificilmente Hillary poderá bater Trump.
Primeiro porque os americanos gostam de mudar de presidente, em especial depois de dois mandatos, e mudar quer dizer mudar realmente, não é ir para soluções que cheiram a mais do mesmo, ainda por cima com pior qualidade.
Pode haver mudança mais radical do que de Obama para Trump? Quase impossível, e é essa uma das razões porque Trump vai ganhar.
Obama é um intelectual, Obama é cauteloso, Obama conhece todos os grandes dossiers do país, Obama é um grande comunicador e dono de um enorme auto-controle, Obama é também um diplomata consumado.
Trump é um empresário de sucesso do imobiliário e com grande pratica de show televisivo tipo USA, Trump não conhece nenhum dos dossiers nacionais e sobre todos eles tem varias opiniões, todas elas contraditorias entre si, Trump tem um caracter explosivo mas que ele sabe usar em seu beneficio e controlar quando necessario, Trump, em termos diplomaticos, é aparentemente um troglodita, mas o seu curriculum está cheio de importantes sucessos negociais.
A segunda razão porque Trump vai ganhar é porque os americanos se sentem desorientados. Onde está a realização do sonho americano? Onde estão as casas, os carros, os empregos, o futuro sempre risonho? Estes emigrantes todos vão ou não destruir a America? Vamos continuar a mandar os nossos rapazes e o nosso dinheiro para defender países que nem sabemos onde ficam e que não gostam de nós? Vamos deixar que a China e outros países destruam as nossas empresas e os nossos empregos? Vamos continuar a gastar fortunas para defender a Europa, para ela poder gastar o seu dinheiro num estado social que nós não temos? Não será que as coisas vão mal nos USA porque toda a gente se aproveita da nossa boa vontade? E por aí vai...
Pode haver alguém melhor que o cowboy Trump para responder a todas estas angustias? Desenganem-se os que pensam que existe.
Agora apenas o proprio partido Republicano poderia parar Trump, e não parece que o vá fazer.
Mas, para surpresa das surpresas, Trump poderá até vir a ser um bom presidente dos Estados Unidos.
O que é grave para nós, é que ele nunca será bom para a Europa.

sexta-feira, 6 de maio de 2016



A ESQUERDA DOS VELHOS

Dos velhos, em especial dos que já não têm muito tempo.
Daqueles a quem a conta só chegará depois de terem partido.
Esquerda que trai os jovens vendendo mentiras, ilusões impossíveis e empurrando-lhes o futuro.
Dos funcionários, dos protegidos, dos instalados e de todos quantos couberem á mesa do orçamento.
Dos profissionais da política, dos eterna e exclusivamente sindicalistas, e dos que vivem do comercio de esperanças.
Esquerda, por ironia das coisas, apoiada por jovens e criticada por velhos para quem o tempo já se vai esgotando.
Assim marchamos, sem fé, nem coragem, nem valor.
Apenas cegos, rumo ao desastre.

O BRASIL E OS MILITARES
Existe saída para o Brasil sem a intervenção dos militares? Cada vez mais dificilmente.
A classe política está na sua quase totalidade descredibilizada, e o pior é que o actual o sistema político não tem quaisquer condições de gerar uma nova classe política, que seja de facto diferente da que existe hoje.
Existem condições reais para uma rápida mudança do sistema político? Existe uma figura nacional que possa liderar uma tal tarefa? Também dificilmente. As poucas personalidades que poderiam ter prestígio para o fazer, não têm nem suficiente experiencia, nem peso político para o poderem concretizar.
É já tempo para os militares? Ainda não, mas é tempo para que se preparem, porque muito provavelmente em breve serão "chamados".
Quão breve? Um ano? Dois? Tudo vai depender do nível do caos a que se chegue. Aí será tempo de, em nome da "unidade territorial" do Brasil, as Forças Armadas avançarem.
Esperemos apenas que desta vez, como Castello Branco já queria que tivesse sido da outra vez, venham apenas para "arrumar a casa" e que depois regressem aos quarteis.

segunda-feira, 18 de abril de 2016



COSTA O MALABARISTA SIMPÁTICO

Depois de um Passos chato,com um discurso cinzento, pesado, calvinista, carregado do elogio das virtudes da austeridade, quase de uma nota só, como as cassetes do PC, depois de tudo isso, por fim, os céus abriram-se radiosos e surgiu Costa!
Costa é alegria, Costa é esperança, Costa tem solução para tudo. O desemprego aumenta e Costa sorri, o PIB pára de crescer e Costa acha engraçado, o Investimento deixa de existir e Costa dá uma gargalhada.
A banca está falida?! não há problema, faz-se um novo banco. Como? Porquê tanta preocupação? Isso depois se vê, o importante é a ideia.
Afinal era tudo tão fácil, porque é que Passos nos torturou? Passos é certamente um psicopata, não podemos perdoar-lhe o que nos fez, a nós e ao país. Julgue-se Passos! Condene-se Passos! Pela alegria que nos roubou, pela esperança que não nos deu, pelo futuro que não nos queria dar.
No barco, que com Passos flutuava penosamente num mar difícil, agora pelo menos existe festa a bordo, os pessimistas e reaccionários dizem que mete água, tudo mentira. Agora sim, agora navegamos e nem o mar está tão mau como se dizia!
E Costa continua sorridente, na única esperança de mais um golpe de sorte, como os muitos que tem tido, que leve a Europa a mudar de política e que assim a geringonça consiga sobreviver, mesmo sem bússola, nem cartas, nem conhecimentos de navegação e com todas as suas trapalhadas a bordo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016



ONDE ESTÁ VITÓRIA DE COSTA ??!!
Como expliquei no texto de ontem, o Orçamento seria aprovado, porque formalmente ele preenchia os requisitos mínimos. Para mais, já depois de eu ter publicado aquele texto, Costa ainda fez mais concessões a Bruxelas, pelo que não havia como não o aprovar. Mas a questão não é essa.
O que importa saber é:
- Bruxelas acredita de facto na exequibilidade do orçamento proposto?
- O governo vai conseguir conter a despesa pública dentro dos valores anunciados?
- O governo vai atingir a receita prevista com as medidas apresentadas?
- Este orçamento, conjugado com as outras medidas que o governo tomou e vai tomar, é bom para a economia ou vai levar-nos à estagnação total?
Na minha opinião este orçamento é uma manta de retalhos, e portanto tecnicamente mau no seu conjunto.
Acho mesmo que tudo isto é apenas uma ficção paranoico-esquizofrenica, e que os "médicos" de Bruxelas se limitaram a dar a oportunidade aos loucos locais para fazerem a sua "pequena experiencia", na esperança de que aprendam com os resultados que vão obter. Claro que, como todos os loucos, nada vão aprender e lá para o final do ano Bruxelas terá que fazer exigencias sérias antes do desastre total.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016



O ORÇAMENTO DE COSTA/CENTENO
NEM "TIA", NEM MULTIPLICADORES.
APENAS TEATRO

É evidente que Bruxelas pode aprovar o Orçamento proposto pelo governo embora saiba que ele não vai ser cumprido.
Primeiro porque formalmente ele é "aprovável", dado que apresenta gastos adicionais de 1.050 milhões de euros, que na verdade são apenas 750 milhões porque 30% daquele valor retornará ao estado por via directa de IVA, IRS e outros impostos e taxas. Para cobrir esses 750 milhões Bruxelas aceita que o governo "arranje" apenas mais 675 milhões em aumentos de impostos e a criação de novos. Bruxelas está assim a dar uma "borla" de 75 milhões ao governo, mesmo sabendo que nada disto será cumprido.
E não será cumprido porque o governo terá muita dificuldade em recolher os tais 675 milhões onde ele diz, e mais cedo ou mais tarde irá apresentar de novo a conta à classe média, através do IVA, IRS, IMI, e outros.
Além disto, todos sabemos que para além daqueles 1.050 milhões existem outros tantos não assumidos, escondidos nas 35 horas, nas benemerências na educação, na saúde, na reversão de concessões, nas reivindicações das EP's, e um pouco por todos os ministérios. A soma destes dois efeitos levará o buraco de 2016 bem para além dos 1.000 milhões.
E para o ano de 2017, já não contando com novas "generosidades", podem desde já somar-se mais mil milhões, que advirão do simples custo adicional das medidas tomadas em 2016 com efeitos aumentados em 2017.
Sonhar que existirá um efeito positivo por acção dos multiplicadores, é mesmo só sonho, ou simples fraude intelectual. Quem vai investir e contratar pessoal no quadro que se criou de incerteza das regras laborais? Com a actual carga fiscal? Com a instabilidade fiscal total? Com a Intersindical em rédea solta? Com uma Frente Popular no poder? Com o previsível aumento das taxas de juro para financiamento? Estamos a brincar?
Centeno gosta de pensar que está a governar com o programa do PS, que era um programa que continha alguns riscos, mas que poderia fazer funcionar os tais multiplicadores. Mas a verdade é que não está, a sua pressa de ser ministro levou-o a aceitar gerir um programa que é apenas uma manta de retalhos,de uma Frente em fuga (para a frente).
Como sempre disse, o primeiro semestre de 2016 seria uma festa (aliás esperava melhor), o segundo seria tempo de começar a explicar a Bruxelas porque é que a realidade se recusa a aceitar o programado, no final do ano já ficará claro que o buraco adicional já vai acima de mil milhões e que se nada se fizer será de mais dois mil milhões em 2017.
Aí, Bruxelas, dar-nos-à a escolher, entre a porta da saída e um Orçamento draconiano para 2017.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016




VOTAR MARCELO

Pode-se gostar mais ou menos de Marcelo, podem ser-lhe apontados muitos e diversos pequenos defeitos, mas, por outro lado, não lhe podem ser negadas grandes qualidades, humanas, intelectuais, de trabalho, de sentido cívico e de comunicação.
Os defeitos que muitos lhe apontam não são mais que uma caricatura dos defeitos de todos os políticos. Os políticos vivem de habilidades, de manobras, de jogadas e até mesmo da mentira "necessária". Só que os verdadeiros profissionais da política o fazem de forma camuflada e sempre que possível por via indirecta, enquanto que Marcelo sempre o fez de forma a "ser descoberto", a sua finalidade nunca foi a de usar essas "artimanhas" para acumular poder para usar no futuro, as suas jogadas foram sempre mais diatribes a que não resistia e que eram a sua maneira de provar o seu poder de influenciar. Diatribes essas que para seu gozo pleno tinham mesmo de ser "descobertas", ou melhor ainda, se possível, ser alvo de suspeitas muito fortes nunca totalmente confirmadas..
O único prejudicado daquelas diatribes foi ele próprio. Quem tenha um projecto de poder pessoal nunca poderá ir por aquele caminho, que cria inimigos de forma desnecessária, origina desconfiança no circulo de amigos/grupos de apoio e gera confusão.
Também aqui Marcelo não cedeu em nada, foi sempre ele próprio, sabendo bem os custos políticos dessa maneira de estar. Foi por essa razão que ele apostou tudo na sua capacidade de comunicação e assim, com uma enorme paciência e dedicação, consagrou anos a fio a estabelecer uma relação directa com os portugueses, não apenas por via da televisão, mas estando sempre, incansavelmente, em todo o lado onde houvesse pessoas para contactar. Mais uma vez Marcelo fez sozinho o seu caminho, à sua maneira.
O Marcelo Presidente, não será certamente o Marcelo das diatribes da sua juventude, mas o das suas grandes qualidades.
Como já escrevi num texto anterior, esta campanha e a estratégia de Marcelo orientaram-se mais para uma "Aclamação" do que para uma eleição.Eu sou dos que teria preferido uma campanha que fosse uma intensa e elevada discussão de ideias, não foi por aí que as coisas foram, e dificilmente o poderia ter sido com os candidatos envolvidos.
Domingo não pode haver optimismos, nem comodismos. Marcelo pode ganhar mas ainda não ganhou e se por acaso não ganhasse, as coisas poderiam ser muito complicadas em Portugal.
O país está de novo a caminhar rapidamente para o agravamento da crise económica e o pior que nos poderia acontecer seria acordarmos um dia com um presidente como o Dr Nóvoa., de passado nebuloso, misto de actor de segunda, mau poeta, bispo envagélico e pseudo-ideólogo. Personagem disposta a apoiar e até a dinamizar todas as experiências radicais que as suas visões messiânicas justificam. Isso seria a receita certa para o grande desastre nacional.
Votar é preciso!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015


A VERDADE SOBRE O BANIF
O Banif foi, pura e simplesmente, um banco que nunca devia ter existido, o que faz dele um caso um pouco diferente, e sob certo ponto de vista mais grave, dos outros dramas da nossa banca.
Quem autorizou a criação do Banif? O país precisava de mais esse banco? O banco tinha a competência técnica necessária? Porque o BP aprovou a sua criação?
O Banif foi o coroar de uma carreira de sucesso de um empresário, dinâmico, corajoso, que sabia relacionar-se bem, e que no final, por sua iniciativa ou influenciado por outros, quis ser banqueiro. Tinha condições para o ser? Claro que não, mas no quadro nacional foi apenas mais um.
Tenho para mim que foi o Banif que matou Horacio Roque, quando ele percebeu o buraco em que estava metido, o coração pura e simplesmente não aguentou. Apesar disso, os sucessores, os gestores, o BP, os parceiros, e a propria imprensa, continuaram a fazer de conta de que ali existia um banco notável.
Quem ficou rico neste processo que vai custar alguns biliões a todos nós?
Como foi possível isto acontecer?
- primeiro a incompetência e corrupção nacionais
- depois a qualidade da nossa imprensa, que só vê o óbvio, sempre demasiado tarde
- adicione-se a pratica nacional de empurrar com a barriga todos os problemas delicados
- junte-se Bruxelas, que geriu os problemas da banca da Europa continental com incompetência total
Recorde-se apenas o que fizeram os EUA e o Reino Unido quando os problemas rebentaram, primeiro decidiram quais os banco que podiam ou não falir. Depois, os que foram considerados demasiado importantes para poderem falir e estavam em maus lençois, foram todos, pura e simplesmente, nacionalizados de imediato, sob diversas formas mais ou menos disfarçadas. Por esta via assegurou-se a estabilidade do sistema, e em pouco tempo todo o investimento público feito nesses bancos foi recuperado com ganhos para os Estados. Por cá, e também um pouco por essa Europa fora, todos sabemos o que se passou.
Desde 2010 que venho escrevendo isto, sem qualquer resultado prático, assistindo apenas ao desenrolar da incompetencia, das negociatas e da corrupção.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015



AGORA TUDO DEPENDE DO REI
Este é o grande desafio de Filipe, ou ele o vence, e assim consolida a sua imagem e posição como Rei de Espanha, ou, caso contrario, Filipe e o país terão tempos complicados pela frente.
A situação espanhola é extremamente complexa, aliás nunca deixou de o ser, sobretudo estruturalmente, mas agora também no ponto de vista conjuntural.
No ponto de vista estrutural a sempre presente questão das autonomias/nacionalidades, as ainda vivas feridas da guerra civil e a "vivacidade" do povo espanhol, representam riscos significativos em quadros de instabilidade. No plano conjuntural, o elevadíssimo nível de desemprego, os escândalos de corrupção, as exigências de Bruxelas e a urgência Catalã, acrescentam ainda maiores dificuldades potenciais ao quadro espanhol.
Aqueles factores, aliados a uma pulverização partidária, são uma boa receita para o desastre.
Como vai Filipe usar os poucos poderes que tem? Não existirão muitas saídas, mas ele pode ainda ser o articulador de uma solução que funcione, o que seria bom para Espanha e para a própria sobrevivência da monarquia.
O caminho mais seguro seria tentar promover um governo sem Rajoy, apoiado por PP e PSOE. Um governo de "crise, salvação, ou o que lhe queiram chamar", para fazer as reformas estruturais, resolver a questão catalã, e relançar a economia.
Para fazer uma coisa destas talvez não fosse mau Filipe começar por ver o que Cavaco fez recentemente, aí ficaria, pelo menos, com uma lição clara sobre tudo o que de errado se pode fazer.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015



MADURO CAI, LE PEN SOBE, TSYPRAS ENTREGA-SE
POR CÁ BE E PCP MANDAM

Até quando?
O PS dispôs-se a pagar qualquer preço para ser poder, terá por algum tempo o poder de distribuir favores aos amigos e pouco mais.
Em contrapartida teve de dar urgente prioridade nacional a toda a agenda de "medidas fracturantes" do BE, por mais idiotas que elas fossem, teve também de dar ao PC e à CGTP tudo quanto eles queriam e terá de continuar a dar o que eles ainda querem.
O PS julga que pode saciar os seus aliados, não pode, eles vão querer sempre mais. Mesmo depois das experiências de Maduro e Tsypras eles vão continuar a querer mais. Os ideais revolucionários não se detêm perante esses pequenos percalços da história, custem eles o que custarem aos seus povos.
Uma frente que o PS nem sequer teve a clarividência de liderar desde o nascimento e que deixou que o PCP comandasse, tinha de dar nisto. Uma Frente sem mesmo um Acordo sério entre os seus membros, não é uma Frente, é apenas uma ratoeira bem montada aos aventureiros do PS responsáveis por esta experiência sem "para-quedas", experiencia essa que o país vai pagar caro.
Quanto tempo homens como Centeno e Caldeira Cabral poderão sobreviver nesta aventura, subrepticiamente comandada por bolivarianos, trotskystas e estalinistas?