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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020




O RACISMO E OS PORTUGUESES
(DANIEL OLIVEIRA E OUTROS)

Era minha intenção não voltar aos grandes textos, que poucos lêem e exigem algum tempo para produzir.
No entanto a importância deste tema para o nosso futuro colectivo e o volume de disparates que sobre ele se vão propalando, obrigam-me a este esforço.
Estou convicto de que se a actual falta de senso sobre estes problemas continuar a prevalecer, nas próximas eleições presidenciais Ventura ultrapassará facilmente os 20%, e a partir daí tudo será possível.

Para facilitar aos leitores a selecção de algum tema que lhes possa interessar neste longo texto, refiro abaixo o índice:

1-O "Ensaio" de Daniel Oliveira no Expresso

2-Portugal e a Escravatura

3-Colonialismo Português igual ao dos outros?

4-Colonialismo Tardio

5- Portugal dos mais racistas da Europa?

6-O que é o Racismo

7-Combater o Racismo

1- O "Ensaio" de Daniel Oliveira

Quero começar por dizer que sou um leitor assíduo de Daniel Oliveira e embora muitas vezes não concorde com ele, reconheço-lhe uma enorme capacidade de análise e também de síntese,
Ao contrario de muitos textos seus que, apesar de curtos, podem justamente ser classificados como ensaios, este texto nada tem de ensaio, não é possível descortinar nele uma tese e a sua demonstração/defesa, trata-se de facto apenas da apresentação de uma serie de teses sem qualquer demonstração, em resumo, o texto é apenas um grande desabafo.
É pena que assim seja, o país certamente não precisava deste texto, sobretudo neste momento.

2-Portugal e a Escravatura

Nem Portugal nem a Europa inventaram a escravatura, nem mesmo o esclavagismo africano, que ali já estavam implantados muito antes dos países europeus lá chegarem. Os europeus apenas desviaram a corrente do trafico de escravos do eixo africano Sul/Norte para o Atlântico.
Também não foram os europeus que andaram pelas "savanas" africanas a perseguir potencias escravos, esse trabalho era feito desde há muito pelos povos locais, que, no contexto das permanentes lutas tribais faziam escravos os inimigos que não matavam, esses escravos depois ou eram mantidos junto dos vencedores ou vendidos para as redes esclavagistas continentais, tendo como principal destino o norte de África.
O Grande Pecado europeu foi ter entrado nesse "negocio" quando a moral oficial europeia já não admitia tais praticas, pecado agravado por ter dado uma muito maior dimensão a essas praticas, quando as transformou num negocio Intercontinental, para um mercado imenso e sedento de mão de obra.
Tudo o que se passou nesses tempos foi imoral, mesmo para os padrões da época e claramente criminoso aos olhos de hoje, mas tal só foi possível pelas praticas milenares desses povos,
Nestes processos os únicos inocentes foram os que acabaram sujeitos à escravatura, todos os outros foram culpados, por acção ou omissão. Se fossemos agora procurar entre os nossos avós todos os culpados, brancos e negros, a lista não será bonita de se ver, mas para que serviria isso?
Sempre que a logica dominante for a de Rousseau e do seu bom selvagem, versão tão querida à esquerda, não iremos a lado nenhum, apenas construiremos um radicalismo oposto a esse radicalismo do bom selvagem e da maldade do homem branco.
Este tipo de raciocinios no limite levariam a que a Alemanha viesse a exigir indemnizações a Itália, pela quantidade imensa de escravos germânicos feitos por Roma!
Ou vamos ser sérios, analisamos a nossa historia à luz da realidade do que eram e do que fizeram as nossas sociedades em cada época, ou não iremos compreender nada do que se passou, nem evitar erros futuros e apenas fomentaremos a radicalização que não controlaremos.

3-Colonialismo Português igual ao dos outros?

O colonialismo português teve características muito especificas que não fazem dele um colonialismo "bonzinho", mas um colonialismo com características especiais que não podem nem devem ser ignoradas.
O nosso colonialismo foi diferente pela sua antiguidade, pela nossa dimensão, pela nossa pobreza, pelo impossível sonho imperial, pelo tardio e sobretudo pela nossa personalidade individual.
Samora Machel, o presidente que, para mal de Moçambique e da Lusofonia, morreu demasiado cedo, explicou melhor do que ninguém essa característica portuguesa que nos fazia diferentes dos outros colonizadores. Machel, que tinha uma relação de amor-ódio com Portugal e os portugueses, dizia que numa conversa com outro presidente africano em que lhe contava como os portugueses o tinham ensinado a apreciar o vinho e a distinguir a qualidade dos diferentes vinhos, ao que o outro presidente lhe terá dito "vocês tiveram sorte, a nós os ingleses nunca nos ensinaram nada das coisas do mundo deles".
Podemos também lembrar o conto de Somerset Maugham, sobre o Governador inglês de uma minúscula colónia inglesa perdida no Pacifico (ou local semelhante), que anos a fio, todas as noites vestia o seu smoking para jantar sozinho na mesa impecavelmente posta pelos criados indígenas, sempre solitário, aguardando apenas a ordem de regresso a Londres, ordem essa que ao que parece nunca chegou., isto tudo no meio de uma população indígena que nada lhe dizia. É óbvio que isto seria impossível com qualquer governador português, que, o mais tardar ao segundo dia, estaria já na sanzala a conviver com quem por lá andasse.
Fico pelas razões que advieram das nossas características pessoais e que justificaram parte das nossas diferenças como agentes coloniais, para entrar nos outros pontos (dimensão, pobreza, sonhos imperiais,etc) seriam necessários longos textos, que não cabem aqui.
O nosso colonialismo não terá sido bonzinho, mas foi certamente diferente e isso deveria ser estudado de forma objectiva.

4-Colonialismo Tardio

Aqui Daniel Oliveira tem razão, o nosso colonialismo efectivo é tardio, tão tardio que é quase espantoso como foi possível atravessar todo o secXIX e grande parte do XX, sem ter perdido essas colónias para outras potencias, isso foi conseguido por via de uma boa diplomacia e da tenacidade dos nossos colonos, aventureiros ou não.
O nosso colonialismo foi tardio por causa da nossa pobreza e da nossa desorganização.
Apenas depois de Salazar arrumar as contas públicas e depois de acabada a 2ª Guerra Mundial se pôde começar a pensar e executar uma politica colonial/ultramarina.
A verdade é que o nosso colonialismo tardio, foi ao longo de mais de cem anos, culpa de diversos governos, monárquicos e republicanos, autoritários e democráticos, mas o que interessa discutir não é como isso aconteceu, até porque em linhas gerais isso é conhecido.
A grande questão é saber se o colonialismo tardio foi bom ou foi mau? E para quem foi bom e para quem foi mau?
A direita e a esquerda que me desculpem, mas para mim esse colonialismo tardio só foi mau para Portugal (o chamado Continente e Ilhas) e foi bom para a Lusofonia (valha isso o que valer) e para as ex-colónias.
Foi mau para Portugal porque nesse processo perdemos enormes recursos, em especial de vidas humanas, durante os 13/14 anos de guerra, além de que, esse esforço colonial final, atrasou enormemente a nossa integração na Europa moderna.
Foi bom para as ex-colónias porque se não tivesse existido esse último fôlego do colonialismo tardio, essas colónias teriam sido desmembradas e dividas entre países vizinhos, além de dilaceradas por enormes guerras mais ou menos tribais. Isto, porque foi apenas o colonialismo tardio que permitiu de facto a expansão da utilização da língua portuguesa como elemento de unidade nacional e de diferenciação dessas ex-colónias em relação aos países vizinhos.
Para o bem ou para o mal, dificilmente esses países existiriam hoje se não tivesse existido o tal "colonialismo tardio".

5-Portugal dos mais Racistas da Europa?

Sem dúvida que existe racismo em Portugal, racismo esse que será maior que em alguns outros países europeus, como seja o caso francês e talvez alguns outros, mas o pior é que esses níveis de racismo podem vir a aumentar se se continuarem a acumular erros neste campo, tema esse que será desenvolvido no ponto seguinte.
Neste ponto quero apenas referir um estudo recente, que é citado como científico, que analisa os diferentes níveis de racismo nos países europeus, estudo que foi divulgado recentemente e que teve eco na comunicação social, tendo nela sido referido por Conraria, Marques Lopes e Daniel Oliveira.
Aquele estudo atribui a Portugal péssimos resultados tanto em termos de racismo biológico, como também de racismo cultural.
Para quem conheça minimamente a Europa, os resultados são totalmente incompreensíveis, não sei se o problema foi a amostra utilizada, a formulação das questões ou mesmo a falsificaçaõ da aplicação do estudo noutros países, mas é óbvio, para qualquer pessoa que conheça bem a realidade europeia, que o estudo é um aborto
Alguém acredita que os níveis de racismo sejam mais baixos na Hungria ou ou na Polónia do que em Portugal?
Que o estudo é um disparate, pago pelos dinheiros públicos, não pode haver dúvida, se isso aconteceu por incompetências diversas ou se faz parte de alguma agenda politico-social é que seria interessante saber.

6-O RACISMO

Para enquadrar o problema é indispensável começar por uma analise do que é o racismo em termos gerais.
Dos identitários de direita até ao identitarismo de esquerda, existem muitas teorias sobre racismo, todas elas são obcecadas apenas pelo conceito de raça.
Julgo que a base do racismo só aparentemente é simplesmente a raça, o racismo corresponde a um fenómeno humano que tem a ver com os nossos medos ancestrais, com os contextos históricos e geográficos dos diferentes povos e com a instrumentalização politica daqueles medos e contextos.
Curiosamente, dizer que existem povos racistas e outros que o não são, é em si mesmo uma concepção racista pelo que afirmar que o racismo é um exclusivo branco (ou de qualquer outra cor) é em si mesma uma declaração racista.
Não é a raça que determina o racismo, mas sim os medos, a historia e os aproveitamentos político-económicos que artificialmente são construídos..
O racismo tem que ser compreendido como aquilo que ele intrinsecamente é, ou seja como um fenómeno humano, portanto de todos os humanos.
Ao longo de dezenas de milhares de anos, os humanos e os seus antepassados, tal como os outros animais, só sobreviveram graças ao medo e à desconfiança, desconfiança de tudo mas especialmente do que fosse diferente, e não existe nada mais estranho que um outro humano que seja aparentemente muito diferente e simultaneamente muito semelhante, é essa a base do racismo.
Em cima daquela base veio a longa historia dos encontros e desencontros daqueles humanos fisicamente diferentes entre si, que, como todos os humanos, se guerrearam, se mataram, se escravizaram, se alternaram no poder e que por essas vias se foram aproximando e afastando, com resultados mais ou menos traumáticos.
Não quero com isto dizer que o racismo seja igual em todos os países,isto embora a origem do fenómeno seja a mesma.
O racismo tem diferentes características e intensidade de país (região) para país, mas essa diferenças nada têm a ver com as raças envolvidas, mas sim com a historia dos contactos desses mesmos povos com outros povos diferentes, assim como com questões de ordem económica, social, cultural e política.
Naquele quadro é óbvio que populações de países com menor contacto com povos diferentes, ou com experiências muito negativas desses contactos, sejam mais "desconfiadas-racistas", como seria por exemplo o caso dos países da Europa Oriental e tendencialmente o caso de todos os povos de regiões mais isoladas ou mais martirizadas por invasões diversas. Neste quadro o racismo relativamente a povos nómadas (ou semi-nómadas) reveste características especiais e diferentes.
Para além deste racismo "natural", existe um outro tipo de racismo, substancialmente mais perigoso, que é o racismo instrumental, o racismo que é construído com objectivos políticos, económicos ou sociais. Nestes casos diaboliza-se a "diferença", seja física, cultural ou religiosa, para atingir outros fins.
A historia, e até o presente, estão cheios de exemplos dessa instrumentalização.
Para Portugal é imperioso combater, reduzir e anular o "racismo natural" e sobretudo não dar tréguas ao racismo instrumental, venha ele de onde vier. Isto tanto mais que os níveis de racismo são facilmente agravados em qualquer crise económica ou social.

7- Combater o Racismo

Combater o racismo tem de ser uma prioridade nacional, por causa da nossa historia e sobretudo por causa do nosso futuro.
Seremos cada vez mais um país de imigração, sobretudo vinda de outros países de língua portuguesa, mas esse processo só terá sucesso e será benéfico para todas as partes se existirem políticas públicas que baixem o nível de conflitualidade potencial.
O nosso maior problema nesta área é a baixa percentagem de negros que em Portugal ascende às classes médias, mas isso não pode ser encarado como um problema a resolver com quotas para os negros, o que apenas viria agravar de forma violenta os problemas raciais em Portugal, nós precisamos é de quotas/apoios para os mais pobres, independentemente da sua cor.
Para combater o racismo é indispensável impedir a guetização, garantir a segurança publica para todos os cidadãos, emigrantes ou não, investir forte na educação e na promoção social dos extractos mais pobres da população independentemente das respectivas raças, assim como impedir que a criminalidade se aproveite dos mais desprotegidos e recrute nessa juventude para o mundo do crime, tem também de ser feito trabalho a nível cultural, desportivo, de actividades sociais e de comunicação que normalize o relacionamento inter-racial, é também preciso re-educar as forças de segurança, mas fazendo-o de de uma forma inteligente (são eles que apanham directo com toda a conflitualidade) e não com o tipo de medidas habituais.
É indispensável não pensar que o racismo se pode combater com racismo de sinal contrario, como é também necessário que a comunicação social enverede por outro caminho em relação às questões raciais, embora ela não possa ser caixa de amplificação dos conflitos que se verifiquem, ela tem de ser um palco permanente de procura de soluções e não se refugiar no "assunto tabu".

domingo, 2 de fevereiro de 2020



O CORONAVIRUS ESTÁ MUITO ARREPENDIDO

Em declarações à imprensa o Vírus manifestou o seu profundo arrependimento por ter tentado expandir-se na China.
O regime totalitário daquele país ter-lhe-á criado enormes dificuldades, "dificuldades essas profundamente injustas, os vírus também têm direito à vida!" declarou o Vírus em causa.
O Vírus terá dito ainda que da próxima vez irá directo para Portugal, país onde não existe o obsceno e imoral regime da quarentena.
O Vírus terá declarado ainda que naquele país do sul da Europa espera contar com o apoio de uma nova mas já celebre deputada, identitarista de esquerda e defensora de todas as minorias e géneros, que certamente apoiará a justa causa do tão maltratado Corona.

sábado, 1 de fevereiro de 2020





SERÁ QUE MARTA TEMIDO VAI SER A PRIMEIRA VÍTIMA DO CORONAVIRUS EM PORTUGAL?
Calma! Não estou a falar de morte física.
Estou a referir-me apenas à morte política da senhora!
Como é que um avião fretado pela Comissão Europeia vai à China buscar algumas centenas de europeus, estando previsto que todos esses cidadãos sejam retidos em quarentena de pelo menos 14 dias nos respectivos países e apenas em Portugal! tal não está previsto!
Apesar de existir o risco de haver algum infectado nesse grupo de algumas centenas de pessoas, grupo esse que vai estar por longas horas fechado num avião, apesar de tudo isso, a ministra acha que basta falar com as pessoas e se tudo estiver bem cada um vai para onde quiser!
O que eu tenho esperança é que alguém em Bruxelas, já que em Lisboa parece que isso não vai acontecer, se aperceba das intenções da ministra e determine o que tem de ser feito

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020



A PROVOCADORA E O APROVEITADOR

O assunto em si é uma falsa questão, a devolução da arte africana está há já algum tempo a ser estudada entre Portugal e os países africanos, pelo que levar agora esse assunto para o Parlamento só pode ser visto como uma provocação, de uma deputada tresloucada que o Livre levou para o Parlamento.
É evidente que esse foi o melhor presente que poderia ser dado a Ventura, que o aproveitou de imediato.
De seguida, a quase totalidade da classe politica juntou-se solidariamente em torno de Joacine, dando a Ventura um segundo presente.
Só que uma coisa é a opinião da classe politica e outra a opinião da população que, dizendo-o ou não, está há já muito tempo farta da Joacine, que aliás festejou a sua eleição para o Parlamento com bandeiras da Guiné, o que até poderia ser natural se tivesse incluído uma simples bandeira portuguesa que fosse.
Este caso que deveria ter sido tratado como uma simples provocação de Ventura, converteu-se num acontecimento politico importante.
O que é grave é que casos como este têm tudo para ser muito negativos para as relaçoes inter-raciais em Portugal, pelo que a classe politica tem de se mostrar à altura das suas responsabilidades, o que não está a parecer que venha a acontecer.
O que sucedeu pode servir os interesses de Ventura assim como os dos identitaristas de Joacine, o que certamente não serve são os interesses do país.
Haja bom senso!

terça-feira, 28 de janeiro de 2020



AMIGOS TÓXICOS


Existem amigos que convém ter o mais longe possível, em especial na política.
As razões para essa "toxidade" são muito diferentes de caso para caso, vou aqui referir apenas alguns casos recentes e todos casos à direita e ao centro, que são os que me preocupam.

Miguel Relvas - não interessa se Relvas é ou não o mais tóxico dos amigos, mas na verdade essa é a imagem que a opinião pública tem dele.
O maior problema de Relvas é que insiste em continuar a ter um "papel" activo e público na política portuguesa, enquanto que outros com imagem semelhante à dele se retiraram discretamente para a sombra, a bem dos seus negócios e da sua influencia.
Não sei se foi Relvas que levou Montenegro à derrota, mas que não o ajudou, não ajudou

Pires de Lima - um gestor de sucesso que nunca se "sacrificou" pelo seu partido, não pode aparecer no congresso desse partido a dar um "raspanete" aos jovens e às bases desse mesmo partido (que são quem dá o litro), para mais, tudo feito com o ar de uma superioridade imensa e até deixando claro o incomodo de ter feito o favor de ir a Aveiro perder o seu precioso tempo.
Neste caso, o amigo tóxico chegou a um jogo empatado e desempatou-o a favor do adversário!

Passos Coelho - ao contrario de grande parte da direita tenho uma ideia muito negativa do que foi o governo de Passos Coelho, mas não é disso que se trata agora.
A verdade é que Passos ligou para sempre a sua imagem à do diabo, enquanto o diabo não vier (e tem de ser forte e não demorar muito), Passos será sempre um amigo tóxico.
Apesar de eu ser um critico do governo dele, até lamento essa toxidade de Passos, ele tem ainda fortes apoios, mas tem também um sem fim de anti-corpos que o tornam claramente um activo tóxico.

domingo, 26 de janeiro de 2020



O CDS, A DIREITA E RUI RIO

Como era previsivil o CDS virou à direita.
Previsivil porque, graças aos exageros do politicamente correcto, quase todo o mundo Ocidental está a virar á direita.
Previsível tambem, porque o PSD continua refém da paixão impossível de Rio por Costa.

O CDS percebeu que o eleitorado a conquistar e também aquele a não perder, estão à direita e nunca ao centro.
O centro, além de já estar sobre-ocupado, tem vindo a perder sex-appeal, processo esse que só se inverterá quando a radicalização voltar a assustar o eleitorado, até lá a vertigem de qualquer aventura é muito mais atractiva que a modorra do centro.

Tenho sido acusado de ser um radical de centro, acusação que talvez seja justa.
Foi por isso que acreditei que Rio conseguiria um acordo com Costa para fazer as grandes reformas sempre adiadas de que o país necessita. Aquele acordo ao centro não aconteceu e cada dia que passa ele é menos provável.
Foi por isso que julguei preferível a liderança de Montenegro, que talvez tivesse mais possibilidade de estancar a hemorragia à direita.

Salvo o caso de acontecer uma crise política antes das autárquicas que leve o PS a procurar o PSD, Rio levará o partido para o desastre eleitoral já nessas eleições e aí já não terá qualquer tipo de desculpa, será tudo sua responsabilidade .
O fervilhar de actividade política e de ideias a que vamos assistir à direita vão tirar muito abstencionista da apatia em que mergulhou.
Para além de não ir buscar eleitores nem à abstenção nem ao centro, o PSD vai continuar a os perder para a direita de forma crescente, como já perdeu para o IL e para o Chega.
Resta ao PSD esperar que os partidos à sua direita façam muitos erros, em especial na área social, para que o seu desastre não seja total.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020


AVISO GERAL DE JOÃO LOURENÇO?

O tratamento dado Isabel dos Santos terá sido um caso especial ou foi um aviso geral?
Caso se trate apenas de um caso especial, nada de positivo trará a Angola, ao contrario, se se tratar de facto de um aviso geral poderá vir a ter resultados muito positivos.
Desde a sua posse que João Lourenço anda a pressionar os plutocratas angolanos no sentido de repatriarem os seus bens no exterior, para isso foi até concedido um periodo gracioso de devolução sem penalizações, ao que parece esses repatriamentos foram poucos e de valor apenas simbolico.
Face à dificil situação economica de Angola aquele repatriamento, pelo menos parcial, é indispensavel e urgente.
Esse repatriamento poderia revestir a forma de uma compra de divida angolana emitida no exterior, ou até, ser feito por via da participação num "fundo especial" financiado no exterior e com objectivos de investimento pré-definidos.
Seja como for, se João Lourenço não conseguir mobilizar no exterior umas dezenas de milhares de milhões de dolares, ele e Angola estarão numa situação muito dificil.
Isso deveria preocupar-nos a todos muito mais do que a novela da ex-princesa, dos seus ex-amigos, agora encarniçados inimigos e da nossa sempre voluvel imprensa.

sábado, 18 de janeiro de 2020


GANHOU O PROJECTO DO CENTRÃO
Com a ajuda de Relvas, Carreiras e até do ausente Passos Coelho, Rio ganhou.
Assim ganhou o projecto do Centrão, que na minha opinião vem já demasiado tarde e por isso não terá grande futuro.
Boa sorte!


PSD - DUAS TEORIAS

Antes de serem conhecidos os resultados das eleições de hoje é importante pensar no que está em causa.
Não existe aqui um lado bom e outro mau, assim como é um facto que existem personagens sinistras a apoiar cada um dos lados, como aliás é comum em todos os partidos, mas de facto não é nada disso que realmente importa.
Para o futuro do PSD o que importa saber é se as possibilidades de crescimento e afirmação do partido estão à direita ou no centro-esquerda.
Rio acredita que vai poder crescer ao centro, conquistando indecisos e votantes do PS, vindo assim a liderar um grande Centrão.
Montenegro pensa que não pode perder para as direitas mais radicais parte do elitorado tradicional do PSD, assim como julga que é nos abstencionistas que está o grande eleitorado potencial do PSD.
Rio quer liderar um Centrão, Montenegro quer liderar toda a direita verdadeiramente democrata.
Vamos ver.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020


AQUECIMENTO GLOBAL - DE TATCHER A GRETA

Por ironia do destino a mãe da diabolização do CO2 foi Margaret Tatcher, nessa altura ela queria reforçar o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear no Reino Unido, isso com o objectivo de reduzir o peso político dos mineiros e também o dos países produtores de petróleo.
Nessa sua cruzada contra o CO2 ela envolveu a Royal Society, a quem financiou os estudos "científicos" para comprovar a tese que lhe interessava, dando assim inicio a uma bola de neve imparável.
Sentindo o impacto na opinião pública e o alarme social que essa primeira onda originou, primeiro os ambientalistas e depois toda a esquerda (para mais, entretanto órfã do Muro), compreenderam o potencial do tema e a partir daí deram origem a um movimento "estilo testemunhas de Jeová" só que muito, muito rico, e por isso com a enorme vantagem de poder dispensar a necessidade do proselitismo de porta em porta.
O tema do aquecimento global tornou-se assim num enorme negocio, que simultaneamente é também uma religião, com toda a tradicional inflexibilidade das religiões, sempre prontas a excomungar qualquer herege sem sequer o ouvir, religião esta que tem a grande vantagem de não ter uma liderança clara, mas que se vai espraíando numa lógica de rede aparentemente sem orquestrador, apenas apóstolos e missionários, todos, aparentemente, desinteressados salvadores da humanidade.
Os mais velhos, como eu, lembrar-se-ão das previsões catastróficas do Clube de Roma nos anos 60/70 do século passado, segundo aquelas previsões, as nossas sociedades estariam hoje já completamente destruídas, porque a maior parte dos recursos necessários ao nosso desenvolvimento económico estariam esgotados já há muito.
Aquelas previsões não se confirmaram, em parte graças aos desenvolvimentos científicos e tecnológicos, que permitiram a melhor pesquisa, exploração e aproveitamento dos tais recursos naturais escassos.
Apesar do tom catastrófico das conclusões do Clube de Roma, existia nelas uma mensagem importante no que dizia respeito aos problemas da poluição do ar, das terras, dos rios e dos mares, campos estes em que se avançou muito pouco e em que deveria ter-se concentrado o essencial do nosso esforço para salvar a nossa casa comum.
O enorme erro da previsão do Clube de Roma não foi grave, simplesmente porque o desastre previsto não se verificou, mas agora a situação é totalmente diferente, agora o aquecimento é real, pelo que não podemos desperdiçar os poucos recursos que temos para essa batalha, disparando em alvos errados.
Temos de ter a humildade necessária para analisar seriamente todas as possibilidades.
O aquecimento global é indiscutível, o que é discutível e tem de ser discutido, são as razões que o estão a originar.
Qual efectivamente a importância do papel da actividade humana nesta nova onda de aquecimento global?
Esta onda de aquecimento é apenas mais uma das ondas cíclicas que já vivemos, ou é uma onda "especial"?
Para além do que possamos fazer em relação ao CO2 o que é que podemos e devemos fazer mais?
Essas é que são a grandes questões que têm de ser respondidas e sem lhes dar resposta de uma forma objectiva, sem qualquer tipo de preconceitos, corremos o risco de estar a perder tempo, escasso e precioso, para fazer frente àquilo que pode ser um enorme problema para toda a humanidade.
É por tudo isso que julgo imprescindível olhar também para os argumentos dos inúmeros cientistas que defendem que o papel desempenhado pela intervenção humana na actual onda de aquecimento é reduzido, pelo que apresento abaixo alguns desses argumentos:
- Desde sempre a Terra teve períodos de aquecimento e arrefecimento, por razões naturais
- Na Idade Média, por exemplo, as temperaturas foram muito mais altas do que na época actual
- Entre os gases que produzem o efeito estufa o CO2 tem um papel insignificante
- As quantidades de CO2 geradas pela actividade humana, mesmo no tempo actual, são extremamente pequenas face às originadas pela própria natureza
- Não se constata qualquer correlação entre a quantidade de CO2 na atmosfera e o nível de actividade económica/industrial
- O nível de CO2 na atmosfera caiu de forma drástica exactamente no período de maior actividade industrial da historia do mundo 1940/1970
- Parece ser o aquecimento que origina o aumento do CO2 e não o inverso
- Tudo leva a crer (segundo estes cientistas) que o que, até hoje, tem originado os grandes ciclos de aquecimento e arrefecimento da Terra tem sido a actividade solar, manifestada nas manchas solares
- Ao contrario do que se insinua, está longe de existir qualquer unanimidade na comunidade cientifica mundial, sobre este assunto
Perante isto, o que é grave é que, face àquele que pode ser o maior problema da historia da humanidade, estamos numa situação estranha, em que a falta de diálogo ente as duas visões do que se passa parece ser a norma.
Alguém já assistiu a um debate serio sobre este assunto?
Dos dois lados existem os grupos radicais que pensam pouco e falam muito, mas para além deles existem os grupos dos que efectivamente estudaram, pensaram e pensam muito sobre este assunto, mas o que é curioso é que esses grupos não se falam e não debatem publicamente entre eles, na verdade, cada um defende a sua dama, ou os muitos interesses aqui envolvidos, e por aí ficamos.
Se os catastrofistas tiverem razão, estamos a caminho do grande desastre e aparentemente ninguém está genuinamente preocupado.
Greta foi transformada no grande símbolo de uma destas versões do combate à "crise" climática, nenhum adulto poderia fazer esse papel melhor do que ela o tem feito, de forma tão sincera e convincente.
Da qualidade da campanha a favor da diabolização do CO2/humano ninguém duvida (Tatcher foi uma boa professoara), de Greta a Al-Gore, passando pela ONU e Leonardo di Caprio, tudo está extremamente bem montado e muito convincente.
Também o Clube de Roma, face à modéstia dos tempos de então, teve boa imprensa, o que não o impediu de estar estrondosamente errado.
Só que os erros do Clube de Roma não tiveram qualquer gravidade, mas desta vez não podemos correr o risco de estar apenas preocupados com a torneira que pinga, quando pode vir aí uma avalanche de água e lama.
Não é admissível que, perante a gravidade potencial para toda a humanidade de uma questão como esta, continuemos a assistir a esta incapacidade de dialogo entre as duas linhas de pensamento, tudo por causa do caracter religioso que este movimento adoptou, assim como por causa de egos e interesses secundários.
No Titanic também a orquestra não parou, nem ela, nem o baile.


PS - Recomendo
https://www.youtube.com/watch?v=tpvpiBiuki4&feature=youtu.be&fbclid=IwAR3n4bDA7krGjiQTk9jdSe_Gd5m072itelze_uwfFCDRiElrXrCXl6yqyVg





quinta-feira, 9 de janeiro de 2020


TRUMP GANHA O 1º ROUND

Goste-se ou não a verdade é que Trump venceu de facto o primeiro round, quer no ponto de vista inerno dos EUA, quer do ponto de vista da sua posição no Médio-Oreinte.
Nos EUA Trump conseguiu varios sucessos:
- reforçou claramente o apoio dos seus fãs e atraíu até alguns indecisos
- enfraqueceu ainda mais o processo de impeachment
-deixou o partido democrata numa posição dificil
-apesar dos disparates que disse, pela primeira vez mostrou alguma imagem de um líder forte e não do bufão habitual
No Médio Oriente, apesar do assassinato ter momentaneamente levado ao reforço do apoio aos Ayatolahs, conseguiu também varios sucessos:
-eliminou fisicamente um inimigo que lhe tornaria a vida muito mais dificil
-deixou a liderança Iraniana "encostada às cordas"
-enfraqueceu a imagem do Irão como líder de um movimento anti-americano no Médio-Oriente
- parece ter abalado fortemente o poder de resposta iraniano, com pouca vontade de assumir riscos maiores
Agora Trump ameça com mais sanções, pretende assim pressionar ainda mais o governo dos Ayatolahs.
Perante esta situação, o regime será obrigado a ter reações fortes e desgastantes dos interesses americanos nos proximos tempos, sejam elas claramente assumidas ou não.
A melhor hiotese para o mundo seria que o regime Iraquiano tivesse a capacidade/vontade para entrar num processo de transição, gradual e controlada, para um estado laico, se isso acontecesse seria então a grande vitoria de Trump e que faria dele um estadista.
Aquele seria o ideal, infelizmente uma daquelas coisas que apenas costuma acontecer nos filmes romanticos.
Tudo leva a crer que vai haver 2º round, ou uma sucessão de rounds menores mas desgastantes.
Os mercados continuam optimistas, vamos ver.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020



IRÃO-USA, QUE GUERRA?

A retaliação é inevitável, só a forma e a dimensão dessa retaliação são ainda desconhecidas e delas depende que a seguir haja ou não uma guerra de proporções gigantescas.
Para já as primeiras perguntas são:
- Será que o Irão vai lançar a primeira guerra electronica da historia?
- Numa retaliação convencional irá o Irão atacar directamente os USA ou Israel, ou ficará apenas pelo ataque aos interesses desses países?
- Quem pode tentar mediar este conflito para que ele não fique fora de controle? Apenas a China, a Rússia ou a Europa, parecem ter algumas condições para o tentar, mas qual deles tem efectiva capacidade e vontade para o fazer?
Cuidado com a versão simplista da culpa Iraniana nestas sucessivas retaliações.
A verdade é que o agressor histórico são claramente os USA desde que em 1953 a CIA promoveu um golpe de Estado contra o governo democraticamente eleito de Teerão (com apoio dos Ingleses, cujas explorações petrolíferas tinham sido nacionalizadas), depois disso os USA com Reza Pahlavi dominaram e exploraram o Irão, situação que veio a tornar possível a revolta teocrática dos Ayatolahs, fazendo o país regredir no tempo.
Desde 1953 que as agressões americanas são inúmeras, contra um povo e um país que se consideram herdeiros do grande Império Persa e de uma das mais avançadas culturas da historia da humanidade.
Vai ser feio o que se vai seguir.


PSD, E AGORA?

Apesar de eu ter sido militante do PSD apenas por um período curto e há já muitos anos, sempre votei no partido e tenho seguido atentamente a vida partidária, quer no governo, quer na oposição, com algumas (poucas) alegrias e muitas desilusões.
Desde que Rio assumiu a presidência sempre o apoiei, na perspectiva que ele seria o presidente ideal para negociar com o PS as grandes reformas de que o país necessita e que nunca se fizeram.
Aquela esperança não se confirmou, se por falta de habilidade de Rio, se por falta de vontade de Costa ou se por oposição da ala esquerda do PS, agora já pouco interessa saber. O facto é que, com a não concretização de um acordo para as grandes reformas, a presidência de Rio esgotou a sua razão de ser.
O PSD não pode ficar paralisado, a definhar, à espera de algo que não depende dele, numa época tão crucial da nossa vida política.
Quanto a mim, agora é tempo de o PSD encontrar um novo presidente, com outro nível de energia para combates que vão ser muito difíceis, com uma visão mais aberta que a de Rio e com grande capacidade de motivação interna e externa, do partido, das suas hostes, do seu eleitorado tradicional e do seu eleitorado potencial..
Não conheço pessoalmente nenhum dos outros dois candidatos à presidência, como a maioria dos portugueses apenas os conheço dos noticiários, por isso, tal como a maioria da população, conheço muito melhor Luís Montenegro do que Pinto Luz.
Julgo que Montenegro é a escolha ideal, porque, para além da energia, da abertura e da capacidade de motivação, que são evidentes e que também talvez Pinto Luz tenha ou possa vir a ter, Montenegro tem uma vantagem ímpar, resultante da sua experiência política "concentrada", vantagem essa difícil de igualar.
Aquela experiência foram os quatro anos de liderança do grupo parlamentar do PSD, durante os tempos mais duros da crise económica, experiência essa que vale ouro, porque ela equivale a muito tempo de experiência política, para mais, vividos sob enorme pressão..
Espero no entanto, que Montenegro, exactamente por causa da experiencia que viveu por dentro, tenha consciência dos erros, comunicacionais e de governação, que se fizeram naqueles tempos, para que não venha a repeti-los quando chegar ao poder.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019


SONHO ERÓTICO - PORQUE VIM A BEIJING

Naquela manhã, saíste porta fora, zangada, furiosa mesmo, ainda hoje não percebi bem porquê.
Eu, ainda meio estremunhado vi-te toda vestida, já pronta para sair, e tentei que pelo menos me beijasses e dissesses alguma coisa, mas nada, apenas mastigaste irada algumas palavras que não consegui compreender, depois desapareceste, batendo a porta. E foi tudo.
Só quando me levantei e dei uma volta pela casa, compreendi que tinhas levado todas as tuas coisas.Tinhas mesmo partido.

Durante meses procurei-te por todo o lado, um pouco por todo o mundo, junto de todos aqueles teus amigos mais ou menos loucos, que na verdade nunca gostaram muito de mim. Mas nada, também eles não sabiam de ti, sim tinhas estado na Normandia, mas também em Bali e até no Atacama, mas tinhas partido e ninguém sabia para onde, ou pelo menos assim diziam.

Agora, quase um ano depois, perguntas-me o que vim fazer a Beijing. Na verdade nem queres saber a resposta, perguntas por perguntar, vejo o teu ar divertido, de menina que reaparece depois de ter feito uma maldade grave, mas que disfarça, com ar inocente, como se nada tivesse acontecido.

Sei bem que nem vais ler a resposta, ou talvez o faças, daqui a uns meses, quando qualquer coisa te fizer lembrar que um dia existi, e que até passei pela tua agitada e desmiolada vida. Mesmo assim, vou dizer-te o que vim fazer a Beijing.

Sabes aquelas chinesinhas? Normalmente pequeninas e apenas levemente bonitas, mas com um ar doce que olha espantado? Acho que elas vão ouvir atentamente as histórias que eu lhes vou contar de ti, e aos poucos aqueles olhos arredondar-se-ão de espanto silencioso, e eu vou amá-las por isso, e vou amá-las noites inteiras.

Sabes, eu vou ter um prazer imenso no prazer delas, nos gemidos doces, nas explosões violentas, nos olhares então já perdidos, orgasmo a orgasmo, até desfalecerem de volúpia e cansaço. E farei amor toda a noite, todas as noites, só adormecendo ao nascer do Sol quando a brisa dos primeiros dias quentes de Primavera entrar pela janela da varanda, corpos colados de suor e sémen. E depois vamos acordar, esfomeados, apenas quando o Sol se tiver a pôr, e a brisa que entra pela janela for então já fresca.

De seguida perder-me-ei de novo na noite da cidade, até encontrar uma outra mulher-menina, mais bonita ainda, mais doce do que tudo o resto, e repetirei tudo de novo. Sempre, disciplinada e amorosamente, até à tarde em que finalmente não acordarei mais.

Sim é isso que eu vim fazer em Beijing, é aqui que eu vou encontrar essas putinhas, silenciosas, doces, e de olhar profundo, filhas directas e dilectas de Buda, Lao Tse e Confúcio, e também talvez de Mao e Deng Xiao Ping. É aqui que eu me vou perder, é aqui que vou ser feliz, encontrar-me a mim e a todas as verdades universais, tudo ao mesmo tempo, numa solução verdadeiramente eficaz de tudo em um.

Mas eu sei que é mentira, sei que elas não existem, já procurei um pouco por todo o lado, e elas duram apenas algum tempo, sempre demasiado curto, soando demasiado falso, e depois é o vazio, pior do que antes, sempre pior, cada vez pior.

Mas existe o ópio! Acho que é isso! O ópio! Foi ele que me trouxe até aqui! Agora sim, agora tudo faz sentido, foi ele que me chamou! É ele que que eu vou encontrar em Beijing, e então tudo será claro, coerente, evidente e suave. E de degrau em degrau, descerei desde os salões luxuosos, até à decadência das sarjetas, onde me tornarei um vegetal, e finalmente me fundirei com a mãe Terra.
Sim, amor, é isso que eu vim fazer em Beijing.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


IMPEACHMENT, NÃO É DEMASIADO CEDO?

Qual o objectivo dos democratas ao enviarem já para o Senado o processo de "Impeachment/afastamento" de Donald Trump?
Virem a conseguir que 67 Senadores, dos quais 22 não democratas, venham a apoiar o seu afastamento? Como a decisão do Senado será essencialmente politica e não jurídica, é altamente improvavel que isso possa acontecer a curto prazo.
Ou será que esperam que Trump renuncie antes de o Senado vir a tomar uma decisão sobre o assunto?
Ou será ainda, que o objectivo é apenas desgastar Trump e obrigar os republicanos a mudar de candidato para as presidenciais de 2020?
Todos aqueles objectivos parecem de dificil concretização, podendo até este apressado envio para o Senado vir mesmo a ter consequencias contrarias aos interesses dos democratas.
Sem haver nenhuma indicação clara de quem possa ser o candidato democrata, é quase impossível que um numero significativo de senadores republicanos venha a apoiar o impeachment, mesmo quando a popularidade de Trump é muito mais baixa do que era a de Nixon aquando do seu processo de impeachment.
Pensar que Trump se auto-afastará parece também altamente irrealista.
Resta portanto apenas a hipotese de o objectivo ser o de desgastar o candidato Trump, de preferencia até ao ponto de o partido republicano vir a escolher um outro candidato.
Se o unico objectivo realista é desgastar Trump, não teria sido preferível começar o processo de afastamento para Março/Abril, altura em que começará a ficar mais claro quem poderá ser o candidato democrata? Isso poderia permitir que um maior número de senadores republicanos apoiassem o processo.
Não seria também mais eficaz fazer o desgaste de Trump mais perto das das eleições?
Não compreendo esta urgencia de Pelosi e dos democratas em irem para o Senado.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019


UM AVISO AO POLITICAMENTE CORRECTO

Quando um "menino-bem", meio-louco, embora brilhante, derruba a "Muralha Vermelha" dos trabalhistas e atinge uma das maiores maiorias conservadoras de sempre, é forçosamente tempo de reflexão.
Reflexão para Bruxelas que com o seu autismo facilitou o afastamento dos povos Inglês e Galês da ideia europeia.
Reflexão para as lideranças de esquerda, que no alto da arrogância das suas modas intelectuais, alienou o seu eleitorado de sempre, apesar de, no final, o ter tentado comprar com promessas imensas de benesses impossíveis.
Boris, que já tinha tido o Brexit na mão, arriscou tudo nestas eleições, porque queria o Brexit e a maioria absoluta. O gambler ganhou e "took it all"!
O Brexit tinha-se tornado inevitavel há muito, pelo que poderá existir uma certa sensação de alivio em largos sectores da população, mas na verdade, com os problemas da Escocia e da Irlanda e com o novo período de negociações europeias, tudo leva a crer que a tensão vai continuar.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019




TRABALHISTAS VOTAM CONSERVADOR E VICE-VERSA

Pode parecer estranho que isso possa acontecer em larga escala, mas é o que se prevê que aconteça, e é isso que torna totalmente imprevisivel o resultado eleitoral de amanhã.
Todas estas "trocas de votos", têm origem principalmente na questão do Brexit, em resumo temos as seguintes situações como exemplo:
-Londres, onde muitos conservadores vão votar nos trabalhistas (ou DL), apenas para tentar evitar o Brexit
-Interior de Inglaterra, onde muitos trabalhistas vão votar conservador para parar a "destruição do sentido de comunidade" que eles atribuem à Europa
-País de Gales, onde muitos conservadores vão votar trabalhista para não sair da politica agricola comum europeia, isto para além dos independentistas
-Escocia, semelhante a Gales, mas com a motivação independentista mais vincada
-Em outros casos também se verificarão inversões importantes por razões diversas, como seja no caso dos judeus, em que grande parte do eleitorado tradicionalmente trabalhista votará conservador, acontecendo situações semelhantes ou inversas noutras comunidades.
Apesar deste quadro as sondagens continuam a apostar na vitoria de Boris e até na sua possível maioria absoluta.
De tudo isto apenas uma coisa resulta evidente, a evidente e imperdoavel incompetencia europeia para ter parado o Brexit, com uma politica de informação bem executada o Brexit teria sido facilmente evitado.
Agora resta esperar.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019



BRINCAR COM A CORRUPÇÃO

Se o governo não quer fazer nada contra a corrupção deveria pelo menos ter a honestidade de não vir fazer de conta.
Ao lançar a "denuncia premiada" para cima da mesa, o governo quer apenas estabelecer a confusão para depois poder dizer que nada se fez porque não existiu consenso na sociedade sobre o que fazer.
A delação premiada envolve efectivamente uma serie de perigos e em poucos casos tem de facto alguma vantagem pratica.

Na verdade o que o governo quer é, mais uma vez, fugir da única medida efectiva no combate à corrupção que é a "Inversão do Ónus da Prova" ou do "Enriquecimento Ilícito", dessa medida os políticos fogem que nem diabo da cruz, porque só ela pode parar as negociatas diversas em que se especializaram, eles e os partidos.

Esta medida já foi varias vezes discutida e da última vez foi afastada por ser considerada inconstitucional. Como é que esta medida pode ser inconstitucional em Portugal quando ela é regra em outros países da Europa??
A razão porque a medida foi considerada inconstitucional foi apenas porque, mais uma vez, ela foi proposta apenas  para "encenar" uma vontade de lutar contra a corrupção na política, na verdade ela foi desenhada de forma a ser inconstitucional!!

Aquela medida foi considerada inconstitucional apenas porque se aplicava a toda a população, o que obviamente não é possível, não seria possível exigir a qualquer cidadão que demonstre como obteve os 100 euros que tem na carteira sob risco de ser responsabilizado pelo roubo de quantia equivalente perto de si. 
Mas é claro que se um político tem bens no valor de vários milhões tem de ter a obrigação de demonstrar em pormenor como os obteve e caso não o faça, deverá ser sancionado criminal e politicamente por enriquecimento ilícito, o que continua a não ser possível entre nós, tendo de ser o ministério publico a fazer prova da ilegalidade, o que raramente é possível.

Os custos directos da corrupção, ou seja os valores pagos aos corruptos, embora sendo grandes, são muito reduzidos face aos prejuízos que eles acarretam para o país.
O país tem de suportar custos muito maiores por decisões erradas, por contratos mal feitos e mal controlados, por legislação e regulação propositadamente deficientes, por corruptos escolherem corruptos para altos cargos, para protegerem os seus interesses, etc tudo isso tem custos para o país varias centenas de vezes superiores aos pagamentos directos em si. Estamos portanto a falar de muitos biliões.

Mas ainda pior que os biliões que a corrupção custa, é o perigo de ela se tornar endémica, quando ela salta dos políticos e outros poderosos para toda a sociedade.
Então as sociedades vão-se degradando rapidamente e a corrupção espalha-se por todo o lado, tornando inevitável a ineficiência e o empobrecimento colectivos. 
E empobrecimento significa miséria, e miséria significa morte, morte e máfias diversas. 
Seremos então uma Calabria ou uma grande Nápoles, tudo graças aos nossos políticos, a todos eles, Costa é apenas o que está de serviço.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019



ABANDONO, ABORTO E O REGRESSO DAS RODAS

O caso de Sara e do recém-nascido abandonado no lixo, foi já amplamente discutido, atrevo-me a voltar a ele apenas porque julgo que as questões mais importantes para a nossa sociedade, que este caso pode indiciar, ficaram por abordar.
Na verdade para além dos aspectos mais mediáticos, que envolveram desde o Presidente da Republica a uns tantos sem abrigo, os temas que se discutiram andaram mais ou menos, entre uma possível "maldade criminosa" de Sara e as diversas culpas da sociedade no sucedido.
Mas o que parece estranho é que este caso, talvez para descanso das nossas boas consciências, foi sempre encarado como se tratasse apenas um episódio isolado, sem qualquer significado para alem do drama concreto em si mesmo. Mas será este um caso isolado? Não corresponde ele a um problema mais fundo e vasto?
Não será que este caso só foi diferente de muitos outros porque, simplesmente, Sara não fechou o saco?
Quantas outras Saras fecharam e fecham os sacos?
No Séc XIX as rodas, onde as mães podiam abandonar as suas crianças, foram fechadas, decisão tomada como uma medida progressista de elevada relevância social, no âmbito do "optimismo positivista" do tempo, nunca ficou claro se essa decisão resolveu algum problema ou, apenas passou a esconder o que se passava no tempo do anterior sistema de abandono de crianças nas rodas.
O certo é que as rodas acabaram há mais de 150 anos, mas recentemente regressaram.
Já no Séc XXI as rodas reapareceram em alguns países do norte da Europa, como a Alemanha e a Suíça, rodas essas algo modernizadas mas basicamente as mesmas. Afinal parece que o optimismo positivista não se confirmou e que o problema continua a existir, mesmo na rica Europa Ocidental do nosso tempo.
Aparentemente, tudo leva a crer que se o problema existe naqueles países, potencialmente ele existirá também entre nós e provavelmente, será até bem maior por aqui.
Existindo o problema, a melhor forma de o enfrentar não seria pela multiplicação de rodas pelo país, mas por dar às mães a possibilidade de entregarem para adopção os recém-nascidos, logo nas maternidades publicas em que os tiverem, isso salvaguardaria a saúde não só das crianças, como das mães.
Este tipo de solução só há alguns anos começou a ser legalmente permitida e apenas em alguns países, países esses onde é permitido às mães abdicarem, por sua exclusiva vontade e de forma expedita, de "serem legalmente mães". Em Portugal, recentemente foi adoptada solução legal semelhante mas mais complexa, dado que entre nós as mães podem fazer aquela renuncia mas apenas com o acordo do progenitor, o que torna os processos muito mais complexos, demorados ou até inviáveis.
Embora nos possa chocar a "facilidade" com que estas mães poderiam (e podem já, em alguns países) entregar as suas crianças para adopção, a verdade é que as alternativas a essa solução são sempre ainda muito piores.
Esta possibilidade jurídica tem ainda uma outra enorme vantagem, pode vir a diminuir o numero de abortos voluntários, porque parte das mães que os fazem poderiam optar pelo nascimento para futura adopção, isto levaria à redução do numero de abortos e também à protecção acrescida da saúde das mães envolvidas.
É de realçar que, periodicamente, a imprensa portuguesa refere que fetos/recém-nascidos são encontrados em casas de banho publicas, no lixo, etc, pelo que este problema existe entre nós e terá alguma dimensão.
Neste quadro, não se compreende como aquela opção, que já existe em Portugal (embora com condicionantes), não é divulgada junto das mães em "zona de risco".
É estranho que o Estado não divulgue junto daquelas mulheres "em risco" esta possibilidade, através do Ministério da Saúde e dos organismos de acção social.
Assim como é estranho que o movimento femininista, sempre tão pronto a reagir a qualquer piropo que seja, da parte de qualquer macho, não tenha demonstrado qualquer interesse neste assunto.
A Igreja Católica, que ao longo de séculos teve um papel importantíssimo nesta área, papel de que foi afastada no século XIX, também não mostrou até agora vontade de qualquer envolvimento.

sábado, 7 de dezembro de 2019



O CHEGA DEITOU FORA O SEU PROGRAMA

O Chega tem manifestado ser uma criança muito precoce, aos seis meses já andava sozinha, mas agora, para espanto geral, aos sete meses deitou fora o seu programa, uma coisa que só costuma acontecer lá pela adolescência.
Na verdade, aquela programa era uma coisa muito estranha, um ser antropomorfo, um híbrido de um mini-tratado politico-filosófico da direita ultra-conservadora, com umas ideias soltas para uma revolução ultra-liberal na economia. Salazar deveria estar em estado de choque.
Para se ter uma ideia do programa desaparecido esta semana, o Chega propunha a extinção de todos os ministérios salvo os ligados às funções de soberania do Estado, ou seja, restariam os da Justiça, da Defesa, da Segurança Interna e dos Negócios Estrangeiros. No caso da Educação a revolução seria então total e imediata, privatização das universidades e de todas as escolas e liceus, sendo as escolas entregues aos professores para explorarem o respectivo negocio. Parece que Salazar terá chegado a dizer aos mais íntimos que, sendo assim, votaria no PCP!
Foi-se o programa politico com as suas 45 paginas e há agora uma lista de "70 Medidas para Reerguer Portugal" de onde a aventura da Revolução ultra-liberal desapareceu.
Como eu já vinha referindo aqui desde 27 de Outubro, com aquele programa o Chega teria grandes dificuldades de crescimento, o ter-se livrado dele foi uma boa ideia, foi bom para toda agente salvo para o CDS, que agora vê o seu espaço de manobra ainda mais reduzido.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019



É TEMPO DE RIO PARTIR?

Tudo leva a crer que sim, a liderança de Rio apenas fazia sentido num quadro de viabilização das grandes reformas indispensáveis e que o país nunca fez, existiu a esperança que com Costa isso fosse possível, a realidade tem demonstrado o contrario.
O PSD não pode deixar-se enrolar nas contradições e becos sem saída em que o governo da nova geringonça se vai meter, tem de ficar claro que o partido nada tem a ver com isso, não pode ser ele a pagar a factura do descalabro que se avizinha.
Rio não tem nem idade, nem perfil, para fazer o tipo de oposição que os tempos tornam necessária.
No próximo Congresso é tempo de Rio sair pelo seu próprio pé, para bem do país, do PSD e dele próprio.
Sairá então pela porta grande, ele tinha razão, só que não era o tempo certo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019



COMBATER A DEFLAÇÃO - UMA ABORDAGEM HETERODOXA 


São diversas as origens dos processos deflacionarios, de entre elas o crescimento geral da aversão ao risco, o envelhecimento das populações que também faz aumentar a referida aversão e a disseminação do sentimento de que os preços vão continuar a baixar (ou a não aumentar) o que leva ao adiamento das decisões de compra, isto nas economias mais ricas, deflação essa que, dentro do mesmo espaço monetário, se estende depois às economias mais pobres, aí mais pelas limitações económicas dessas populações do que pela sua aversão ao risco.
No sentido de reverter estes processos deflacionarios os governos europeus nada têm feito, tendo deixado o problema quase que apenas nas mãos do Banco Central Europeu, com as óbvias limitações que ele tem e os enormes riscos das suas medidas mais agressivas.
Isto embora existam medidas que os governos poderiam ter tomado, na área fiscal e outras, no sentido de tentar diminuir aquela aversão ao risco e levar ao aumento da inflação. Medidas aquelas a que varios países e em especial a Alemanha, se têm oposto com medo do regresso do descontrole orçamental pela Europa fora.
Apenas no Japão parece ter optado pela via fiscal para combater a deflação,com resultados ainda não claros.
A hipótese que defendo aqui seria uma solução em que fossem criados suplementos adicionais ao IVA, sempre que a inflação estivesse abaixo do objectivo para o período.
Os fundos obtidos por via daqueles adicionais seriam devolvidos de imediato à economia (ou até em parte antecipadamente), com o propósito de inflacionar essa economia.
Aquele processo seria repetido em ciclos o mais curtos possíveis, trimestralmente se tal fosse exequível.
O objectivo seria assim criar inflação por duas vias, fazendo as pessoas acreditar que ela iria acontecer de acordo com o planeado pelos governos e por outro, pela transferência de recursos de agentes económicos com aversão ao risco média, para agentes com aversão ao risco abaixo da media.
Neste quadro os governos deveriam deixar claro que sempre que inflação estivesse sensivelmente abaixo da meta, gerariam inflação por via fiscal até ela voltar a aproximar-se do objectivo. Em linhas gerais, as regras a divulgar e implantar seriam do tipo do exemplo abaixo:
1- Trimestralmente, sempre que a taxa de inflação anual seja inferior à meta fixada, serão tomadas as seguintes medidas:
a) activada uma taxa adicional e temporária sobre o IVA (e outros impostos que se julguem adequados - sobre a transacção de imóveis, automóveis, etc) destinada a compensar a diferença em relação ao objectivo verificada no trimestre
b) caso nos trimestres seguintes a inflação continue abaixo do respectivo objectivo, o governo repetirá o referido em a), aumentando de novo a taxa adicional
c) aquelas taxas adicionais deverão começar a ser retiradas gradualmente logo que a a inflação comece a subir e a aproximar-se do nível desejado.
2- Todos os recursos captados por via destas taxas adicionais deveriam ser de imediato devolvidos à economia, preferencialmente em investimentos de rápida concretização e de mão de obra intensiva.
Esta solução, se exequível, teria a vantagem de ser neutra em termos orçamentais, o que a faria mais palatável para os países do norte da Europa.
Como é evidente, este tipo de abordagem apenas faria sentido se aplicado à totalidade da zona monetária envolvida.