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quinta-feira, 2 de julho de 2015

A REVOLUÇÃO GREGA E PORTUGAL
Ao contrario do que tem sido dito Tsipras não é o bipolar, ingénuo, incompetente, inconsistente, etc que tem sido anunciado, ele parece-me mesmo ser o único competente no meio desta ópera-bufa europeia que vai acabar em tragédia, grega e não só.
E o mais estranho é que ele sempre disse ao que vinha. Os pequenos objectivos de simples melhoria de vida das população, são claramente objectivos pequeno-burgueses desprezíveis para ele, o seu objectivo foi sempre a revolução, a mudança radical da sociedade grega e se possível europeia, a bolivinização da Europa.
Ainda pouco tempo antes de ser governo, Tsipras afirmou: " o nosso objectivo não é o socialismo imediato, mas apenas o princípio do fim da Europa tal como a conhecemos", lembrando então que faria como fez Chavez, "nós não pedimos o voto no socialismo, nós pedimos o voto para uma mudança real na vida das pessoas, e assim gradualmente as pessoas irão se aperceber que o socialismo é uma boa idéia, tal como aconteceu na Venezuela".
E quando o sonho é grande, e os objectivos também, que interessam os meios utilizados? as mentiras apregoadas? as alianças com quem quer que seja? os custos do processo para as populações? Nada disso é relevante quando a História nos chama para uma missão regeneradora da humanidade!
Assim já pensaram muitos antes dele, com os resultados que se sabe, Lenine foi o primeiro estratega que adaptou o pensamento de Maquiavel aos tempos modernos e que com o dinheiro americano fez a revolução Russa, depois os seguidores foram muitos à direita e à esquerda, com destaque para Hitler e Mao.
A base é sempre a mesma, confundir o inimigo, depois fatiá-lo e finalmente aniquilar qualquer suspiro oposicionista, da forma mais radical que for possível, ao mesmo tempo que se vai negando toda a realidade porque se sabe que os burgueses bem instalados darão tudo para não ter que tomar iniciativas difíceis e irão sempre acreditar até chegar a vez deles. Ao fim e ao cabo trata-se apenas de cozinhar rãs em lume brando.
Como tenho dito, e apesar de toda a propaganda em contrario, em termos económicos o facto de a Grécia sair da zona euro não enfraquece a zona, antes pelo contrario, as questões dos perigos da "geometria variável`e outras não têm qualquer fundamento, apenas a saída de uma grande economia ou de um grupo de economias afectaria de forma significativa a solidez da zona euro. Esse é apenas mais um mito que a Grecia com os seus amigos tem conseguido vender, e em que os mercados farão de conta acreditar enquanto isso der dinheiro para ganhar.
Dentro da zona Euro os campeões da Grécia têm sido Juncker e França, agora já menos Juncker. Fora da zona Euro temos os ingleses, que como sempre não querem pagar nada mas que acham que nós temos de pagar para amparar o país que eles inventaram para chatear os turcos. e os americanos que querem fazer mais uma vez o que já fizeram em muito lado, ou seja, alimentar um pequeno animal perigoso na doce ilusão que assim se estabiliza a área, quando o que vai acontecer é o contrario, o animal vai virar grande e vai pôr todo o espaço em polvorosa.
Todos sabemos da importância geopolítica da Grécia, em especial agora, mas julgar que ao apoiar as pretensões de Tsipras se está a contribuir para a estabilizaçao da região isso é uma idiotice sem fim, pior que o dinheiro que os americanos deram a Lenine, ou que a ingenuidade de Chamberlain com Hitler.
No meio disto tudo não sei se a Comissão Europeia e os governos europeus tencionam continuar a ser os palhaços desta história, mas se tencionam fazê-lo Portugal vai ter agora de assumir de forma clara e pública uma posição sobre esta situação.
Portugal tem de deixar claro que, ao contrario do que se tem dito nada tem contra que à Grécia sejam dadas condições especiais, dado que a Grécia está na pior situação entre os países da zona euro, mas que a bem do processo europeu e da protecção dos nossos interesses, só aprovará medidas que signifiquem alterações nos montantes, nas maturidades e no nível dos juros da dívida grega que proporcionalmente se apliquem também ao caso português. Qualquer outro caminho, além de injusto para Portugal seria consagrar dentro da Comunidade o prémio à indisciplina.
Já que, que por culpa das instituições comunitárias tudo isto vai acabar muito mal, pelo menos não sejamos os parvos da história.
A ZONA EURO ESTÁ MAIS FORTE
Ao contrario de todos os disparates que se têm dito por aí, o facto de a chantagem grega não ter sido aceite não enfraquece o Euro, pelo contrário, reforça-o.
Isto porque uma moeda que é partilhada por um vasto e crescente número de estados só poderá ter credibilidade se viver sob regras claras e não ao sabor de chantagens individuais de qualquer estado membro.
Se a Europa tivesse cedido ao jogo grego teria morto o Euro a prazo mais ou menos curto. Teria ficado claro que, de chantagem em chantagem, a moeda iria morrer.
O que estava, e continua em causa para a Europa, não é o pagamento das dívidas astronómicas do Sul, que toda a gente sabe que são mais ou menos impagáveis. O que está em causa é que a Europa necessita de acabar de construir o sistema que permitirá que grande parte dessas dívidas venha a ser "absorvida" de forma natural por vias diversas, até lá as dívidas continuarão a constar das contabilidades nacionais dos países devedores e não existe alternativa a essa realidade.
Neste processo ficou claramente provado que a via que o Syriza pretendeu seguir não leva, nem levará, a lado nenhum, esperemos que o aviso seja compreendido por todos. A via Syriza foi inútil e negativamente agressiva, só justificável caso o objectivo real do Syriza fosse de facto a saída do Euro e até da Comunidade Europeia, criando uma situação de expulsão por culpa dos países ricos a explorar políticamente. Esta possível estratégia para uma saída revolucionária, é uma hipótese que ainda está de pé, os próximos dias nos esclarecerão...
Em termos práticos o que resta como lição para os outros países é que se podem conseguir alguns pequenos sucessos no âmbito comunitário usando linhas de negociação mais duras, desde que tal se faça com moderação. Para ir para além daqueles pequenos ganhos, apenas conseguindo criar grupos de pressão constituídos por vários países se poderão almejar objectivos mais importantes.
O único grande problema que a questão grega representa para a Europa é geopolítico, por causa dos Balcâs, da Turquia, da Rússia, do Mediterrâneo Oriental, das ondas migratórias, etc Mas também neste quadro ceder ao Syriza não era garantia de melhorar a situação, antes pelo contrario. Por incompetência, ou propositadamente, o Syriza até conseguiu desperdiçar o único trunfo efectivo que tinha.
O Euro está mais forte. Isso quer dizer que os mercados vão ficar calmos? Não forçosamente, é da natureza dos mercados a instabilidade, a agitação, e acontecimentos como estes têm muito a explorar, mas será tudo fogo de artifício, de facto nada de grave aconteceu.

domingo, 22 de fevereiro de 2015





      A QUESTÃO GEOPOLÍTICA GREGA - PUTIN GANHA SEMPRE

       Já se percebeu que para a Europa não existe um problema económico com a Grécia, o país pode falir, sair do Euro, e mais o que quiser, que tudo isso não será mais do que uma beliscadura na economia europeia, que em menos de um mês estará esquecida. Nesse caso haverá, então sim, uma enorme crise humanitária na Grécia, que a Europa não vai poder ignorar, mas cada coisa a seu tempo.

       No ponto de vista geo-político a questão é muito mais complicada, mas a decisão não será também muito difícil, dado que não existe uma solução boa resta escolher a menos má. A escolha é entre viabilizar um projecto Chavista na Europa, ou deixá-lo desenvolver-se fora da Europa numa zona geográfica já muito complicada e importante para nós.

      A escolha parece-me clara, é preferível um problema junto às nossas fronteiras, por mais delicado que isso seja, do que um cavalo de Troia dentro de casa. Não que o problema dentro de casa leve a uma revolução Chavista na Europa, não é essa a questão, a razão é muito pior, o Chavismo em dois ou três países levará à radicalização na Europa, provavelmente mesmo a guerras civis, e isso será o caos, e o fim do projecto europeu.

       Se a Europa hoje viabilizar a aventura do Syriza, não o obrigando a seguir o essencial das regras comunitárias (certamente com adaptações), podemos dizer desde já adeus ao sonho do projecto de uma Europa una e democrática. Os nacionalismos estarão de volta, com as personagens habituais.

       No meio de tudo isto o grande vencedor é Putin, qualquer solução é boa para ele, Troia seria melhor porque destablizaria e radicalizaria, a solução da Grécia fora só destabiliza, de qualquer modo um ganho importante.

      Se a Europa sobreviver ao dia de hoje , é melhor começar a pensar a sério numa política de defesa.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015



CARTA ABERTA AOS POVOS DA EUROPA (Projecto)


O Syriza tem tentado por todos os meios junto das instituições comunitáriass, defender o povo da Grécia e com ele os povos de toda a Europa.

Mas, na realidade, todos os nossos esforços em prole dos nossos povos e da humanidade, têm sistemáticamente esbarrado no autoritarismo alemão, e dos seus apaniguados, assim como de outros governos amedrontados, sem coragem para dizer basta à Alemanha.

Para que a Grécia possa iniciar esta nova fase da sua vida, libertar o seu povo e vencer a crise humanitária que vive, querem os burocratas de Bruxelas que lhes apresentemos um plano detalhado do que pretendemos fazer. Os burocratas incompetentes e irresponsáveis são sempre assim, enquanto o povo morre de fome eles querem mais papeis! Vivem do papel e para o papel.

Como é óbvio nós não podemos dizer o que pretendemos fazer, nem como vamos pôr a Grécia no que eles dizem ser o bom caminho, os burocratas e os governos reacionarios que dominam neste momento a Europa, não podem ter esse tipo de informação, porque se a tivessem usá-la-iam para nos destruir, a nós e ao nosso projeto de uma nova Europa!

Que melhor garantia podem os burocratas de Bruxelas querer do que os curriculla, e a palavra  dos nossos líderes?

O nosso líder, Tsirpas, ainda recentemente afirmou que o nosso objectivo não é o socialismo imediato, mas apenas o princípio do  fim da Europa tal como a conhecemos, lembrando então que faria como fez Chavez, "nós não pedimos o voto no socialismo, nós pedimos o voto para uma mudança real na vida das pessoas, e assim gradualmente as pessoas irão se aperceber que o socialismo é uma boa idéia, tal como aconteceu  na Venezuela". Portanto é falso que sejamos comunistas ou queiramos uma revolução, queremos apenas uma nova Europa, beneficiando da riqueza da experiencia Venezuelana. Temos esse direito e não vão ser os burocrats europeus e a Alemanha que nos vão parar!

Depois, temos como responsável da economia e das finanças gregas um professor que é a inveja de toda a Europa, apoiado por vários prémios Nobel, como Krugman e Stiglitz, e que apresentou logo no início das negociações uma enorme panóplia  de soluções aos iletrados ministros e burocratas europeus, pelas quais teria sido possível de imediato resolver todos os problemas da Europa e foi logo recusada, porque se aceite ficaria patente a incompetencia geral. Depois de tão brilhante apresentação, aqueles eurocratas refugiaram-se em mais um pedido de medidas concretas para fazer face à crise grega, sem inteligencia e sem visão os burocratas acabam sempre no mesmo. Agora para tentar destruir a imagem do nosso génio financeiro, os seus inimigos passam o tempo a relembrar que ele terá dito que é um economista acidental e um marxista errático. Mas nem com todas as campanhas eles vencerão, o mundo sabe que temos razão, e que temos as melhores soluções para a Grécia, para a Europa e talvez  mesmo para o mundo.

A campanha contra nós já envolve também o nosso parceiro de coligação, chegam ao ponto de dizer que Kammenos é xenofobo e anti-semita, tudo apenas porque ele é um patriota que luta pela dignidade grega dentro da Europa, melhor, pela Grécia  como lanterna da Europa como históricamente foi, e temos direito de voltar a ser.

Perante esta realidade apelamos a todos os povos da Europa, que se revoltem e imponham aos seus governos, o apoio claro e irrestrito aos desejos do governo grego, porque esse é o único caminho que resta à Europa.

Viva o Syriza! Viva a Nova Europa! Abaixo a Alemanha e seus apaniguados! Abaixo os eurocratas!




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015



A VERDADE SOBRE AS DÍVIDAS EUROPEIAS  - A GRÉCIA


Esta questão das dívidas nunca é abordada de forma global e sem preconceitos, uns porque querem esconder a verdade, e outros porque querem apenas transformar este assunto em arma de arremesso.
É importante  analisar esta problemática de uma forma realista e independente, sem segundas intenções, porque só depois disso se podem tomar opções conscientes sobre a forma como cada um pensa que o problema deve ser gerido.
Assim, existem à partida duas grandes questões:
.qual a origem das actuais dívidas públicas?
.as dívidas são "pagáveis"?

-Qual a origem das actuais dívidas públicas?
As actuais dívidas podem ser decompostas em três partestes, a dívida pré-crise, a dívida fruto da socialização dos prejuízos do sistema financeiro, e a dívida resultante do acumular dos novos deficits orçamentais entretanto verificados.
As dívidas "pré-crise"  normalmente apresentadas estão muito sub-avaliadas, porque era normal em todo o Sul esconder dívida do sector estatal em empresas públicas deficitárias, debaixo do tapete, do colchão e onde mais fosse possível... artifícios esses de desorçamentação diversa que depois foram eliminados. Na verdade essas dívidas efectivas na Europa do Sul eram já muito maiores do que aquilo que usualmente aparece referido, sendo em toda a região já no início da crise da ordem dos 100% do PIB, isto nos casos menos graves.
A outra componente, a socialização da dívida do sistema financeiro, é a componente injusta que resulta da total incompetência da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. A Europa adiou enquanto foi podendo o reconhecimento de que vivia uma crise financeira, argumentando que isso era um problema americano ao qual o Euro estava imune. Assim, enquanto os EUA e o UK obrigaram o bancos a recapitalizarem-se com dinheiro público, contra a vontade dos respectivos accionistas que tiveram mais tarde de comprar ao estado as novas acções entretanto emitidas (estado esse que as vendeu realizando um lucro substancial), enquanto isso na Europa a questão foi sendo empurrado com a barriga, graças ao lobbie da banca, e como os problemas não foram encarados de frente logo no início, foram tornando-se maiores e acabaram por ser transferidos para os orçamentos dos estados em lugar de ter sido assumidos pela banca. A grande vítima deste processo foi a Irlanda, que tem a maior percentagem da sua dívida proveniente desta origem.
A terceira parte das dívidas é fruto de estes países terem continuado com deficits orçamentais e portanto com necessidade de recorrer a novos financiamentos.

- Estas dívidas são pagáveis?
Na generalidade dificilmente, basta pensar que mesmo a um juro médio de 2% indexado ao PIB  e amortizando as dívidas a 50 anos se teria um desembolso anual superior a 3% do PIB por cada 100% de dívida/PIB que se quizesse anular, o que não sendo totalmente incomportável seria no entanto muito limitativo do investimento público.
A Europa do norte, melhor, a Alemanha, vai impedir a reestruturação destas dívidas? Não acredito, a Alemanha sabe que é melhor para ela que as economias do sul ganhem dinamismo, mas o norte tem dois problemas, um  são os seus eleitorados e o outro  é a fé dos respectivos governos em que o sul venha mesmo a resolver os seus problemas e a aumentar a sua produtividade.
Os "incomportáveis" custos da dívida têm assim dois objectivos, obrigar o sul a fazer o trabalho de casa e não assustar os eleitorados do norte. Apenas isto, porque todos os governos sabem que um dia todas estas dívidas vão ser reestruturadas, só que seria um desastre duplo dizer isso publicamente neste momento.

- Que fazer?
 Até agora têm coexistido dois caminhos, caminhos esses que são melhor exemplificados pelos casos diametralmente opostos da  Irlanda e da Grécia.
A Irlanda , que foi de facto a grande vítima da incompetência europeia, aceitou as regras do jogo, não discutiu, não hesitou, fez rapidamente uma grande reestruturação da sua economia, com os custos sociais inerentes, e é hoje de novo o tigre celta, apesar de alguns problemas que ainda tem.
A Grécia foi sempre o doente que fez batota, aquele que diz ao médico que toma os remédios e não o faz, assim dedicou-se a simular reformas que não fez, impostos que não recolheu, etc A culpa, essa, foi sempre dos remédios e do médico, tudo no meio de uma confusão bem Mediterrânica. O resultado só podia ser o desastre que se verificou, não vale a pena dizer que a culpa é da Europa, da austeridade, etc,  a culpa é da Grécia, poderá não ser do seu povo, ou se se quiser, sê-lo-á apenas na medida em que continuou a suportar as suas elites.

- A Grécia
A Grécia do Syriza surge agora com um hipotético terceiro caminho, que teria pelo menos a vantagem de acabar com o faz de conta grego.O Syriza quer virar a mesa e começar tudo de novo. Tudo bem, concordo que existem outras soluções se a Europa der algum apoio, o que é estranho é que só agora o partido e o seu economista chefe parecem ter começado a pensar nisso, esse trabalho não devia ter sido feito antes das eleições? O Syriza esperava que a Europa se rendesse de joelhos às suas reivindicações que  se limitavam a que a Europa lhe passasse um cheque em branco, ainda por cima  ao seu pior aluno? Agora, em quinze dias a Grécia vai ter um plano alternativo minimamente credível?
Existem caminhos alternativos e essa experiência de um novo socialismo seria interessante, só que não existem alternativas que sejam um caminho fácil, acreditar nisso é a receita para o insucesso, o único caminho que resta à Grécia é o da austeridade distribuída de outra maneira, mas esse caminho também não é fácil, como percorrê-lo sem paralisar a economia?
Não sou dos que deseja o desastre para o Syriza, até porque a conta seria paga pelo povo grego, mas neste campo não existem milagres, se não existir uma proposta bem fundamentada não haverá aprovação e a Grécia estará à beira do desastre. e depois dele, a saída do euro.
A ilusão de que a Grécia é a carta que sustenta um castelo que  hipoteticamente seja o euro é apenas isso, uma ilusão.
Apostar tudo na sua importância geopolítica, esperando que isso viabilize o inviabilizável não é solução, por muitos telefonemas de Obama e Cameron que haja.
Uma Grécia fora do euro financiada por americanos, russos e ingleses? Possível?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

GRÉCIA, O LABORATÓRIO - III
VIVA O GEURO!
Esta proposta para que a Grécia crie uma segunda moeda, pode vir a agravar ainda mais a grande confusão que se desenha, mas face às despesas adicionais em que eles já embarcaram não vão ter nenhuma saída boa. Pelo menos esta era uma experiência importante para os economistas estudarem. Laboratório por laboratório seja o que os deuses quiserem...

from Claude Hillinger The Syriza party under Alexis Tsipras won the Greek election on a promise to end austerity. Negotiations between the new Greek government and the European Union have at this w...
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015



GRÉCIA, O LABORATORIO - II  

A IRRELEVANCIA?

Embora haja quem ache que as coisas até não começaram mal com a vitória do Syriza, atrevo-me a pensar exactamente o contrario.

Uma aliança de governo com um partido da direita "radical"??? É desespero? É aventureirismo? Porque é que a aliança óbvia com a esquerda moderada não foi possível? Quanto tempo pode durar este casamento contra-natura? Seja como for, um casamento que tem como único padrinho o mais básico dos nacionalismos não anuncia nada de bom.

Depois veio a benção dos mercados financeiros, a começar pelo alemão, o que pode isso significar? Apoio ao Syriza? Crença em que vai ser fácil um acordo com um governo com um programa que é apenas uma lista de desejos contraditorios e impossíveis, de um menino mimado?
Feliz ou infelizmente o que o mercado está a dizer é apenas que a Grécia já passou o ponto da relevancia, aconteça o que acontecer à economia grega é irrelevante para a Europa e para a economia mundial. Ou seja, agora sim, agora o povo grego está á beira de uma catástrofe.

Mas os mercados podem estar enganados, a Grécia é hoje económicamente irrelevante, mas existem também os aspectos geopolíticos, como dizia no texto anterior, e um Syriza desesperado irá tambem entrar em chantagens diversas nesse campo, numa região geográfica ultra-sensível.
O Syriza vai namorar Putin, outro nacionalista, para tentar ganhar o peso que não tem.
Os ideiais do partido  foram logo arrumados no primeiro dia depois da vitoria, agora vamos assistir apenas a um jogo de poder, sem regras e com riscos imensos. Tudo pode acontecer.

Pobres gregos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014



GRÉCIA, O LABORATÓRIO

O ano acaba com a garantia de eleições antecipadas na Grécia, o que é uma óptima notícia para os cientistas políticos, mas tudo leva crer que péssima para a população grega, já tão sofrida.
A notícia é boa para os cientistas políticos porque abre a possibilidade de surgirem respostas reais a uma série de questões e esse interesse será tanto maior quanto maiores forem as mudanças na Grécia, quase que quanto pior melhor.
Quais são as grandes questões em aberto:
- Como reage um eleitorado da periferia europeia depois de sofrer anos de austeridade, quando tem de escolher entre uma solução "realista" e a "aventura" mais ou menos populista?
- Caso a direita ganhe até que ponto os apoios europeus serão mais vigorosos do que até aqui?
- Caso o Syriza ganhe vai rapidamente transformar-se num realista ou irá mesmo partir a loiça toda?
- Irá o Syriza iniciar de facto uma nova experiência de socialismo democrático? Com que contornos? Irá destruir a economia?
- Como irá a Comissão europeia gerir os acontecimentos subsequentes? E o Banco Central Europeu?
- Que solidariedades internacionais irá o Syriza conseguir? Vamos assistir a experiências que destabilizem ainda mais o equilíbrio geopolítico da região?
- Qual vai ser a reação dos outros eleitorados europeus aos acontecimentos na Grécia? O Syriza vai ser uma vacina contra os populismos na Europa ou o início de uma nova vaga?

e por aí fora...

Tempos interessantes..., esperemos que os custos sociais não sejam demasiado grandes.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

FINALMENTE O DEFAULT GREGO!

Chamem-lhe temporário ou "selected", na verdade é pura e simplesmente um default, espera-se pelo menos que agora seja gerido de forma competente, ao contrário do que tem sido feito com todo este dossier.
Como disse (e escrevi aqui e no JN) desde o primeiro dia, o default era inevitável, apenas o lobby dos grandes bancos europeus e as limitações da Comissão Europeia o adiaram artificialmente, agora aqui está ele, só que muito mais caro.
Os problemas vão ser imensos, entre eles o dos CDS's, mas esta é a única via para uma verdadeira e saudável solução da crise Europeia, espera-se que nos detalhes se não destrua o que a decisão tem de positivo.
Curioso é que, mais uma vez, seja a mais criticada dos políticos europeus, Angela Merkel, a avançar com a solução.


RESPOSTA A PEDIDO DE EXPLICAÇÃO FEITO NO FACEBOOK

A razão porque digo finalmente é porque esta é única via para a efectiva solução do problema europeu, até agora tem-se andado apenas a adiar as questões (grega e do modelo global), e isso tem custos enormes porque os mercados sabem que é assim, e vão atacando os pontos fracos e destabilizando todo o edifício. Os mercados só vão parar quando a Europa tiver apresentado uma resposta coerente que seja de facto uma solução e não apenas um adiamento, e a decisão de hoje parece ser a base para uma solução efectiva.

No dia 10 de Maio de 2010, a seguir à reunião do Conselho Europeu que aprovou o pacote grego e o fundo de resgate, escrevi o que julgava que iria acontecer, o que logo a seguir se veio a confirmar e me levou a publicar o texto de 18 de Maio, textos esses que estão abaixo (parcialmente).

A questão é que primeiro as autoridades europeias foram apanhadas desprevenidas pela gravidade da situação grega (o que é no mínimo de estranhar em especial estando então o mundo em crise há dois anos), não conheciam a dimensão do problema e muito menos como o abordar. Quando em Maio o quadro já é mais claro faltou a coragem para a decisão ideal que teria sido o default imediato com gestão das consequencias (capitalização dos bancos gregos e credores, etc.), mas para além de todos os problemas do processo de decisão comunitáro na verdade continuava a ignorar-se exactamente a dimensão daquelas consequencias (do default) e como as gerir, ao que se juntou o lobby dos grandes bancos europeus altamente investidos em divida grega e a quem o default assustava enormemente.

A partir daí ficou claro para os mercados que a Europa era um edifício frágil sem capacidade de resolver os seus problemas, e começaram os ataques aos seus pontos fracos, Irlanda, Portugal, e agora Itália e Espanha, processo este que só vai terminar quando a Europa der provas de que sabe o que está a fazer e não a enrolar-se em adiamentos e pseudo-soluções. E qualquer solução passaria sempre pela reestruturação da dívida grega, o que só se poderia fazer por doações à Grécia (quem? como?) ou pelo default com negociação. O default é um caminho claro que os mercados percebem bem, ganha quem ganha, perde quem perde mas o assunto fica arrumado e o modelo europeu pode tornar-se um sistema coerente que não vale a pena atacar. Só que teria sido muito mais barato ter feito isto um ano atrás.



EURO - O PACOTE BILIONÁRIO (10/5/2010)
Será que vai chegar? A questão não é o montante mas toda mecânica de funcionamento que parece não desmerecer em nada as habituais confusões da burocracia europeia. Falta ainda que o BCE diga o que vai fazer da sua parte, será que daí vem alguma verdadeira novidade? infelizmente tudo leva a crer que não, vamos ver.
Caso não haja uma estratégia clara, coerente e inovadora os mercados não vão comprar a solução, mas provavelmente vão até aproveitar para fazer uma boa recuperação antes de voltarem a cair com maior violência, "cèst la vie".

A EUROPA ENLOUQUECEU? (18/5/2010)
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Na fatídica noite da reunião dos ministros das finanças (pós Conselho Europeu), quando foi apresentado o comunicado final, ficou logo claro que o mercado não ia "comprar" a solução apesar da dimensão do pacote, e não iria comprar porque não era clara e sobretudo porque não encarava a questão da reestruturação da dívida grega, o que foi visto pelo mercado como sendo maior a preocupação de salvaguardar interesses de alguns bancos do que o de verdadeiramente limpar a casa (e aquela reestruturação poderia ter sido feita sem premiar os especuladores cheios de CDSs). Depois daquela noite os mercados tiveram uma ligeira recuperação e logo de seguida afundaram de novo, o que deixou os políticos europeus no estado que temos constatado.
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