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sábado, 18 de janeiro de 2020



PSD - DUAS TEORIAS

Antes de serem conhecidos os resultados das eleições de hoje é importante pensar no que está em causa.
Não existe aqui um lado bom e outro mau, assim como é um facto que existem personagens sinistras a apoiar cada um dos lados, como aliás é comum em todos os partidos, mas de facto não é nada disso que realmente importa.
Para o futuro do PSD o que importa saber é se as possibilidades de crescimento e afirmação do partido estão à direita ou no centro-esquerda.
Rio acredita que vai poder crescer ao centro, conquistando indecisos e votantes do PS, vindo assim a liderar um grande Centrão.
Montenegro pensa que não pode perder para as direitas mais radicais parte do elitorado tradicional do PSD, assim como julga que é nos abstencionistas que está o grande eleitorado potencial do PSD.
Rio quer liderar um Centrão, Montenegro quer liderar toda a direita verdadeiramente democrata.
Vamos ver.

domingo, 5 de fevereiro de 2017



DIOGO FREITAS DO AMARAL É DIOGO DE ANDRADE?

Como já disse num post anterior, é muito estranho que um livro de boa qualidade política, historica e literária, ao fim de seis anos permaneça como filho de pai incógnito.
A única justificação para tal, parece ser a de o seu autor pensar que o conhecimento público da respectiva autoria o pode prejudicar,
Quem, hipoteticamente, teria os conhecimentos necessarios para escrever este livro? Conhecimento não apenas dos factos mas também dos "tiques" das personagens do antigo regime. Afastando historiadores e jornalistas que não teriam razão para querer manter o anonimato, restam-nos os políticos e aparentados.
De entre os políticos, Marcelo Rebelo de Sousa seria certamente o primeiro suspeito, mas, apesar de ser óbvio o seu interesse no anonimato se fosse ele o autor, existem no entanto três razões que afastam essa possibilidade, duvido das suas qualidades de romancista, e muito mais ainda da sua capacidade para criar a personagem feminina do livro, isto para além de que um romance Marceliano teria certamente mais intriga e misticismo e menos erotismo.
Teríamos também Adriano Moreira, que teoricamente o poderia ter escrito, mas que, como "grande senador da república", não quereria certamente assumi-lo. No entanto, também o lado romancista de AM é desconhecido, para além de que, se o tivesse feito, a solução política encontrada, Kaulza/Franco Nogueira, não seria certamente a sua.
Existem outros autores potenciais, como Jaime Nogueira Pinto e José Miguel Júdice, mas que razões teriam eles para esconder a paternidade? Para além deles, na linha de personagens com conhecimento para escrever o livro em causa, outros haveria, mas todos sem razões para esconder a respectiva paternidade, poderia aqui pôr nomes como Alberto Xavier, Augusto Athaíde, etc
No meio deste puzzle resta-me um nome, por acaso (ou não) também Diogo, de seu apelido Freitas do Amaral. Como todo o bom suspeito, tinha os meios, a oportunidade e o mobil.
Tenho assim o meu suspeito perfeito.
Freitas tem experiencia como romancista, e, para além disso, a sua mulher, Maria Roma, que sempre foi tida como uma crítica do antigo regime, poderia ser uma fonte de inspiração preciosa para construção da personagem feminina.
Porque quereria Freitas esconder este seu filho?
Existem duas boas razões para isso, por um lado assumir esta autoria não seria o ideal para um político que se tem vindo a aproximar da esquerda, por outro lado, também talvez não goste de se apresentar à direita como o jovem professor de direito que Marcelo em devido tempo não escolheu para ministro da defesa e que poderia ter mudado a historia de Portugal.
Existiria uma outra hipótese, tanto mais que o livro tem uma parte importante de confronto militar urbano.
Porque não um militar? Mas que razão teria um militar, hoje já na reserva, para não assumir a autoria? Um militar político-romanesco??!!
Continuo a preferir a hipótese Freitas.
Esta é minha teoria, sobre os Diogos, aceito críticas e sugestões.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017



"A DERROTA DO 25 DE ABRIL"
QUEM ESCREVEU?

Este livro, Alvorada Desfeita, um romance, que é o melhor exercício de historia virtual alguma vez feito em Portugal, é de um autor desconhecido.
O livro parte da suposição de que a seguir ao golpe das Caldas, Marcelo Caetano demite o ministro da Defesa e nomeia para o cargo um jovem professor universitario. Na sequencia disso, o MFA é derrotado no dia 25 e Caetano é substituido por um Kaulza já federalista, e depois por Franco Nogueira. Tudo isto entremeado com um romance entre o ministro e uma jovem intelectual de esquerda que o vai traíndo.
Portugal não tem tradição de historia virtual, a tal do "E se ...?", é pena, porque ela ajuda a pensar não só a historia como o futuro. Assim, também é pena que não exista um exercício de sinal contrario, do tipo " e se Otelo tivesse vencido?", já agora com o mesmo nível de qualidade política, e literaria.
Embora tenha uma parte militar bastante detalhada, o romance é muito interessante, não apenas pela parte política mas também pelas considerações de ordem cultural.
Editado em 2010, o livro passou quase despercebido, o facto de ser filho de pai incógnito terá contribuído para isso.
Porque é que o autor nunca assumiu esta sua obra?
Trata-se de alguém que conhecia bem o antigo regime por dentro, alguém que escreve bem, que tem um elevado nível cultural e um espírito aberto, porque se esconde?
Os nomes óbvios que têm sido referidos não fazem sentido, nenhum deles teria razões para esconder este "filho".
Então quem? Tenho as minhas suspeitas, mas apenas isso, sem qualquer indício concreto, para além da análise do texto e dos agentes políticos portugueses. Será ele?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017



DA ESQUERDA À DIREITA
UM RUÍDO ENSURDECEDOR

A esquerda, depois de ter feito tudo errado e deixado Trump chegar ao poder, continua a esbracejar e a repetir os mesmos erros.
Na verdade nem sequer compreendeu o que se passou, por isso não pode compreender o que aí vem, nem o que fazer.
Ter como única estrategia, face aos perigos de Trump, não lhe dar um minuto de descanso, seria bom caso soubesse o que fazer, mas quando não se sabe, esse caminho só conduzirá ao desgaste das hostes e ao fortalecimento do inimigo, cujas bases assistem atónitas a espectaculos de "pussies", para elas degradantes, e assim reforçam a sua crença no novo redentor.
Não é que Trump não seja potencialmente muito perigoso, é exactamente por o ser que não podem ser dados tiros nos pés.
A direita festeja, também ela não sabe o quê.
Festeja sobretudo porque a esquerda está assustada, porque a esquerda foi humilhada e está revoltada, e isso já é suficiente para que a direita comemore.
Comemora-se, talvez com prazer especial, a morte do políticamente correcto, mesmo sem se saber o preço que será pago por isso.
Caso estivesse iminente o rebentar de uma bomba sobre todos nós, essa direita seria também capaz de festejar a morte da esquerda, mesmo morrendo também com ela.
No meio deste ruído todo, não são apenas os habituais primarios, mais ou menos trogloditas, de um lado e de outro, que gritam coisas desconexas e contraditorias, a surpresa é que há gente que pensa bem, envolvida no mesmo turbilhão acéfalo e ruídoso. O pensamento foi suspenso, agora é tempo de combate.
A coerencia e a lógica morreram, o primarismo e todos os ódios estão à solta.
Por entre tudo isto, o centro não comprometido, assiste atónito.
Também ele nada compreende, apenas espera.
Enquanto isso os outros dois lados, cada dia mais radicalizados, querem eliminá-lo, não é tempo para ter gente em cima do muro, a escolha vai ser obrigatoria, todos terão de megulhar de cabeça num desconhecido qualquer.
O silencio e a espera são apenas cobardia, por isso eles são dupla traição, e portanto duplamente criminosos.
Durará isto apenas até que, as muitas e diversas bílis descarreguem os seus venenos, ou vamos mesmo viver tempos perigosos?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016





A DIREITA E MARIO SOARES

Há muito que Soares é o saco de pancada preferido da direita portuguesa. Talvez por ter sido a figura maior de um período da história nacional, foi nele que a direita decidiu concentrar todas as suas desilusões com o regime, assim como as suas frustrações consigo propria.
Também eu nunca fui um apoiante de Soares, sobretudo nunca gostei da promiscuidade entre o mundo dos negócios e o da política, realidade que ele parecia encarar como uma prova de modernidade, por oposição ao rigor sombrio do velho "Botas". Embora aquela promiscuidade já venha dos tempos de Marcelo Caetano, foi de facto com Soares que ela começou a ser sentida pela opinião pública.
Apenas mais tarde tive consciência do que se passou com Cavaco e alguns dos seus amigos, e a verdade, é que ao pé deles Soares e companhia foram apenas uns "meninos do coro". Nos tempos de Cavaco, o seu ar sério e rígido, foram a cortina que nos impedia de ver a realidade, e que, de uma forma ou de outra, foi a protecção de muitas das actividades que, entre outras, vieram a engrossar a enorme crise que ainda vivemos. Isto já para não falar de outros e sobretudo de Socrates, e dos seus ainda mais estranhos amigos.
Mas não é tanto destes aspectos que a direita acusa Soares, para ela a coisa é mais grave, Soares é acusado de traição, mais específicamente de alta traição. É aqui que eu penso que a direita entra num processo que eu diria de "transferencia", ao pretender empurrar as suas responsabilidades para um terceiro. E Soares é o terceiro ideal para o efeito, apenas porque foi a grande figura política no pós 25 de Abril, e por isso, óbviamente, origem de todos os males nacionais mais recentes.
A verdade é que grande parte desta direita que acusa Soares de tudo, no Verão quente de 75 estava já em Copacabana, ou Londres, ou entre Lausanne e Berna, ou ainda conspirando inconsequentemente em Madrid, enquanto que por cá, a Igreja, o povo do norte, Soares, Jaime Neves e outros, lutavam para impedir a radicalização do regime.
Eu sou dos que pensa que o PCP nunca quis uma revolução sangrenta em Portugal, porque Moscovo a não queria (por demasiado cara para os seus interesses) e porque Cunhal era obediente e mandava mesmo, apesar disso, o perigo que se viveu em Portugal de descambarmos numa guerra civil e de assassinatos em massa, foram perigos reais, em especial por causa de Otelo, das FPs e de outros grupúsculos de assassinos que podiam ter sido o detonador de um processo imparável. Nesse período foi de facto necessária coragem para fazer frente ás ameaças, em especial por parte das figuras públicas, e Soares foi dos que a teve.
Mas ainda não é tanto pela "compreensão" para com o PC, que Soares é acusado, a grande traição foi a descolonização. Tudo correu mal por culpa de Soares, tudo poderia ter sido diferente, tudo poderia ter sido bem feito, tudo sem os enormes custos, pessoais, sociais, políticos e económicos que a descolonização indiscutivelmente teve. Este é o grande fenómeno catártico da direita portuguesa, ela fez tudo certo, só que Soares traíu o país e arrastou-o, a ele e às antigas "colónias", para a desgraça!
Para a nossa direita, Soares foi pior que De Gaulle, que entregou a Indochina e depois a Argélia, Soares entregou tudo.
A direita teve mais de 40 anos para encontrar uma solução para as "Províncias Ultramarinas" e nada fez, diz-se que Salazar tinha um plano que foi posteriormente escondido, diz-se...
Apesar de tudo isso, existe uma direita que acha, que, mesmo depois da "quartelada", e já sem tropas efectivamente no terreno, Mario Soares podia e devia ter feito em uns poucos meses, aquilo que ela, direita, não tinha feito em 40 anos, como Soares o não fez, logicamente, só pode ter sido um traidor.
Portugal precisa de ter uma direita, melhor, o país necessitaria mesmo de ter varias direitas, pelo menos uma direita conservadora e uma direita liberal, seria bom para Portugal, ajudar-nos-ia a pensar mais claro e a melhor preparar o nosso futuro. Mas para que o país possa ter as suas direitas são necessarias varias coisas, entre elas, que as direitas compreendam/assumam o nosso passado Salazarista, e também que assumam as suas responsabilidades pelo desastre da descolonização. Enquanto isso não acontecer, o país não terá uma direita e viverá entregue a esquerdas diversas.
A direita portuguesa necessita do divã de um psicanalista de alto nível, até lá será apenas um zombie, escondida atrás das suas desculpas, sem encarar os seus fantasmas.
Esta pseudo-direita que temos prepara-se para festejar efusivamente a morte de Mario Soares, continua sem perceber que ao fazê-lo festeja apenas o seu primarismo, a sua miopia e o seu crescente desnorte.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016




VOTAR MARCELO

Pode-se gostar mais ou menos de Marcelo, podem ser-lhe apontados muitos e diversos pequenos defeitos, mas, por outro lado, não lhe podem ser negadas grandes qualidades, humanas, intelectuais, de trabalho, de sentido cívico e de comunicação.
Os defeitos que muitos lhe apontam não são mais que uma caricatura dos defeitos de todos os políticos. Os políticos vivem de habilidades, de manobras, de jogadas e até mesmo da mentira "necessária". Só que os verdadeiros profissionais da política o fazem de forma camuflada e sempre que possível por via indirecta, enquanto que Marcelo sempre o fez de forma a "ser descoberto", a sua finalidade nunca foi a de usar essas "artimanhas" para acumular poder para usar no futuro, as suas jogadas foram sempre mais diatribes a que não resistia e que eram a sua maneira de provar o seu poder de influenciar. Diatribes essas que para seu gozo pleno tinham mesmo de ser "descobertas", ou melhor ainda, se possível, ser alvo de suspeitas muito fortes nunca totalmente confirmadas..
O único prejudicado daquelas diatribes foi ele próprio. Quem tenha um projecto de poder pessoal nunca poderá ir por aquele caminho, que cria inimigos de forma desnecessária, origina desconfiança no circulo de amigos/grupos de apoio e gera confusão.
Também aqui Marcelo não cedeu em nada, foi sempre ele próprio, sabendo bem os custos políticos dessa maneira de estar. Foi por essa razão que ele apostou tudo na sua capacidade de comunicação e assim, com uma enorme paciência e dedicação, consagrou anos a fio a estabelecer uma relação directa com os portugueses, não apenas por via da televisão, mas estando sempre, incansavelmente, em todo o lado onde houvesse pessoas para contactar. Mais uma vez Marcelo fez sozinho o seu caminho, à sua maneira.
O Marcelo Presidente, não será certamente o Marcelo das diatribes da sua juventude, mas o das suas grandes qualidades.
Como já escrevi num texto anterior, esta campanha e a estratégia de Marcelo orientaram-se mais para uma "Aclamação" do que para uma eleição.Eu sou dos que teria preferido uma campanha que fosse uma intensa e elevada discussão de ideias, não foi por aí que as coisas foram, e dificilmente o poderia ter sido com os candidatos envolvidos.
Domingo não pode haver optimismos, nem comodismos. Marcelo pode ganhar mas ainda não ganhou e se por acaso não ganhasse, as coisas poderiam ser muito complicadas em Portugal.
O país está de novo a caminhar rapidamente para o agravamento da crise económica e o pior que nos poderia acontecer seria acordarmos um dia com um presidente como o Dr Nóvoa., de passado nebuloso, misto de actor de segunda, mau poeta, bispo envagélico e pseudo-ideólogo. Personagem disposta a apoiar e até a dinamizar todas as experiências radicais que as suas visões messiânicas justificam. Isso seria a receita certa para o grande desastre nacional.
Votar é preciso!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015



COISAS DE CAVACO

Elas já são habituais, umas mais ou menos inofensivas, salvo para o ridículo do próprio, outras mais graves e esta agora gravíssima. Não há ninguém em Belém que consiga controlar o senhor?
O país tem neste momento duas maiorias, uma de esquerda com mais de 60% e outra, pró-Euro, com tudo o que isso implica, de mais de 70%.
Só que aquelas duas maiorias são meramente aritméticas, não são maiorias políticas convertíveis em coligações governamentais. Digo que não são convertíveis em coligações, não óbviamente porque tal não seja possível em teoria, mas porque para que uma coligação possa funcionar tem de haver um nível mínimo de confiança entre os coligados, o que claramente não existe, e não poderá existir no futuro mais proximo, nem na maioria de esquerda, nem na maioria pró-Euro. E todos sabemos que essa confiança não se estabelece de um dia para o outro, por decisão Presidencial, ou pelas saudades de poder de João Soares.
Os inúmeros exemplos europeus de coligações com vários partidos, têm origens históricas completamente diferentes das nossas, são países onde normalmente existem quatro ou cinco partidos centrais, que ao longo dos tempos se têm aliado de diversas formas, e em que, portanto, todos os acordos são possíveis.
A nossa história é a de três partidos centrais e dois outros contra o sistema. As coligações seriam bem mais fáceis em Portugal se os nossos 70% pró-Euro, os tais "centrais", estivessem distribuídos por quatro partidos em vez de três, na prática tenderia a haver acordos em que um ou dois partidos ficariam de fora, quase que de forma "rotativa".
Para bem ou para mal, também a possibilidade da solução tipo Bloco Central, está afastada, pelo menos na actual conjuntura e com os actores de serviço.
A somar àqueles problemas temos o facto de Portugal estar numa situação económica e financeira muito grave, embora não suficientemente grave para justificar um governo de "Salvação Nacional", o que torna muito mais perigosa qualquer tipo de "experiência". Não é tempo para amadorismos, invenções ou experiências.
Neste contexto não se pode querer estabilidade e durabilidade, qualquer tentativa de durabilidade levará a uma coligação contra-natura, pelo que resta procurar a estabilidade.
Vamos ano a ano, entretanto muita coisa pode mudar.
Até pode ser que venhamos a ter quatro partidos centrais, mais cedo do que se espera...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

BE DÁ LIÇÃO À DIREITA

O país está a ficar cada dia mais surrealista, o BE confirma a sua posição de salvaguarda dos direitos individuais enquanto a direita se atola em contradições, foi a isto que o pragmatismo acima de todos os princípios nos conduziu no caso das escutas, e isso vai ser pago por alto preço mais cedo ou mais tarde.
Mas não é só o BE a dar lições à direita, é também o MRPP através do depoimento de Garcia Pereira que se pode ver no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=9WXfCLXCGIY, apesar de ser já de Março vale a pena.