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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020



IRÃO-USA, QUE GUERRA?

A retaliação é inevitável, só a forma e a dimensão dessa retaliação são ainda desconhecidas e delas depende que a seguir haja ou não uma guerra de proporções gigantescas.
Para já as primeiras perguntas são:
- Será que o Irão vai lançar a primeira guerra electronica da historia?
- Numa retaliação convencional irá o Irão atacar directamente os USA ou Israel, ou ficará apenas pelo ataque aos interesses desses países?
- Quem pode tentar mediar este conflito para que ele não fique fora de controle? Apenas a China, a Rússia ou a Europa, parecem ter algumas condições para o tentar, mas qual deles tem efectiva capacidade e vontade para o fazer?
Cuidado com a versão simplista da culpa Iraniana nestas sucessivas retaliações.
A verdade é que o agressor histórico são claramente os USA desde que em 1953 a CIA promoveu um golpe de Estado contra o governo democraticamente eleito de Teerão (com apoio dos Ingleses, cujas explorações petrolíferas tinham sido nacionalizadas), depois disso os USA com Reza Pahlavi dominaram e exploraram o Irão, situação que veio a tornar possível a revolta teocrática dos Ayatolahs, fazendo o país regredir no tempo.
Desde 1953 que as agressões americanas são inúmeras, contra um povo e um país que se consideram herdeiros do grande Império Persa e de uma das mais avançadas culturas da historia da humanidade.
Vai ser feio o que se vai seguir.

domingo, 27 de novembro de 2016



UMA LIÇÃO MAIS

Assassino, heroi, ditador, revolucionario, etc Tudo isso é verdade mas agora pouco interessa.
O importante é compreender como Fidel foi possível, ali, à beira dos Estados Unidos, num dos países mais avançados da America Latina.
É essa enorme capacidade americana de fazer erros na política internacional que é necessario reter desta lição, porque vão existir muitos mais.
Fidel foi um produto dos habituais erros americanos, primeiro por não ver que a sociedade cubana estava bloqueada e necessitava de mudança, depois por transformar Fidel num comunista que ele não era, e ainda pela inépcia das tentativas de o derrubar.
As grandes potencias tendem a fazer erros que à partida são inimaginaveis, por arrogancia, pela existencia de informações e pressões contraditorias, pelas jogadas dos parceiros locais, pelo peso da burocracia, pelas "facilidades" dos falcões, porque estes "pequenos casos" são tratados por um um qualquer sub-sub desk-office do Departamento de Estado e só sobem na hierarquia quando já são dificilmente geríveis.
Para aqueles que pensam que tenho uma obsessão com a capacidade de errar dos americanos, e de uma forma geral das grandes potencias, recomendo que escutem McNamara, o secretario de estado de Kennedy e Jhonson, responsável pela escalada no Vietname. No filme "The Fog of War" McNamara explica pessoalmente como essas coisas acontecem.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016



O PRESIDENTE TRUMP (reedição da publicação de junho de 2016)

Quer gostemos ou não, só muito dificilmente Hillary poderá bater Trump.
Primeiro porque os americanos gostam de mudar de presidente, em especial depois de dois mandatos, e mudar quer dizer mudar realmente, não é ir para soluções que cheiram a mais do mesmo, ainda por cima com pior qualidade.
Pode haver mudança mais radical do que de Obama para Trump? Quase impossível, e é essa uma das razões porque Trump vai ganhar.
Obama é um intelectual, Obama é cauteloso, Obama conhece todos os grandes dossiers do país, Obama é um grande comunicador e dono de um enorme auto-controle, Obama é também um diplomata consumado.
Trump é um empresário de sucesso do imobiliário e com grande pratica de show televisivo tipo USA, Trump não conhece nenhum dos dossiers nacionais e sobre todos eles tem varias opiniões, todas elas contraditorias entre si, Trump tem um caracter explosivo mas que ele sabe usar em seu beneficio e controlar quando necessario, Trump, em termos diplomaticos, é aparentemente um troglodita, mas o seu curriculum está cheio de importantes sucessos negociais.
A segunda razão porque Trump vai ganhar é porque os americanos se sentem desorientados. Onde está a realização do sonho americano? Onde estão as casas, os carros, os empregos, o futuro sempre risonho? Estes emigrantes todos vão ou não destruir a America? Vamos continuar a mandar os nossos rapazes e o nosso dinheiro para defender países que nem sabemos onde ficam e que não gostam de nós? Vamos deixar que a China e outros países destruam as nossas empresas e os nossos empregos? Vamos continuar a gastar fortunas para defender a Europa, para ela poder gastar o seu dinheiro num estado social que nós não temos? Não será que as coisas vão mal nos USA porque toda a gente se aproveita da nossa boa vontade? E por aí vai...
Pode haver alguém melhor que o cowboy Trump para responder a todas estas angustias? Desenganem-se os que pensam que existe.
Agora apenas o proprio partido Republicano poderia parar Trump, e não parece que o vá fazer.
Mas, para surpresa das surpresas, Trump poderá até vir a ser um bom presidente dos Estados Unidos.
O que é grave para nós, é que ele nunca será bom para a Europa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015



 AMERICAN SNIPER E OS ERROS DA DEFESA DOS EUA


Um filme eminentemente político, de que os republicanos não terão gostado nada.
Um filme sobre a estupidez destas guerras que não se podem vencer e deixam cicatrizes profundas em todas as partes envolvidas.

Fez-me lembrar outro filme, esse basicamente um documentário, "estrelado" pelo ex Secretário da Defesa dos EUA Robert McNamara. o tecnocrata Presidente da Ford que  Kennedy convidou para seu Secretário e que foi responsável pela escalada no Vietname.
Naquele filme, The Fog of War, umas dezenas de anos depois do fim da guerra, McNamara explica como ao fim e ao cabo tudo não passou de um acumular de mal-entendidos, sem eles nunca teria havido guerra.
Foi esse filme que me fez perder por completo a confiança que tinha nas decisões da defesa americana, uma grande potencia com a qualidade e quantidade de informação que tem, nunca poderia entrar em aventuras que não tivessem uma forte justificação, mesmo que tudo apontasse no sentido contrário, acreditei nisso até ver e ouvir McNamara. A partir de então desconfio de toda a política de defesa americana,  sobretudo quando se trata de intervenções directas em países estrangeiros.

No meio das pressões dos falcões, dos interesses da industria de defesa e outros fornecedores, das manobras de políticos estrangeiros que procuram ganhar peso nos seus países envolvendo os americanos nas suas jogadas, e também obviamente dos humanos erros, no meio disto tudo, todas as loucuras são possíveis, em nome de qualquer coisa que se queira inventar.

O filme de Clint Eastwood aborda estas questões não pela via do ensaio mas contando de forma magistral e emocionante uma história verídica de um herói americano, do seu duelo com outro herói (embora o filme o não assuma como tal) anti-americano, das condições daquelas guerras de ocupação impossível, e das dificuldades de um regresso a casa para heróis, menos heróis e "cobardes".

Infelizmente tudo leva a crer que desta vez as sequelas vão ser muito piores do que as do Vietname, não que a guerra tenha sido mais violenta, não porque os conflitos durem há mais tempo - ambos são heranças coloniais que se arrastam do século XIX - mas porque o mundo muçulmano continuará a ver em tudo isto sobretudo como uma guerra religiosa, que não irá acabar só por os canhões se calarem.

Quem depois do American Sniper ainda  acreditar na clarividencia militar americana, recomendo com urgência The Fog of War.