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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017


PORQUE COSTA NÃO HUMILHOU CAVACO?

Quando empossado como 1º ministro, Costa disse que faria tudo para que o Senhor Presidente da Republica acabasse o mandato com dignidade.
Depois de todas as dificuldades (desajeitadas) que Cavaco tinha posto à geringonça, após o imenso desastre dos seus últimos discursos e perante a imagem muito negativa que o Presidente então tinha, julgo que houve muita gente que duvidou da veracidade daquela intenção de Costa, entre os quais eu proprio.
Sou mesmo capaz de pensar em varios ex-primeiros ministros que em situação equivalente o não teriam feito, a começar talvez pelo proprio Cavaco.
Porque o fez Costa?
Terá sido apenas por respeito à idade do cessante?
Terá sido a pensar que um dia ainda poderia necessitar de votos da base cavaquista?
Terá sido a consciencia da importancia institucional para o regime, de um presidente não sair mal de Belém?
Se foi apenas por respeito pela idade, foi um presente pessoal a Cavaco, que ele lhe deveria agradecer.
Se foi a pensar no eleitorado de Cavaco, foi apenas uma jogada política mais, e ninguém deve nada a Costa por isso.
Se foi por pensar que, independentemente do prazer pessoal que isso lhe pudesse dar, seria muito mau para as instituições nacionais, ter um PR a sair de Belem humilhado na praça pública, se assim foi, então todos estamos em dívida para com Costa.
Como não sabemos quais as razões de Costa, temos de dar ao nosso "malabarista-simpatico" o beneficio de um credito, pelo menos parcial, neste episodio.
Será que Costa entretanto já se arrependeu?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017




O ERRO DE CENTENO

Eu digo o erro e não os erros, porque toda esta trapalhada parte apenas de um único erro.
Esse erro foi Centeno ter-se esquecido de que não é um político, não sei se virá a sê-lo, ou até se o quererá, mas na verdade não o é.
Todos os políticos têm de ser bons na "baixa política", nas pequenas mentiras, na intriga, no teatro, etc Depois há a Politica com P grande que é indispensável aos mestres, mas isso não está aqui em causa agora.
Embora Centeno não seja um politico, ultimamente começou já a fazer algumas pequenas intervenções de baixa política, que não devia ter feito, porque por essa via se foi sentindo político, e foi isso que o perdeu, isso e, claro, as estrategias recomendadas por assessores e colegas sobre a melhor forma de descalçar esta incomoda bota.
Mas o que seria a melhor forma para um político não o é para um não-politico.
Se Centeno tivesse, logo no inicio, posto a sua cara de ingénuo, e tivesse dito, que o que ele queria era apenas a melhor solução possível para um dos maiores problemas do país, e que os especialistas lhe tinham dito que as exigencias de Domingues eram exequíveis, pelo que ele, que não é jurista, se tinha comprometido com ele.
Diria também que afinal as coisas não eram bem como lhe tinham dito e por isso pedia desculpa ao indigitado e ao país.
Tudo simples e compreensivel, como o cidadão Centeno teria feito se não se julgasse político.
Ser meio-político não é possível, diria mesmo que é suicidio, o que espero não seja o caso.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016





O ORÇAMENTO É MAU ?

Não sou especialista, nem estudei os nossos orçamentos dos últimos anos, mas na verdade não me lembro de nenhum orçamento que tenha ficado conhecido como bom.
Mesmo Cavaco Silva, professor de finanças públicas, terá feito talvez um dos piores orçamentos pós 25 de Abril, o orçamento feito para "comprar" a segunda maíoria nas eleições de 1991, um orçamento que teve custos altos e prolongados para o país.
O orçamento 2017 é apenas mais um orçamento "habilidoso", como a geringonça nos vem habituando, o que por si só não é mau, mas encerra perigos, porque os efeitos, directos e indirectos de muitas" taxas e taxinhas", com muitas regras e excepções, são por vezes difíceis de calcular e podem ter consequências perversas e inesperadas sobre a economia.
É até ironico que seja um governo de esquerda a apresentar um orçamento cheio de impostos indirectos, aqueles que a direita adora, mas que nunca teve coragem de apresentar e pelo qual seria apedrejada na praça pública, como autora incompetente de um orçamento tecnicamente mau, ineficiente e socialmente injusto.
Não sei se este orçamento é bom ou mau, mas o governo sabe.
Se é um orçamento que vai conseguir a redução do deficit à custa do investimento público, como o anterior fez, ele não será apenas mau, ele será péssimo, outra vez a mesma receita será imperdoável.
Se for um orçamento que consiga aumentar o investimento público e reduzir o deficit, ele será sem dúvida um bom orçamento.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016



O PECADO ORIGINAL DE COSTA

Continuo a pensar que o grande erro de Costa foi logo na noite eleitoral não ter deixado claro o convite ao BE e PCP para apoio a um governo do PS.
Assim, Costa teria marcado o timing, logo nessa noite tería saído em ombros da sede de campanha, e depois, rapidamente, sem o longo parto que foi a geringonça, ou estaria a governar com o programa do PS, ou poderia acusar a esquerda de ter viabilizado o governo da PAF, e reinaria absoluto na oposição.
Por razões diversas Antonio Costa não o fez, e por essa via pôs o país, o PS, e ele próprio num caminho extremamente dificil e perigoso.
Via dificil e perigosa porque as exigencias do BE e PCP desvirtuaram por completo o programa económico do PS, assim como introduziram uma enorme desconfiança nos investidores, tudo isto agravado pelo facto de que, para satisfazer simultaneamente as exigencias dos seus parceiros e as exigencias europeias quanto ao deficit, o governo teve também de travar a fundo o investimento público. Ficámos assim num país em que o investimento, que já era pequeno, se reduziu ainda substancialmente, tanto a nível privado com público, o que conduziu ao "desastre" do crescimento do PIB.
Esta "habilidade" de conseguir distribuir dinheiro para consumo, em especial aos funcionários públicos, sem afectar o deficit, só tem sido possível por via do aumento dos impostos indirectos e da reduçao do investimento público, o que pode ser uma via engenhosa ,mas que tem vida curta e custos enormes para a economia, a curto prazo, mas sobretudo a prazos mais longos.
Como é óbvio os parceiros do PS são insaciáveis, tanto mais que um "puxa pelo outro", e o governo vai ter que pagar facturas cada vez mais altas, e por essa via a estagnação da economia nacional será crescente, e o país será levado a um beco sem saída, que é o objectivo claro, embora não declarado, dos radicais do BE e PCP.
Costa tem mostrado uma habilidade política notável, uma calma invejável, e até também capacidade de lidar com alguns dossiers difíceis, mas tudo isso de nada servirá nem a ele, nem ao PS, nem sobretudo ao país, se continuar a ser condicionado pelas exigencias dos parceiros. Aquelas exigencias estão já a paralisar a economia e depois levarão o país aos caos, como aliás eles sempre quiseram.

segunda-feira, 18 de abril de 2016



COSTA O MALABARISTA SIMPÁTICO

Depois de um Passos chato,com um discurso cinzento, pesado, calvinista, carregado do elogio das virtudes da austeridade, quase de uma nota só, como as cassetes do PC, depois de tudo isso, por fim, os céus abriram-se radiosos e surgiu Costa!
Costa é alegria, Costa é esperança, Costa tem solução para tudo. O desemprego aumenta e Costa sorri, o PIB pára de crescer e Costa acha engraçado, o Investimento deixa de existir e Costa dá uma gargalhada.
A banca está falida?! não há problema, faz-se um novo banco. Como? Porquê tanta preocupação? Isso depois se vê, o importante é a ideia.
Afinal era tudo tão fácil, porque é que Passos nos torturou? Passos é certamente um psicopata, não podemos perdoar-lhe o que nos fez, a nós e ao país. Julgue-se Passos! Condene-se Passos! Pela alegria que nos roubou, pela esperança que não nos deu, pelo futuro que não nos queria dar.
No barco, que com Passos flutuava penosamente num mar difícil, agora pelo menos existe festa a bordo, os pessimistas e reaccionários dizem que mete água, tudo mentira. Agora sim, agora navegamos e nem o mar está tão mau como se dizia!
E Costa continua sorridente, na única esperança de mais um golpe de sorte, como os muitos que tem tido, que leve a Europa a mudar de política e que assim a geringonça consiga sobreviver, mesmo sem bússola, nem cartas, nem conhecimentos de navegação e com todas as suas trapalhadas a bordo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016



ONDE ESTÁ VITÓRIA DE COSTA ??!!
Como expliquei no texto de ontem, o Orçamento seria aprovado, porque formalmente ele preenchia os requisitos mínimos. Para mais, já depois de eu ter publicado aquele texto, Costa ainda fez mais concessões a Bruxelas, pelo que não havia como não o aprovar. Mas a questão não é essa.
O que importa saber é:
- Bruxelas acredita de facto na exequibilidade do orçamento proposto?
- O governo vai conseguir conter a despesa pública dentro dos valores anunciados?
- O governo vai atingir a receita prevista com as medidas apresentadas?
- Este orçamento, conjugado com as outras medidas que o governo tomou e vai tomar, é bom para a economia ou vai levar-nos à estagnação total?
Na minha opinião este orçamento é uma manta de retalhos, e portanto tecnicamente mau no seu conjunto.
Acho mesmo que tudo isto é apenas uma ficção paranoico-esquizofrenica, e que os "médicos" de Bruxelas se limitaram a dar a oportunidade aos loucos locais para fazerem a sua "pequena experiencia", na esperança de que aprendam com os resultados que vão obter. Claro que, como todos os loucos, nada vão aprender e lá para o final do ano Bruxelas terá que fazer exigencias sérias antes do desastre total.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016



O ORÇAMENTO DE COSTA/CENTENO
NEM "TIA", NEM MULTIPLICADORES.
APENAS TEATRO

É evidente que Bruxelas pode aprovar o Orçamento proposto pelo governo embora saiba que ele não vai ser cumprido.
Primeiro porque formalmente ele é "aprovável", dado que apresenta gastos adicionais de 1.050 milhões de euros, que na verdade são apenas 750 milhões porque 30% daquele valor retornará ao estado por via directa de IVA, IRS e outros impostos e taxas. Para cobrir esses 750 milhões Bruxelas aceita que o governo "arranje" apenas mais 675 milhões em aumentos de impostos e a criação de novos. Bruxelas está assim a dar uma "borla" de 75 milhões ao governo, mesmo sabendo que nada disto será cumprido.
E não será cumprido porque o governo terá muita dificuldade em recolher os tais 675 milhões onde ele diz, e mais cedo ou mais tarde irá apresentar de novo a conta à classe média, através do IVA, IRS, IMI, e outros.
Além disto, todos sabemos que para além daqueles 1.050 milhões existem outros tantos não assumidos, escondidos nas 35 horas, nas benemerências na educação, na saúde, na reversão de concessões, nas reivindicações das EP's, e um pouco por todos os ministérios. A soma destes dois efeitos levará o buraco de 2016 bem para além dos 1.000 milhões.
E para o ano de 2017, já não contando com novas "generosidades", podem desde já somar-se mais mil milhões, que advirão do simples custo adicional das medidas tomadas em 2016 com efeitos aumentados em 2017.
Sonhar que existirá um efeito positivo por acção dos multiplicadores, é mesmo só sonho, ou simples fraude intelectual. Quem vai investir e contratar pessoal no quadro que se criou de incerteza das regras laborais? Com a actual carga fiscal? Com a instabilidade fiscal total? Com a Intersindical em rédea solta? Com uma Frente Popular no poder? Com o previsível aumento das taxas de juro para financiamento? Estamos a brincar?
Centeno gosta de pensar que está a governar com o programa do PS, que era um programa que continha alguns riscos, mas que poderia fazer funcionar os tais multiplicadores. Mas a verdade é que não está, a sua pressa de ser ministro levou-o a aceitar gerir um programa que é apenas uma manta de retalhos,de uma Frente em fuga (para a frente).
Como sempre disse, o primeiro semestre de 2016 seria uma festa (aliás esperava melhor), o segundo seria tempo de começar a explicar a Bruxelas porque é que a realidade se recusa a aceitar o programado, no final do ano já ficará claro que o buraco adicional já vai acima de mil milhões e que se nada se fizer será de mais dois mil milhões em 2017.
Aí, Bruxelas, dar-nos-à a escolher, entre a porta da saída e um Orçamento draconiano para 2017.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015



MADURO CAI, LE PEN SOBE, TSYPRAS ENTREGA-SE
POR CÁ BE E PCP MANDAM

Até quando?
O PS dispôs-se a pagar qualquer preço para ser poder, terá por algum tempo o poder de distribuir favores aos amigos e pouco mais.
Em contrapartida teve de dar urgente prioridade nacional a toda a agenda de "medidas fracturantes" do BE, por mais idiotas que elas fossem, teve também de dar ao PC e à CGTP tudo quanto eles queriam e terá de continuar a dar o que eles ainda querem.
O PS julga que pode saciar os seus aliados, não pode, eles vão querer sempre mais. Mesmo depois das experiências de Maduro e Tsypras eles vão continuar a querer mais. Os ideais revolucionários não se detêm perante esses pequenos percalços da história, custem eles o que custarem aos seus povos.
Uma frente que o PS nem sequer teve a clarividência de liderar desde o nascimento e que deixou que o PCP comandasse, tinha de dar nisto. Uma Frente sem mesmo um Acordo sério entre os seus membros, não é uma Frente, é apenas uma ratoeira bem montada aos aventureiros do PS responsáveis por esta experiência sem "para-quedas", experiencia essa que o país vai pagar caro.
Quanto tempo homens como Centeno e Caldeira Cabral poderão sobreviver nesta aventura, subrepticiamente comandada por bolivarianos, trotskystas e estalinistas?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015


PROVOCAÇÃO A CAVACO?

Apesar da qualidade das pessoas propostas não consigo compreender a proposta de ministério de Costa. Tratar-se-à apenas de uma provocação gratuita ao PR?
Um ministério com pai e filha, marido e mulher, parece ser uma coisa de governo africano. Era indispensável? O PS não tinha ninguém que pudesse substituir dois destes propostos?
A proposta para ministra da Justiça faz algum sentido? Não existem já problemas suficientes com Angola para corrermos o risco de arranjar mais alguns? Também aqui não é a qualidade da Senhora que está em causa, mas apenas o bom senso.
Por último, e menos grave, os Estrangeiros, mais uma vez a qualidade política e a inteligencia do proposto não estão em causa, mas era necessário propor para chefiar a nossa diplomacia o assumido "caceteiro-mor" do PS?
Não sou cavaquista e, como tenho escrito, não penso que ele tenha sido um bom presidente, em especial neste segundo mandato, e com destaque para este final, mas isso não justifica provocações sem sentido.
Qual o objectivo desta provocação quase que infantil?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015



PEDIDO AO PRESIDENTE

Senhor Presidente
O primeiro mandato de Vª Exª não foi brilhante, o segundo tem sido bastante desastrado, para dizer o mínimo.
O senhor tem gerido dossiers importantes de forma altamente discutível, mas o mais grave, tem sido a maneira como tem comunicado com os portugueses. O Senhor tem-no feito de tal modo que, mesmo quando tem razão, não convence os seus apoiantes, e provoca inutilmente os seus opositores, acabando apenas por contribuir para o mal estar geral, exactamente o oposto do que seria necessário e desejável.
Por isso lhe peço, que na próxima alocução que faça ao país não esqueça os seguintes aspectos:
-Todos sabemos que o Senhor é um catedrático importante, mas por favor não nos trate como sendo meros alunos, mais ou menos atrasados mentais, do mestre-escola
- Também todos sabemos que o Senhor é muito inteligente, que nunca se engana nem tem dúvidas, que já sabe tudo, que já estudou todas possibilidades há muito tempo, e essas coisas todas que o Senhor gosta de dizer. Mas como o Senhor não é o menino Tonecas, não precisa de estar sempre a lembrá-lo, por via das suas palavras e da sua postura. As nossas limitações não têm de nos ser relembradas a cada momento, Senhor Presidente.
- Se for capaz diga humildemente aos portugueses que atravessamos um momento difícil, e que o senhor, sem preconceitos, nem arrogância de qualquer tipo, está à procura da melhor solução para o país, que nos últimos anos já tanto sofreu.
O país não precisa de um Presidente importante e muito inteligente que fale grosso, o país precisa de um Presidente que nos convença que está preocupado com todos nós, que procura as melhores soluções e que tem confiança que em conjunto as encontraremos.
Mais cedo ou mais tarde, todos precisamos de colo. Para além disso, o Senhor precisa de não sair de Belém como o pior PR da nossa história.

PS - Já agora, se possível, não faça mais daqueles discursos infindáveis e com repetições diversas.


ACORDO? QUAL ACORDO? ESTAMOS A BRINCAR?
Todos sabemos que a Frente não tem acordo nenhum, primeiro dizia que tinha e não tinha nada, depois, à pressa e às escondidas, lá assinou três papeis, e dizem agora que têm um acordo.
Três papeis em que se evitam todos os temas polémicos e onde se acordam meia dúzia de pontos, não são mais do que um simulacro. Um simulacro não de um, mas de três acordos.
Nunca fui dos que agitou a ilegalidade ou ilegitimidade de um governo da Frente, só que para que essa legitimidade exista, tem no mínimo de existir um Acordo, público, claro, e garante mínimo de alguma governação, estabelecido e assumido por todos os participantes.
Como é que pode vir o PCP dizer que não sabe como irá votar a proposta orçamental do PS para 2016? Estamos a brincar?
Ninguém pode exigir à Frente que garanta estabilidade por quatro anos, mas já o primeiro orçamento está em dúvida??!!
O PS colocou-se numa posição de total dependência dos radicais, por este caminho dar-lhes-à tudo quanto quiserem,apenas para ser governo, mesmo correndo o risco de deixar o país no caos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015



OTELO, SUVs, FPs, VOLTEM, VOLTEM TODOS !!!

(AFINAL FOI ENGANO)

Com as suas novas amizades o PS inviabilizou hoje uma simples homenagem ao 25 de Novembro, no âmbito da Assembleia da República.
O PS diz que o seu governo será um governo dele, orientado pelos seus princípios, e que os acordos pontuais que fez com o PCP e BE, não porão nunca em causa nem o regime, nem a nossa integração internacional.
Como acreditar nisso se os seus parceiros todos os dias falam em nacionalizações, reforma agrária, acções de rua, etc E agora, para confirmar que eles é que mandam no calendário e nas acções do PS, pura e simplesmente obrigam-no a faltar à sessão de trabalho para estabelecer a cerimónia comemorativa do 25 de Novembro.
O PS ainda nem sequer é governo e quem manda é já a malta que Eanes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e tantos outros, tiveram de afastar em 1975.
Vai bem o país!

domingo, 8 de novembro de 2015



PORQUE VAI SER UM DESASTRE
Ao contrario do que tem sido dito pela direita o problema não é o de uma hipotética ilegitimidade, imoralidade, ou até ilegalidade de um governo da Frente de esquerda. O problema é o seu programa.
A coisa à primeira vista até está bem disfarçada, pode mesmo parecer que se trata apenas de uma pequena adaptação do programa do PS. De facto não se trata de nada disso, na verdade converteu-se um programa que continha alguns riscos de gastos excessivos, que poderiam vir a ter de ser "resolvidos" posteriormente, num outro programa em que àqueles riscos se veio juntar o engessar da economia, e este é um mal que levará muito tempo a curar, e envolverá custos muito altos para o país.
Nem tudo é mau neste programa, a solução encontrada para o salário mínimo e as isenções temporárias de TSU, são muito melhores que o disparate que o PS se preparava para fazer.
Mas a idiotice de teimar na baixa do IVA da restauração, conjuntamente com a grande aceleração da reposição dos vencimentos dos funcionários públicos, e a eliminação total da sobretaxa do IRS, vão pesar muito no orçamento e levarão a aumentos das taxas de alguns impostos e à criação de outros, que muito provavelmente não irão originar receitas adicionais face à fadiga fiscal nacional. Ou seja, tudo leva a crer que vamos ter um exercício orçamental com um grande aumento da despesa, e cheio de receitas hipotéticas que nunca se concretizarão. Consequentemente, iremos de novo entrar em deficits excessivos.
Mas pior que tudo o que foi dito atrás será o engessamento da economia, o PCP, o grande vencedor desta manobra de Costa (que, como o outro, bem pode dizer orgulhosamente "paizinho, sou 1º ministro e salvei os teus camaradas"), ganhou em toda a linha. A reversão das privatizações na área dos transportes, o reforço da contratação colectiva, e a revisão da legislação laboral mais recente, levarão a que qualquer veleidade de vender Portugal como destino de investimento estrangeiro e nacional, não passe de um exercício inútil.
Este programa levará inicialmente a algum aumento do consumo privado, o que por si só será uma coisa boa, esperemos que apenas a um pequeno aumento do deficit comercial do país, mas as contas públicas irão derrapar e com elas a dívida pública, e ao mesmo tempo o investimento irá estagnar.
Já é indecoroso estar sempre a falar-se em novo resgate, mas que dentro de um ano a economia nacional será um molho de brócolos, disso não tenho dúvidas. A ver vamos.
PS
No texto acima eu falo em "manobra de Costa", mas de facto esta foi desde o início uma manobra do PCP. Deveria ter sido de Costa, se ele tivesse tido a inteligencia de lançar o desafio da frente de esquerda logo na noite eleitoral, aí ele teria controlado todo o processo, da forma como o fez acabou nas mãos do PCP.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

CAVACO E O GOVERNO DE COSTA.
Caso o desastre se confirme, só restará ao PR, depois de todas as outras trapalhadas, uma coisa a fazer.
O PR não pode correr o risco de no futuro vir a ser acusado de ter dado posse precipitada a um governo com um programa mais ou menos ruinoso para o país.
Por isso não bastará que Costa e Companhia lhe apresentem um programa, esse programa terá de ter sido, previamente e de forma clara, sancionado e apoiado pelo PS, no mínimo por via da sua Comissão Política.
É absolutamente necessário que fique claro para toda a população portuguesa que todo o Partido Socialista está por detrás desse programa e o apoia, para que amanhã não reste sombra de dúvida sobre as respectivas responsabilidades.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PORQUE A ESQUERDA ESTÁ TÃO NERVOSA?
Independentemente dos pormenores da intervenção do PR, a sua decisão foi a esperada, a única com sentido, e a que resguarda a nossa democracia. Esta posição foi aliás, defendida nos últimos dias por todas as melhores cabeças da nossa esquerda.
A justeza desta posição é ainda maior porque, para além da Frente ser uma novidade pós-eleitoral com poucos dias, até agora ninguém viu nenhum programa, nenhum acordo, ou sequer uma simples folha de papel que fosse, sobre as suas intenções. Até agora o que ouvimos foram tudo, e apenas, bocas soltas.
Independentemente do repentino voluntarismo de Costa isto não é um simples jogo de sobrevivencia individual.
Como não existe de facto acordo nenhum, amanhã até Costa poderia ser empurrado a ter de concordar com propostas impossíveis de última hora , táctica aliás muito apreciada por estalinistas e trotskystas, propostas essas a que ele acabaria por não poder fugir, lançando o país no caos.
Pergunto então, porque está a esquerda tão nervosa? Será que ela sabe coisas que nós não sabemos? Será que temos novo Partido a aparecer em cena? Será que ela sabe que dentro de dez dias todas as suas hipóteses se terão esfumado?
Veremos

quarta-feira, 21 de outubro de 2015


PORTUGAL, UMA CUBA TRISTE?
O sonho do PCP é fazer de Portugal uma Alemanha igual à de Honecker, o sonho do BE é fazer de nós algo de parecido com a Venezuela de Chavez, na média teremos alguma coisa como Cuba. O que o PS pensa não contará, porque o PS apenas quer a ilusão do poder, e algumas benesses.
O actual ministro francês da economia, Macron, quando Hollande lançou a sua política económica inicial, disse que o sonho da França era ser uma Cuba sem o calor, nem as praias dela. Depois Hollande caíu em si e mudou tudo, teve a "lata" e a coragem de o fazer, e pôde fazê-lo porque França ainda é rica e poderosa, apesar disso, só o fez depois de ter paralisado a economia francesa, de ter originado uma enorme emigração fiscal e de deixar a Srª Le Pen ultrapassar o PSF.
Sem o poder económico e político de França, Portugal seria apenas uma Cuba triste, muito triste, sem as suas temperaturas, nem a sua sensualidade.
Nós, o país mais endividado do mundo, na nossa aventura cubana, iríamos assistir ao rápido fechar da maioria das nossas empresas, já hoje tecnicamente falidas, e com elas dos nossos bancos, agora "apenas" em estado comatoso. Os números do desemprego rapidamente ultrapassariam os da Grécia e de Espanha e a falência absoluta do Serviço Nacional de Saúde seria inescapavel. Quanto às pensões, salários da função pública e apoios sociais, esses até poderiam subir 100% ou mais, em lugar da simples reposição, de qualquer modo eles, pura e simplesmente, não seriam pagos.
Para sua glória máxima. o BE e o PCP, conseguiriam pôr-nos fora do Euro. Antes mesmo de o Costa/Kerensky perceber sequer o que se passava, chegaria um discreto convite de Frankfurt, disfarçado de qualquer outra coisa, a agradecer a nossa participação, e reconhecendo que dado o nosso estado deveríamos experimentar outras vias...

terça-feira, 13 de outubro de 2015


SÓ CENTENO NOS PODE SALVAR
Pode pensar-se que um governo de esquerda na sequência destas eleições seria ilegítimo, ou imoral, ou o que se queira, mas a verdade é que ele seria Constitucional.
Para além de Constitucional é inegável que uma experiência de esquerda seria importante para a evolução do sistema político português, acabando com os partidos de protesto.
As consequências partidárias para o PS, que iria atraiçoar uma parte do seu eleitorado tradicional, ou para o eleitorado de protesto que votou BE, serão contas a pagar por esses partidos em próximas eleições, o que não me preocupa.
O que me preocupa é que o país tem ainda reformas indispensáveis de modernização a fazer, reformas que não fará com um governo apoiado pelo PCP e BE. Ainda ontem a Intersindical o deixou bem claro.
Um governo de esquerda conseguirá em dois anos pôr o país de volta a 2011, à Troyka e a todas essas coisas. Costa pode não o saber, Centeno sabe-o certamente, e ele é o único que o pode explicar a Costa.
Se Centeno tiver tanta pressa de ser ministro, como Costa tem de ser Primeiro-ministro, estaremos perdidos.