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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014



GRÉCIA, O LABORATÓRIO

O ano acaba com a garantia de eleições antecipadas na Grécia, o que é uma óptima notícia para os cientistas políticos, mas tudo leva crer que péssima para a população grega, já tão sofrida.
A notícia é boa para os cientistas políticos porque abre a possibilidade de surgirem respostas reais a uma série de questões e esse interesse será tanto maior quanto maiores forem as mudanças na Grécia, quase que quanto pior melhor.
Quais são as grandes questões em aberto:
- Como reage um eleitorado da periferia europeia depois de sofrer anos de austeridade, quando tem de escolher entre uma solução "realista" e a "aventura" mais ou menos populista?
- Caso a direita ganhe até que ponto os apoios europeus serão mais vigorosos do que até aqui?
- Caso o Syriza ganhe vai rapidamente transformar-se num realista ou irá mesmo partir a loiça toda?
- Irá o Syriza iniciar de facto uma nova experiência de socialismo democrático? Com que contornos? Irá destruir a economia?
- Como irá a Comissão europeia gerir os acontecimentos subsequentes? E o Banco Central Europeu?
- Que solidariedades internacionais irá o Syriza conseguir? Vamos assistir a experiências que destabilizem ainda mais o equilíbrio geopolítico da região?
- Qual vai ser a reação dos outros eleitorados europeus aos acontecimentos na Grécia? O Syriza vai ser uma vacina contra os populismos na Europa ou o início de uma nova vaga?

e por aí fora...

Tempos interessantes..., esperemos que os custos sociais não sejam demasiado grandes.

sábado, 9 de março de 2013

OS CHAVEZ

Chavez sempre foi visto como uma daquelas personagens teatrais  só possíveis em países de terceiro mundo, filhas da esquerda revolucionaria e do populismo.

Mas na verdade Chavez, pareça ou não personagem de uma ópera bufa, é sobretudo uma consequencia da histórica inconsciência social das elites venezuelanas,  do seu afastamento em relação ao seu povo e até da própria divisão étnica entre ela, pretensamente "branca" e uma enorme maioria, mais ou menos índia.

Foi esta clivagem social e étnica que gerou Chavez, e tal como ele mais alguns dos actuais líderes da América Latina de origem espanhola, líderes da mesma escola embora menos estrionicos e com menos petróleo. Enquanto a visão de curto prazo das elites e a sua incapacidade para resolver os problemas dos diversos países continuarem, outros Chavez virão, alguns talvez mesmo bastante mais radicais.

A verdade é que enquanto estas elites não mudarem elas continuarão a produzir os seus Chavez, de forma mais ou menos regular, tanto mais agora que a causa ganhou um novo santo já embalsamado, este sim, filho do povo, ao contrario do "herói bolivariano" que ele idolatrizou e que não foi mais do que o agente dos interesses das elites locais da época.

Mas os Chavez ´não são um exclusivo do folclore latino americano, eles podem surgir por outros lados. Também nós tivemos já o nosso Chavez, também ele coronel, de nome Vasco Gonçalves, e que não teve o sucesso do outro porque não existia em Portugal nem o petroleo, nem uma base social para a personagem, o que não quer dizer que esta não possa vir a existir.

Com o aumento da indiferença das elites pelas questões sociais, com os crescentes níveis de incompetência e corrupção, reais ou não, mas apercebidos pelas populações, o mais natural é que os Chavez comecem a pipocar por esse mundo fora.

quinta-feira, 10 de março de 2011

CONTRA A REELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Agora, passadas as eleições presidenciais e no começo de um novo mandato, é o momento de reflectir sobre o estatuto da reeleição.

A reeleição de Presidentes da República em regimes não presidenciais não só não tem qualquer sentido como tem potenciais inconvenientes importantes.

Não faz sentido porque a base teórica da figura da reeleição é a necessidade de dar a um poder executivo que faça um bom trabalho a possibilidade de ter mais tempo para levar esse trabalho mais longe, ora isto não se aplica a poderes não executivos que não teem propriamente obra e não deixam um trabalho realizado (1).


Poder-se-ia dizer que embora não existam argumentos a favor da reeleição ela acaba por ser uma solução prática, o "homem já é conhecido e tem experiência". Totalmente errado, a solução nada tem de prático porque envolve sempre mais uma eleição e porque a ilusão de se conhecer o "homem" é apenas isso mesmo, uma ilusão, dado que a prática tem demonstrado que o Presidente do primeiro mandato nunca é igual ao do segundo, e o mais grave é que são os dois piores do que poderiam ser se tivessem apenas um mandato.

Para além da falta de vantagens da reeleição, quais são portanto os inconvenientes do sistema? Julgo serem claros os seguintes inconvenientes:

- Conduzir à não apresentação à competição eleitoral dos melhores candidatos possíveis (2)
- Induzir os re-Presidentes a fazerem dois mandatos abaixo do seu potencial efectivo(3)
- Aumentar o risco de eleição de um Presidente desautorizado ou de "3ª classe" (4)

Assim, este sistema que não tem justificação teórica alguma, tem inconvenientes e riscos graves que afectam a qualidade da democracia, por não permitir a escolha dos melhores, por levar os eleitos a fazerem maus mandatos, e ainda por poder conduzir à eleição de um Presidente "desautorizado".

Já que se fala em revisão Constitucional, acho que é o momento de encarar esta questão e acabar com a reeleição, com ou sem alargamento do mandato presidencial. Numa solução mais rebuscada, a possibilidade de reeleição por um mandato poderia manter-se na Constituição a título excepcional, desde que fosse previamente aprovada por uma maioria qualificada da Assembleia, o que obviamente apenas aconteceria em ciscunstancias muito excepcionais.

Vamos agora assistir à quarta re-Presidencia desta República, tomemos atenção ao desenrolar dos acontecimentos. Que os deuses nos protejam.




NOTAS

(1) -É impossível que um Presidente num regime do tipo do nosso se dedique a uma obra e apresente um trabalho de facto importante? Impossível não será, em teoria, mas na prática é muito difícil, quer pelas limitações do cargo - em termos de poderes, conflitos institucionais, orçamento, etc - quer por limitações dos próprios Presidentes. No entanto, (ainda em teoria) talvez fosse possível a um Presidente dedicar-se a um empreendimento, cívico, cultural ou de outro tipo, desde que o fizesse com recursos escassos e sem conflitos com o executivo, o que exigiria no entanto uma disponibilidade e capacidade de trabalho que os Presidentes, em fim de carreira e de vida, não é expectável que tenham.

(2) - O maior inconveniente do estatuto da reeleição é que leva a que os possíveis candidatos com mais potencial nem sequer se apresentem, é como se fosse considerado à partida um jogo de cartas marcadas em que o candidato-presidente tem uma vantagem desproporcional. Este facto reforça ainda mais a vantagem relativa do re-candidato, dada a fraqueza dos opositores que se apresentam, tudo em prejuízo do país que muito provavelmente teria melhores soluções.

(3)- Os dois mandatos são deficientemente exercidos porque o objectivo principal de qualquer Presidente é manobrar em todo o seu primeiro mandato para aumentar a possibilidade de obter o segundo, por isso nada de importante se pode esperar dele, ele vai seguir a sua estratégia pessoal de manutenção de longo prazo. No segundo mandato, "enfim liberto!" ele vai fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, de qualquer modo já está em fim de carreira sem mais ambições que não seja tentar ficar na pequena História. Ou seja, no primeiro mandato ele não vai fazer o que podia e devia, sempre que isso implique a possibilidade de qualquer desgaste, no segundo ele será tentado a fazer até o que não devia porque se trata da sua última oportunidade de deixar uma marca.


(4)- Outro grande inconveniente do estatuto da reeleição é o facto de o Presidente poder ser fortemente desgastado durante a campanha para a reeleição. Dir-me-ão que esse risco existe também na primeira campanha e é inerente a todos os processos eleitorais, sejam cargos executivos ou não, no entanto essas situações só aparentemente são semelhantes.
O desgaste eleitoral de um candidato executivo em busca de reeleição não é especialmente importante porque se for vencedor ele vai deter o poder e, por isso, em termos práticos rapidamente recuperará do desgaste sofrido, ao contrario do Presidente sem poder efectivo para quem a imagem é fundamental porque é seu único activo.
Também a situação de um re-candidato presidencial é diferente da de um candidato de primeira água, quando há uma campanha de desgaste sobre um re-candidato, quer se queira quer não, ela afecta directamente o Presidente porque as duas figuras já não separáveis, ao contrario do que acontece com o candidato não Presidente, que mesmo desgastado o é apenas na sua pessoa física e não na sua figura presidencial que não tem. Quando a figura do candidato e do Presidente em exercício se misturam e se apresentam numa eleição, o desgaste de que ele for alvo não acaba com a campanha, mantém-se para além dela porque ele foi realizado já sobre o Presidente e não sobre um candidato qualquer, eleito ou não. Sendo assim, um Presidente reeleito nessas circunstâncias penosas, terá sempre mais dificuldade de ser o tal Presidente de todos os cidadãos.
Não quero com isto insinuar que esta é a situação actual, com as dúvidas que foram levantadas relativamente ao comportamento de Cavaco Silva na gestão de alguns dossiers pessoais, questões que apesar de não serem tão inócuas como o candidato como quis fazer crer, também não são um caso propriamente escandaloso. Mas a sua ocorrência foi importante para chamar a atenção para este potencial ponto negativo do estatuto da reeleição, dado que nada impede que amanhã venhamos a viver uma situação muito mais grave noutra reeleição, o que poderia até conduzir à tal eleição de um candidato de 3ª apenas para fugir ao re-candidato desgastado.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O PSD ENLOUQUECEU?

O novo PSD começou bem, no entanto ultimamente a confusão parece instalada.
Como eu dizia no último texto sobre este assunto, a demarcação em relação ao governo não tem sido feita de uma forma clara e isso envolve riscos grandes a prazo, mas agora pior, o PSD enveredou pelo caminho de paladino contra as grandes aposentações o que é um enorme erro, independentemente de ter ou não grande parte da razão.
É errado em termos políticos, é errado em termos técnicos, é errado em termos morais, e é duvidoso em termos populistas.

Em termos políticos porque não cabe ao PSD enquanto não for governo avançar com medidas concretas, tem sim é que obrigar o governo a fazê-lo e se o governo o não fizer derrubá-lo, sob risco de ficar o PSD com o ónus dos inconvenientes e o governo com os benefícios das medidas.
Errado em termos técnicos porque se é preciso limitar pensões a única regra indiscutível é estabelecer como limite a média dos salários durante toda a carreira contributiva, os resultados seriam iguais ou melhores que os da proposta apresentada só que justos e incontestáveis. Quem durante 40 anos descontou sobre 10.000 não pode ser aposentado com 5.000, no mínimo terão de lhe ser devolvidos actualizados metade dos descontos feitos.
Errado em termos morais porque, além de não ser justo, vem na habitual linha de satisfazer a invejazinha nacional, o que no imediato pode ser vantajoso mas de facto corresponde apenas a continuar a alimentar um dos grandes problemas da cultura nacional.
Duvidoso em termos populistas, porque provavelmente 5.000 é demais, porque não 1.500? ou mesmo 1.000? Evo Morales e Chavez teriam feito melhor!

Porque é que os deuses insistem em abençoar Sócrates?

segunda-feira, 29 de março de 2010

DOS GOVERNOS SOMBRA

Na ciência política, como nos mercados financeiros e como em muitas outras coisas na vida, quase nunca o que parece é. Também assim é com as dificuldades dos governos sombra.

Embora à primeira vista pareça mais fácil e menos exigente a formação de governos sombra do que a de governos efectivos na verdade não é assim. São três as frentes em que a formação de governos sombra se torna mais difícil: é mais complicado o recrutamento de "ministros", é mais exigente em termos da qualidade dos mesmos e corre o risco de ser uma via de desgaste de personalidades que de outra forma teriam possibilidade de se vir a afirmar no poder real.

O recrutamento é mais difícil por diversas razões, mas que se resumem ao facto de os riscos serem muitos e as compensações poucas, sem poder efectivo e sem equipes de apoio a sério, os ditos ministros terão de escolher entre ter papéis relativamente apagados ou o desgaste de posições constantes de confronto difíceis de manter.

Exactamente pelas razões referidas atrás, falta de equipes de apoio e falta de poder efectivo, os tais ministros terão que ser muito melhores do que ministros reais, eles terão de fazer omeletes sem ovos! E assim caímos na situação bizarra de ser obrigados a ter num governo sombra personalidades muito melhores do que aquelas que são necessárias para constituir um governo efectivo.

E por último teremos como consequencia para o partido do governo sombra o seu desgaste e o de personalidades que muito provavelmente iriam ser necessárias no futuro.

São estes os problemas em que Passos Coelho se vai envolver se for por esta via. A solução dos porta-vozes sectoriais, embora não tendo o mesmo "glamour", envolve muito menos riscos e tem potencial equivalente, ou até maior por dar a possibilidade de "rodar" gente nova.

sábado, 27 de março de 2010

PASSOS COELHO II

Confirmou-se.
Uma vitória indiscutível, mais clara do que todas as previsões anteviam.

Como sempre um discurso com a entoação perfeita e globalmente correcto. Um bom princípio, apenas isso.

Gerir a sofreguidão do partido pelo poder, que sente próximo o que pode ainda estar longínquo, como é usual não irá ser fácil. Esse será o primeiro dos muitos desafios de PPC.
A ver vamos.

terça-feira, 23 de março de 2010

O PEC

Este é daqueles documentos que qualquer governo gostaria de nunca ter de fazer, talvez isso ajude a explicar o que se tem passado com as apreciações de diversos comentadores económicos que teem tido mudanças substanciais ao longo do tempo conforme o documento foi passando das 9 páginas iniciais para as 110 finais. Houve de tudo, dos que de posições iniciais de concordância, ou até de elogio, evoluíram para posições de oposição radical, como houve aqueles que do tom crítico inicial evoluíram para posições de receptividade global em relação ao documento.

Claro que muito provavelmente a qualidade final do documento foi afectada pela promessa eleitoral de não subir os impostos, reinterpretada pelo governo na versão de não subir as taxas dos impostos, o que dificultou a saída de utilizar o aumento do IVA em lugar da redução das deduções fiscais, mas mesmo assim o resultado final não seria muito diferente. Ouvi economistas de vários quadrantes políticos elogiar o bom trabalho feito pela equipe do ministério das finanças.

Crítica total, clara e "fundamentada" ao documento apenas a vi da esquerda radical que defende outro modelo de desenvolvimento, modelo esse que no entanto nunca explicou qual é, pelo menos de uma forma global e coerente.

O PEC podia ser melhor? muito provavelmente sim. O PEC é mau? parece que não. O PEC podia ser radicalmente diferente? não se vê como.
JARDIM E SÓCRATES

Segundo o jornal Público, Alberto João em entrevista à Renascença terá admitido "alianças com o primeiro ministro em aspectos que ache justos para o país, mesmo que contra o PSD".

Pode-se compreender que Jardim esteja agradecido em relação ao comportamento inteligente do primeiro ministro quando da catástrofe madeirense, mas a verdade é que posições como esta, junto com o confrangedor debate entre os quatro candidatos do PSD, só tornam as coisas ainda mais difíceis para o partido laranja.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A ACLAMAÇÃO DE MARCELO

Depois de diversos esforços para empurrar Marcelo para a corrida eleitoral dentro do partido, agora a nova versão é pô-lo a correr por fora, ou seja as próximas eleições serviriam apenas para designar uma figura simbólica que seria presidente do partido, mas simultâneamente o partido designaria (melhor, aclamaria!) um candidato a primeiro ministro que não seria aquele dirigente partidário mas uma outra personalidade, que apesar de não ter querido suportar o desgaste das eleições internas se pensa (quem?) ser a pessoa com mais condições para em eleições fora do partido bater José Sócrates.

Sim, caro leitor é disto que se trata, leia outra vez que talvez consiga compreender, para mim também é difícil mas vou tentar dar uma ajuda:

- a solução da aclamação do verdadeiro líder sem eleição, não tem nada de absurdo com à primeira vista possa parecer, é uma solução extremamente inteligente e com enorme potencial, aliás para o comprovar nada melhor que as experiências dos congressos e "politburos" da União Soviética e de outros países comunistas que a usaram com enorme sucesso durante décadas e, de salientar vigorosamente, sem qualquer contestação que se conheça (ou de que pelo menos tenha havido sobreviventes).

-por outro lado toda a gente sabe que o que Marcelo quer é ser presidente da República, o que só prova que no meio desta insanidade geral ele ainda está lúcido, porque é indiscutível que pela sua cultura política e capacidade de comunicação ele tem as condições para ser presidente de todos nós, mas por outro lado também é indiscutível que ele não tem condições nenhumas para ser primeiro ministro.
Falemos sério senhores, o cargo de primeiro ministro é um cargo executivo de uma exigência enorme em termos de capacidade de decisão e gestão de conflitos, a única experiência executiva de Marcelo foi um cargo de secretário de estado e pouco mais, além de que todos os portugueses conhecem o seu perfil psicológico.
Porquê então querer empurrar o homem para um cargo que ele não quer? e depois para uma corrida eleitoral contra Sócrates que será extremamente difícil? e tudo isto finalmente para que (hipotéticamente) ele viesse a chefiar um governo do qual ao fim de três meses estaria completamente farto?
Toda esta operação para quê? O leitor ainda não ficou esclarecido? Leitor difícil! Vou tentar melhor.

-no meio de tudo isto Cavaco Silva declarou que nestes quatro anos de mandato, não dedicou ainda nem dois minutos do seu tempo à questão da reeleição, é óbvio que isto quer dizer que se não vai candidatar a novo mandato, porque se houvesse a mínima hipótese de o fazer convenhamos que teria perdido pelo menos os tais dois minutos. A não ser que não estivesse a falar verdade, o que não é certamente possível, porque isso seria a consagração institucional da falta de amor á verdade como uma componente genética portuguesa, logo a única conclusão possível é a de que não se vai recandidatar. Esta pelo menos o leitor certamente compreendeu, ou não?

-sendo assim as coisas ficam mais claras! o actual presidente não se vai recandidatar, o político da mesma área que tem condições para o substituir e que sonha com isso, é empurrado para uma corrida que ele não quer. O que se passa aqui? quase parece um enigma de policial barato, vamos ver leitor, paciência... talvez a gente chegue lá.

-outro elemento, caro leitor, quem foi o cérebro que concebeu este congresso extraordinário antes de eleições? o homem que se tivessemos um senado seria o senador por excelência, um homem tão modesto que não é candidato a nada e só quer o bem do partido.
O homem que agora ajudou a conceber também a aclamação de Marcelo, quem é ele? Acertou leitor! o eterno Santana Lopes, o que quer ele? depois daquela dos dois minutos, afastar Marcelo parece ser uma jogada de mestre, ou não? Leitor por favor! é tudo tão complicado! ajude-me leitor, não faça perguntas difíceis!

Mas não é só Santana que quer empurrar Marcelo, até porque bem lá no seu íntimo ele ainda espera aquela vaga de fundo que o pode levar a ser obrigado a candidatar-se às eleições partidárias a bem do partido e da Pátria, papel que apesar de bem mais ingrato do que o de candidato a PR à falta de melhor lá terá que ser...
Para além de Santana vários outros se empenham nessa missão patriótica de empurrar Marcelo, todos eles com os mais diversos e estranhos desígnios.
Perante tanta actividade política, tanto dinamismo, o leitor provavelmente ver-se-ia inclinado a pensar que o PSD é o maior partido nacional, não? ou pelo menos líder nas sondagens? ou então no mínimo o partido que mais cresce, aquele que vai "explodir" nas urnas na próxima oportunidade? Não, caro leitor parece que não, misteriosa e injustamente nada disso acontece, vá lá saber-se porquê...

-mas há mais, e o namoro PS/CDS? como é? vai a algum lado? não é fácil, Sócrates só compra barato e Portas tem um preço alto, mas se o PSD der um jeito e empurrar definitivamente o PS para os braços do CDS, o desenlace ainda se dá. Se assim for que percentagem do eleitorado vai o PSD ter daqui a quatro anos? O quê leitor? Só isso? E estas guerras todas para quê?

O leitor pergunta se eu fumei? se cheirei? se me injectei? Eu?! Eu não! caro leitor sou do tempo em que a Coca-Cola era proibida e ainda é o meu único alucinogeno. Provavelmente leitor nós só não estamos sintonizados na onda, topas meu? (né mano? - para a versão brasileira).

domingo, 7 de março de 2010

MÁS OPOSIÇÕES IGUAL A MAUS GOVERNOS?

Ao contrário do que normalmente se pensa, a qualidade dos governos em democracia depende muito da qualidade das respectivas oposições, uma boa oposição ajuda á existência de um bom governo.

O que se disse atrás é verdade porque os governos são tanto mais "empurrados" positivamente pela oposição quanto melhor essa oposição for, e inversamente, poderão ser tanto piores quanto mais os seus adversários se mostrarem incapazes de parecerem ao eleitorado uma alternativa credível.

Se isto fosse um silogismo a conclusão óbvia seria a de que quem faz a qualidade do governo é a oposição, logo a culpa dos maus governos é das más oposições.

A lógica em política não é assim tão linear, mas também não se afasta muito daquelas conclusões, e as oposições que não julguem que basta através de tácticas de guerrilha procurar desgastar os governos que não conseguem derrotar em eleições, porque se essas oposições não conseguirem transformar-se em opções credíveis apenas se afundarão mais, a elas e aos países.
O MUNDO PLANO DE AGUIAR BRANCO

Depois da enfadonha conversa de advogados que a televisão nos proporcionou, e que segundo os comentadores Aguiar B. ganhou (ou será que apenas perdeu menos?), o chefe do grupo parlamentar do PSD, entusiasmado pelo sucesso, resolveu dar uma de intelectual e numa entrevista ao Semanário Económico referiu como livro base do seu pensamento económico "O Mundo é Plano" de Thomas Friedman, livro que não passa de um objecto sem qualquer valor, escrito com a única intenção de ser um bestseller, o que conseguiu com facilidade graças à publicidade e aos Aguiares deste mundo.

Passo a explicar, os americanos dentro da tradição anglo-saxónica são normalmente pouco palavrosos e muito objectivos nos seus textos, ao contrário dos latinos (encabeçados pelos franceses), mas por outro lado, quando nos USA decidem produzir textos vazios, repetitivos, enchendo centenas de páginas com uma ou duas ideias que nada teem de original, não há como eles, porque ao contrário dos franceses conseguem embalar esse vazio de ideias numa linguagem fácil que parece deslizar docemente, podendo até deixar a sensação de que se está a ler alguma coisa com real valor acrescentado.

É isso "O Mundo é Plano", uma série de lugares comuns sobre a realidade e potencialidades da internet, nada sobre as razões porque isso aconteceu, nada sobre o que vem depois, "just bullshit".

Se fosse um daqueles taxistas bem falantes, que teem idéias claras sobre a política nacional e tudo o resto, a elogiar o tal livro, eu ficaria optimista em relação ao nível cultural do meu país, sendo o pretenso candidato a primeiro ministro, acho pouco, muito pouco...

quarta-feira, 3 de março de 2010

PASSOS X RANGEL

Única conclusão: preocupação, muita preocupação, por este caminho vamos continuar com Sócrates durante longos anos.

Era o debate entre os dois candidatos mais fortes do próximo acto eleitoral, esperava-se um combate em que Rangel mostrasse o seu entusiasmo agressivo sem cair no "Chavismo de direita" fácil que lhe é habitual, nada disso aconteceu, tivemos um Rangel assustado, todo o tempo à defesa, incapaz de se afirmar como um líder.

Do outro lado esperava-se que Passos Coelho demonstrasse claramente que não é apenas um actor (nada contra, lembrem-se de Reagan), e que o livro que editou, e que as más línguas dizem escrito pela equipe que o controla, corresponde a um pensamento solidamente incorporado por ele, também aqui outra desilusão, o actor é apenas sofrível, e o referido pensamento parece apenas colado com cuspo e não resistirá a qualquer opositor que saiba alguma coisa de economia.

Pobre PSD! Pobre País!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

MADEIRA - TRÊS LIÇÕES

Como de todas as catástrofes, já que não foi possível evitá-las, o mais importante é tirar delas lições para o futuro, e deste caso para mim ficam três lições, que muito provavelmente vão ser ignoradas como é habitual, mas que seria vital não esquecer por muito tempo.

Não me refiro a três lições para a Madeira, repisando os pormenores habituais, de uma forma mais abrangente refiro-ma a uma lição para a Madeira, outra para a região de Lisboa e outra para o país.

Para a Madeira trata-se da necessidade de repensar a ocupação de solos nas zonas urbanas e periferias críticas, e de encontrar soluções que minimizem ocorrências deste tipo, que os meteorologistas dizem que se vão intensificar nos próximos anos. E tudo isso tem de ser decidido agora no calor dos acontecimentos porque senão nunca o será, ou apenas depois de uma tragédia muito maior do que aquela a que agora assistimos. Eu estava na Madeira quando foram as inundações de 1979, e apesar de ter sido um pequeno fenómeno em relação ao de agora, foi assustador o suficiente.

A 2ª lição é para a região de Lisboa (e não vou falar de sismos), todos os mais velhos se lembram do que foram as inundações dos anos 60(?), com um número dramático de mortos em especial na periferia de Lisboa, pois a verdade é que se o mesmo fenómeno ocorresse de novo entre nós, os resultados seriam ainda muito mais dramáticos, a percentagem de área impermeabilizada aumentou imensamente, a ocupação de antigas linhas de água hoje deve estar perto dos 100%, o número de habitantes em zonas "frágeis" explodiu, etc. e tudo isto num tempo em que os especialista em assuntos do clima dizem que fenómenos extremos vão se tornar mais usuais, ou seja, estamos perto de uma catástrofe anunciada, mais ano menos ano. O que é que se tem feito? o que é que se pretende fazer?

A terceira lição é menos directa e mais política, quer entre nós, quer um pouco por todo o mundo, as situações mais dramáticas sob o ponto de vista mediático são as que teem maior impacto junto do público, no entanto as situações de "morte lenta", são muitas vezes muito mais importantes em termos das suas repercussões sociais e económicas. O que quero dizer com isto? apenas que situações como as da Madeira com largas dezenas de mortos são sem dúvida de um dramatismo absoluto, mas a existência de 500.000 desempregados no país, de milhares de empresas a fecharem as portas, sendo um fenómeno menos dramático em termos mediáticos, não o é menos (ao contrário)em termos sociais e económicos, e esta situação vai certamente originar muito mais mortes, violência, suicídios e rupturas sociais do que a catástrofe madeirense, só que a conta-gotas, o que tem pouco apelo mediático. Desemprego a estes níveis vai originar que muita gente de todas as idades passe a comer de forma não regular, que esses mesmos não vão ter acesso aos medicamentos de que precisariam, que a criminalidade, o alcoolismo e outra dependências irão aumentar, muitas famílias se irão desestruturar por completo, etc. Isto para não entrar pelos custos sociais em cadeia originados pelo mau funcionamento das economias. Todos sabemos que grande parte destas situações não tem solução de curto prazo, mas de qualquer modo não é de certeza com o triste espectáculo diário dos nossos políticos lutando todos entre si por migalhas de um poder imaginário, que as coisas poderão melhorar mais rapidamente. Isto sim, é um espectáculo escandaloso, mas que como não tem o impacto mediático de uma catástrofe, não só dá para levar, como ainda para agravar transformando tudo isto em simples espectáculo que vende

domingo, 14 de fevereiro de 2010

IRLANDA I

Este texto começa logo numerado porque é certamente um tema a que voltarei muitas vezes.Não tenho nenhuma ligação especial à Irlanda, onde só estive uma vez, por algumas horas, há já muitos anos.

O que me atrai no país, e levou a incluir dois jornais irlandeses na lista da imprensa geral neste blog aqui ao lado, é o facto de ser, tal como nós, um país europeu de pequena dimensão e também ingressado na Comunidade na mesma época, mas que escolheu uma via de desenvolvimento totalmente diferente da nossa. A análise de vantagens e inconvenientes de cada modelo, e dos respectivos resultados até agora, serão alvo de textos futuros.

Hoje apenas uma nota, como podem ver no Independent, uma sondagem de opinião revela que a maioria (62%) da população defende a existência de um governo de "unidade nacional" até ao fim da crise. Ideia exequível? Lá ou cá?
INGOVERNABILIDADE - II

Como já subentendia no texto anterior, acho que está tudo a ficar doido, senão vejamos o que se passa:

- A esquerda radical (PCP e BE), que apesar dos alguns bem intencionados que abriga, continua a ter uma matriz revolucionária, arvora-se agora em defensora ardorosa das liberdades e da democracia burguesa, isto ao mesmo tempo que idolatra o Sr Chavez e a "revolução Bolivarina". Alguém acredita nestas lágrimas de crocodilo? mais uma vez estamos numa estratégia pura e simples de quanto pior melhor, habitual e coerente com os objectivos desta esquerda.

- O PS sente-se um pouco perdido, não consegue sequer passar à população uma mensagem clara sobre toda esta situação, situação que lhe custa tanto mais quanto ele se considera o pai das liberdades, e vai resistindo com dificuldade aos convites do PSD e do Presidente da República (não se pode interpretar de outra maneira a intervenção de Capucho), para substituir o primeiro ministro, porque sabe que isso é suicídio político

- Sócrates, para o bem e para o mal, mantém-se igual a si próprio, arrogante, sempre agressivo, mesmo quando não se vê a mínima necessidade de o ser, mas mantendo a sua capacidade de lutar e de resistir, é sem dúvida um corredor de fundo, poucos não teriam já entregue os pontos há muito tempo

- O PSD, está obcecado pelo poder, julga que finalmente volta a estar perto, depois de por incompetência ter desbaratado a oportunidade das legislativas. Nada garante que tenha razão, e de certeza que a não terá se os seus dirigentes, continuarem a fazer intervenções patéticas como a do candidato a leader em Estrasburgo, com o seu ar de taberneiro espanhol.

- O CDS, tal como a esquerda radical, tem pelo menos uma estratégia coerente, que não é do quanto pior melhor mas a de fazer aumentar o preço para ser o salvador da situação, numa qualquer forma de coligação paga a peso de ouro, em nome da salvação nacional. Mas também aqui enormes problemas se põem, em especial na área económica, onde a intransigencia fiscal do CDS é totalmente irrealista face à situação portuguesa

- O Presidente, que está óbvia e legitimamente ferido com a imbecilidade que o PS demonstrou relativamente ao estatuto dos Açores, e p. da vida com o que se passou com as referencias ao BPN, não tem mostrado qualquer vontade de agir como poder moderador, o que seria de esperar na gravíssima situação que o país vive, limitando-se à sua pose enigmática, enquanto vê o circo pegar fogo, posição essa agravada pelas referidas declarações de Capucho

E tudo isto porquê? Em última análise porque o primeiro ministro, como todos os políticos, é mentiroso, só que ele, como é muito arrogante, não prepara as mentiras com o cuidado devido. E depois tem outro problema, ele não tem o charme de um Clinton, e embora os seus fãs achem que se parece com o George Cloonie, na verdade é um troglodita ao pé do dito cujo.

O grande argumento que é esgrimido pela imprensa e partidos ofendidos, é o atentado ao estado de direito, por favor não sejamos ridículos!!, a tentativa de um governo influenciar, directa ou indirectamente , grupos económicos para que assumam posições na imprensa, não pode ser um atentado ao estado de direito, se assim fosse, todas as democracias do mundo teriam de fechar.

Alguns vêem falar de Watergate!!, mas Watergate é exactamente o inverso, o problema de Nixon não foi tentar influenciar a imprensa, foi sim o de fazer escutas!!, foi esse o atentado às liberdades que os americanos não perdoaram, e não perdoariam mesmo que Nixon viesse argumentar que o conteúdo das ditas escutas era tão grave para os interesses do país que as legitimava, para os americanos elas eram inelegitimáveis!!, só assim se defendem de facto as liberdades individuais.

O que é um atentado ao estado de direito é o nosso sistema judicial/procuradoria que é ineficaz e está totalmente feudalizado, não há democracia que possa resistir a este estado de coisas. Enquanto vivermos nestas condições vai ser sempre possível encontrar um juiz inimputável que pratique toda a sorte de erros, omissões, ou mesmo actos dolosos, e que a oportuna quebra do segredo de justiça (sempre sem consequências também) transformará em fonte inesgotável de material para exploração jornalística. Isto sim, é um atentado ao estado de direito, de consequências que as pessoas agora preferem simplesmente ignorar, mas que pagaremos todos, mais cedo ou mais tarde. Isto vai-se pagar em falta de liberdade e em ineficácia da justiça, o que vai querer dizer menos desenvolvimento económico, mais corrupção, etc.

Mas tudo isto não seria muito grave, se o mundo não estivesse numa crise de proporções gigantescas, e Portugal à beira do abismo,mas parece que ninguém está preocupado, o importante não é resolver os problemas do país, o importante é que cada um desenvolva os seus pequenos jogos de poder, para reforçar um poder ilusório num barco que se afunda.

Já que a vergonha e a capacidade de raciocinar se perderam, ao menos algum decoro, senhores!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

FALTA IMAGINAÇÃO E CORAGEM EM PORTUGAL

Recentemente, conforme foi amplamente noticiado por este mundo fora, um advogado de um dos países da "Centro-América" (desculpem, mas não me lembro nem do país, nem do nome do referido advogado entretanto assassinado), contratou um assassino profissional para o matar a tiro na via pública, o que foi feito conforme previsto.

O auto-assassinado advogado havia previamente armado todo um cenário para envolver como mandante do crime o presidente do seu país, conseguiria assim, embora póstumamente, derrotar o inimigo a quem tanto ódio dedicava.

Embora tudo tenha acabado por se descobrir, não se pode deixar de considerar uma imaginosa e curiosa nova forma de golpe de Estado.

È pena que entre nós, apesar do ódio que corre solto pelas ruas e pela imprensa, não se descortine nenhum gesto com a imaginação e a coragem do exemplo Centro-americano.

A sociedade mediática em que vivemos precisa urgentemente de um novo feito desses, coragem senhores!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A INGOVERNABILIDADE E A PRESIDÊNCIA (desculpem mas esta não dá para ser curta)

A verdade é que o problema que se põe hoje ao país já não é o da governabilidade, mas o de estar à beira da ingovernabilidade, a situação é de tal maneira grave que até Vasco Pulido Valente, dos homens que mais sabe da história da nossa monarquia constitucional e da 1ª república, e conhecido como o veneno nacional, está de tal forma preocupado que já pede calma aos políticos, ele que adora ser o incendiário de serviço.

Claro que Sócrates não é o menino do coro que nós gostaríamos que ele fosse, mas nenhum político o é. Claro que ele pode ter ido longe demais nas suas tentativas de controlar a imprensa desafecta, mas, com maior ou menor intensidade, todos os governos o fizeram. Claro que ele tem, amigos envolvidos em operações duvidosas, mas todos os políticos os teem, até porque não se faz política sem dinheiro (a história de Helmut Kohl,na rica e prestigiada Alemanha, um dos poucos grandes políticos do nosso tempo, aí está para o demonstrar), isto é especialmente verdade para os políticos que começam de baixo, como Sócrates e seus amigos, e que teem de galgar degrau a degrau as escadas do poder, sendo obviamente mais fácil para os políticos que entram por cima, e que teem quem trate dos assuntos "mais delicados" que suas Exas vão olímpica e cândidamente ignorar.

Desculpem mas em política não acredito em vestais inocentes, o que não quer dizer que não existam políticos honestos.

Também são claros os traços autoritários de Sócrates e a sua pouca abertura a ter deixado, como é da tradição da nossa democracia, que se sentassem à mesa do Orçamento elementos dos outros partidos com vocação de poder (sobretudo do PSD, mas também do CDS), transformando como ninguém o fez, aquela mesa num lugar para repasto exclusivo do PS e seus amigos.

E também todos sabemos como é duro para os partidos de poder estarem muito tempo afastados do dito, os quadros partidários começam a agitar-se, contaminando as bases e as lideranças, os ódios crescem, a razão vai-se perdendo, e por aí se vai. E tudo isto é tanto mais importante quanto toda a gente lúcida nesses partidos (que sabe alguma coisa de política) sabe que, se a crise se tivesse atrasado um pouco mais, estaríamos agora a ser governados por uma 2ª maioria absoluta do PS, e os outros partidos de poder continuariam no seu jejum insuportável e sem perspectivas. Por isso, todos sentem com maior intensidade o risco que estiveram à beira de correr, que se transforma em alívio e em vontade de aproveitar a oportunidade criada.

Mas atenção, este quadro de exaltação geral, no contexto de uma grande crise económica como a que se vive (e cuja dimensão ainda se ignora), é extremamente perigoso, podendo desencadear processos políticos e sociais que ninguém vai controlar.

Não podemos esquecer que no fundo não passamos de um bando de celtas,mouros, judeus, e outros, mais ou menos selvagens, dificilmente disciplináveis, a que Salazar deu uma fina capa de compostura, pronta a estalar a qualquer momento.

Face ao ponto a que chegámos só vejo duas saídas, ou o governo estabelece um acordo partidário que lhe dê condições para governar (mais fácil com o CDS), ou o Presidente consegue transformar-se num poder moderador efectivo e credível que permita a sobrevivencia do governo minoritário.

Para o Presidente os próximos tempos também são vitais, porque muito provavelmente é agora que se vai decidir o resultado eleitoral do próximo ano. Será o tempo em que ou o Presidente se consagra como estadista, ou ficará apenas como caso fortuito de um professor que, num final de semana, nos idos de 80, foi à Figueira fazer a rodagem do seu carro.

Carbonários, anarquistas e outro revolucionários, atenção! preparem-se! parece que vai haver festa!!!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MADEIRA

Não vou opinar sobre que tem razão, até porque ninguém tem, nem sobre a solução menos má para o imbróglio porque não sei.

A única coisa que eu sei é que todos vão (vamos?) pagar pelo adiamento da solução do problema, que se verificou ao longo de muitos e longos anos.

Adiar é cómodo mas quase nunca compensa, como os próximos tempos virão demonstrar em relação à timidez do Orçamento de 2010.

A outra coisa que eu sei é que o Alberto João (Excelência) deveria ser nomeado, já por este governo, chefe vitalício da REPER em Bruxelas, para conseguir para o país o que conseguiu para a Madeira.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

UTOPIAS

É difícil lidar com utopias como se se estivesse a lidar com realidades, sempre foi assim com o PC, defendendo a construção de uma sociedade ideal, que por si só quase toda a gente desejaria, mas que sempre pareceu inexequível à maior parte da população.

Nesses tempos, como pobres exemplos apenas tinham para apresentar os casos da Europa de Leste, já na época pouco convincentes e que depois da queda do muro vieram mostrar à evidencia dos maiores crimes ecológicos, políticos, económicos e até sociais da história da humanidade, praticados por regimes totalitários "em nome do povo" e de uma futura sociedade ideal, e efectivamente em beneficio exclusivo de uma numenclatura que usufruía de todos os privilégios.

Depois de tudo quanto se passou tudo se mantém na mesma, o partido comunista continua a defender não se sabe bem o quê, com os seus velhinhos mais ou menos simpáticos, com maior ou menor curricullum anti-fascista e alguns bons quadros perdidos numa máquina envelhecida, que como único ponto positivo continua a fazer passar uma imagem de honestidade, a todos os títulos louvável nos tempos que vão correndo.

Mas mais grave é o BE, que apesar de esporádicamente ter alguma relação com a realidade, tem uma cartilha que na essência não se afasta da do PC, apesar de ter alguns intelectuais de respeito e quadros muito mais jovens, que deveriam dar ao partido um outro papel na sociedade portuguesa, que bem precisaria de uma esquerda "radical" séria.

Se eu fosse psiquiatra, ou mesmo apenas psicólogo, como a Barbie da esquerda radical, diria que os problemas por estas bandas, andam entre a esqizofrenia e o alzheimer.
DEUS É BRASILEIRO

Não só no futebol, ou no "berço esplêndido", mas também na política, ao longo de toda a sua vida o Brasil teve sempre (ou quase) o chefe de governo certo para cada momento histórico, foi assim no tempo do Império como no da Republica. Tudo como se se tratasse de uma grande peça de teatro em que cada actor surge no tempo exacto para cumprir um determinado papel e depois sai de cena.

Isto é especialmente interessante num continente em que normalmente a regra é o oposto,onde cada presidente é pior que o antecedente.

Até países extraordinários com níveis culturais mais elevados, como é o caso da Argentina, sofrem desse mal, para já não falar da Venezuela ou da Bolívia.

Por isso não estou preocupado com as eleições presidenciais, porque é que iria correr mal desta vez? Salvo se Deus pedir a mudança de nacionalidade.