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domingo, 9 de outubro de 2016



SEPARADOS À NASCENÇA?

Os dois venceram sozinhos, cada um à sua maneira, cada um a sua batalha. As suas vitorias não foram vitorias de partidos ou de instituições, foram claramente pessoais.
O que existe de comum entre estes dois homens? Que forças os animam? O que os aproxima e o que os afasta?
No aspecto físico as diferenças entre eles são grandes e crescentes, até porque enquanto Marcelo emagrece, Guterres engorda, mas de resto em tudo parecem semelhantes.
São homens da mesma geração, que convergiram nas concepções social-democratas, católicos praticantes, ex-alunos brilhantes, trabalhadores incansaveis, conhecidos pela inteligência e pelo dom da palavra, ambos com perfis "muito políticos", os dois com baixo perfil executivo, dois corredores de fundo ambiciosos, duas personalidades que com facilidade criam empatia, dois resilientes à solidão pessoal, etc
Apenas uma característica importante os afasta, enquanto Guterres sempre foi uma figura bem comportada, Marcelo só agora parece ter conseguido controlar a sua proverbial "traquinice". Para além daquele aspecto, o que os afasta parece ser muito pouco, pequenas diferenças ideológicas, diferentes níveis de extroversão, formação académica diferente, percursos também diferentes, mas tudo somado muito pouco.
Será esta uma receita para o sucesso político em cargos não executivos? (Já que para cargos executivos os perfis mais "rústicos" parecem mais adequados)
E se, nas passadas eleições presidenciais, o duelo entre os dois tivesse acontecido? Que bom teria sido assistir! Que teria restado depois de uma intensa luta fratricida?
Ter-se-ia perdido um SG da ONU, mas teríamos satisfeito uma curiosidade que nunca mais poderá ser esclarecida.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016


E AGORA?

Guterres ganhou, foi ele que venceu, não foi Portugal, não foram os portugueses, foi ele. Mesmo as nossas instituições, que podem ter ajudado alguma coisa, nunca se saberá se foram de facto importantes nesta vitória.
Quem venceu foi a habilidade política de Guterres, foi a sua determinação de entrar e de se manter num jogo que à partida estava viciado contra ele, foi a sua resistencia de maratonista, numa corrida que ele começou há muitos, muitos anos.
Como foi ele que ganhou a eleição, no final do seu mandato também será apenas ele a ser o vencedor ou o derrotado, não Portugal, não os portugueses.
Tudo parece apontar para que os proximos anos sejam especialmente difíceis em termos da política mundial. O nível de conflitualidade está aumentar, as dúvidas sobre a globalização crescem, o extremismo religioso está de volta, os "bárbaros" agitam-se, etc Neste quadro o papel de Guterres será extremamente difícil, ou ele opta por ser mais um Secretario Geral/Relações Publicas, ou terá pela frente dificuldades enormes, que irão desafiar toda a sua habilidade, a sua calma, a sua tenacidade e o seu conhecimento.
Quanto a mim vai ser difícil, muito difícil. Boa sorte!