Etiquetas

25 ABRIL (2) aborto (1) admpublica (1) adopção (1) Alemanha (3) angola (1) banca (8) barroso (2) BE (2) BENTO (1) Brasil (19) brexit (2) BRUXELAS (1) capitalismo (1) cavaco (9) CENTENO (2) centrão (1) chega (1) China (2) cimpor (5) cinema (2) CLIMA (1) cmvm (3) COREIA DO NORTE (1) corporate governance (2) corrupção (10) costa (10) crise (28) CUBA (1) cultura (1) CURIOSIDADES (1) deflação (1) DIREITA (8) DIVIDA (2) economia (30) ELEIÇÕES 2015 (6) empresas (9) ESPANHA (1) esquerda (8) estado (6) EURO (14) europa (19) FED (2) fiscal (1) GAMA (1) gay (1) GEOPOLITICA (4) GERINGONÇA (17) gestão (1) Grandes empresas (1) grecia (9) guevara (3) GUTERRES (2) impeachment (2) imprensa (2) internacional (3) investimento (1) IRÃO (2) Irlanda (2) isabel (1) Israel (2) JARDIM (1) JUNCKER (1) juventude (1) lingua (3) literatura (2) lula (1) madeira (3) MARCELO (5) MARIO SOARES (2) MEDIO-ORIENTE (4) mercados (11) merkel (3) MITOS (2) montenegro (2) mundo (1) MUNDO PLANO (1) NEOLIBERAL (1) ocidente (2) orçamento (2) PACHECO PEREIRA (1) partidos (1) passos (16) passos coelho (5) PC (2) PEC (3) PERGUNTAS (2) pessoal (2) pintoluz (2) pol.correcto (1) politica (28) política internacional (5) porto (1) Portugal (23) PS (8) psd (17) pt (8) PUTIN (5) RADICALIZAÇÃO (1) REFUGIADOS (1) rio (4) roda (1) RUSSIA (4) Rússia (1) salazar (1) salgado (2) SCHULTZ (1) social (5) socrates (1) sócrates (4) SOROS (1) tap (1) TERRORISMO (2) trading (1) TRUMP (8) UBERIZAÇÃO (1) UCRANIA (1) uk (1) URBANISMO (1) USA (4) VAROUFAKIS (1) violação (1)
Mostrar mensagens com a etiqueta passos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta passos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de setembro de 2015

PORQUE COSTA GANHOU?  (FB 10/9/2015)
Não vale a pena fazer de conta que não foi assim, António Costa ganhou o debate de ontem. Face à situação difícil em que a campanha do PS se encontrava a vitória no debate era era vital para ele e para o partido.
Se assim não tivesse sido a única questão que se poria neste momento seria a de saber se a coligação iria, ou não, ter a maioria absoluta. O PS estava desmoralizado, o eleitorado não tinha confiança em Costa, e por isso ele sabia que só sobreviveria se o debate lhe corresse bem, e de facto correu.
O que agora importa à coligação é analisar porque o debate correu mal a Passos e corrigir os erros: Costa não fez nada de inesperado, não disse nada que não fosse expectável, porque é que Passos acabou por ficar paralisado à defesa?
- Passos estava mal preparado?
- Passos estava demasiado optimista?
- Passos estava cansado?
Ser um Primeiro-ministro em funções tem inconvenientes, os problemas do dia a dia do país continuam, no seu espírito, a ter prioridade sobre as necessidades de campanha. Enquanto Costa está 100% focado na campanha e com ar relaxado Passos estava cansado e claramente desfocado.
O debate foi obviamente mal preparado, por ele ou pelos assessores. Sendo conhecidos todos os pontos em que Costa ia atacar, e atacou, porque nunca Passos teve respostas curtas com impacto televisivo? Mesmo os ataques de Passos foram pouco claros e muito embrulhados no passado de Socrates.
Pessoalmente, julgo que Passos terá ido demasiado optimista para o debate, pensou que seria apenas "mais fácil do que uma ida ao Parlamento".
Na prática Passos desprezou o adversário, e quando levou o primeiro "murro no estômago" perdeu o controle do jogo. Ainda por cima, este tipo de debate com tempos de resposta muito curtos não é o ideal para Passos, o que o deveria ter obrigado a uma muito melhor preparação.
Lições para a próxima: humildade, foco, preparação
A campanha poderia ter "acabado" ontem, não foi assim, agora está tudo em aberto, tudo pode ainda acontecer.
A campanha começou ontem

sábado, 4 de maio de 2013


A QUESTÃO DOS "SWAPS" É UMA FARSA ?

Não é estranho que o problema destes contratos de swap só apareça exactamente quando eles começam ser menos interessantes  para os bancos?

Ontem as taxas de juro dispararam nos Estados Unidos, toda a gente sabe que as taxas vão subir num prazo mais ou menos curto, não será por isso que os bancos querem é sair destes contratos no ponto ideal, antes que eles se virem contra eles?

Foi por essa razão que foi montada esta grande encenação e se criou um escândalo com aqueles contratos ? Escândalo esse que ainda ninguém explicou. Onde estão os tais "contratos tóxicos"? E as tão faladas provas e responsáveis? Qual a justificação para  a opacidade de todo o assunto?

O governo aparece agora como o cavaleiro andante impoluto que vai "renegociar de forma dura, nos tribunais se necessário", os referidos contratos. O primeiro "sucesso" das negociações foi  uma redução inicial de 100 milhões nos 3.000 milhões. Para dar credibilidade à encenação o governo acha pouco e ameaça com tribunais, quer 500 milhões, será que é tudo teatro?

Mas a verdade é que, mesmo a custo zero, pode não ser bom para as empresas nesta altura sair de alguns contratos de swap de protecção da taxa de juro.

Se as empresas pagarem agora 2.500 milhões para sair dos presentes contratos, terão a médio prazo de pagar mais 4.000 ou 6.000 milhões em juros adicionais. Ou seja, esta pretensa operação de saneamento irá provavelmente custar às empresas e ao país mais de 8.000 milhões, o que só por si representa quase duas vezes o buraco orçamental tão propagado pelo governo.

Sair agora de alguns destes contratos pode ser o melhor presente que se pode oferecer à banca. Até este momento a banca não teve custos com a cobertura das suas posições porque o mercado evoluiu a seu favor, mas a banca sabe que agora o mercado vai evoluir contra ela, e a gestão das suas posições vai passar a ser dispendiosa. Será que a banca quer aproveitar o espantalho de um falso escândalo, agitando o perigo dos 3.000 milhões, para sair com um "acordo" que só pode ser bom para ela própria?

Sair dos contratos no ponto em que as potenciais perdas das empresas estão no máximo e em que os bancos vão ter de começar a ter despesas com protecção das suas posições, é o negocio ideal para a dita banca, e criminoso para o país.

É sempre esta a estratégia da banca neste tipo de operações, procurando antecipar as mudanças nos mercados e terminando com os contratos antes de  começarem a correr contra ela, com a vantagem que é exactamente esse o momento em que o cliente está mais assustado com as perdas entretanto acumuladas.

Estes contratos celebrados pelas empresas tiveram  custos de constituição e de manutenção, e acumulam agora perdas potenciais significativas, mas sair deles neste momento pode ser a pior solução para as empresas e para o país.

A opacidade com que este assunto está a ser tratado não é aceitável. Existem contrato tóxicos? Quais são? Quem são os responsáveis? Como vai ser negociado todo este dossier? Vai ser dado à banca o presente que ela quer?

É uma vergonha nacional se tudo isto não for bem conduzido e explicado!

Os países pobres não são pobres pela falta de recursos, são pobres porque são incompetentes e corruptos.

domingo, 14 de abril de 2013

A REMODELAÇÃO PODE FUNCIONAR

Estranhamente todos os comentadores estão contra a mini-remodelação de Passos, no entanto ela parece-me das poucas decisões acertadas tomadas recentemente pelo Primeiro -Ministro.

Marques Guedes vai fazer o que tem de ser feito nas suas áreas,  de forma discreta, diligente, rigorosa e o mais consensual possível.

Poiares Maduro (que não conheço), parece que será a única pessoa neste governo com capacidade para "pensar Portugal" de uma forma minimamente criativa, mas, mais do que isso, julgo que ele poderá ter a capacidade de explicar aos portugueses o que efectivamente se passa, o que tem de ser feito e porquê, e assim conseguir dar ao país algum sentido para os tempos difíceis que se viveram e ainda se vão viver.

Poiares parece ter as capacidades para fazer o que este governo mais ou menos autista não conseguiu fazer até agora, ou seja,  contar aos portugueses uma "história" minimamente compreensível e motivadora. Assim sendo, o seu papel no actual governo passará a ser crucial para o sucesso do mesmo e do país, pelo que a atribuição da gestão das verbas do QREN ao homem que vem para o governo para "pensar Portugal" e para explicar aos portugueses o que tem de ser feito me parece fazer todo o sentido, só assim ele terá poder suficiente para não se apenas um porta-voz do governo constantemente ultrapassado pelos acontecimentos, e se tornar um elemento marcante da governação nos próximos tempos, tanto mais que tem conhecimento técnico na área económica.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O EXEMPLO DE ITÁLIA  E AS NOSSAS VACAS SAGRADAS

O governo italiano, apesar de ser de transição e não ter sido resultado directo de eleições, anunciou ontem o corte do numero de Províncias do país de 86 para 51, correspondendo portanto a um corte de quase um terço. É esperado que o Parlamento  aprove a decisão que gerará economias da ordem dos quatro mil milhões de euros.
Uma lição clara para um país que desistiu de tocar nas mais de 300 vacas sagradas que são as nossas Câmaras, inventou falsas economias potenciais na fusão de freguesias, e não foi capaz de fazer nem uma, nem outra.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A CONFUSÃO DE FERNANDO ULRICH

Com o seu "aguenta, aguenta", Ulrich fez um mau serviço ao país e ao governo que ele diz apoiar.
Pior serviço terá ainda feito à sua imagem de banqueiro-comentador.
Claro que todos os povos aguentam muito mais do que aquilo que até agora tivemos de aguentar, e muitas vezes fazem-no mesmo ordeiramente e com espírito de missão, basta lembrar do que se passa durante as guerras, com os seus racionamentos e sacrifícios de toda a ordem.
Mas não é essa a questão, a verdade é que os povos aguentam tudo desde que compreendam a sua inevitabilidade e simultâneamente sintam que os sacrifícios podem valer a pena.
É aí, entre outras coisas, que o governo tem falhado ao não conseguir transmitir aos portugueses nem a inevitabilidade, nem o potencial do confuso caminho que está seguir.
Com amigos como Ulrich este governo não vai precisar de inimigos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O DISCURSO QUE PASSOS NÃO FEZ NO CONSELHO EUROPEU

Minhas Senhoras, meus Senhores, Caros Colegas

Todos aqui presentes conhecem a disciplina, o esforço e a humildade com que o governo e o povo português se têm dedicado ao cumprimento do programa acertado com a "Troyka". Assim o temos feito porque estamos convictos que esse é o melhor caminho para Portugal, isto porque, tal como para a Europa como um todo, apenas o reforço da nossa capacidade competitiva pode assegurar o nosso futuro e o dos nossos filhos
Nós temos consciência dos excessos despesistas que existiram no nosso país (assim como em muitos outros) ao longo de vários anos, excessos esses que têm agora de ser corrigidos de forma drástica e rápida, ainda que com os inerentes pesados custos sociais, económicos e políticos. Sabemos de tudo isso e estamos dispostos a todos os esforços que sejam necessários para o fazer, sem desculpas, sem adiamentos, sem hesitações.
Mas, por outro lado não podemos deixar de ter em conta que um programa, qualquer que ele seja, só é bom se produzir resultados aproximados ao esperado, se assim não for fica claro que o programa em causa necessita no mínimo de ajustamentos importantes, sem os quais insistir no mesmo não apenas não levará à melhoria dos resultados, como gerará o efeito contrário.
Como todos sabem foi uma questão de principio sagrada para o meu governo cumprir integralmente as reformas e as duras medidas preconizadas no acordo com a Troyka, em alguns casos fomos mesmo mais longe que o estabelecido porque sabíamos que os objectivos de redução do deficit seriam difíceis de atingir.
Meus senhores, minhas senhoras, penso que pelo comportamento que sempre adoptámos, Portugal tem agora o direito moral de dizer à Europa que o programa apenas funcionou parcialmente, apesar de escrupulosamente cumprido, com custos sociais muito grandes para o povo português, custos estes que sabíamos inevitáveis.
De facto conseguiram-se resultados notáveis na balança comercial do país, mas não nos podemos iludir, os resultados obtidos têm a ver não apenas com o aumento das exportações, mas sobretudo com a diminuição do consumo privado e das importações de bens de equipamento, de qualquer modo tudo está correr bem nesta frente, até melhor do que o programado no plano.
Já no que respeita aos resultados obtidos do lado da diminuição do deficit orçamental, não podemos deixar de constatar que eles estão muito abaixo dos objectivos traçados, isto apesar de termos adoptado medidas para alem das preconizadas, e de termos feito todas as reformas e todas as privatizações programadas.
Apesar da magreza dos resultados obtidos face ao esforço realizado não teríamos qualquer dúvida em intensificar ainda mais esse esforço se não fosse o facto de ser agora claro que nos aproximamos da zona  de uma espiral recessiva, em que as medidas para redução do deficit levam ao seu agravamento pela quebra da actividade económica e consequente redução das receitas fiscais e aumento da despesa publica fruto do inescapável aumento dos benefícios sociais.
Aproximamos-nos assim do momento em que os ganhos marginais de redução do deficit por via do aumento da austeridade, se vão reduzindo de forma progressiva e exponencial, correndo risco de rapidamente se entrar na zona perversa em que maior austeridade só gerará maiores deficits.
Alguns dados apenas para vos dar uma ideia do esforço que estamos a fazer. Neste momento em Portugal estamos com um nível de desemprego superior a 16% que ainda não parou de crescer, um salário mínimo inferior a 500 euros, um salário médio nacional inferior a 800, um imposto sobre o rendimento que para rendimentos superiores a 80.000 euros será já de 55%.
Sabemos que temos de cortar ainda mais na despesa pública, essencialmente pela reconfiguração do papel do Estado, porque muito pouco além disso poderemos já fazer num país em que o salário líquido de um médico é inferior a 2.000 euros e o de um ministro a 3.000.
Minhas senhoras e meus senhores, eu penso que se neste momento não trouxesse aqui junto de vós estas minhas preocupações estaria não só a trair o meu povo, como também a trair a Europa. Todos temos que, de cabeça fria, sem preconceitos nem oportunismos, procurar a melhor via para resolver os nossos problemas comuns.
Por isto tudo digo, o programa tal como está não vai resolver o nosso problema, logo também não vai resolver o problema europeu, não estou a pedir mais tempo, nem mais dinheiro, estou apenas a pedir que se repense a parte do programa que está a produzir resultados muito abaixo dos esperados e que nos pode conduzir a uma espiral recessiva.
Nós sabemos que há poucos anos atrás outras economias europeias, com destaque para a alemã, fizeram grandes reestruturações, com enorme visão antecipativa, disciplina e sacrifícios importantes dos seus trabalhadores. A Europa do sul não o fez, bem pelo contrário, julgando que havia chegado ao Eldorado, gastou o que tinha e o que não tinha, e em vez de reformar as suas economias agravou mesmo os seus vícios. Assim foi também em Portugal.
Sabemos que tudo isso tem de ser corrigido, sabemos dos seus custos, temos pressa em fazê-lo, não regatearemos esforços, como não os regateámos até aqui, mas temos sempre de ter a certeza que estamos num caminho com alta probabilidade de sucesso. Sabemos ainda que as mudanças que temos de fazer serão muito mais dolorosas do que as que os outros países fizeram há alguns anos atrás, primeiro porque somos mais pobres e depois porque ao contrário de as fazer numa época de euforia económica as teremos de fazer numa época de recessão. Sabemos isso tudo, mas também sabemos que temos e queremos fazê-lo, tão rapidamente quanto possível.`
É pois neste quadro de pensamento em que eu, que muitas vezes fui criticado por querer ser o bom aluno da Europa, me atrevo a dizer-vos que o nosso programa tal como está não será suficiente para obter os resultados pretendidos e pode levar-nos para uma espiral recessiva, que seria destruidora para Portugal, mas também muito negativa para a Europa.
Humildemente vos digo, julgo que a solução efectiva do problema de Portugal, para além do cumprimento por nossa parte de todas as medidas acordadas, terá de passar por um dos três caminhos seguintes a nível europeu:
-a aceleração do crescimento dos países menos endividados do bloco
-a criação de linhas de financiamento especiais às empresas portuguesas viáveis
- o reescalonamento da dívida pública portuguesa (sem hair-cuts, com aumento de prazos e diminuição de alguns juros)
A questão que aqui vos deixo é sobretudo um problema de Portugal e do meu governo, mas certamente que os senhores compreendem que, apesar da nossa pequena dimensão, na época de incertezas em que vivemos este é também um problema europeu, que agora aqui vos ponho, com o espírito totalmente aberto e colaborativo que sempre tivemos, com vista à procura de soluções que sirvam as necessidades e interesses de todos.
O que nós pensamos que a Europa não pode fazer, é aquilo que nós e outros países fizemos por demasiado tempo, ao não enfrentar os problemas e ir empurrando as soluções sempre à espera de milagres impossíveis. A Europa não pode fazê-lo, e certamente não o fará.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A COMUNICAÇÃO DO GOVERNO - III

As coisas estavam mal, agora vão ficar piores.

Diz-se que Passos Coelho quer pôr todos os ministros a falar sobre as grandes questões da governação.   Para alem de dispersar os esforços e atenção dos pobres coitados, ainda lhes vai tirar tempo para trabalharem nas suas áreas.

Os primeiros resultados já se viram com a intervenção da ministra da Justiça sobre a reposição dos subsídios. A confusão na população só irá aumentar, a cacofonia será total.

No entanto é boa ideia envolver mais o ausente Portas no apoio público às grandes políticas do governo, mas, se ele o fizer "demasiado" bem, que não venham as ciumeiras habituais.

domingo, 15 de abril de 2012

RELVAS E A COMUNICAÇÃO DO GOVERNO

Relvas é sem dúvida o animal político por excelência, hábil, lutador, corajoso e bom comunicador, mas o facto de ser um bom comunicador político não o faz um bom porta voz de um governo na situação actual do país.

Relvas é um bom comunicador para a luta política, aí ele está em casa, mas o porta-voz de que o governo e o país precisam nada tem a ver com isso. O porta-voz que é urgente encontrar tem de ser alguém que consiga criar uma grande empatia com a população, alguém que consiga transmitir a ideia de preocupação efectiva do governo com a carga que as medidas que vão sendo tomadas implicam, e simultâneamente convencer as pessoas da sua inexorabilidade.

Mesmo quando Relvas tenta fazer esse tipo de discurso é claro que o não consegue, as suas tentativas de transmitir uma preocupação genuína com os problemas da população são quase um esgar que não transmite confiança a ninguém, pode até ser que Relvas esteja preocupado com todos nós(?), mas a verdade é que ninguém acredita nisso.

Mesmo Passos Coelho, que é neste aspecto um bom comunicador e que quando quer consegue passar uma imagem honesta, de alguém efectivamente preocupado com os outros, começa a estar cansado de fazer esse papel, o que leva a que as suas intervenções sejam cada vez menos cuidadas neste campo. Mas, ainda que assim não fosse, o ideal nunca seria ter um chefe de governo "explicador" de tudo quanto se passa, quer pelo volume de trabalho que isso exigiria, quer pelo desgaste em termos de uma imagem que tem de se preservar para grandes momentos.

O governo tem alguns outros bons "comunicadores sociais", como Portas e até no seu modo muito especial Victor Gaspar, mas é evidente que nenhum deles poderá preencher esta lacuna, quer em termos de disponibilidade, quer em termos políticos.

É pois urgente para o país que Relvas encontre alguém que consiga transmitir à população uma "história" convincente e, tanto quanto possível mobilizadora, que torne menos difícil o atravessar dos próximos tempos. Já agora alguém que saiba de economia um bocado mais do que aquilo que ele sabe, para assim poder compreender a história que vai ter de contar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A LAMENTÁVEL FORMA DE COMUNICAÇÃO DO GOVERNO

Este governo tem pela frente uma das mais difíceis missões que um governo poderia ter, e é evidente que uma boa comunicação seria uma ferramenta fundamental, quer para facilitar a vida ao governo, quer para tornar tudo menos doloroso à população.

Embora isto pareça evidente para qualquer pessoa, claramente não o é para o governo, e assim, os erros, as explicações embrulhadas e pouco convincentes, a falta da passagem de uma mensagem global, coerente e menos angustiante, não são para o governo razão de nenhuma preocupação.

É difícil explicar porque é assim. Será por puro desinteresse em gastar tempo com esta área? Será por o próprio governo não acreditar na possibilidade de fazer passar uma mensagem mais clara, mais coerente e menos dolorosa? Ou, mais grave, será que o governo não tem de facto uma visão estratégica integrada do que precisa ser feito, das suas justificações e até dos imponderáveis ainda existentes?

Tudo isto seria grave mesmo que daqui para frente não fossem necessárias novas medidas duras para a população, mas na verdade é pouco natural que assim seja, o que quer dizer que o governo arrisca vir a colocar-se desnecessariamente numa posição extremamente difícil, ao óptimisticamente supor que o bom senso de que o povo tem dado provas irá resistir a todo o desgaste, que o cansaço, o agravar do dia a dia e o aliciamento das pseudo-soluções milagrosas, irão trazer.

Para além do muito e difícil que ainda tem de ser feito para redução do "custo Portugal" (quer contra poderosos interesses instalados, quer possivelmente por via de mais austeridade), o governo tem de ter uma "história" simples, clara, e honesta, sobre o nosso presente e futuro próximos. Sem aquela "história" a cacofonia será difícil de disfarçar e não haverá mensagem que se possa passar.

E sem aquela mensagem, clara e coerente, o governo arrisca-se a vir a morrer na praia, com custos incalculáveis para o país.

domingo, 5 de junho de 2011

UMA VITÓRIA, OS FALHANÇOS, UMA OPORTUNIDADE PERDIDA, OS DISCURSOS, E AGORA A PARTE DIFÍCIL

Uma vitória clara do PSD, com alguma virtude do próprio na fase final da campanha, mas sobretudo graças aos erros da governação do PS e às dificuldades da crise. Não se deve no entanto ignorar que numa conjuntura destas o PSD deveria ter conseguido ir mais longe, não fossem os erros cometidos.

Falhanços: O enorme grau de abstenção numa época tão dramática da vida do país, e ainda os resultados das inúmeras sondagens divulgadas.

Oportunidade perdida: A de por fim sairmos claramente de um sistema de dois grandes partidos e "n" pequenos, para um sistema de três partidos grandes (mais n outros). Num país que não optou por um sistema fomentador do bi-partidarismo, viver-se sempre na ilusão da solução ideal de uma maioria absoluta de um só partido é uma aberração. O CDS tinha agora a oportunidade de passar os 15% e assim alterar as regras do jogo, julgo que só o voto útil no PSD o impediu, aquele alteração teria sido um passo importante para se entrar num novo estágio da vida democrática portuguesa, algum dia vai acontecer. A existencia de pelo menos três grandes partidos coligáveis dois a dois, é um passo indispensável ao nosso amadurecimento político.

Uma noite de bons discursos por parte de todos os líderes partidários, com destaque para os de Portas, Passos e, goste-se ou não, o "até ao meu regresso" de Sócrates.

Falta agora a parte difícil, e não será um Presidente e uma maioria que a irão tornar mais fácil, nos tempos mais próximos os desafios postos à governação são imensos, e a margem para erros extremamente reduzida. Em pouco tempo começará a ficar claro se, com mais ou menos dor, a nova maioria vai conseguir fazer face ao desafio ou se nos arrastará para o desastre, porque não existirá caminho do meio.

A escolha de uma equipe de elevada qualidade tecnica, de gente honesta e com energia, será apenas o primeiro e indispensável passo, difícil mesmo será pô-la a trabalhar em conjunto, de forma articulada e auto-motivadora, evitando a dispersão de energias em pequenas guerras, e egos exacerbados.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

PASSOS-SÓCRATES

Passos tem vindo a crescer como candidato na última semana, deixando o seu anterior estilo de bom rapaz e mestre-escola, e assumindo uma postura mais segura e agressiva.
No entanto, não me parece ter havido um vencedor no debate de hoje, mas para Passos o simples facto de o não perder é já uma vitória importante.
Será que as coisas vão começar a compor-se para o PSD? Talvez, mas nunca é de menosprezar a capacidade do partido de fazer grandes erros políticos, como foi o caso ainda esta semana na forma como abordou a crítica ao programa das novas oportunidades.

terça-feira, 10 de maio de 2011

PASSOS - ASSIM NÃO!

Era o debate mais fácil que é possível ter-se, com o comunista mais educado e bonzinho do mundo! E no entanto foi um desastre, pelo menos para quem esteve atento.

Sem dúvida que Passos fez bem o seu papel de bom rapaz e mestre escola, mas isso é coisa fácil em debates com este tipo de opositor, é também verdade que até aproveitou bem o inicio do debate para atacar o PS, graças à simpatia de Jerónimo e da entrevistadora, mas como este debate em si não contava para nada o problema são os pormenores.

E o pormenor foi o IVA sobre a electricidade, de nada serve Passos dizer que foi apenas a título de exemplo hipotético. Já não se vai ver livre de ter levantado a possibilidade de aumentar o preço da electricidade em 17%, o que para alem de ser devastador para as famílias, o seria também para muitas empresas, em que a dedutibilidade do IVA e reduções de 3 ou 4% na taxa da segurança social não seriam suficientes para o compensar.

Com erros destes o milagre não vai acontecer, ainda há tempo, mas cada vez menos.

domingo, 8 de maio de 2011

A RADICALIZAÇÃO DE PASSOS

Aparentemente, agora só um milagre o pode salvar. Será que ele vai acontecer?
Não é que a estratégia seja errada em termos abstractos, o problema é saber quem no PSD terá a capacidade de a vender, a um eleitorado desconfiado e conservador, como é o nosso, ainda por cima num reduzido espaço de tempo.

Passos teve até agora um comportamento errático, com demasiados altos e baixos, e sobretudo sem nunca ter mostrado a força de um líder para uma grande mudança. Até este momento em nada se vislumbrou que tenha o carisma para liderar uma transformação da envergadura da proposta. Mas mesmo que esse carisma agora de repente se afirmasse, haveria ainda tempo útil para essa grande reconversão? É muito duvidoso, tanto mais que para a generalidade do eleitorado Passos é pouco conhecido, e apenas parece ser "um bom rapaz".

Se ele não o pode fazer sozinho, será que ele tem uma "equipe de ouro" para apresentar, com capacidade para fazer acontecer o milagre? Até agora também não parece existir qualquer coisa de parecido com isso. Isto para além dos problemas que eleições ganhas por "equipes" podem suscitar ao futuro da governação.

Será que no calor da batalha eleitoral Passos vai "explodir" como um grande líder que mobiliza o país? Aí estamos claramente no campo dos milagres, e não serei eu a negar a sua possibilidade, embora.... 8/5/11

sábado, 19 de março de 2011

PASSOS COELHO E O DISCURSO DO REI

Num momento em que o país precisaria de um líder da oposição que o galvanizasse, Passos Coelho propõe-se simplesmente a adormecê-lo.

Ao contrario do rei, ele não será gago mas arranjou uma maneira de falar que não sei se não é pior. Ao menos a gaguez transmite ansiedade ao ouvinte que fica atentamente paralisado a tentar compreender, enquanto que com o sistema de Passos o ouvinte apenas adormece porque fica impossível relacionar qualquer palavra com a anterior, que terá sido pronunciada alguns minutos antes, e obviamente já esquecida até pelo mais interessado dos ouvintes.

Não foi certamente assim que Passos conquistou e liderou a JSD. Esta aparente tentativa de transmitir segurança e dignidade, por via de um discurso monótono e impossível de ouvir, não leva a lado nenhum. Esta é uma receita que pode ser utilizada muito pontualmente em ambientes e ocasiões excepcionais, mas nunca de forma sistemática, desde as pequenas entrevistas às dissertações nas universidades.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O PSD ENLOUQUECEU?

O novo PSD começou bem, no entanto ultimamente a confusão parece instalada.
Como eu dizia no último texto sobre este assunto, a demarcação em relação ao governo não tem sido feita de uma forma clara e isso envolve riscos grandes a prazo, mas agora pior, o PSD enveredou pelo caminho de paladino contra as grandes aposentações o que é um enorme erro, independentemente de ter ou não grande parte da razão.
É errado em termos políticos, é errado em termos técnicos, é errado em termos morais, e é duvidoso em termos populistas.

Em termos políticos porque não cabe ao PSD enquanto não for governo avançar com medidas concretas, tem sim é que obrigar o governo a fazê-lo e se o governo o não fizer derrubá-lo, sob risco de ficar o PSD com o ónus dos inconvenientes e o governo com os benefícios das medidas.
Errado em termos técnicos porque se é preciso limitar pensões a única regra indiscutível é estabelecer como limite a média dos salários durante toda a carreira contributiva, os resultados seriam iguais ou melhores que os da proposta apresentada só que justos e incontestáveis. Quem durante 40 anos descontou sobre 10.000 não pode ser aposentado com 5.000, no mínimo terão de lhe ser devolvidos actualizados metade dos descontos feitos.
Errado em termos morais porque, além de não ser justo, vem na habitual linha de satisfazer a invejazinha nacional, o que no imediato pode ser vantajoso mas de facto corresponde apenas a continuar a alimentar um dos grandes problemas da cultura nacional.
Duvidoso em termos populistas, porque provavelmente 5.000 é demais, porque não 1.500? ou mesmo 1.000? Evo Morales e Chavez teriam feito melhor!

Porque é que os deuses insistem em abençoar Sócrates?

domingo, 23 de maio de 2010

DERRUBAR O GOVERNO

Pelos seus erros a anterior direcção do PSD viabilizou a vitória do PS e a manutenção do actual governo.
De forma correta Passos Coelho abandonou a estratégia que vinha a ser seguida, concentrou a sua actuação nas críticas sobre as questões substanciais e assumiu uma posição de responsabilidade de estado face à crise que se vive.
No âmbito daquela actuação o PSD fez o que tinha de ser feito em relação à moção de censura do PCP, mas não é para mim claro que tenha explicado bem aos portugueses porque o faz.
É demasiado vago ter uns números para controlar mensal e trimestralmente, e um reforço da equipe que no Parlamento para isso dá apoio técnico. Por essa via corre-se o risco de basear toda a actuação do partido numa discussão de pequenos números, acusações de falta de informação, de informação errada, de interpretações equivocadas, etc., ou seja o habitual pântano quando se vai por estes caminhos.

O PSD não pode manter esta postura de viabilizar o actual governo sem se demarcar mais claramente dele, sob risco de perder o seu timing e entregar de novo o controle de todo o jogo a Sócrates, com os consequentes prejuízos para o país e para o partido.
Porque é que o PSD faz isto? porque não se sente em condições de participar de outras soluções governativas? ou porque teme que essas outras soluções não passem por ele? ou só porque as Presidenciais estão aí? ou porque o PS ainda não tem alternativa à chefia de governo actual? ou porque o PSD conta que o actual governo leve sozinho todo o desgaste de gerir a crise e depois lhe entregue o poder de mão beijada? ou por qualquer outra razão, baseada em fantasmas ou milagres salvadores?

Esta postura se for prolongada não é boa para o país, porque não vai pressionar o governo para fazer o que tem de ser feito, e que assim continuará pela via mais fácil para não correr riscos, e não é boa para o PSD porque inviabiliza o seu futuro político.
Quer queira quer não, mantendo a actual postura o PSD vai se enrolar com a actuação do actual governo de tal forma que lá na frente não vai aparecer ao eleitorado como alternativa, de facto terá sancionado tudo quanto de mau tiver sido feito, não terá mostrado coragem para assumir a liderança, e não terá provado a capacidade técnica de encontrar melhores soluções, então porque apoiar o PSD nessa altura?

Como este PSD tem dito desde o principio a grande questão de maior urgencia em termos económicos é a redução da despesa pública, sem essa redução feita de forma drástica não existe solução para a economia nacional, enquanto ainda der podemos aumentar impostos para tapar buracos no imediato mas isso não resolverá problema nenhum, antes os agravará para o futuro. A questão da redução da despesa é uma urgência nacional, se este governo a não fizer o PSD vai ter que avançar com uma moção de censura, para não se tornar conivente no arrastar de problemas que terão custos cada vez mais altos para o país e depois se tornarão mesmo insolúveis.
Mas como o PSD tem de ser um partido responsável não pode parecer que um dia acordou mal disposto e decidiu derrubar o governo, o PSD tem de dizer agora, num prazo curto, qual é o seu caderno de encargos para o governo e o timing para a sua execução, se o governo não cumprir com o previsto o PSD terá de avançar com a sua moção e caberá ao Parlamento encontrar a solução governativa que julgue melhor, sem dramatismos, como numa democracia adulta.
O PSD não pode é ficar como o garante de um governo que não faz o que tem de ser feito e com ele ir-se afundando sem honra nem glória (como se diria noutros tempos), enquanto o país se atola mais numa crise que ninguém sabe quanto tempo ainda vai durar, no âmbito de uma Europa que a tudo isto soma a sua própria crise de identidade, e para a qual o contributo de Portugal é cada vez menos credível face à irresponsabilidade que temos vindo a demonstrar.