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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

CULPA DO CAPITALISMO OU DO ESTADO?  (1)
Louçã e Mortagua são os mais conhecidos e dedicados criticos locais do capitalismo, para eles o capitalismo é a origem de todos os males das nossas sociedades.
Aquele tipo de critica é tanto mais facil quanto eles nunca apresentam sequer um unico exemplo real de um modelo de sociedade alternativo, é verdade que noutros tempos já o fizeram, fossem os exemplos da Europa de leste, de Cuba ou da Venezuela, mas depois, quando se tornaram claros os desastres economicos, sociais e ambientais desses tão brilhantes exemplos, discretamente foram-se calando. Desde então ficámos com as criticas mas sem exemplos reais de alternativas.
Qualquer pretensão de tirar conclusões com base em comparações entre utopias e casos reais, além de não levar a lado nenhum é intelectualmente desonesto, mas isso foi o que a esquerda revolucionaria sempre fez e continua a fazer, não uma ou outra vez "por engano", mas de forma sistematica, vezes sem conta, pelo menos desde Estaline a Maduro, passando por Pol -Pot.
Não quero com isto dizer que o capitalismo seja um sistema perfeito para assegurar o crescimento economico e social das nossas sociedades, de facto não o é, nem o pretende ser. Talvez, como a democracia, o capitalismo seja apenas a menos má de entre todas as formas existentes para organizar as economias das nossas sociedades..
Mas mais importante que discutir a bondade do capitalismo é deixarmos este jogo que a esquerda sempre quis impor, do socialismo versus capitalismo.
Na verdade, o socialismo envolve um projecto teorico e messianico para resolução dos problemas globais da sociedade, com os resultados praticos que, até agora, todos conhecemos.
Por sua vez capitalismo é uma outra coisa completamente diferente, muito menos ambiciosa e mais simples, mas com a enorme vantagem de que funciona, o capitalismo é, em ultima analise, apenas um mecanismo de fixação de preços, e por essa via de optimização da alocação de recursos, é isso que ele pretende e pode assegurar, o resto são opções de organização das sociedades.
Não existe no capitalismo nenhum projecto messianico de salvação da humanidade, existe isso sim a garantia de um sistema que assegura o funcionamento economico das sociedades de acordo com os objectivos dessas sociedades.
Os regimes socialistas que existiram ao longo da nossa historia não caíram, ao contrario do que alguma direita gostava de dizer, por "comer criancinhas ao pequeno almoço" (coisa que até não terão feito, mas fizeram outras tão más quanto), aqueles regimes caíram apenas por uma razão simples e bastante mais prosaica, porque nunca conseguiram fixar preços de forma a assegurar que as suas economias funcionassem.
É curioso que tendo sido os economistas socialistas quem mais queimou pestanas e neuronios a estudar, discutir e elaborar teorias sobre a determinação do valor, tivessem sido incapazes de fixar o preço de uma simples batata, que fosse.
Quem primeiro compreendeu bem esse problema e assumiu a responsabilidade pelas mudanças necessarias para o resolver, foi Deng XiaoPing, o pai do "milagroso milagre" economico chinês, com a sua "Economia Socialista de Mercado" (provavelmente influenciado pelo estudo feito por Charles Bettelheim sobre o Capitalismo de Estado Nazi).
Deng conseguiu combinar a " eficiencia" do capitalismo com um Estado que cumpre as suas funções, apesar de o fazer dentro do quadro de uma ditadura, o que permitiu o milagre economico chinês.
O mal da maioria das sociedades ocidentais não é a existencia do capitalismo, é, isso sim, a incapacidade de criar aparelhos de Estado eficientes, num quadro democratico. Ou seja,a incapacidade de criar Estados fortes ecompetentes, que não sejam facilmente capturaveis por interesses privados, ou de corporações diversas.
Goste-se ou não a verdade é que quem tem falhado nas sociedades ocidentais não tem sido o capitalismo mas o Estado. No caso de Portugal isso acontece porque existe uma "Grande Coligaçaõ" que vai da extrema esquerda à extrema direita para que assim seja. Uns não querem um Estado que funcione porque apostam tudo no "quanto pior melhor", outros não o querem porque isso seria o fim das suas inumeras negociatas, pelo que na pratica todos preferem a existencia de um Estado fraco e incompetente..
(continua)
Voltando ao nosso tema, para mim é claro que as culpas que a esquerda gosta de imputar ao capitalismo não têm qualquer sentido, sendo o capitalismo, em ultima instancia, apenas um sistema de determinação de preços, desde que o faça de forma razoavel, não pode ser criticado por não resolver todos os problemas de uma sociedade..
Quando as coisas correm mal nas sociedades chamadas capitalistas isso acontece por causa do aparelho politico instalado, por causa do Estado e portanto dos seus politicos, em ultima instancia é sempre o Estado o responsavel, seja por intervir de menos ou demais, mas talvez sobretudo por intervir mal.
O capitalismo não é um sistema messianico para de forma global determinar a melhor forma de gerir as nossas sociedades, ele é apenas um sistema que através da liberdade dos diversos agentes economicos e sociais permite a optimização da alocação de recursos disponiveis numa determinada sociedade, conseguindo assim aquilo que as sociedades socialistas nunca conseguiram. ou seja, fixar preços para que as economias funcionem.
Para desempenhar o seu papel o capitalismo necessita de competição, de "guerras" entre interesses diversos, interesses por vezes sem escrupulos nem principios, é por isso que o capitalismo só pode funcionar em beneficio da sociedade se o respectivo Estado tiver a capacidade para fixar as regras do jogo, para fiscalizar o seu cumprimento e para punir de forma efectiva todas as infracções, tudo isso feito em devido tempo.
Sem um Estado forte e competente o capitalismo não pode funcionar de forma correcta, e desse modo o seu espirito fica prevertido e em lugar de levar à competição entre os melhores para produzir os melhores resultados, acaba por se juntar aos regimes socialistas na ineficacia, no compadrio e na corrupção.
Dado que não existe, pelo menos para já, alternativa ao capitalismo, por muito que isso custe à dupla Mortagua/Louçã, o que nós temos é de ter um Estado capaz de obrigar esse capitalismo a dar o melhor de si proprio.
O problema é que olhando à nossa volta fica claro que os nossos politicos ou estão de uma forma ou de outra capturados pelo sistema de troca de favores (corrupção em termos crus), ou pensam (como a nossa dupla L/M) que "quanto pior melhor" ou seja, julgam que estão a cumprir a sagrada missão de dar ao capital a corda para ele se enforcar, pelo que estão saudavelmente sempre prontos para criticar e apontar todos os crimes e falhas feitas à sombra do sistema, mas nada fazem para introduzir correcções no sistema (isso seria colaboracionismo!).
(continua)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017



DA ESQUERDA À DIREITA
UM RUÍDO ENSURDECEDOR

A esquerda, depois de ter feito tudo errado e deixado Trump chegar ao poder, continua a esbracejar e a repetir os mesmos erros.
Na verdade nem sequer compreendeu o que se passou, por isso não pode compreender o que aí vem, nem o que fazer.
Ter como única estrategia, face aos perigos de Trump, não lhe dar um minuto de descanso, seria bom caso soubesse o que fazer, mas quando não se sabe, esse caminho só conduzirá ao desgaste das hostes e ao fortalecimento do inimigo, cujas bases assistem atónitas a espectaculos de "pussies", para elas degradantes, e assim reforçam a sua crença no novo redentor.
Não é que Trump não seja potencialmente muito perigoso, é exactamente por o ser que não podem ser dados tiros nos pés.
A direita festeja, também ela não sabe o quê.
Festeja sobretudo porque a esquerda está assustada, porque a esquerda foi humilhada e está revoltada, e isso já é suficiente para que a direita comemore.
Comemora-se, talvez com prazer especial, a morte do políticamente correcto, mesmo sem se saber o preço que será pago por isso.
Caso estivesse iminente o rebentar de uma bomba sobre todos nós, essa direita seria também capaz de festejar a morte da esquerda, mesmo morrendo também com ela.
No meio deste ruído todo, não são apenas os habituais primarios, mais ou menos trogloditas, de um lado e de outro, que gritam coisas desconexas e contraditorias, a surpresa é que há gente que pensa bem, envolvida no mesmo turbilhão acéfalo e ruídoso. O pensamento foi suspenso, agora é tempo de combate.
A coerencia e a lógica morreram, o primarismo e todos os ódios estão à solta.
Por entre tudo isto, o centro não comprometido, assiste atónito.
Também ele nada compreende, apenas espera.
Enquanto isso os outros dois lados, cada dia mais radicalizados, querem eliminá-lo, não é tempo para ter gente em cima do muro, a escolha vai ser obrigatoria, todos terão de megulhar de cabeça num desconhecido qualquer.
O silencio e a espera são apenas cobardia, por isso eles são dupla traição, e portanto duplamente criminosos.
Durará isto apenas até que, as muitas e diversas bílis descarreguem os seus venenos, ou vamos mesmo viver tempos perigosos?

quinta-feira, 8 de outubro de 2015



COISAS DE CAVACO

Elas já são habituais, umas mais ou menos inofensivas, salvo para o ridículo do próprio, outras mais graves e esta agora gravíssima. Não há ninguém em Belém que consiga controlar o senhor?
O país tem neste momento duas maiorias, uma de esquerda com mais de 60% e outra, pró-Euro, com tudo o que isso implica, de mais de 70%.
Só que aquelas duas maiorias são meramente aritméticas, não são maiorias políticas convertíveis em coligações governamentais. Digo que não são convertíveis em coligações, não óbviamente porque tal não seja possível em teoria, mas porque para que uma coligação possa funcionar tem de haver um nível mínimo de confiança entre os coligados, o que claramente não existe, e não poderá existir no futuro mais proximo, nem na maioria de esquerda, nem na maioria pró-Euro. E todos sabemos que essa confiança não se estabelece de um dia para o outro, por decisão Presidencial, ou pelas saudades de poder de João Soares.
Os inúmeros exemplos europeus de coligações com vários partidos, têm origens históricas completamente diferentes das nossas, são países onde normalmente existem quatro ou cinco partidos centrais, que ao longo dos tempos se têm aliado de diversas formas, e em que, portanto, todos os acordos são possíveis.
A nossa história é a de três partidos centrais e dois outros contra o sistema. As coligações seriam bem mais fáceis em Portugal se os nossos 70% pró-Euro, os tais "centrais", estivessem distribuídos por quatro partidos em vez de três, na prática tenderia a haver acordos em que um ou dois partidos ficariam de fora, quase que de forma "rotativa".
Para bem ou para mal, também a possibilidade da solução tipo Bloco Central, está afastada, pelo menos na actual conjuntura e com os actores de serviço.
A somar àqueles problemas temos o facto de Portugal estar numa situação económica e financeira muito grave, embora não suficientemente grave para justificar um governo de "Salvação Nacional", o que torna muito mais perigosa qualquer tipo de "experiência". Não é tempo para amadorismos, invenções ou experiências.
Neste contexto não se pode querer estabilidade e durabilidade, qualquer tentativa de durabilidade levará a uma coligação contra-natura, pelo que resta procurar a estabilidade.
Vamos ano a ano, entretanto muita coisa pode mudar.
Até pode ser que venhamos a ter quatro partidos centrais, mais cedo do que se espera...

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A REVOLUÇÃO GREGA E PORTUGAL
Ao contrario do que tem sido dito Tsipras não é o bipolar, ingénuo, incompetente, inconsistente, etc que tem sido anunciado, ele parece-me mesmo ser o único competente no meio desta ópera-bufa europeia que vai acabar em tragédia, grega e não só.
E o mais estranho é que ele sempre disse ao que vinha. Os pequenos objectivos de simples melhoria de vida das população, são claramente objectivos pequeno-burgueses desprezíveis para ele, o seu objectivo foi sempre a revolução, a mudança radical da sociedade grega e se possível europeia, a bolivinização da Europa.
Ainda pouco tempo antes de ser governo, Tsipras afirmou: " o nosso objectivo não é o socialismo imediato, mas apenas o princípio do fim da Europa tal como a conhecemos", lembrando então que faria como fez Chavez, "nós não pedimos o voto no socialismo, nós pedimos o voto para uma mudança real na vida das pessoas, e assim gradualmente as pessoas irão se aperceber que o socialismo é uma boa idéia, tal como aconteceu na Venezuela".
E quando o sonho é grande, e os objectivos também, que interessam os meios utilizados? as mentiras apregoadas? as alianças com quem quer que seja? os custos do processo para as populações? Nada disso é relevante quando a História nos chama para uma missão regeneradora da humanidade!
Assim já pensaram muitos antes dele, com os resultados que se sabe, Lenine foi o primeiro estratega que adaptou o pensamento de Maquiavel aos tempos modernos e que com o dinheiro americano fez a revolução Russa, depois os seguidores foram muitos à direita e à esquerda, com destaque para Hitler e Mao.
A base é sempre a mesma, confundir o inimigo, depois fatiá-lo e finalmente aniquilar qualquer suspiro oposicionista, da forma mais radical que for possível, ao mesmo tempo que se vai negando toda a realidade porque se sabe que os burgueses bem instalados darão tudo para não ter que tomar iniciativas difíceis e irão sempre acreditar até chegar a vez deles. Ao fim e ao cabo trata-se apenas de cozinhar rãs em lume brando.
Como tenho dito, e apesar de toda a propaganda em contrario, em termos económicos o facto de a Grécia sair da zona euro não enfraquece a zona, antes pelo contrario, as questões dos perigos da "geometria variável`e outras não têm qualquer fundamento, apenas a saída de uma grande economia ou de um grupo de economias afectaria de forma significativa a solidez da zona euro. Esse é apenas mais um mito que a Grecia com os seus amigos tem conseguido vender, e em que os mercados farão de conta acreditar enquanto isso der dinheiro para ganhar.
Dentro da zona Euro os campeões da Grécia têm sido Juncker e França, agora já menos Juncker. Fora da zona Euro temos os ingleses, que como sempre não querem pagar nada mas que acham que nós temos de pagar para amparar o país que eles inventaram para chatear os turcos. e os americanos que querem fazer mais uma vez o que já fizeram em muito lado, ou seja, alimentar um pequeno animal perigoso na doce ilusão que assim se estabiliza a área, quando o que vai acontecer é o contrario, o animal vai virar grande e vai pôr todo o espaço em polvorosa.
Todos sabemos da importância geopolítica da Grécia, em especial agora, mas julgar que ao apoiar as pretensões de Tsipras se está a contribuir para a estabilizaçao da região isso é uma idiotice sem fim, pior que o dinheiro que os americanos deram a Lenine, ou que a ingenuidade de Chamberlain com Hitler.
No meio disto tudo não sei se a Comissão Europeia e os governos europeus tencionam continuar a ser os palhaços desta história, mas se tencionam fazê-lo Portugal vai ter agora de assumir de forma clara e pública uma posição sobre esta situação.
Portugal tem de deixar claro que, ao contrario do que se tem dito nada tem contra que à Grécia sejam dadas condições especiais, dado que a Grécia está na pior situação entre os países da zona euro, mas que a bem do processo europeu e da protecção dos nossos interesses, só aprovará medidas que signifiquem alterações nos montantes, nas maturidades e no nível dos juros da dívida grega que proporcionalmente se apliquem também ao caso português. Qualquer outro caminho, além de injusto para Portugal seria consagrar dentro da Comunidade o prémio à indisciplina.
Já que, que por culpa das instituições comunitárias tudo isto vai acabar muito mal, pelo menos não sejamos os parvos da história.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015



CARTA ABERTA AOS POVOS DA EUROPA (Projecto)


O Syriza tem tentado por todos os meios junto das instituições comunitáriass, defender o povo da Grécia e com ele os povos de toda a Europa.

Mas, na realidade, todos os nossos esforços em prole dos nossos povos e da humanidade, têm sistemáticamente esbarrado no autoritarismo alemão, e dos seus apaniguados, assim como de outros governos amedrontados, sem coragem para dizer basta à Alemanha.

Para que a Grécia possa iniciar esta nova fase da sua vida, libertar o seu povo e vencer a crise humanitária que vive, querem os burocratas de Bruxelas que lhes apresentemos um plano detalhado do que pretendemos fazer. Os burocratas incompetentes e irresponsáveis são sempre assim, enquanto o povo morre de fome eles querem mais papeis! Vivem do papel e para o papel.

Como é óbvio nós não podemos dizer o que pretendemos fazer, nem como vamos pôr a Grécia no que eles dizem ser o bom caminho, os burocratas e os governos reacionarios que dominam neste momento a Europa, não podem ter esse tipo de informação, porque se a tivessem usá-la-iam para nos destruir, a nós e ao nosso projeto de uma nova Europa!

Que melhor garantia podem os burocratas de Bruxelas querer do que os curriculla, e a palavra  dos nossos líderes?

O nosso líder, Tsirpas, ainda recentemente afirmou que o nosso objectivo não é o socialismo imediato, mas apenas o princípio do  fim da Europa tal como a conhecemos, lembrando então que faria como fez Chavez, "nós não pedimos o voto no socialismo, nós pedimos o voto para uma mudança real na vida das pessoas, e assim gradualmente as pessoas irão se aperceber que o socialismo é uma boa idéia, tal como aconteceu  na Venezuela". Portanto é falso que sejamos comunistas ou queiramos uma revolução, queremos apenas uma nova Europa, beneficiando da riqueza da experiencia Venezuelana. Temos esse direito e não vão ser os burocrats europeus e a Alemanha que nos vão parar!

Depois, temos como responsável da economia e das finanças gregas um professor que é a inveja de toda a Europa, apoiado por vários prémios Nobel, como Krugman e Stiglitz, e que apresentou logo no início das negociações uma enorme panóplia  de soluções aos iletrados ministros e burocratas europeus, pelas quais teria sido possível de imediato resolver todos os problemas da Europa e foi logo recusada, porque se aceite ficaria patente a incompetencia geral. Depois de tão brilhante apresentação, aqueles eurocratas refugiaram-se em mais um pedido de medidas concretas para fazer face à crise grega, sem inteligencia e sem visão os burocratas acabam sempre no mesmo. Agora para tentar destruir a imagem do nosso génio financeiro, os seus inimigos passam o tempo a relembrar que ele terá dito que é um economista acidental e um marxista errático. Mas nem com todas as campanhas eles vencerão, o mundo sabe que temos razão, e que temos as melhores soluções para a Grécia, para a Europa e talvez  mesmo para o mundo.

A campanha contra nós já envolve também o nosso parceiro de coligação, chegam ao ponto de dizer que Kammenos é xenofobo e anti-semita, tudo apenas porque ele é um patriota que luta pela dignidade grega dentro da Europa, melhor, pela Grécia  como lanterna da Europa como históricamente foi, e temos direito de voltar a ser.

Perante esta realidade apelamos a todos os povos da Europa, que se revoltem e imponham aos seus governos, o apoio claro e irrestrito aos desejos do governo grego, porque esse é o único caminho que resta à Europa.

Viva o Syriza! Viva a Nova Europa! Abaixo a Alemanha e seus apaniguados! Abaixo os eurocratas!




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015



UMA EXPERIÊNCIA DE ESQUERDA, POR FAVOR!

Este texto vai ser um pouco complicado. Os meus amigos à direita não gostam das minhas posições, para eles ambíguas, sobre estas guerras da direita e esquerda, os de esquerda raramente lêem o que escrevo e quando o fazem, fazem-no com dificuldade. Este será mais um desses textos que  não vai agradar a ninguém.

Desde pequeno, tenho ouvido falar do sonho de uma sociedade diferente daquelas em que temos vivido, uma sociedade igualitária, fraterna e livre. Apesar de nunca ter acreditado em nenhuma das propostas que ao longo dos tempos foram sendo apresentadas, não perdi a esperança de que um dia surja alguma coisa com sentido e de que finalmente a esquerda consiga apresentar um projecto viável e executá-lo de forma convincente. Até agora as desilusões têm-se seguido.

Nos tempos modernos, a esquerda deu-nos a Revolução Francesa que começou por assassinar a nobreza nacional, guilhotinar os reis, os altos funcionários, depois os burgueses, e finalmente os revolucionários começaram a guilhotinar-se e assassinar-se sucessivamente uns aos outros, abrindo caminho para Napoleão que por fim estabeleceu a "sua ordem" na casa, e tentou estendê-la a toda a Europa. A primeira grande aventura da esquerda não correu propriamente bem, mas..

Depois de aventuras menores diversas, veio o socialismo científico de Marx e mais tarde as ditaduras do proletariado de Lenine e Estaline, que após implantadas,  rapidamente se transformaram em ditaduras das nomenclaturas em nome do proletariado, de Cuba à China foi assim, com os resultados económicos, sociais e ecológicos que hoje são conhecidos, isto para além do que, pelo caminho, foi acontecendo às "liberdades burguesas".

Recentemente a América Latina tem tentado algumas experiências socialisto-populistas a maior parte delas com especificidades muito locais que têm a ver com o problema nunca resolvido das populações indígenas. Mas de novo estamos perante experiências todas elas mais ou menos desastradas, a única  mínimamente equilibrada parece ser a do Equador, embora nada de fascinante, nada que que aponte um novo caminho para as sociedades do século XXI.

A Europa, berço de todas estas ideias e ideais, tem contribuído bem pouco para novas experiências, socialistas e sociais-democratas aburguesaram-se e pouco os distingue dos democrata-cristãos, o nosso Abril foi o equívoco de que não vale a pena falar agora e recentemente, Hollande foi uma esperança fugaz que não deu em nada. A esperança que resta é o Syriza, vai o Syriza resistir ao choque da realidade?

O grande problema da esquerda radical é que nunca gostou da realidade, o seu jogo foi sempre  comparar  a realidade capitalista, com todos os seus defeitos reais mais os por ela inventados, com situações imaginárias que a esquerda dizia existirem noutras sociedades ou em sociedades também imaginárias que iriam, ou irão, construir.

Só que para construir alguma coisa é preciso um projecto, até agora nunca ninguém viu um projecto dessa esquerda, o único objectivo parece ter sido sempre e apenas a conquista do poder, depois logo se vê. Mas existe alguma credibilidade nisso? Criticar a realidade e pedir um mandato para construir algo que nem ela, esquerda, sabe o que é?

Na verdade  até tive esperança que o Syriza fosse diferente, acreditei mesmo que eles tinham um plano para uma sociedade alternativa, que precisasse de ser ajustado aqui e ali, mas que existisse um projecto. Afinal não, o único projecto era sacar um cheque em branco à Europa. É isto o melhor que a esquerda pode fazer?

Porquê esta incapacidade de apresentar um novo projecto de sociedade? Falta de capacidade intelectual? Preguiça? Medo de que nenhum eleitorado o "compre"?

Ninguém  espera que a esquerda possa fazer o milagre de conseguir juntar todas as benesses das sociedades de consumo capitalistas a uma muito maior igualdade, todos sabemos que não há almoços grátis, mesmo almoços socialistas, mas qual é o seu projecto de sociedade? Como vamos para lá? Como desmontar os mecanismos de mercado/preços sem destruir as economias? Por favor, vamos ser sérios, somos todos adultos.

Até lá vamos ficando com as esquerda que há, a esquerda caviar (beluga ou não), a dos seus intelectuais diletantes, a das múmias simpáticas dos PC's, e a dos exaltados que não têm ideia do que querem, para além da catarse do reclamar  e gritar. A única verdadeira novidade que até agora a esquerda nos deu foram aquelas meninas, até bonitinhas, inteligentes, agressivas, articuladas e palavrosas que hoje em dia preenchem mais de metade dos nossos telejornais.

Estou a ficar velho (aliás já estou, só que ainda não assumi) e ainda preciso de ver essa grande eperiencia socialista. Por favor apressem-se, já agora se possível não a façam aqui em Portugal, deixem isso para depois de ver os resultados em outro lugar.

Os meus amigos de direita devem ter razão, no fundo eu sou um esquerdista, só que, depois destes mais de dois séculos de desastres, e tal  como São Tomás, preciso de ver para acreditar.





sexta-feira, 7 de maio de 2010

BE DÁ LIÇÃO À DIREITA

O país está a ficar cada dia mais surrealista, o BE confirma a sua posição de salvaguarda dos direitos individuais enquanto a direita se atola em contradições, foi a isto que o pragmatismo acima de todos os princípios nos conduziu no caso das escutas, e isso vai ser pago por alto preço mais cedo ou mais tarde.
Mas não é só o BE a dar lições à direita, é também o MRPP através do depoimento de Garcia Pereira que se pode ver no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=9WXfCLXCGIY, apesar de ser já de Março vale a pena.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

UTOPIAS

É difícil lidar com utopias como se se estivesse a lidar com realidades, sempre foi assim com o PC, defendendo a construção de uma sociedade ideal, que por si só quase toda a gente desejaria, mas que sempre pareceu inexequível à maior parte da população.

Nesses tempos, como pobres exemplos apenas tinham para apresentar os casos da Europa de Leste, já na época pouco convincentes e que depois da queda do muro vieram mostrar à evidencia dos maiores crimes ecológicos, políticos, económicos e até sociais da história da humanidade, praticados por regimes totalitários "em nome do povo" e de uma futura sociedade ideal, e efectivamente em beneficio exclusivo de uma numenclatura que usufruía de todos os privilégios.

Depois de tudo quanto se passou tudo se mantém na mesma, o partido comunista continua a defender não se sabe bem o quê, com os seus velhinhos mais ou menos simpáticos, com maior ou menor curricullum anti-fascista e alguns bons quadros perdidos numa máquina envelhecida, que como único ponto positivo continua a fazer passar uma imagem de honestidade, a todos os títulos louvável nos tempos que vão correndo.

Mas mais grave é o BE, que apesar de esporádicamente ter alguma relação com a realidade, tem uma cartilha que na essência não se afasta da do PC, apesar de ter alguns intelectuais de respeito e quadros muito mais jovens, que deveriam dar ao partido um outro papel na sociedade portuguesa, que bem precisaria de uma esquerda "radical" séria.

Se eu fosse psiquiatra, ou mesmo apenas psicólogo, como a Barbie da esquerda radical, diria que os problemas por estas bandas, andam entre a esqizofrenia e o alzheimer.