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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

AINDA HÁ ESPERANÇA
As loucuras de Trump em lugar de ficarem mais moderadas, o que seria o expectável nesta fase da campanha, tornam-se de dia para dia mais loucas.
O homem perdeu totalmente o controle sobre si próprio e a sua campanha.
Esperemos que a situação se continue a agravar, o grande risco que existia de ter Trump como presidente parece agora afastar-se.
Campaign staff are reportedly “suicidal” as Republicans turn on their own nominee.
VANITYFAIR.COM|DE TINA NGUYEN

quarta-feira, 20 de julho de 2016



O ERRO DE MARCELO

Marcelo foi mais do que eleito, ele foi aclamado. Só que, por pouco mais de 50% dos votantes das presidenciais.
E isso é pouco, muito pouco, porque Marcelo é carente, Marcelo precisa de ser amado por todos.
Bem, pode ser que se contentasse com "um quase todos", talvez uns 90% o descansassem, mas enquanto lá não chegar ele não irá parar, e nessa campanha desenfreada ele irá cansando e destruindo o seu eleitorado-base.
Marcelo devia compreender que, salvo num hipotetico quadro de desastre nacional, haverá sempre uma percentagem da ordem dos 40% dos portugueses que nunca o apoiará (meio PS, BE e PCP), faça ele o que fizer.
Por outro lado, ao banalizar a sua presença e as suas intervenções, com os inerentes erros, e ao procurar ser sempre o "bonzinho de serviço", Marcelo está a correr o risco de alienar parte do seu eleitorado potencialmente cativo.
Nesta corrida vertiginosa diária para ser amado, ele nunca irá além da casa dos 60%, mas corre crescentemente o risco de ficar abaixo dos 50%. Vale a pena arriscar uma maioria garantida em troca de uns hipotéticos pontos a mais? Tudo isso apenas para ter o prémio "Simpatia"??
O mundo é injusto, com tantos ditadores profundamente amados pelos seus povos, com mais de 90% do eleitorado em eleições sucessivas, porque não pode Marcelo também lá chegar?!

quinta-feira, 7 de julho de 2016


A TAÇA??
UMA LIÇÃO

Se vem ou não a Taça pouco me importa.
Importante mesmo é compreender a lição.
Foi uma lição enorme de trabalho de equipe, de disciplina, de dedicação e de esforço.
Foi também uma lição de um grupo de jovens, que desde crianças dedicam as suas vidas a tentar ser "apenas" dos melhores do mundo.
Alguns deles terão até passado fome e muitas e diversas dificuldades, mas que nunca desistiram, continuaram sempre a trabalhar para o seu objectivo.
São certamente jovens especialmente dotados, mas outros haverá, tanto ou mais dotados, que ficaram pelo caminho, porque não tiveram a dedicação, a disciplina ou a capacidade de trabalho destes.
Esta lição nunca foi tão importante como hoje é, porque a globalização não vai perdoar aos jovens que não forem "muito, muito bons".
Isso de ser apenas dos melhores do bairro, da cidade ou até do país, cada vez valerá menos. Ou se trabalha para estar entre os melhores do mundo, seja qual for a área, ou o nível profissional, ou o seu futuro será sombrio.
Os jovens que se arrastam à espera que o futuro venha de qualquer lado, de preferencia do Estado, arrastam-se a sí e aos países para o descalabro.
Não se pense que os nossos jovens vencedores em França não seriam ninguém se o futebol, ou até mesmo outro desporto de competição, não existissem. As suas qualidades de trabalho e de superação teriam certamente feito deles gente especial em qualquer campo de actividade, mesmo que sem o sucesso financeiro e mediático que o futebol lhes permitiu.
Taça ou não taça, pouco ou nada importa, isso é apenas folclore deste "show-business".
O IMPORTANTE É A LIÇÃO

segunda-feira, 4 de julho de 2016


SERÁ BOM CHEGARMOS À FINAL?

Sei que nos dias que correm esta pergunta é quase uma "traição à Pátria", apesar disso vou continuar.
Temos aqui de considerar dois tipos de impactos, os externos e os internos.
Começando pelos efeitos externos, eles podem ser globalmente pouco significativos mas têm a vantagem de ser neutros ou positivos.
Aqueles efeitos seriam sobretudo positivos junto dos nossos emigrantes espalhados pelo mundo, aumentando o seu sentido de pertença a uma comunidade que não lhes leva muitas razões de conforto ou alegria. Seriam também positivos em grande parte dos PALOPs, que nestas questões do futebol ainda estão ligados aos grandes feitos internacionais das equipes portuguesas quando eles acontecem, até mesmo no Brasil o efeito na nossa imagem poderia ser positivo embora pouco significativo. Quanto ao impacto no resto do mundo, as coisas já não seriam tão simples, chegar à final a "coxear", numa de apenas "ir passando" sem se perceber bem como, em nada melhorará a nossa imagem internacional, pelo que tudo dependerá da nossa actuação, não apenas técnica mas também comportamental.
E agora o mais complicado, qual será o impacto interno efectivo? Todos ficaremos muito contentes, por alguns minutos/dias voltaremos a ser os "heróis do mar" e outras baboseiras pseudo-patrioticas que gostamos de invocar. O nosso bi-polarismo continuará intacto, variando entre os melhores e os piores do mundo, continuando sem encarar os nossos problemas reais nem as soluções para eles. Terá sido apenas uma boa festa, sem ressaca de maior, permitindo manter o nosso mundinho de fantasia.
Enquanto estes grandes acontecimentos desportivos, forem vistos por nós apenas como grandes espectaculos catarticos e não como lições de trabalho e de superação, individual e colectiva, eles serão apenas perda de tempo e dinheiro, e um grande negocio para uns poucos.
Gosto
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quarta-feira, 15 de junho de 2016




PORQUE NÃO HÁ GESTORES PRESOS?

E o mais grave é que depois de tudo quanto se passou as coisas não vão melhorar, as fraudes vão continuar a acontecer sem que haja culpados.
Foram dezenas de milhares de milhões de euros que se esfumaram no ar, por incompetência, por omissão, por dolo, por fraudes diversas, com e sem conivência política.
Apesar de tudo isso, na verdade ninguém quer mudar nada, assim se garante que tudo irá acontecer de novo. Outra vez sem culpados.
Existe um grande e pacifico entendimento entre as diversas elites para que tudo assim continue, seja o bloco central das negociatas, os empresários que sempre viveram à custa do estado e dos seus erros, os políticos que aguardam benesses presentes e futuras, os escritórios dos advogados de negócios, a esquerda radical que joga no quanto pior melhor, os sindicatos e comissões de trabalhadores que nunca viram nada e vão continuar a não ver, os reguladores e fiscalizadores que não regulam nem fiscalizam, os legisladores que não legislam.
Como se compreende que até em países como o Brasil, que nós tanto gostamos de criticar, caso haja indícios de alguma situação grave num banco, no dia seguinte todos os bens de todos os administradores, executivos e não executivos, são congelados, e que entre nós, até mesmo quando os bancos vão à falência nada aconteça?
A quem beneficia este estatuto de impunidade dos gestores da banca e das grandes empresas públicas e privadas? Quem protege os depositantes, os accionistas, os trabalhadores, o interesse público, etc? Na verdade ninguém,está tudo demasiado interessado em outras questões.
Este processo só irá parar quando os gestores da banca e das SA's passarem a ser responsabilizados civil e criminalmente pela gestão das empresas em que estão. Isso irá não só proteger todos os "stakeholders", como até os gestores competentes e honestos que por vezes não têm nem capacidade, nem justificação, para resistir às pressões dos "poderosos", sejam eles políticos, accionistas, chefes enlouquecidos, ou outros.
Do que se está à espera?
Vai ser preciso que desapareçam outros 50 biliões?

segunda-feira, 13 de junho de 2016


O BREXIT, UMA OPORTUNIDADE?

A Europa está em tal mau estado, que uma saída do Reino Unido da Comunidade ou desencadeia a sua desintegração, ou a salva.
Uma Comunidade em que todos acham que apenas os outros é que têm de fazer alguma coisa para a sobrevivencia colectiva, é uma entidade em risco de vida.
Assim é com a Europa, com uma esquerda radical que não a quer, uma esquerda moderada que julga que a solução para tudo é que os países ricos passem cheques em branco aos países pobres, uma direita que não sabe bem o que quer, uma extrema direita crescentemente xenofoba que quer apenas retirar vantagens enquanto tal for possível, e no meio de isto tudo uma Alemanha que continua a acumular crescentes saldos comerciais e se recusa a fazer uma política fiscal que dinamize a sua e as outras economias. Tudo isto sem uma visão à altura dos desafios, sem um líder, apenas conduzida, em teoria, por um bando sem fim de burocratas, de qualidade variável e custo enorme, tão perdidos e divididos como todos nós.
Num cenário mundial cada vez mais complexo para a velha Europa, com a perda da sua importancia relativa, as ambições de Moscovo, o Mediterrâneo em ebulição e o provavel distanciamento dos Estados Unidos. Neste quadro, o espaço e o tempo de manobra europeu estão a reduzir-se, rápida e significativamente.
O Brexit pode por si só pôr o projecto europeu à beira do desastre, não porque a saída de Inglaterra/RU não fosse gerível sob o ponto de vista económico, mas porque desencadeará uma decomposição política e psicológica que levará à desintegração, isto, caso a Europa não consiga finalmente reagir de uma forma forte, uníssona e convincente.
O Brexit, a confirmar-se, será a vacina ou o começo do fim.

quinta-feira, 9 de junho de 2016



O PRESIDENTE TRUMP

Quer gostemos ou não, só muito dificilmente Hillary poderá bater Trump.
Primeiro porque os americanos gostam de mudar de presidente, em especial depois de dois mandatos, e mudar quer dizer mudar realmente, não é ir para soluções que cheiram a mais do mesmo, ainda por cima com pior qualidade.
Pode haver mudança mais radical do que de Obama para Trump? Quase impossível, e é essa uma das razões porque Trump vai ganhar.
Obama é um intelectual, Obama é cauteloso, Obama conhece todos os grandes dossiers do país, Obama é um grande comunicador e dono de um enorme auto-controle, Obama é também um diplomata consumado.
Trump é um empresário de sucesso do imobiliário e com grande pratica de show televisivo tipo USA, Trump não conhece nenhum dos dossiers nacionais e sobre todos eles tem varias opiniões, todas elas contraditorias entre si, Trump tem um caracter explosivo mas que ele sabe usar em seu beneficio e controlar quando necessario, Trump, em termos diplomaticos, é aparentemente um troglodita, mas o seu curriculum está cheio de importantes sucessos negociais.
A segunda razão porque Trump vai ganhar é porque os americanos se sentem desorientados. Onde está a realização do sonho americano? Onde estão as casas, os carros, os empregos, o futuro sempre risonho? Estes emigrantes todos vão ou não destruir a America? Vamos continuar a mandar os nossos rapazes e o nosso dinheiro para defender países que nem sabemos onde ficam e que não gostam de nós? Vamos deixar que a China e outros países destruam as nossas empresas e os nossos empregos? Vamos continuar a gastar fortunas para defender a Europa, para ela poder gastar o seu dinheiro num estado social que nós não temos? Não será que as coisas vão mal nos USA porque toda a gente se aproveita da nossa boa vontade? E por aí vai...
Pode haver alguém melhor que o cowboy Trump para responder a todas estas angustias? Desenganem-se os que pensam que existe.
Agora apenas o proprio partido Republicano poderia parar Trump, e não parece que o vá fazer.
Mas, para surpresa das surpresas, Trump poderá até vir a ser um bom presidente dos Estados Unidos.
O que é grave para nós, é que ele nunca será bom para a Europa.

sexta-feira, 6 de maio de 2016



A ESQUERDA DOS VELHOS

Dos velhos, em especial dos que já não têm muito tempo.
Daqueles a quem a conta só chegará depois de terem partido.
Esquerda que trai os jovens vendendo mentiras, ilusões impossíveis e empurrando-lhes o futuro.
Dos funcionários, dos protegidos, dos instalados e de todos quantos couberem á mesa do orçamento.
Dos profissionais da política, dos eterna e exclusivamente sindicalistas, e dos que vivem do comercio de esperanças.
Esquerda, por ironia das coisas, apoiada por jovens e criticada por velhos para quem o tempo já se vai esgotando.
Assim marchamos, sem fé, nem coragem, nem valor.
Apenas cegos, rumo ao desastre.

O BRASIL E OS MILITARES
Existe saída para o Brasil sem a intervenção dos militares? Cada vez mais dificilmente.
A classe política está na sua quase totalidade descredibilizada, e o pior é que o actual o sistema político não tem quaisquer condições de gerar uma nova classe política, que seja de facto diferente da que existe hoje.
Existem condições reais para uma rápida mudança do sistema político? Existe uma figura nacional que possa liderar uma tal tarefa? Também dificilmente. As poucas personalidades que poderiam ter prestígio para o fazer, não têm nem suficiente experiencia, nem peso político para o poderem concretizar.
É já tempo para os militares? Ainda não, mas é tempo para que se preparem, porque muito provavelmente em breve serão "chamados".
Quão breve? Um ano? Dois? Tudo vai depender do nível do caos a que se chegue. Aí será tempo de, em nome da "unidade territorial" do Brasil, as Forças Armadas avançarem.
Esperemos apenas que desta vez, como Castello Branco já queria que tivesse sido da outra vez, venham apenas para "arrumar a casa" e que depois regressem aos quarteis.


O LAGO MONOTEÍSTA
Lago chão, de tempestades repentinas que não perdoam, lago mãe dos deuses, e de todos os crimes, mafias e miragens
lago em volta do qual, os muitos e diversos descendentes de Abraão se odeiam mútuamente 
quanto mais proximos, mais furioso é o ódio
lago que apesar dos esforços de americanos e europeus ainda não é pasto de fogo
tempo virá.
lago que continua a ser a sepultura que sempre foi, de sonhos imperiais, de batalhas, de comerciantes, de piratas diversos e agora de fugitivos
netos de Abraão fugindo de outros primos
ou apenas da fome
porque Zeus, Júpiter e todos os outros nos abandonaram à loucura monoteísta?
porque da Grécia ficámos com os filósofos em lugar da religião, onde todos os deuses cabiam comodamente?
e Constantino? porque ele os traíu a todos?
por isso eles nos amaldiçoaram para a eternidade, a nós e ao lago.
lago que um dia será mar de chamas, e com ele
inexoravelmente, também a Europa dos deuses traídos.

segunda-feira, 18 de abril de 2016



COSTA O MALABARISTA SIMPÁTICO

Depois de um Passos chato,com um discurso cinzento, pesado, calvinista, carregado do elogio das virtudes da austeridade, quase de uma nota só, como as cassetes do PC, depois de tudo isso, por fim, os céus abriram-se radiosos e surgiu Costa!
Costa é alegria, Costa é esperança, Costa tem solução para tudo. O desemprego aumenta e Costa sorri, o PIB pára de crescer e Costa acha engraçado, o Investimento deixa de existir e Costa dá uma gargalhada.
A banca está falida?! não há problema, faz-se um novo banco. Como? Porquê tanta preocupação? Isso depois se vê, o importante é a ideia.
Afinal era tudo tão fácil, porque é que Passos nos torturou? Passos é certamente um psicopata, não podemos perdoar-lhe o que nos fez, a nós e ao país. Julgue-se Passos! Condene-se Passos! Pela alegria que nos roubou, pela esperança que não nos deu, pelo futuro que não nos queria dar.
No barco, que com Passos flutuava penosamente num mar difícil, agora pelo menos existe festa a bordo, os pessimistas e reaccionários dizem que mete água, tudo mentira. Agora sim, agora navegamos e nem o mar está tão mau como se dizia!
E Costa continua sorridente, na única esperança de mais um golpe de sorte, como os muitos que tem tido, que leve a Europa a mudar de política e que assim a geringonça consiga sobreviver, mesmo sem bússola, nem cartas, nem conhecimentos de navegação e com todas as suas trapalhadas a bordo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016



ONDE ESTÁ VITÓRIA DE COSTA ??!!
Como expliquei no texto de ontem, o Orçamento seria aprovado, porque formalmente ele preenchia os requisitos mínimos. Para mais, já depois de eu ter publicado aquele texto, Costa ainda fez mais concessões a Bruxelas, pelo que não havia como não o aprovar. Mas a questão não é essa.
O que importa saber é:
- Bruxelas acredita de facto na exequibilidade do orçamento proposto?
- O governo vai conseguir conter a despesa pública dentro dos valores anunciados?
- O governo vai atingir a receita prevista com as medidas apresentadas?
- Este orçamento, conjugado com as outras medidas que o governo tomou e vai tomar, é bom para a economia ou vai levar-nos à estagnação total?
Na minha opinião este orçamento é uma manta de retalhos, e portanto tecnicamente mau no seu conjunto.
Acho mesmo que tudo isto é apenas uma ficção paranoico-esquizofrenica, e que os "médicos" de Bruxelas se limitaram a dar a oportunidade aos loucos locais para fazerem a sua "pequena experiencia", na esperança de que aprendam com os resultados que vão obter. Claro que, como todos os loucos, nada vão aprender e lá para o final do ano Bruxelas terá que fazer exigencias sérias antes do desastre total.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016



O ORÇAMENTO DE COSTA/CENTENO
NEM "TIA", NEM MULTIPLICADORES.
APENAS TEATRO

É evidente que Bruxelas pode aprovar o Orçamento proposto pelo governo embora saiba que ele não vai ser cumprido.
Primeiro porque formalmente ele é "aprovável", dado que apresenta gastos adicionais de 1.050 milhões de euros, que na verdade são apenas 750 milhões porque 30% daquele valor retornará ao estado por via directa de IVA, IRS e outros impostos e taxas. Para cobrir esses 750 milhões Bruxelas aceita que o governo "arranje" apenas mais 675 milhões em aumentos de impostos e a criação de novos. Bruxelas está assim a dar uma "borla" de 75 milhões ao governo, mesmo sabendo que nada disto será cumprido.
E não será cumprido porque o governo terá muita dificuldade em recolher os tais 675 milhões onde ele diz, e mais cedo ou mais tarde irá apresentar de novo a conta à classe média, através do IVA, IRS, IMI, e outros.
Além disto, todos sabemos que para além daqueles 1.050 milhões existem outros tantos não assumidos, escondidos nas 35 horas, nas benemerências na educação, na saúde, na reversão de concessões, nas reivindicações das EP's, e um pouco por todos os ministérios. A soma destes dois efeitos levará o buraco de 2016 bem para além dos 1.000 milhões.
E para o ano de 2017, já não contando com novas "generosidades", podem desde já somar-se mais mil milhões, que advirão do simples custo adicional das medidas tomadas em 2016 com efeitos aumentados em 2017.
Sonhar que existirá um efeito positivo por acção dos multiplicadores, é mesmo só sonho, ou simples fraude intelectual. Quem vai investir e contratar pessoal no quadro que se criou de incerteza das regras laborais? Com a actual carga fiscal? Com a instabilidade fiscal total? Com a Intersindical em rédea solta? Com uma Frente Popular no poder? Com o previsível aumento das taxas de juro para financiamento? Estamos a brincar?
Centeno gosta de pensar que está a governar com o programa do PS, que era um programa que continha alguns riscos, mas que poderia fazer funcionar os tais multiplicadores. Mas a verdade é que não está, a sua pressa de ser ministro levou-o a aceitar gerir um programa que é apenas uma manta de retalhos,de uma Frente em fuga (para a frente).
Como sempre disse, o primeiro semestre de 2016 seria uma festa (aliás esperava melhor), o segundo seria tempo de começar a explicar a Bruxelas porque é que a realidade se recusa a aceitar o programado, no final do ano já ficará claro que o buraco adicional já vai acima de mil milhões e que se nada se fizer será de mais dois mil milhões em 2017.
Aí, Bruxelas, dar-nos-à a escolher, entre a porta da saída e um Orçamento draconiano para 2017.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016




VOTAR MARCELO

Pode-se gostar mais ou menos de Marcelo, podem ser-lhe apontados muitos e diversos pequenos defeitos, mas, por outro lado, não lhe podem ser negadas grandes qualidades, humanas, intelectuais, de trabalho, de sentido cívico e de comunicação.
Os defeitos que muitos lhe apontam não são mais que uma caricatura dos defeitos de todos os políticos. Os políticos vivem de habilidades, de manobras, de jogadas e até mesmo da mentira "necessária". Só que os verdadeiros profissionais da política o fazem de forma camuflada e sempre que possível por via indirecta, enquanto que Marcelo sempre o fez de forma a "ser descoberto", a sua finalidade nunca foi a de usar essas "artimanhas" para acumular poder para usar no futuro, as suas jogadas foram sempre mais diatribes a que não resistia e que eram a sua maneira de provar o seu poder de influenciar. Diatribes essas que para seu gozo pleno tinham mesmo de ser "descobertas", ou melhor ainda, se possível, ser alvo de suspeitas muito fortes nunca totalmente confirmadas..
O único prejudicado daquelas diatribes foi ele próprio. Quem tenha um projecto de poder pessoal nunca poderá ir por aquele caminho, que cria inimigos de forma desnecessária, origina desconfiança no circulo de amigos/grupos de apoio e gera confusão.
Também aqui Marcelo não cedeu em nada, foi sempre ele próprio, sabendo bem os custos políticos dessa maneira de estar. Foi por essa razão que ele apostou tudo na sua capacidade de comunicação e assim, com uma enorme paciência e dedicação, consagrou anos a fio a estabelecer uma relação directa com os portugueses, não apenas por via da televisão, mas estando sempre, incansavelmente, em todo o lado onde houvesse pessoas para contactar. Mais uma vez Marcelo fez sozinho o seu caminho, à sua maneira.
O Marcelo Presidente, não será certamente o Marcelo das diatribes da sua juventude, mas o das suas grandes qualidades.
Como já escrevi num texto anterior, esta campanha e a estratégia de Marcelo orientaram-se mais para uma "Aclamação" do que para uma eleição.Eu sou dos que teria preferido uma campanha que fosse uma intensa e elevada discussão de ideias, não foi por aí que as coisas foram, e dificilmente o poderia ter sido com os candidatos envolvidos.
Domingo não pode haver optimismos, nem comodismos. Marcelo pode ganhar mas ainda não ganhou e se por acaso não ganhasse, as coisas poderiam ser muito complicadas em Portugal.
O país está de novo a caminhar rapidamente para o agravamento da crise económica e o pior que nos poderia acontecer seria acordarmos um dia com um presidente como o Dr Nóvoa., de passado nebuloso, misto de actor de segunda, mau poeta, bispo envagélico e pseudo-ideólogo. Personagem disposta a apoiar e até a dinamizar todas as experiências radicais que as suas visões messiânicas justificam. Isso seria a receita certa para o grande desastre nacional.
Votar é preciso!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015


A VERDADE SOBRE O BANIF
O Banif foi, pura e simplesmente, um banco que nunca devia ter existido, o que faz dele um caso um pouco diferente, e sob certo ponto de vista mais grave, dos outros dramas da nossa banca.
Quem autorizou a criação do Banif? O país precisava de mais esse banco? O banco tinha a competência técnica necessária? Porque o BP aprovou a sua criação?
O Banif foi o coroar de uma carreira de sucesso de um empresário, dinâmico, corajoso, que sabia relacionar-se bem, e que no final, por sua iniciativa ou influenciado por outros, quis ser banqueiro. Tinha condições para o ser? Claro que não, mas no quadro nacional foi apenas mais um.
Tenho para mim que foi o Banif que matou Horacio Roque, quando ele percebeu o buraco em que estava metido, o coração pura e simplesmente não aguentou. Apesar disso, os sucessores, os gestores, o BP, os parceiros, e a propria imprensa, continuaram a fazer de conta de que ali existia um banco notável.
Quem ficou rico neste processo que vai custar alguns biliões a todos nós?
Como foi possível isto acontecer?
- primeiro a incompetência e corrupção nacionais
- depois a qualidade da nossa imprensa, que só vê o óbvio, sempre demasiado tarde
- adicione-se a pratica nacional de empurrar com a barriga todos os problemas delicados
- junte-se Bruxelas, que geriu os problemas da banca da Europa continental com incompetência total
Recorde-se apenas o que fizeram os EUA e o Reino Unido quando os problemas rebentaram, primeiro decidiram quais os banco que podiam ou não falir. Depois, os que foram considerados demasiado importantes para poderem falir e estavam em maus lençois, foram todos, pura e simplesmente, nacionalizados de imediato, sob diversas formas mais ou menos disfarçadas. Por esta via assegurou-se a estabilidade do sistema, e em pouco tempo todo o investimento público feito nesses bancos foi recuperado com ganhos para os Estados. Por cá, e também um pouco por essa Europa fora, todos sabemos o que se passou.
Desde 2010 que venho escrevendo isto, sem qualquer resultado prático, assistindo apenas ao desenrolar da incompetencia, das negociatas e da corrupção.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015



AGORA TUDO DEPENDE DO REI
Este é o grande desafio de Filipe, ou ele o vence, e assim consolida a sua imagem e posição como Rei de Espanha, ou, caso contrario, Filipe e o país terão tempos complicados pela frente.
A situação espanhola é extremamente complexa, aliás nunca deixou de o ser, sobretudo estruturalmente, mas agora também no ponto de vista conjuntural.
No ponto de vista estrutural a sempre presente questão das autonomias/nacionalidades, as ainda vivas feridas da guerra civil e a "vivacidade" do povo espanhol, representam riscos significativos em quadros de instabilidade. No plano conjuntural, o elevadíssimo nível de desemprego, os escândalos de corrupção, as exigências de Bruxelas e a urgência Catalã, acrescentam ainda maiores dificuldades potenciais ao quadro espanhol.
Aqueles factores, aliados a uma pulverização partidária, são uma boa receita para o desastre.
Como vai Filipe usar os poucos poderes que tem? Não existirão muitas saídas, mas ele pode ainda ser o articulador de uma solução que funcione, o que seria bom para Espanha e para a própria sobrevivência da monarquia.
O caminho mais seguro seria tentar promover um governo sem Rajoy, apoiado por PP e PSOE. Um governo de "crise, salvação, ou o que lhe queiram chamar", para fazer as reformas estruturais, resolver a questão catalã, e relançar a economia.
Para fazer uma coisa destas talvez não fosse mau Filipe começar por ver o que Cavaco fez recentemente, aí ficaria, pelo menos, com uma lição clara sobre tudo o que de errado se pode fazer.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015



MADURO CAI, LE PEN SOBE, TSYPRAS ENTREGA-SE
POR CÁ BE E PCP MANDAM

Até quando?
O PS dispôs-se a pagar qualquer preço para ser poder, terá por algum tempo o poder de distribuir favores aos amigos e pouco mais.
Em contrapartida teve de dar urgente prioridade nacional a toda a agenda de "medidas fracturantes" do BE, por mais idiotas que elas fossem, teve também de dar ao PC e à CGTP tudo quanto eles queriam e terá de continuar a dar o que eles ainda querem.
O PS julga que pode saciar os seus aliados, não pode, eles vão querer sempre mais. Mesmo depois das experiências de Maduro e Tsypras eles vão continuar a querer mais. Os ideais revolucionários não se detêm perante esses pequenos percalços da história, custem eles o que custarem aos seus povos.
Uma frente que o PS nem sequer teve a clarividência de liderar desde o nascimento e que deixou que o PCP comandasse, tinha de dar nisto. Uma Frente sem mesmo um Acordo sério entre os seus membros, não é uma Frente, é apenas uma ratoeira bem montada aos aventureiros do PS responsáveis por esta experiência sem "para-quedas", experiencia essa que o país vai pagar caro.
Quanto tempo homens como Centeno e Caldeira Cabral poderão sobreviver nesta aventura, subrepticiamente comandada por bolivarianos, trotskystas e estalinistas?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015


PROVOCAÇÃO A CAVACO?

Apesar da qualidade das pessoas propostas não consigo compreender a proposta de ministério de Costa. Tratar-se-à apenas de uma provocação gratuita ao PR?
Um ministério com pai e filha, marido e mulher, parece ser uma coisa de governo africano. Era indispensável? O PS não tinha ninguém que pudesse substituir dois destes propostos?
A proposta para ministra da Justiça faz algum sentido? Não existem já problemas suficientes com Angola para corrermos o risco de arranjar mais alguns? Também aqui não é a qualidade da Senhora que está em causa, mas apenas o bom senso.
Por último, e menos grave, os Estrangeiros, mais uma vez a qualidade política e a inteligencia do proposto não estão em causa, mas era necessário propor para chefiar a nossa diplomacia o assumido "caceteiro-mor" do PS?
Não sou cavaquista e, como tenho escrito, não penso que ele tenha sido um bom presidente, em especial neste segundo mandato, e com destaque para este final, mas isso não justifica provocações sem sentido.
Qual o objectivo desta provocação quase que infantil?

domingo, 22 de novembro de 2015


A FUGA PARA FRENTE DE HOLLANDE

Hollande realmente nunca deixa de nos surpreender. Apesar do seu ar de piguinzinho saltitante, ele já provou uma enorme habilidade política e uma adaptabilidade total às circunstancias, isto para além da sua competencia como predador amoroso (para não dizer sexual). Agora vem a afirmação tronitante do seu caracter guerreiro.
O que leva o habilidoso Hollande a meter-se nesta aventura? Era indispensável neste momento ter tomado a iniciativa que tomou, fazendo relembrar Bush filho? Não teria sido melhor pesar com mais tempo e mais sangue frio, esta e outras possibilidades?
Tudo leva a crer que teria sido melhor esperar. Então porque é que Hollande, um homem de esquerda, desde sempre crítico de todo este tipo de movimentos, decide avançar? Os animais políticos têm destas coisas, são os votos, é a afirmação da autonomia francesa, são os interesses da industria, etc
É sempre "la Grandeur de la France", que com ou sem De Gaulle, continua a valer votos à esquerda e à direita, É o pânico e a necessidade de mostrar trabalho e capacidade de decisão. São os interesses da industria bélica francesa. É tambem a possibilidade de um sopro de aquecimento da economia. E, "last but not least", é a garantia de uma folga na pressão dos homens de Bruxelas.
Perante isto tudo, contra tudo o que ele e os seus companheiros, sempre pensaram e pregaram, Hollande decidiu avançar.
Estas escaladas militares sempre me assustaram, tanto as desencadeadas por governos de direita como pelos de esquerda, mas enquanto faz parte do ADN da direita o estudo da guerra, esse tema está longe de ser uma preocupação das esquerdas ocidentais, pelo que se trata de assunto sobre o qual elas sabem pouco e em que, com facilidade, caiem em erros maiores.
Dir-se-á que o maior erro dos últimos tempos foi o Iraque de Bush, é verdade, e também é verdade que à esquerda apenas Blair o apoiou. Não pretendo dizer que a direita não faz erros nesta área, mas apenas que o risco de a esquerda os fazer é igual ou maior, veja-se o caso do Vietname.
A comprovada habilidade de Hollande não está em causa. Para bem de todos nós esperemos que isso chegue.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015



PEDIDO AO PRESIDENTE

Senhor Presidente
O primeiro mandato de Vª Exª não foi brilhante, o segundo tem sido bastante desastrado, para dizer o mínimo.
O senhor tem gerido dossiers importantes de forma altamente discutível, mas o mais grave, tem sido a maneira como tem comunicado com os portugueses. O Senhor tem-no feito de tal modo que, mesmo quando tem razão, não convence os seus apoiantes, e provoca inutilmente os seus opositores, acabando apenas por contribuir para o mal estar geral, exactamente o oposto do que seria necessário e desejável.
Por isso lhe peço, que na próxima alocução que faça ao país não esqueça os seguintes aspectos:
-Todos sabemos que o Senhor é um catedrático importante, mas por favor não nos trate como sendo meros alunos, mais ou menos atrasados mentais, do mestre-escola
- Também todos sabemos que o Senhor é muito inteligente, que nunca se engana nem tem dúvidas, que já sabe tudo, que já estudou todas possibilidades há muito tempo, e essas coisas todas que o Senhor gosta de dizer. Mas como o Senhor não é o menino Tonecas, não precisa de estar sempre a lembrá-lo, por via das suas palavras e da sua postura. As nossas limitações não têm de nos ser relembradas a cada momento, Senhor Presidente.
- Se for capaz diga humildemente aos portugueses que atravessamos um momento difícil, e que o senhor, sem preconceitos, nem arrogância de qualquer tipo, está à procura da melhor solução para o país, que nos últimos anos já tanto sofreu.
O país não precisa de um Presidente importante e muito inteligente que fale grosso, o país precisa de um Presidente que nos convença que está preocupado com todos nós, que procura as melhores soluções e que tem confiança que em conjunto as encontraremos.
Mais cedo ou mais tarde, todos precisamos de colo. Para além disso, o Senhor precisa de não sair de Belém como o pior PR da nossa história.

PS - Já agora, se possível, não faça mais daqueles discursos infindáveis e com repetições diversas.


ACORDO? QUAL ACORDO? ESTAMOS A BRINCAR?
Todos sabemos que a Frente não tem acordo nenhum, primeiro dizia que tinha e não tinha nada, depois, à pressa e às escondidas, lá assinou três papeis, e dizem agora que têm um acordo.
Três papeis em que se evitam todos os temas polémicos e onde se acordam meia dúzia de pontos, não são mais do que um simulacro. Um simulacro não de um, mas de três acordos.
Nunca fui dos que agitou a ilegalidade ou ilegitimidade de um governo da Frente, só que para que essa legitimidade exista, tem no mínimo de existir um Acordo, público, claro, e garante mínimo de alguma governação, estabelecido e assumido por todos os participantes.
Como é que pode vir o PCP dizer que não sabe como irá votar a proposta orçamental do PS para 2016? Estamos a brincar?
Ninguém pode exigir à Frente que garanta estabilidade por quatro anos, mas já o primeiro orçamento está em dúvida??!!
O PS colocou-se numa posição de total dependência dos radicais, por este caminho dar-lhes-à tudo quanto quiserem,apenas para ser governo, mesmo correndo o risco de deixar o país no caos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015



OTELO, SUVs, FPs, VOLTEM, VOLTEM TODOS !!!

(AFINAL FOI ENGANO)

Com as suas novas amizades o PS inviabilizou hoje uma simples homenagem ao 25 de Novembro, no âmbito da Assembleia da República.
O PS diz que o seu governo será um governo dele, orientado pelos seus princípios, e que os acordos pontuais que fez com o PCP e BE, não porão nunca em causa nem o regime, nem a nossa integração internacional.
Como acreditar nisso se os seus parceiros todos os dias falam em nacionalizações, reforma agrária, acções de rua, etc E agora, para confirmar que eles é que mandam no calendário e nas acções do PS, pura e simplesmente obrigam-no a faltar à sessão de trabalho para estabelecer a cerimónia comemorativa do 25 de Novembro.
O PS ainda nem sequer é governo e quem manda é já a malta que Eanes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e tantos outros, tiveram de afastar em 1975.
Vai bem o país!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015



MARCELO CANDIDATO À COROAÇÃO?

Compreende-se que Marcelo não queira ser refém dos partidos da centro-direita, que, para mais, também nunca o apoiaram de forma explícita. Um PR tem de mostrar capacidade de pôr sempre os interesses nacionais acima dos interesses, ou visões, dos grupos que apoiam a sua eleição. Mas Marcelo  também não pode ignorar donde poderá vir a grande maioria dos seus votos.
Apesar do imenso apoio de que dispõe à partida, Marcelo tem diversos problemas difíceis pela frente. Tem de se afastar da sua imagem de comentador, pelo que não pode continuar a falar sobre tudo e mais alguma coisa, o que tem conseguido fazer. Tem de se distanciar da imagem crispada e sectária de Cavaco, mas tem de o fazer com algum cuidado. Não pode deixar-se envolver pela direita mais "nervosa", mas tem de saber como não perder o seu apoio.
Marcelo decidiu fazer uma campanha de "one man show". Fez o lançamento num ambiente bucólico-campestre, invocando as suas raízes. Não entrou no jogo das listas de individualidades apoiantes, com apresentação formal num qualquer ambiente cosmopolito-cultural, como é habitual. Em Lisboa escolheu para o seu primeiro comício a Voz do Operário, o que deixou muita gente nervosa. Últimamente tem visitado todas as pequenas instituições de caracter social possíveis, fala com criancinhas e velhinhos, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Pergunta-se, Marcelo quer ser eleito ou aclamado?
É que a aclamação vai ser difícil, nos tempos que correm. Isto mesmo que Marcelo, nas suas visitas, nos possa fazer lembrar D.Pedro V, o rei cuja morte precoce marcou o princípio do fim da monarquia.
Será que os salões de Vila Viçosa estão a perturbar Marcelo? A originalidade em política, não sendo forçosamente uma coisa má, tem um valor relativo, como o seu mergulho no Tejo fará lembrar.
Marcelo tem tudo para ser o novo Presidente, mas tem também a capacidade para estragar essa oportunidade.

domingo, 15 de novembro de 2015



A ESTUPIDEZ DA EUROPA

Derrubaram Kadhafi sem saber o que fazer a seguir.

Destruíram a Síria, por ação e omisão, para derrubarem um dos poucos estados laicos da região. Outra vez sem saber o que faziam.

São amigos íntimos da Arábia Saudita e dos Estados do Golfo, que financiam todo o fanatismo religioso muçulmano.

Não controlam os emigrantes radicais que têm dentro de casa, nem a entrada de novos.

Julgam imprescindivel às suas sociedades, o apoio declarado ao humorismo contra os fanáticos, seja qual for o preço a pagar, por quem quer que seja.

Espantam-se que o apoio à Srª Le Pen continue a crescer.

Haverá becos com saída?

domingo, 8 de novembro de 2015



PORQUE VAI SER UM DESASTRE
Ao contrario do que tem sido dito pela direita o problema não é o de uma hipotética ilegitimidade, imoralidade, ou até ilegalidade de um governo da Frente de esquerda. O problema é o seu programa.
A coisa à primeira vista até está bem disfarçada, pode mesmo parecer que se trata apenas de uma pequena adaptação do programa do PS. De facto não se trata de nada disso, na verdade converteu-se um programa que continha alguns riscos de gastos excessivos, que poderiam vir a ter de ser "resolvidos" posteriormente, num outro programa em que àqueles riscos se veio juntar o engessar da economia, e este é um mal que levará muito tempo a curar, e envolverá custos muito altos para o país.
Nem tudo é mau neste programa, a solução encontrada para o salário mínimo e as isenções temporárias de TSU, são muito melhores que o disparate que o PS se preparava para fazer.
Mas a idiotice de teimar na baixa do IVA da restauração, conjuntamente com a grande aceleração da reposição dos vencimentos dos funcionários públicos, e a eliminação total da sobretaxa do IRS, vão pesar muito no orçamento e levarão a aumentos das taxas de alguns impostos e à criação de outros, que muito provavelmente não irão originar receitas adicionais face à fadiga fiscal nacional. Ou seja, tudo leva a crer que vamos ter um exercício orçamental com um grande aumento da despesa, e cheio de receitas hipotéticas que nunca se concretizarão. Consequentemente, iremos de novo entrar em deficits excessivos.
Mas pior que tudo o que foi dito atrás será o engessamento da economia, o PCP, o grande vencedor desta manobra de Costa (que, como o outro, bem pode dizer orgulhosamente "paizinho, sou 1º ministro e salvei os teus camaradas"), ganhou em toda a linha. A reversão das privatizações na área dos transportes, o reforço da contratação colectiva, e a revisão da legislação laboral mais recente, levarão a que qualquer veleidade de vender Portugal como destino de investimento estrangeiro e nacional, não passe de um exercício inútil.
Este programa levará inicialmente a algum aumento do consumo privado, o que por si só será uma coisa boa, esperemos que apenas a um pequeno aumento do deficit comercial do país, mas as contas públicas irão derrapar e com elas a dívida pública, e ao mesmo tempo o investimento irá estagnar.
Já é indecoroso estar sempre a falar-se em novo resgate, mas que dentro de um ano a economia nacional será um molho de brócolos, disso não tenho dúvidas. A ver vamos.
PS
No texto acima eu falo em "manobra de Costa", mas de facto esta foi desde o início uma manobra do PCP. Deveria ter sido de Costa, se ele tivesse tido a inteligencia de lançar o desafio da frente de esquerda logo na noite eleitoral, aí ele teria controlado todo o processo, da forma como o fez acabou nas mãos do PCP.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

CAVACO E O GOVERNO DE COSTA.
Caso o desastre se confirme, só restará ao PR, depois de todas as outras trapalhadas, uma coisa a fazer.
O PR não pode correr o risco de no futuro vir a ser acusado de ter dado posse precipitada a um governo com um programa mais ou menos ruinoso para o país.
Por isso não bastará que Costa e Companhia lhe apresentem um programa, esse programa terá de ter sido, previamente e de forma clara, sancionado e apoiado pelo PS, no mínimo por via da sua Comissão Política.
É absolutamente necessário que fique claro para toda a população portuguesa que todo o Partido Socialista está por detrás desse programa e o apoia, para que amanhã não reste sombra de dúvida sobre as respectivas responsabilidades.


ANGOLA
O tempo está esgotar-se.
Se as diversas partes, em especial o governo de Angola, não conseguirem encontrar o caminho efectivo para o desenvolvimento equilibrado do país, não apenas as suas elites irão sucumbir, mas a própria sobrevivência de Angola como país uno estará em risco.
Os interesses em jogo, externos e internos, são demasiado grandes, para que se possa pensar que o caos a prazo é algo de evitável, se o país não conseguir dentro de pouco tempo entrar numa evolução, faseada mas rápida, no sentido da criação de uma economia e de uma sociedade saudáveis, que sirvam as necessidades do seu povo.
Não sou dos que pensam que a riqueza das elites angolanas é toda ela ilegítima, se olharmos a história da Europa pré-democrática até finais do século XIX, , o processo de apropriação da riqueza nacional não foi por aqui muito diferente do processo angolano.
O que torna grande parte dessa riqueza totalmente ilegítima é o facto de ela só marginalmente ter sido posta ao serviço do desenvolvimento económico e social do país. Riqueza gasta em produtos de luxo, ostentação nova rica, propriedades no exterior, e investimentos sem sentido, não só não produz desenvolvimento, como cria revolta.
A "elite-pensante" angolana sabe disto, sabe também quais as medidas e os grandes projectos que podem mudar e salvar Angola, assim como sabe quais os diversos parceiros de que necessita para os concretizar. Porque essa elite não tem a coragem de o fazer? São as lutas internas de interesses míopes que o impedem? É a letargia de velhos paralisados? Ou é mesmo a esclerose total do sistema?
O medo de Luaty, segundo a polícia angolana, advém do facto de ele não ser um, mas muitos. Mas isso não pode ser factor de bloqueio da renovação angolana, antes pelo contrario.
Eles devem ter razão, existem talvez muitos Luatys, uns serão demasiado radicais para poderem ajudar qualquer processo de renovação do país, mas a maior parte deles é não apenas necessária, mas será mesmo indispensável, a essa renovação.
Assim haja coragem da "elite-pensante" para concretizar um projecto para salvar Angola, integrando nele todos quantos possam contribuir de forma positiva para o seu sucesso.
Aquele que é talvez o país mais rico do mundo, em termos de potencial agrícola, mineral e energético, não pode sucumbir por causa da miopia, da cupidez, ou da paralisia dos seus filhos, e em especial das suas elites.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PORQUE A ESQUERDA ESTÁ TÃO NERVOSA?
Independentemente dos pormenores da intervenção do PR, a sua decisão foi a esperada, a única com sentido, e a que resguarda a nossa democracia. Esta posição foi aliás, defendida nos últimos dias por todas as melhores cabeças da nossa esquerda.
A justeza desta posição é ainda maior porque, para além da Frente ser uma novidade pós-eleitoral com poucos dias, até agora ninguém viu nenhum programa, nenhum acordo, ou sequer uma simples folha de papel que fosse, sobre as suas intenções. Até agora o que ouvimos foram tudo, e apenas, bocas soltas.
Independentemente do repentino voluntarismo de Costa isto não é um simples jogo de sobrevivencia individual.
Como não existe de facto acordo nenhum, amanhã até Costa poderia ser empurrado a ter de concordar com propostas impossíveis de última hora , táctica aliás muito apreciada por estalinistas e trotskystas, propostas essas a que ele acabaria por não poder fugir, lançando o país no caos.
Pergunto então, porque está a esquerda tão nervosa? Será que ela sabe coisas que nós não sabemos? Será que temos novo Partido a aparecer em cena? Será que ela sabe que dentro de dez dias todas as suas hipóteses se terão esfumado?
Veremos

quarta-feira, 21 de outubro de 2015


PORTUGAL, UMA CUBA TRISTE?
O sonho do PCP é fazer de Portugal uma Alemanha igual à de Honecker, o sonho do BE é fazer de nós algo de parecido com a Venezuela de Chavez, na média teremos alguma coisa como Cuba. O que o PS pensa não contará, porque o PS apenas quer a ilusão do poder, e algumas benesses.
O actual ministro francês da economia, Macron, quando Hollande lançou a sua política económica inicial, disse que o sonho da França era ser uma Cuba sem o calor, nem as praias dela. Depois Hollande caíu em si e mudou tudo, teve a "lata" e a coragem de o fazer, e pôde fazê-lo porque França ainda é rica e poderosa, apesar disso, só o fez depois de ter paralisado a economia francesa, de ter originado uma enorme emigração fiscal e de deixar a Srª Le Pen ultrapassar o PSF.
Sem o poder económico e político de França, Portugal seria apenas uma Cuba triste, muito triste, sem as suas temperaturas, nem a sua sensualidade.
Nós, o país mais endividado do mundo, na nossa aventura cubana, iríamos assistir ao rápido fechar da maioria das nossas empresas, já hoje tecnicamente falidas, e com elas dos nossos bancos, agora "apenas" em estado comatoso. Os números do desemprego rapidamente ultrapassariam os da Grécia e de Espanha e a falência absoluta do Serviço Nacional de Saúde seria inescapavel. Quanto às pensões, salários da função pública e apoios sociais, esses até poderiam subir 100% ou mais, em lugar da simples reposição, de qualquer modo eles, pura e simplesmente, não seriam pagos.
Para sua glória máxima. o BE e o PCP, conseguiriam pôr-nos fora do Euro. Antes mesmo de o Costa/Kerensky perceber sequer o que se passava, chegaria um discreto convite de Frankfurt, disfarçado de qualquer outra coisa, a agradecer a nossa participação, e reconhecendo que dado o nosso estado deveríamos experimentar outras vias...