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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


TRUMP E O SALAFISMO

Até agora nada foi dito sobre o assunto, nem da parte dele nem dos numerosos analistas políticos, no entanto esta é uma das questões mais importantes da ordem internacional e não pode continuar a ser escamoteada.
Há varios anos que a Arábia Saudita e outros estados do golfo, têm vindo a financiar a expansão do salafismo pelo mundo fora, ou seja, do sunismo tradicional e radical.
Face à capacidade energetica e financeira daqueles estados, o Ocidente nada tem feito para contrariar este movimento, chegando até a minimizar a sua importancia. Neste quadro o salafismo expande-se rapidamente por todo o lado, quer nos países ocidentais, quer nos países sunitas que sem ajudas do ocidente têm cada vez mais dificuldade em parar essa expansão.
Neste momento está estabelecido um quadro que facilita uma alteração radical da política americana, por um lado a independencia energetica dos Estados Unidos, por outro a quebra do isolamento do Irão, caso a isto se junte uma estrategia comum com Moscovo, o salafismo pode ser parado.
Será que Trump com a sua proverbial loucura vai inverter esta situação? Caso tivesse a clarividencia e a coragem de o fazer certamente entraria rapidamente para a lista dos melhores presidentes dos Estados Unidos.
Tempos de grande incerteza mas também de grande esperança.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017



TRUMP E MAY APOIAM COSTA

Calma, eu sei que Trump nem sequer sabe quem Costa é, e que, se soubesse não o apoiaria. Mas na verdade Trump converteu-se num inesperado aliado de Costa e dos governos do sul da Europa.
Também May vai apoiar Costa, espera-se que no seu discurso de hoje venha dar mais uma ajuda. 
O nosso Costa, malabarista simpático, continua a ter sorte.
A Alemanha vai ter mesmo de flexibilizar as suas posições, se não quer que isto tudo se desfaça, e tem de começar a ser de facto o motor do crescimento europeu.
Assim, a geringonça, apesar das suas habilidades, com a distribuição de benesses à custa do investimento público e do aumento do contas a pagar, vai continuar o seu caminho.
Tudo corre às mil maravilhas para Costa, para Marcelo e por enquanto não vai mal de todo para o país, é preciso é não abusar da sorte e não julgar que os resultados são fruto de outra coisa, que não apenas da referida sorte.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017



FUNERAIS DE ESTADO

Vou tentar abordar aqui duas questões, a participação popular e os aspectos cenograficos.
A baixa participação popular no funeral de Soares só foi uma surpresa para quem não tivesse pensado no assunto. Nos tempos que correm as pessoas só se motivam para se deslocarem a assistir ao vivo a um acontecimento, no caso de tal proporcionar um espectaculo que o justifique, ou se estiver envolvida nesse acontecimento uma grande carga emocional.
Nada disso acontecia com Soares, ele era já velho e estava doente há bastante tempo, era uma morte natural e esperada, além disso estava afastado do poder há muitos anos, e, para mais, os jovens não viveram os seus tempos aureos, pelo que seria difícil a sua mobilização, e eles são sempre a população mais disponível para ser mobilizada.
Nesta situação era evidente que os velhos e a meia-idade iriam participar das cerimonias confortavelmente em casa, pela televisão e pelas redes sociais, foi o que aconteceu.
Últimamente tem sido dito muito disparate sobre os perigos das redes sociais, mas no que se refere à participação ao vivo em actos públicos, elas são de facto um factor de redução dessa participação, salvo quando a emoção vence a inercia.
Se foi assim com Soares, tudo leva a crer que com os outros ex-presidentes irá ser bem pior. E isso leva-me aos aspectos cenograficos.
As cerimónias foram altamente elogiadas por toda a gente, no entanto, permito-me levantar algumas reticencias.
Ou se faz um funeral digno mas simples ou se faz um funeral com intençao de ser impactante. Se é para ser impactante não faz sentido poupar uns tostões, não digo gastar fortunas, estou a falar de milhares de euros a mais ou a menos.
Um funeral de estado ou é uma coisa simples e digna, ou é um espetaculo, meia coisa é um disparate.
Ninguém vai faltar ao funeral da raínha Isabel porque, para além da ligação emocional a uma raínha em exercício, o espectaculo é garantido e raro.
Na linha de fazer "solenes" funerais de estado, julgo que existem aspectos que deveriam ser melhorados:
- não faz sentido um longo percurso pela cidade, ele deve ser concentrado e muito impactante
- o refeitorio dos Jeronimos não me parece uma boa solução (a sala em si e os acessos), pelo que ou se investe em decoração ou se escolhe outro local
-não compreendo que no passeio dos Jeronimos, entra a rua e a entrada do mosteiro, não houvesse uma guarda de honra
- o pessoal necessita de melhor treinamento, em especial no que respeita ao transporte do caixão
-etc.
- enfim, foi um bom esforço mas tudo tem de ser repensado e melhorado
Por último:
. a Servilusa deveria ter tido o bom gosto de tapar o seu logotipo no carro que levou o corpo até à Praça do Municipio, julgo que não era o momento para fazer publicidade
. tenho dúvidas sobre a decisão do "dinamico Medina" de pôr um cravo na bandeira, se a família e o protocolo o não fizeram, porquê ele?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017



O LADO NEGRO DOS GRANDES HOMENS E A HISTORIA

A historia está cheia de grandes homens, com enormes defeitos, defeitos que deveriam ser exclusivo apenas dos homem comuns, mas que o não são, muitas vezes esses defeitos são ainda mais e maiores entre os tais "grandes".
Quando me refiro a grandes homens, não me circunscrevo aos políticos, mas também a pintores, músicos e outros artistas, ou escritores e poetas, ou ainda cientistas e individuos de outros campos, homens e mulheres que se impuseram pelos seus feitos ou pela sua capacidade intelectual ou artística, e dos quais seria expectavel um comportamento moral e ético acima de qualquer suspeita, mas a realidade é que isso raramente se confirma.
Por exemplo, na política apenas me recordo de dois nomes que claramente escaparam a esta maldição dos homens grandes, Ghandi e Mandela, e mesmo estes apenas depois de se terem dedicado às suas grandes missões. E fora da política o "super-grande" Einstein é talvez o exemplo maior.
Porque as coisas são assim?
Talvez porque os "grandes" têm de ter, além de muitas outras qualidades, pelo menos uma de duas características pessoais, um grande sentido de missão, e/ou um grande ego, assim, sempre que o ego é igual ou maior que o espirito de missão, o risco de um grande homem "pecar" aumenta exponencialmente, porque a dimensão do ego o cega.
Nos referidos pecados temos de tudo, desde o assassinato à simples mesquinhês, passando pela arrogancia, falta de escrupulos, nepotismo, amiguismo, pouco respeito pela coisa pública, teimosia, obsessões, desprezo pelos outros, etc
Como verá a Historia os grandes homens dos tempos modernos? A historia do passado nunca avaliou os homens pelo seu comportamento moral. Na verdade, a historia até aqui sempre foi a historia dos vencedores e da sua versão dos acontecimentos. Será sempre assim?
Será que no futuro a historia exigirá mais dos homens para os considerar grandes, mais do que apenas o rol dos seus feitos?
A democracia e a elevação do nível cultural geral serão determinantes de uma maior exigencia na definição dos nossos futuros herois?
Será que pelo menos vamos ter "herois com reservas"?
Penso que apenas quando isso acontecer poderemos esperar que a qualidade humana dos nossos herois vá melhorando, mesmo sem que, repentinamente, se transformem em impossíveis santos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017



O PRESIDENTE E A SEGURANÇA

O mais popular dos nossos presidentes tem sido, apesar disso, alvo de varias polémicas.
Porque aparece demais, porque fala demasiado, por causa de selfies, beijos, abraços, sorrisos e conversas também em demasia, etc
Assim, as opiniões dividem~se entre as dos que pensam que Marcelo vai por esta via desgastar o capital que acumulou e as dos que, ao contrario, pensam que que com este comportamento o seu capital vai continuar a aumentar, se possível for, exponencialmente.
Não sei o que pensam disto tudo os assessores presidenciais, mas julgo que devem andar completamente perdidos e totalmente frustrados com a sua inutilidade, dado que sabem que o Presidente fará sempre tudo e apenas o que lhe apetecer, independentemente do que eles pensem. Assessores esses que, aliás, duvido que ele ouça.
Um Presidente que ganhou as eleições sózinho, parece assim ser um problema grave de indisciplina. Se ele fez a parte mais dificil sem praticamente apoios, porque haveria de necessitar de assessores agora? Parece ser este o raciocínio de Marcelo.
É discutível se a acção de um Presidente deve ou não ter limites para além dos que constam da Constituição, mas existe pelo menos uma área em que julgo têm de existir limites à autonomia do "individuo-presidente", trata-se da área da segurança.
Um PR, com afectos ou sem eles, é uma figura pública de enorme importancia, para o país e não só. No nosso contexto actual, a segurança de qualquer pessoa física que seja PR, é importante até mesmo em termos europeus.
Os riscos de segurança de um qualquer PR europeu têm sempre de ser reduzidos ao mínimo possível, quer esse PR goste, quer não.
Daqui resulta que um PR, não tem períodos de folga, pelo menos públicos, como não pode ter autonomia para decidir onde vai, como vai, ou com quem vai.
O Marcelo, tão referido, tão amado, tão comunicativo, já não pode existir, quem existe é um PR, que por acaso se chama Marcelo e é muito querido.
Qual o valor político-mediático e quais os possíveis impactos resultantes da eliminação física de um qualquer PR europeu?

Existirá melhor passaporte para o Paraíso, cheio das melhores das virgens, do que o assassinato de um Presidente infiel e de um país da Europa Ocidental? 
Melhor ainda se representante de um país há seculos ocupante de territorio sagrado do Islão?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016





A DIREITA E MARIO SOARES

Há muito que Soares é o saco de pancada preferido da direita portuguesa. Talvez por ter sido a figura maior de um período da história nacional, foi nele que a direita decidiu concentrar todas as suas desilusões com o regime, assim como as suas frustrações consigo propria.
Também eu nunca fui um apoiante de Soares, sobretudo nunca gostei da promiscuidade entre o mundo dos negócios e o da política, realidade que ele parecia encarar como uma prova de modernidade, por oposição ao rigor sombrio do velho "Botas". Embora aquela promiscuidade já venha dos tempos de Marcelo Caetano, foi de facto com Soares que ela começou a ser sentida pela opinião pública.
Apenas mais tarde tive consciência do que se passou com Cavaco e alguns dos seus amigos, e a verdade, é que ao pé deles Soares e companhia foram apenas uns "meninos do coro". Nos tempos de Cavaco, o seu ar sério e rígido, foram a cortina que nos impedia de ver a realidade, e que, de uma forma ou de outra, foi a protecção de muitas das actividades que, entre outras, vieram a engrossar a enorme crise que ainda vivemos. Isto já para não falar de outros e sobretudo de Socrates, e dos seus ainda mais estranhos amigos.
Mas não é tanto destes aspectos que a direita acusa Soares, para ela a coisa é mais grave, Soares é acusado de traição, mais específicamente de alta traição. É aqui que eu penso que a direita entra num processo que eu diria de "transferencia", ao pretender empurrar as suas responsabilidades para um terceiro. E Soares é o terceiro ideal para o efeito, apenas porque foi a grande figura política no pós 25 de Abril, e por isso, óbviamente, origem de todos os males nacionais mais recentes.
A verdade é que grande parte desta direita que acusa Soares de tudo, no Verão quente de 75 estava já em Copacabana, ou Londres, ou entre Lausanne e Berna, ou ainda conspirando inconsequentemente em Madrid, enquanto que por cá, a Igreja, o povo do norte, Soares, Jaime Neves e outros, lutavam para impedir a radicalização do regime.
Eu sou dos que pensa que o PCP nunca quis uma revolução sangrenta em Portugal, porque Moscovo a não queria (por demasiado cara para os seus interesses) e porque Cunhal era obediente e mandava mesmo, apesar disso, o perigo que se viveu em Portugal de descambarmos numa guerra civil e de assassinatos em massa, foram perigos reais, em especial por causa de Otelo, das FPs e de outros grupúsculos de assassinos que podiam ter sido o detonador de um processo imparável. Nesse período foi de facto necessária coragem para fazer frente ás ameaças, em especial por parte das figuras públicas, e Soares foi dos que a teve.
Mas ainda não é tanto pela "compreensão" para com o PC, que Soares é acusado, a grande traição foi a descolonização. Tudo correu mal por culpa de Soares, tudo poderia ter sido diferente, tudo poderia ter sido bem feito, tudo sem os enormes custos, pessoais, sociais, políticos e económicos que a descolonização indiscutivelmente teve. Este é o grande fenómeno catártico da direita portuguesa, ela fez tudo certo, só que Soares traíu o país e arrastou-o, a ele e às antigas "colónias", para a desgraça!
Para a nossa direita, Soares foi pior que De Gaulle, que entregou a Indochina e depois a Argélia, Soares entregou tudo.
A direita teve mais de 40 anos para encontrar uma solução para as "Províncias Ultramarinas" e nada fez, diz-se que Salazar tinha um plano que foi posteriormente escondido, diz-se...
Apesar de tudo isso, existe uma direita que acha, que, mesmo depois da "quartelada", e já sem tropas efectivamente no terreno, Mario Soares podia e devia ter feito em uns poucos meses, aquilo que ela, direita, não tinha feito em 40 anos, como Soares o não fez, logicamente, só pode ter sido um traidor.
Portugal precisa de ter uma direita, melhor, o país necessitaria mesmo de ter varias direitas, pelo menos uma direita conservadora e uma direita liberal, seria bom para Portugal, ajudar-nos-ia a pensar mais claro e a melhor preparar o nosso futuro. Mas para que o país possa ter as suas direitas são necessarias varias coisas, entre elas, que as direitas compreendam/assumam o nosso passado Salazarista, e também que assumam as suas responsabilidades pelo desastre da descolonização. Enquanto isso não acontecer, o país não terá uma direita e viverá entregue a esquerdas diversas.
A direita portuguesa necessita do divã de um psicanalista de alto nível, até lá será apenas um zombie, escondida atrás das suas desculpas, sem encarar os seus fantasmas.
Esta pseudo-direita que temos prepara-se para festejar efusivamente a morte de Mario Soares, continua sem perceber que ao fazê-lo festeja apenas o seu primarismo, a sua miopia e o seu crescente desnorte.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016



OS PALÁCIOS DA BANCA PÚBLICA

O palácio da CAIXA é de fazer inveja a Ceausescu, o futuro palácio do Banco de Portugal vamos ver, mas tudo leva crer que a festa vai continuar.
Como pode um país falido, permitir que um banco central sem moeda, e um pequeno banco (tambem falido), como é a Caixa em qualquer parte do mundo, se possam permitir a ter dezenas de milhares de metros quadrados para passeio dos seus administradores e serviços diversos de apoio?
Quando é que vai haver um governo com coragem para estancar este tipo de comportamento novo-rico à custa dos dinheiros públicos?
Será só a mania das grandezas que leva à construção destes palácios ou existirão outros interesses ainda mais escabrosos?

domingo, 27 de novembro de 2016



UMA LIÇÃO MAIS

Assassino, heroi, ditador, revolucionario, etc Tudo isso é verdade mas agora pouco interessa.
O importante é compreender como Fidel foi possível, ali, à beira dos Estados Unidos, num dos países mais avançados da America Latina.
É essa enorme capacidade americana de fazer erros na política internacional que é necessario reter desta lição, porque vão existir muitos mais.
Fidel foi um produto dos habituais erros americanos, primeiro por não ver que a sociedade cubana estava bloqueada e necessitava de mudança, depois por transformar Fidel num comunista que ele não era, e ainda pela inépcia das tentativas de o derrubar.
As grandes potencias tendem a fazer erros que à partida são inimaginaveis, por arrogancia, pela existencia de informações e pressões contraditorias, pelas jogadas dos parceiros locais, pelo peso da burocracia, pelas "facilidades" dos falcões, porque estes "pequenos casos" são tratados por um um qualquer sub-sub desk-office do Departamento de Estado e só sobem na hierarquia quando já são dificilmente geríveis.
Para aqueles que pensam que tenho uma obsessão com a capacidade de errar dos americanos, e de uma forma geral das grandes potencias, recomendo que escutem McNamara, o secretario de estado de Kennedy e Jhonson, responsável pela escalada no Vietname. No filme "The Fog of War" McNamara explica pessoalmente como essas coisas acontecem

terça-feira, 22 de novembro de 2016



TRUMP E PUTIN - II

No texto anterior defendi que Trump e Putin, face às suas caracteríticas pessoais e à sua visão do mundo, têm muito boas condições para virem a ter um bom relacionamento.
Argumentei também que a Europa ocidental nunca compreendeu nenhuma das Rússias historicas, o que além de estranho, pode ser muito perigoso para o nosso futuro.
Nos proximos textos vou procurar expor o contexto russo através dos tempos e a importancia da Rússia para a Europa, isso antes de entrar nas grandes questões da geopolítica e de voltar a Putin, a Trump e à defesa dos interesses europeus.
No Ocidente, desde sempre, tendemos a olhar a Rússia com "olhos ocidentais", quando a realidade russa sempre foi muito diferente da nossa, para compreender aquela realidade é necessario ter uma visão da sua historia, da sua demografia e dos seus desafios actuais como grande potencia.
Mesmo que eu fosse historiador, seria impossível dar em meia dúzia de linhas uma visão geral do que foi a história russa e da Europa oriental ao longo dos tempos, pelo que vou referir apenas alguns pontos para que se compreenda que quando falamos daquela zona do mundo estamos a falar de uma região com uma historia muito especial e muito diferente da da Europa ocidental, sobretudo da mais ocidental.
- a Rússia tem a sua origem em Kiev, no sec IX.
- nos séculos XIII e XIV a Rússia quase que desaparece com a ocupação Mongol
- no sec. XIV o maior país da Europa oriental é a Lituânia
- nos sec. XV e XVI a grande potencia da região, e maior país da Europa, é a Lituania/Polonia
- no sec XVII a Polónia invade a Rússia
- no sec XVIII grande parte da Europa oriental é invadida pela Suécia.
- no sec XIX a Polónia desaparece
- no sec XX a independencia da Polonia é restabelecida e a Ucrania torna-se independente (por cinco anos, 1917/22)
- para além de todos os conflitos regionais, durante este período a Rússia foi invadida, destruída e saqueada por dois países da Europa ocidental ( sob Napoleão e Hitler)
Este conjunto de pontos dá ideia da instabilidade da região, da facilidade com que as coisas por ali mudam e logicamente da enorme mistura étnica que se foi formando ao longo dos séculos. Como sempre, não há aqui nem bons nem maus, apenas conflitos em virtude de interesses proprios ou de terceiros, facilitados pela historia, pela geografia, e pelas diferenças etnicas e religiosas.
É neste quadro historico que o maior país do mundo tem de ser olhado, tão grande como fragil, sempre ameaçado, do Pacífico à Europa ocidental, sabendo sempre que desaparecerá no dia em que não for uma grande potencia, como já aconteceu no passado.
Ser uma grande potencia para a Rússia não é uma opção, é uma condição da propria existencia e é neste quadro que tem de se compreender Putin, que, obviamente, não quer ser o coveiro da "Santa Rússia".
É por aquelas razões que a Rússia tem sempre defendido a necessidade da existencia de uma zona neutra (não Nato) na sua fronteira ocidental, o que a levou aos avisos que desde 2007 vem lançando após o anuncio da futura adesão à NATO da Georgia e da Ucrania.
Embora possa parecer estranha, a aparente hiper-sensibilidade russa é facil de compreender quando se olha para os EUA, a super-grande potencia, protegida por dois Oceanos, com apenas dois "inofensivos" vizinhos terrestres. Qual seria a reacção americana à simples instalação de mísseis anti-balisticos no Mexico, ou até em qualquer outro ponto da America central, ou mesmo do Sul? Todos sabemos a resposta.
Todas as grandes potencias tendem a ser paranoicas em termos da propria segurança, facto que é facil de confirmar quase todos os dias, seja com a China, os EUA ou a Rússia.
Mas o que é importante, para nós europeus. é ter-se consciencia de que. o pior que nos poderia acontecer seria o desmembramento da Grande Potencia Russa, isso sim, seria o abrir de uma caixa de Pandora de consequências inimagináveis para toda a Europa.
Esta ameaça é tanto mais grave quanto a Rússia é a mais fragil das grandes potencias, por razões demograficas, económicas, geograficas e culturais.

(continua)

terça-feira, 15 de novembro de 2016



TRUMP E PUTIN

O relacionamento entre Putin e Obama nunca funcionou, na verdade julgo que se desprezavam mútuamente, Putin via Obama como um negro pacifista com pretensões intelectuais, Obama via Putin como um troglodita racista, e um mero operacional dos serviços secretos.
Já entre Trump e Putin tudo leva a crer que o relacionamento venha a ser bem mais facil, na pratica são dois operacionais pragmáticos e brancos, um vindo dos negocios e o outro das polícias.
Para além das semelhanças temperamentais e de formas de actuar, existe outra razão muito forte para que o relacionamento entre os dois venha a fluir.
Os dois têm uma mesma visão do mundo, resumidamente pode dizer-se que os dois temem a China, os dois odeiam os muçulmanos e ambos desprezam a Europa.
Dificilmente poderia existir melhor plataforma para potenciar um entendimento.
Os dois olham a Europa como um conjunto de pequenos países que, quando não se estão a matar uns aos outros, se dividem a todo o tempo sobre as mais diversas questões, comandados por chefes palavrosos, complicados e cobardes, uma Europa ainda por cima cheia de latinos e adormecida por um estado social com custos exorbitantes.
Claro que, apesar de tudo isto, Trump não vai entregar a Europa a Putin, mas, de qualquer modo, é seguro que a nossa vida vai ser bem mais complicada, e para que ela não seja mais dificil do que aquilo que tem de ser, talvez fosse tempo de a Europa tentar compreender a Rússia.
A realidade é que a Europa, nunca compreendeu o seu maior vizinho, fosse a Rússia dos Czares, a dos sovietes, ou a de Putin, pior ainda, nunca a compreendemos, sempre a tememos e fomos continuadamente acumulando erros de relacionamento.
Este desconhecimento europeu da Rússia, é tanto mais estranho quanto foi graças à consolidação do imperio Russo que as hordas de hunos e mongois deixaram de "inesperadamente" aparecer às portas de Roma ou de Viena, antes disso, qualquer capital europeia estava sempre em risco, de que uns Átilas, ou uns Gengis Khans quaisquer, aparecessem para jantar, e alguma coisa mais...
(continua)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016



A UBERIZAÇÃO DOS MÉDICOS (E VAROUFAKIS)


Ao contrario do que por vezes somos levados a pensar, a uberização é quase tão velha como as sociedades humanas. Nos tempos modernos a sua primeira manifestação empresarial foram talvez as sociedades de "manpower".

Com a evolução tecnológica, em especial na área das comunicações/informatica, os processos de uberização vão acelerar e é totalmente ilusório pensar que eles podem ser travados.
Este fenómeno já atingiu também a classe médica entre nós, em especial no que respeita às consultas ao domicílio.
Existem já em Portugal empresas que montaram redes de médicos para fazer aquelas consultas a preço muito baixo (10 euros), serviço esse que depois é vendido pelos mais variados tipos de seguro de saúde aos respectivos beneficiários.

Quanto dos 10 euros fica para o médico? Se se aplicasse a taxa de 25% da Uber seriam 7,5 euros, neste caso concreto não sei qual o resultado final. De qualquer forma podemos estar a falar de uma taxa horaria da ordem dos 15 euros, para um médico andar de porta em porta, ao frio e ao calor, a dar consultas. Devemos já estar com remunerações perto das de Cuba

Este é certamente apenas um dos muitos novos casos de uberização, mas ao que parece apenas o processo dos taxistas teve capacidade para demonstrações de força.

Estamos assim perante uma uberização imparavel, a que se seguirá uma robotização ainda mais dizimadora do trabalho tal como o conhecemos hoje.

E Varoufakis no meio disto tudo??
Num recente artigo dedicado a estas realidades, huberização e robotização, reconhecendo a impossibilidade real de travar estes processos, Varoufakis vem defender que as nossas sociedades têm de encontrar novas soluções para integrar estas multidões de novos desempregados, o que implicará sempre altos custos a serem financiados.

Varoufakis vem propor a criação de uma "participação societária" (obrigatoria e gratuita) dos Estados em todas as empresas que venham a ser criadas, fundo esse que, assim criado, financiaria as novas necessidades sociais.

Claro que a solução proposta por Varoufakis enferma de muitas limitações, de qualquer modo tem a virtude de tentar "pôr a bola rolar", para dinamizar a procura de soluções para o equilíbrio dessas sociedades do nosso futuro mais ou menos proximo. Já agora soluções que não passem pelo extermínio sistemático dos "sobrantes".

quinta-feira, 10 de novembro de 2016



O PRESIDENTE TRUMP (reedição da publicação de junho de 2016)

Quer gostemos ou não, só muito dificilmente Hillary poderá bater Trump.
Primeiro porque os americanos gostam de mudar de presidente, em especial depois de dois mandatos, e mudar quer dizer mudar realmente, não é ir para soluções que cheiram a mais do mesmo, ainda por cima com pior qualidade.
Pode haver mudança mais radical do que de Obama para Trump? Quase impossível, e é essa uma das razões porque Trump vai ganhar.
Obama é um intelectual, Obama é cauteloso, Obama conhece todos os grandes dossiers do país, Obama é um grande comunicador e dono de um enorme auto-controle, Obama é também um diplomata consumado.
Trump é um empresário de sucesso do imobiliário e com grande pratica de show televisivo tipo USA, Trump não conhece nenhum dos dossiers nacionais e sobre todos eles tem varias opiniões, todas elas contraditorias entre si, Trump tem um caracter explosivo mas que ele sabe usar em seu beneficio e controlar quando necessario, Trump, em termos diplomaticos, é aparentemente um troglodita, mas o seu curriculum está cheio de importantes sucessos negociais.
A segunda razão porque Trump vai ganhar é porque os americanos se sentem desorientados. Onde está a realização do sonho americano? Onde estão as casas, os carros, os empregos, o futuro sempre risonho? Estes emigrantes todos vão ou não destruir a America? Vamos continuar a mandar os nossos rapazes e o nosso dinheiro para defender países que nem sabemos onde ficam e que não gostam de nós? Vamos deixar que a China e outros países destruam as nossas empresas e os nossos empregos? Vamos continuar a gastar fortunas para defender a Europa, para ela poder gastar o seu dinheiro num estado social que nós não temos? Não será que as coisas vão mal nos USA porque toda a gente se aproveita da nossa boa vontade? E por aí vai...
Pode haver alguém melhor que o cowboy Trump para responder a todas estas angustias? Desenganem-se os que pensam que existe.
Agora apenas o proprio partido Republicano poderia parar Trump, e não parece que o vá fazer.
Mas, para surpresa das surpresas, Trump poderá até vir a ser um bom presidente dos Estados Unidos.
O que é grave para nós, é que ele nunca será bom para a Europa.

domingo, 6 de novembro de 2016


PERGUNTAS IDIOTAS (?) - I

1ª - Na Caixa, nos últimos anos evaporaram-se qualquer coisa entre os 5 e os 10 biliões de euros.
O tribunal Constitucional terá largas dezenas de declarações patrimoniais dos gestores desses anos, no entanto não existem pistas para a referida "evaporação".
Alguém verificou os patrimónios das referidas declarações?
Não será tempo de encontrar sistemas de controle e fiscalização que funcionem, em lugar das aparentemente inúteis declarações?
Já agora, que sentido tem as declarações irem para o Consttucional? Não seria mais lógico o Tribunal de Contas ou a inspecção Geral de Finanças?
2ª - Será que queríamos que a França tivesse respeitado os limites de 3% do deficit?
É obvio que não.
Tal como é óbvio que o que nós deveríamos querer seria que a Alemanha também os não respeitasse, o que infelizmente não acontece.
Lá porque Hollande é o trapalhão habitual, e vem com o argumento da "grandeur de la France" e a Comissão foge de assumir polémicas, isso é desculpa para o parolismo nacional?
Existem países solventes e países insolventes, existem economias que arrastam outras e existem economias que apenas se arrastam a elas proprias.
Dá para perceber a diferença?
3ª - O Medina vai salvar a direita do desastre?
Se o diabo não aparecer antes das autarquicas apenas Medina pode ser a salvação. Será mesmo que os alfacinhas vão odiar os resultados pós-estaleiros?
4ª - E Trump?
Se Trump ganhar será que os tão amados "check and ballances" e a Constituição vão resistir à sua loucura?

quarta-feira, 19 de outubro de 2016





O ORÇAMENTO É MAU ?

Não sou especialista, nem estudei os nossos orçamentos dos últimos anos, mas na verdade não me lembro de nenhum orçamento que tenha ficado conhecido como bom.
Mesmo Cavaco Silva, professor de finanças públicas, terá feito talvez um dos piores orçamentos pós 25 de Abril, o orçamento feito para "comprar" a segunda maíoria nas eleições de 1991, um orçamento que teve custos altos e prolongados para o país.
O orçamento 2017 é apenas mais um orçamento "habilidoso", como a geringonça nos vem habituando, o que por si só não é mau, mas encerra perigos, porque os efeitos, directos e indirectos de muitas" taxas e taxinhas", com muitas regras e excepções, são por vezes difíceis de calcular e podem ter consequências perversas e inesperadas sobre a economia.
É até ironico que seja um governo de esquerda a apresentar um orçamento cheio de impostos indirectos, aqueles que a direita adora, mas que nunca teve coragem de apresentar e pelo qual seria apedrejada na praça pública, como autora incompetente de um orçamento tecnicamente mau, ineficiente e socialmente injusto.
Não sei se este orçamento é bom ou mau, mas o governo sabe.
Se é um orçamento que vai conseguir a redução do deficit à custa do investimento público, como o anterior fez, ele não será apenas mau, ele será péssimo, outra vez a mesma receita será imperdoável.
Se for um orçamento que consiga aumentar o investimento público e reduzir o deficit, ele será sem dúvida um bom orçamento.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016



O PECADO ORIGINAL DE COSTA

Continuo a pensar que o grande erro de Costa foi logo na noite eleitoral não ter deixado claro o convite ao BE e PCP para apoio a um governo do PS.
Assim, Costa teria marcado o timing, logo nessa noite tería saído em ombros da sede de campanha, e depois, rapidamente, sem o longo parto que foi a geringonça, ou estaria a governar com o programa do PS, ou poderia acusar a esquerda de ter viabilizado o governo da PAF, e reinaria absoluto na oposição.
Por razões diversas Antonio Costa não o fez, e por essa via pôs o país, o PS, e ele próprio num caminho extremamente dificil e perigoso.
Via dificil e perigosa porque as exigencias do BE e PCP desvirtuaram por completo o programa económico do PS, assim como introduziram uma enorme desconfiança nos investidores, tudo isto agravado pelo facto de que, para satisfazer simultaneamente as exigencias dos seus parceiros e as exigencias europeias quanto ao deficit, o governo teve também de travar a fundo o investimento público. Ficámos assim num país em que o investimento, que já era pequeno, se reduziu ainda substancialmente, tanto a nível privado com público, o que conduziu ao "desastre" do crescimento do PIB.
Esta "habilidade" de conseguir distribuir dinheiro para consumo, em especial aos funcionários públicos, sem afectar o deficit, só tem sido possível por via do aumento dos impostos indirectos e da reduçao do investimento público, o que pode ser uma via engenhosa ,mas que tem vida curta e custos enormes para a economia, a curto prazo, mas sobretudo a prazos mais longos.
Como é óbvio os parceiros do PS são insaciáveis, tanto mais que um "puxa pelo outro", e o governo vai ter que pagar facturas cada vez mais altas, e por essa via a estagnação da economia nacional será crescente, e o país será levado a um beco sem saída, que é o objectivo claro, embora não declarado, dos radicais do BE e PCP.
Costa tem mostrado uma habilidade política notável, uma calma invejável, e até também capacidade de lidar com alguns dossiers difíceis, mas tudo isso de nada servirá nem a ele, nem ao PS, nem sobretudo ao país, se continuar a ser condicionado pelas exigencias dos parceiros. Aquelas exigencias estão já a paralisar a economia e depois levarão o país aos caos, como aliás eles sempre quiseram.

terça-feira, 11 de outubro de 2016



SALGADO, ZEINAL E A PT

Numa entrevista recente Ricardo Salgado veio dizer que não foram os 800 milhões do financiamento ao GES por parte da PT, que destruíram a empresa.
Desta vez Salgado até tem razão, apesar de toda a sangria que a PT já tinha sofrido ao longo dos anos, não chegaria um golpe de "apenas" mais 800 milhões para acabar com ela.
Mesmo sendo aquela argumentação correcta, ela em nada altera o carácter criminoso do referido financiamento ao GES, e não o iliba, nem a ele, nem a Zeinal, nem aos outros que tornaram essa operação possível.
Mas mais importante ainda é que Salgado e Zeinal, para além de responsáveis por aquela operação, foram também responsáveis pela operação que, essa sim, destruíu a PT, e que foi a forma como foi negociada e concretizada a entrada no capital da OI.
A declaração de Salgado seria assim, quase como a de um assassino que argumenta que não foi a sua primeira facada que originou a morte da vítima, "esquecendo" entretanto de mencionar que a facada fatal também fora dada por ele mesmo.
Toda a gente sabia que a OI era uma empresa duplamente complicada, primeiro porque era uma má empresa (descapitalizada, tecnologicamente atrasada, com inúmeros vícios, etc), segundo, porque era controlada por accionistas "complicados". Neste quadro, qualquer negociação com vista uma entrada no capital da OI, ou fusão com ela, teria de ser feita com os maiores cuidados, isto supondo a existência de uma justificação segura para esse investimento.
As pressões políticas para a concretização do negócio da OI terão sido grandes, mas mesmo que assim tenha sido, tal não pode justificar a dimensão dos erros que se sucederam.
Que responsabilidade teve Salgado na operação? Apenas a de confiar em Zeinal? (porque embora Salgado formalmente nada tivesse a ver como assunto, dado que não era nem sequer administrador da PT, de facto tinha sido ele que "nomeara" Zeinal para a PT e o recebia a "despacho" no BES). Foi Salgado traído por Zeinal? Ou será que Salgado teve envolvimento pessoal directo na operação e nos seus detalhes?
Quanto a Zeinal as responsabilidades são claras e ineludíveis, nem o argumento de ter sido enganado poderia colher, porque embora Zeinal não seja o "génio da finança" que gostava que constasse por aí, era um gestor tecnicamente competente e com grande experiência neste tipo de operações. Porque se "enganou" Zeinal? Pressões políticas e "outras" de caracter urgente? Excesso de confiança? Acabou enganado pelos accionistas brasileiros? Ou será que Zeinal não se enganou, e tudo decorreu conforme ele previra e programara? Ou...?
Passado todo este tempo continuamos sem respostas,e à boa maneira portuguesa parece que já todos esquecemos.
Esquecemos a PT, como esquecemos o BCP, a CIMPOR, o BPN, a CGD, o BES, o BANIF e outros.
Devem ter sido qualquer coisa como 50 biliões (cinquenta mil milhões) perdidos, portanto nada com significado para um país rico como o nosso..
E o pior é que tudo vai acontecer de novo, porque, pura e simplesmente, mais uma vez nada mudou, nem a CMVM, nem a responsabilização dos gestores.




Foto de Eduardo Correia de Matos.