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quinta-feira, 17 de outubro de 2019


RUI RIO TEM A OBRIGAÇÃO DE FICAR

Eiste uma serie de razões que não permitem a Rio "fugir" neste momento, entre elas:

- pelo menos os proximos dois anos, até às Presidenciais, deverão ser muito complicados

- o Parlamento terá um papel crucial e só Rio pode liderar bem a bancada que escolheu

- o novo governo tem debilidades importantes

- Rio é o unico chefe da direita com credibilidade à esquerda

- s sua saída dividiria ainda mais o PSD

- com ou sem reformas estruturais, Rio tem de estar lá

Embora possa ser um sacrificio pessoal muito grande, Rio não pode recuar agora, até porque se o fizesse, nunca se perdoaria a ele mesmo




terça-feira, 15 de outubro de 2019



CANDIDATOS PRESIDENCIAIS 2021
OU
PORQUE PS E PSD TÊM DE TER JUÍZO

Já existem dois candidatos óbvios para 2021, André Ventura e Sampaio da Nóvoa (Louçã teria menos apoios). Embora Ventura possa parecer estranho para alguns, é evidente que ele não vai perder essa hipótese de se promover e de destabilizar o "regime".
Ao Centro haverá certamente um candidato, caso esse candidato seja Marcelo isso facilitará a luta contra o radicalismo, se assim não for, as coisas poderão tornar-se mais difíceis.
Claro que existirão mais alguns candidatos, que podem acabar por vir a tornar toda a situação ainda mais complexa e imprevisível.

O nível do êxito dos extremistas vai depender essencialmente da qualidade da governação até 2021, que se fará num contexto económico muito menos favorável do que o vivido até aqui, o que vai exigir muito mais do governo que venhamos a ter.
Nesse contexto, quer os erros, quer mesmo as omissões, serão fortemente penalizados, um governo que não consiga transmitir de forma credível a ideia de que fez o melhor possível face às circunstancias, não só colapsará como arrastará consigo todo o Centro político.
Se assim acontecer, será tempo de todos os radicais

Perante esta realidade apenas com um governo "à prova de bala" em termos de comportamento moral, técnico e humano, assim como com uma política de comunicação que aposte tudo na verdade e não na habitual pirotecnia e habilidades diversas, apenas nessas condições, será possível ao País escapar á radicalização total.

Os portugueses já demonstraram varias vezes uma enorme capacidade de aguentar a adversidade, o que eles não vão aguentar mais, será a a arrogância, a mentira, a incompetência e a corrupção.
É tempo de competência, honestidade, verdade e humildade, da parte dos políticos.
Se assim não for, vamos correr o risco de que os portugueses prefiram o caos..

segunda-feira, 14 de outubro de 2019



RIO VERSUS RELVAS
Não terá sido por acaso que logo a seguir às eleições o primeiro ataque à liderança de Rui Rio foi lançado por Miguel Relvas.
Quer os amigos mais proximos de Relvas, quer alguns menos proximos, avançaram apenas a seguir às suas declarações.
O que move Relvas são sempre interesses pouco claros, para defesa dos quais ele precisa do seu grupo de amigos, de preferencia dos mais chegados.
Penso que uma mudança na liderança do PSD nos tempos mais proximos, seria sempre muito negativa para o partido, em termos de perda de oportunidades e de agravamento das divisões internas.
Mas sobretudo, penso que o regresso de Relvas, mesmo que disfarçado, seria um desastre para o partido e para o país.
Se Relvas e os seus amigos tivessem ido agora a eleições, ter-lhes-ia acontecido o mesmo que a Assunção Cristas, teriam reduzido o partido a metade, rumo à insignificancia.
Rio pode ter defeitos, mas entre ele e Relvas não podem existir duvidas.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019


MORREU A GERINGONÇA - RIP
Embora toda a esquerda diga que quer repetir a Geringonça, na verdade nenhum deles a quer.
O BE e o PCP já viram quanto pagaram por ela, e sabem também, que numa nova edição teriam de pagar ainda muito mais, deixando todo o espaço aberto ao Livre.
O PS tambem sabe que vai mesmo ter de fazer reformas que seriam impossiveis com os antigos parceiros.
Que forma irá revestir o novo Bloco Central?

quinta-feira, 3 de outubro de 2019


AGORA É TEMPO DE A EUROPA TER JUÍZO

Como eu dizia em Agosto, Boris quer um acordo.
A Europa que não faça disparate. o RU voltará à Europa, quando compreender que os seus males pouco ou nada tinham a ver connosco. 
Keep Calm

sexta-feira, 27 de setembro de 2019


.TANCOS - QUEM SABIA? TODOS! E DAÍ ?

(ou A ESTÓRIA DO AZARADO AZEREDO)


Sei tanto deste assunto como a generalidade dos portugueses, no entanto para mim é claro que todos sabiam, ou antes, todos souberam em diferentes momentos, não que soubessem dos pormenores da "operação", mas apenas de que o ministro tinha conhecimento de uma operação que resolveria todo o imbroglio de Tancos da "melhor forma possivel".
Apesar de eu pensar que todos "sabiam" não vejo mal algum nisso, penso mesmo que é bom que tenha sido assim.
Toda esta caricata estoria se resume no facto de que o então ministro da Defesa, depois do escandalo do roubo aos paióis de Tancos, veio a saber que estava em curso uma operação com a PJ Militar para "limpar a imagem" do Exercito e do País.
Nesse momento Azeredo Lopes ou abortava a operação e dava ordem de prisão de todos os envolvidos, o que originaria novo escandalo em cima do anterior, ou deixava correr, hipotese esta que, se tudo corresse bem, seria a melhor solução para ele, para o Exercito e para o País.
Foi assim que Azeredo se deixou encantar pela solução tipo "3 em 1".
Mas claro que teria sido uma impensavel falta de lealdade tomar a decisão de "deixar correr" sem de tal informar o 1º Ministro. Perante tal trapalhada claro que Costa lhe terá dito qualquer coisa do tipo:
"Ó Azeredo não me lixe! Isto tudo já era uma trapalhada e agora você vem-me com uma nova trapalhada em cima da outra! Tudo isso me parece muito complicado, eu não acredito em soluções miraculosas, se fosse a si eu prendia os homens e abortava essa m...! Mas você é que é o ministro! Vc é que sabe! Se acha que essa é a melhor solução é consigo, mas veja bem o que é que faz, tudo será da sua inteira responsabilidade.. Outra coisa, eu não quero chatices com o Presidente, em especial com assuntos das Forças Armadas, por isso você que conhece bem o homem vai ter de falar com ele. eu digo-lhe que você vai lá"
E assim, o azarado Azeredo lá saíu de S.Bento, tão assustado com a responsabilidade, como orgulhoso por solitariamente assumir uma tão importante decisão, "a bem da Nação", dir-se-ia noutros tempos. Terá mesmo chegado a comparar a sua situação à solidão de Churchill aquando das suas decisões mais dificeis
Com o Presidente, tudo terá decorrido de forma semelhante, apenas com mais divagações e considerandos, e menos palavrões, da parte presidencial. Tanta trapalhada em cima de trapalhada, terá deixado o fervilhante cerebro presidencial em lucubrações infinitas.
Enfim, tudo isto se resume a uma estoria de boas intenções, e pouco rigor da parte do ministro, para tentar tapar um buraco da forma mais discreta possível, o problema foi que, por razões diversas, tudo correu muito mal.
Não são apenas as crianças que no desejo de esconder um erro vão acumulando muitos mais e cada vez maiores, a propria Historia da humanidade está cheia de grandes erros que foram cometidos apenas para esconder pequenos problemas que se foram agravando.
Resumindo, apesar de se tratar de uma grande trapalhada, sob o ponto de vista moral não vejo qualquer crime, tudo foi feito com a intenção de encontrar a solução que se julgava menos negativa para a imagem do País e do Exercito, também não se pode dizer que alguma coisa tenha sido feita na defesa de interesses meramente pessoais. É ainda claro que desta segunda trapalhada" não decorreram mais danos para o País do que aqueles que teriam ocorrido, caso ela não tivesse acontecido.
Tambem no ponto de vista politico, tudo funcionou como deveria funcionar, o ministro pôs a sua cabeça na defesa de uma solução que se funcionasse seria a melhor para o País, e que só ele poderia saber se resultaria ou não, até porque só ele conhecia os detalhes da operação.
Goste-se ou não, é assim que funcionam os governos e os Presidentes, ou melhor, é mesmo só assim que eles podem funcionar.
Não reconhecer essa realidade ou é cinismo, ignorancia, ou incompetencia politica.
Claro que, como toda a boa trapalhada, no ponto de vista Judicial tudo será bem mais complicado, mas isso é outro assunto.
Quanto a tentar chamar este assunto para a campanha eleitoral julgo que tal poderia ser muito perigoso, para as partes e partidos envolvidos, e até mesmo para a nossa democracia..

terça-feira, 24 de setembro de 2019



COM MAIORIA PS PORTUGAL SERÁ MACAU SEM AS PATACAS

Lembram-se das grandes negociatas do Macau dos anos 80/90? Pois é, é isso que teremos de volta com uma maioria absoluta do PS.
Não porque Antonio Costa seja corrupto, mas porque ele não conseguirá resistir á voracidade do PS das negociatas.
Estejam descansados que o pessoal do PSD e outros, dessas mesmas negociatas, tambem terão participação, até para dar a necessaria "cobertura" às operações e para pagar favores passados, "porque nunca se sabe como será o futuro".
Macau foi uma festa, festa de que muitos socialistas (e não só) têm saudades e por isso querem agora repetir, uns porque já estão menos ricos, outros porque apesar de estarem mais ricos se sentem já pobres ao pé dos bilionarios dos tempos actuais e há ainda os que apenas "perderam aquela onda" e por isso sonham com a proxima..
O mais grave é que desta vez a nova orgia teria de ser paga por todos nós, porque já não existem as patacas de então, geradas na enorme riqueza desse sempre misterioso Extremo-Oriente, que tornaram possíveis todas as operações, legais e ilegais, com dinheiro mais ou menos lavado, que permitiram as fortunas de então.
Eu até votaria na Catarina Martins se julgasse que isso acabaria com a corrupção em Portugal, mas depois do caso Robles é dificil acreditar nessa possibilidade. É verdade que o BE em seguida veio corrigir a mão, mas a primeira reacção foi de defesa encarniçada do sr Robles, por parte do conego Louçã, de Catarina e do resto da trupe, e isso apenas porque viram o erro politico em que estavam envolvidos, não por qualquer razão moral. Pelo que desse lado teríamos tambem apenas mais do mesmo.
É facil ser campeão anti-corrupção quando se está fora do poder, mas isso conta pouco, veja-se o caso do PT no Brasil. Só o exercicio do poder é o verdadeiro teste à honestidade dos homens e dos partidos.
Se olharmos para historia de todos os revolucionarios que chegaram ao poder, temos apenas um exemplo de enorme honestidade, Mujica, o presidente do Uruguai que toda a vida viveu na sua "Barraca Presidencial". Tudo o resto é mentira.
É por tudo isso que eu continuo a pensar que o país precisa de um Governo do Centrão, em que PS e PSD sejam obrigados a fazer as grandes reformas que nunca foram feitas e sem as quais não existe maneira de resolver os nossos problemas, inclusive o da corrupção. (Vá lá! Dois anos chegam!)
Sem essas reformas a radicalização, à esquerda e à direita, ou mesmo o caos, serão o nosso destino a prazo mais ou menos breve.
Só quem não tem olfacto não sente o cheiro da radicalização crescente no país.
Se o pior vier a acontecer, PS e PSD serão os grandes responsaveis por isso. Agora, eles não só têm a oportunidade, como têm a obrigação de afastar os perigos que de forma crescente se levantam ao nosso futuro..
Mais pomposamente, poderia dizer "a historia não lhes perdoará". Nem a nós

segunda-feira, 16 de setembro de 2019


THE BRITISH WAY

Entre a solenidade de trajes e rituais, de há seculos atrás, e a aparente loucura dos politicos actuais. o Reino Unido lá vai andando num processo dificil de entender pelo lado de cá do Continente.
O olhar dos continentais para o outro lado da Mancha, é sempre de espanto, que se divide entre os para quem o espanto envolve algum tipo de fascinio e os outros, para os quais os espanto suscita sobretudo alguma falta de paciencia e até algum tipo de desprezo.
Tudo é diferente em terras de Sua Magestade, tudo é possível na grande produção, em cena há varios seculos, aberta ao publico 24 horas por dia, 365 dias por ano, sem feriados, nem outras interrupções.. A culpa de toda esta paixão pelo teatral deve vir de Shakespear..
Eu pertenço ao grupo dos continentais fascinados pelo British, melhor, duplamente fascinado. Fascinado pelo lado "posh", dos palacios e relvados sem fim (garantidamente inuteis, sem bandeirinhas de golf, apenas com alguns veados que desfilam aleatoriamente), dos automoveis (que hoje já só parecem ingleses e são alemães e indianos); dos Clubes tradicionais, do "tweed", etc
Mas o meu fascinio maior é sobre como esta sociedade tão contraditoria tem conseguido sobreviver, continuando sempre a ser capaz de conciliar o que há de mais tradicional com o que acontece de mais moderno, digerindo todas as rupturas, e acabando assim por ser a mãe de toda a cultura Pop europeia.
Tenho algumas "teorias" sobre tudo isto que vou tentar alinhar em textos, sobretudo para arrumar as minhas ideias, assim, quando tiver tempo, vou tentar desenvolver os pontos seguintes:
-O RU, o fim do Imperio e a Europa
-A sociedade britanica, as suas contradições, os novos desafios
-O teatral e a Royal Soap
-Os erros de Bruxelas
-Da necessidade do Brexit
-E os Pubs?

quinta-feira, 12 de setembro de 2019



SALAZAR ANTIFASCISTA

Tanto à direita como à esquerda, parte do pensamento nacional fica totalmente toldado quando se trata de Salazar, é estranho e perigoso que isso continue a acontecer passados quase 50 anos da sua morte.
Estranho porque seria mais do que tempo de se verem analises objectivas sobre o que tornou Salazar possivel, sobre o que ele efectivamente foi e tambem sobre o que poderia ter sido diferente no país daqueles tempos.
Esta incapacidade é especialmente perigosa para a parte da direita que não se consegue libertar de um Salazar mais ou menos imaginario , mas tambem o é para a esquerda, que agarrada aos seus chavões não consegue a independencia de analise necessaria para compreender o país real e a sua historia.
Dizer que Salazar foi fascista não é cientificamente correcto e a esquerda sabe-o, mas continua a fazer de conta que não. Houve tempos em que essa acusação tinha justificação como instrumento politico na sua luta contra o regime, mas aquele argumento deixou de existir há muito, hoje aquela acusação é apenas um tique sem sentido e perigoso.
Seria bom para o país e para a esquerda, que ela tivesse a clareza de lhe chamar apenas aquilo que ele foi, Salazar o Ditador. É objectivamente verdadeiro, indiscutivel e base para se começar a pensar.
Goste-se ou não, Salazar foi de facto o homem que inviabilizou o fascismo em Portugal, sem ele o movimento fascista teria tido grande possibilidade de ter sido implantado no país e se assim tivesse acontecido, não só teríamos tido a experiencia de viver num regime totalitaro (e não apenas numa ditadura), como ainda teriamos sido arrastados para a 2ª Guerra Mundial como aliados activos das potencias do Eixo, isto para não falar do provavel arrastamento de Espanha, com todas as enormes possiveis consequencias que tal teria gerado para Portugal e para toda a Europa.
Sim, foi Salazar, com todos os seus defeitos e qualidades, que nos afastou do fascismo e da guerra.
Foi o seu profundo conservadorismo, a sua descrença em todo e qualquer grande sonho revolucionario, viesse de onde viesse, foi a sua aversão "ao moderno", ao não experimentado, que o levou a concentrar toda a sua enorme habilidade politica, numa estrategia em que, apoiado na Igreja e no Exercito foi paulatinamente afastando ou limitando todos os proto-fascistas que poderiam ameaçar o seu regime.
O caminho que Salazar escolheu nem sequer era o mais facil, embarcar na radicalização à direita, que campeava pela Europa daqueles tempos, teria sido bem mais comodo para ele, mas isso era impossivel para o "provinciano", profundamente catolico, que contava os tostões e sonhava com uma sociedade rural de um mundo que já então estava em extinção..
Poder-se-á dizer que sendo esta tese verdadeira, teríamos tido a vantagem de a ditadura ter terminado em 1945, ou seja, trinta anos mais cedo. Nesse caso pôr-se-ia a questão de saber que preço teríamos pago, nós e a Europa, por esses 15 anos de fascismo e guerra.
Sem Salazar, depois dos 20 anos de "desordem republicana", naquela época dificilmente o país teria resistido ao fascínio fascista, no entanto, na sua obsessão anti-Salazar a esquerda continua a fazer tudo para vir a conseguir o que nem Hitler, nem Mussolini, nem os fascistas nacionais conseguiram, ou seja, transformar Salazar e um hipotetico e inofensivo museu, num simbolo e num lugar de culto dos neo-fascistas nacionais.
O que no meio disto tudo é grave e perigoso é oferecer de bandeja Salazar aos neo-fascistas portugueses, tanto mais quanto, ainda há não muitos anos, ele foi escolhido como um dos maiores portugueses de sempre.
Se a esquerda tiver dois neuronios que sejam, será a primeira a dizer que Salazar, apesar de todos os seus defeitos, nunca foi fascista.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019


O PCP E A MORTE DE RUBEN DE CARVALHO

Vivêssemos nós em tempos Estalinistas e ninguém teria dúvidas de que Ruben de Carvalho teria sido eliminado pelos seus. Os objectivos sagrados da revolução não poderiam nunca ser comprometidos por desvios pequeno-burgueses, custasse o que custasse.
Claro que ninguém acredita que neste século XXI o PCP tivesse esse tipo de comportamento, no entanto existem alguns factos que parecem indicar que a partida de RC terá sido um alívio para uma ala mais ortodoxa do partido.
Para aquela ala não devia ser muito cómodo que o membro mais antigo e prestigiado do seu Comité Central, tivesse um humor demasiado burguês, chegando até ao ponto de ser capaz de rir sobre temas para eles sagrados.
Para além de tudo isso, RC era apaixonado por musica e cinema americanos, facto esse que se orgulhava de transmitir, e para mais cultivava relacionamentos de amizade com pessoas de todo o espectro político, tendo mesmo chegado ao ponto de partilhar um programa de radio com Jaime Nogueira Pinto.
Tudo isso leva a crer que ele seria visto por aquela ala, como um perigoso exemplo de flexibilidade comportamental, com risco de vir a perturbar o correcto entendimento do que é a dedicação à causa revolucionaria, por parte das gerações mais novas.
O PCP justifica o facto de não ter havido homenagem especial a RC na festa do Avante, porque na óptica do partido deve ser o trabalho de equipe que deve ser ressaltado e não as personalidades individuais que nele participaram.
Pode ser que assim seja, mas do exterior parece-nos apenas que na verdade o PCP mudou muito menos do que se chegou a supor.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019



O BREXIT E AS CULPAS DOS NÃO-POPULISTAS


É tempo de deixarmos de culpar os populistas por todos os problemas das nossas sociedades, eles apenas exploram os desequilíbrios sociais originados por erros políticos que outros foram acumulando ao longo do tempo.
O Brexit é em si mesmo mais um fenómeno "populista", e fenómenos desse tipo continuarão a acontecer um pouco por todo o lado, não tanto por causa dos populistas mas sim pela incompetência dos não-populistas.
Na verdade quem gera o populismo são os políticos, em teoria bem comportados, à esquerda a e à direita, que como que cegos não conseguem compreender os fenómenos sociais que se passam à sua volta e que vão criando rupturas explosivas no equilíbrio social
Face àquele autismo dos políticos "sérios", a vida dos populistas fica fácil, basta identificar os pontos mais sensíveis do eleitorado mais significativo, depois encontrar o culpado mais conveniente para as frustrações e medos dessas populações e de seguida desencadear as campanhas necessárias utilizando todo o potencial das redes sociais.
Foi assim com o Brexit, quando os governantes não compreenderam o grau de fragilização do eleitorado das classes baixas do RU, classes essas que foram as classes que em toda a Europa viram piorar mais, e de forma continuada, a sua qualidade de vida ao longo das ultimas décadas.
Os britânicos estão de há muito habituados a grandes desigualdades sociais e a sociedade foi conseguindo conviver bem com isso, o que foi, e é, mais difícil, é suportar a tal enorme e prolongada perda da qualidade de vida sem que existisse uma justificação clara para tal, como seria no caso de uma guerra ou catástrofe.
É preciso relembrar que a seguir a 1945 o Labour fez uma enorme "revolução" social no Reino Unido, criando o melhor sistema público de saúde do mundo, dando um enorme impulso na habitação social, no emprego e nos salários assim como em toda a proteção social. O Labour e os sindicatos terão ido demasiado longe nesse processo, o que levou à paralisia da economia inglesa e depois a Tatcher.
Desde então a pioria progressiva da qualidade de vida das classes baixas tem-se mantido uma constante, o que foi ainda agravado pelo aumento da insegurança, da criminalidade, das drogas e da imigração, esta com a agravante dos choques culturais que foi arrastando.
É evidente que estas classes baixas (classe baixa, mais a media-baixa) eram e são o "ventre mole" desta sociedade e assim o alvo óbvio para qualquer estrategia que queira atacar a estrutura existente, assim como também era claro que neste contexto o culpado ideal para toda a desgraça sofrida era fácil de designar, a União Europeia foi obviamente escolhida , embora ela pouco ou nada tenha a ver com o assunto.
Se no RU tudo foi claro e simples como água, nos USA tudo foi semelhante, o "sonho americano" tinha sido por muito tempo o sustentáculo do equilíbrio social americano, era ele que dava força às classes baixas para ir lutando numa sociedade fortemente desigual e com baixíssima proteção social, porque então se acreditava que tudo era possível para todos, que haveria sempre a possibilidade de "dar a volta por cima"..
Quando, algures pelo caminho, o sonho americano se foi perdendo, em grande parte como consequência da globalização e da crescente imigração, restou o vazio e uma enorme frustração social..Estava assim aberto o espaço ideal para desenvolver qualquer forma de populismo, os responsáveis eram fáceis de identificar, eles eram os democratas liberais e os imigrantes. E assim foi a vez de Trump, para espanto dos desatentos.
É sempre assim, o "populismo" é e será sempre a resposta mais fácil aos erros dos políticos "sérios", que á esquerda e à direita continuam a fomentar o proprio populismo.
São a corrupção e o compadrio, mas talvez até sobretudo a arrogância e o autismo, que parece empurrar os políticos "sérios" para o desastre, oferecendo de mão beijada o poder aos populistas.
Por vezes isso acontece de forma rápida em virtude dos erros de um líder, outras vezes por via mais lenta por erros sucessivos acumulados ao longo do tempo, por um partido ou uma área política.
Foi assim com os governos trabalhistas e conservadores dos últimos anos, foi assim com a esquerda liberal americana, foi assim com o PT/Lula, até foi assim com Merkel (desastre ainda apenas parcial), e muitos outros. Outros estão a caminho.
À esquerda vê-se o abandono das causas sociais em favor da defesa das causas fracturantes e da prioridade dada a todo o tipo de minorias, mesmo que em prejuízo dos nacionais mais desfavorecidos.
À direita o egoísmo e a falta de visão política não permitem ver muito para além do próprio umbigo.
Por tudo isso os populistas agradecem.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019


BREXIT - PORQUE VAI HAVER ACORDO ATÉ 31 DE OUTUBRO

Essencialmente, porque Boris Jonhson embora pareça louco não o é.
Boris sabe dos riscos colossais de uma saída sem acordo, sob o ponto de vista economico e, pior ainda, politico, riscos com a Irlanda do Norte, com a Escocia e com Gales.
Só um louco irresponsavel correria aqueles riscos, principalmente por pôr  em causa a sua tão ambicionada brilhante carreira política e, secundariamente, tambem por isso poder ser o fim do proprio Reino Unido.

Com a sua enorme habilidade será facil a Boris vender ao seu eleitorado qualquer acordo, mesmo um que fosse pior que o negociado por Teresa May, mas não vai precisar de ir tão longe, certamente que conseguirá introduzir pequenas melhorias simbolicas que ele venderá como grandes vitorias.
Boris só não pode é perder a data do 31 de Outubro, isso seria uma derrota que mancharia para sempre as sua ambições de grande lider mundial.

Entretanto, Boris continuará com o seu bluff, a tentar melhorar ainda mais a sua imagem interna e a ver que trocos adicionais conseguirá de Bruxelas.

A menos que a logica seja uma batata, quanto ao Brexit podemos estar descansados

quinta-feira, 18 de julho de 2019


A DRª BONIFACIO E O TIRO NO PÉ

Sei que o assunto já está gasto, apenas me atrevo a voltar a ele porque, quanto a mim, o aspecto mais grave de toda esta questão nunca foi mencionado, nem à esquerda, nem à direita.
Julgo que o mais grave é que a Drª Bonifacio tenha, em dois pequenos parágrafos, deitado no lixo 600 anos da historiografia da direita portuguesa.
Então nós não fomos "civilizar" e cristianizar? Não fomos assimilar, ajudar, modernizar e inserir na comunidade mundial povos um pouco por todo o mundo?
Não tivemos sempre um projecto de integração pluri-racial e pluri-continental?
Nunca foi esse o nosso projecto?
Afinal era tudo mentira?
Afinal fomos apenas saquear, escravizar e explorar?
Agora a a Drª Bonifacio veio apoiar o discurso que grande parte da esquerda faz há muito?
Não compreendo se a Drª Bonifacio está totalmente perturbada ou se tudo é apenas devido a muito más e mentecaptas companhias.
Quanto a tiros no pé, a direita continua a acumulá-los, intelectuais, morais e eleitorais.

sexta-feira, 5 de julho de 2019


A DIREITA E OS TIROS NO PÉ

A direita adora usar a esquerda como o bode expiatorio dos seus erros e incompetencia. Enquanto a nossa direita não tiver a coragem e a clareza de espirito para admitir e analisar os seus proprios erros, não irá a lado nenhum e continuará apenas a responsabilizar a "perversidade" da esquerda por todos os seus falhanços.
Não vou aqui tentar elencar todos os erros da nossa historia, nem o saberia fazer. No entanto não posso resistir a uma rapida revisão daqueles que considero os nossos maiores erros. Existiu um "erro Maior", que pode ser imputado às nossas direitas da época e que nos afectou para semprei. Foi, no Sec XVI , o erro do apoio à Inquisição e à expulsão dos judeus, judeus estes que depois foram elemento preponderante no construir da Holanda moderna e até de Nova Iorque. Aqueles erros tiveram também culpas na aventura de Alcácer-Quibir e em tudo o que se seguiu, influenciando directamente a vida nacional por mais de dois séculos.
Para lá daquele erro Maior, todo o nosso seculo XIX é uma vergonha para as nossas direitas. Como foi possível que depois de o país ter sido destruído pelo grande Terramoto, depois de invadido pelas tropas de Napoleão, depois da independencia do Brasil e com ela da perda de metade das nossas elites, como foi possível que, depois de tudo isso, durante todo o sec XIX e inicio dos sec XX, as nossas direitas se tenham degladiado todo o tempo em guerras de arlequim e mangerona, acabando por levar à queda da monarquia e à entrega do poder a uma esquerda mais ou menos jacobina?
Aquela foi a grande prova da capacidade da nossa direita de se afundar de erro em erro, até ao suicido, capacidade essa que parece continuar bem viva.
Depois daqueles dois grandes erros, passemos a erros mais recentes que afectaram o país, embora de forma menos gravosa que os dois anteriores, e que acabaram por prejudicar de maneira mais significativa a própria direita, reduzindo o seu espaço para encontrar novas soluções políticas para o país.
Neste contexto destaco três momentos especiais do antigo regime:
- no pós 2ª Guerra mundial, Salazar, com a sua enorma habilidade politica e com o apoio de grande parte da direita, consegue evitar uma transição controlada para a democracia, mantendo o seu poder total sobre o regime e o país
- no início dos anos 60, a direita dos negocios e os ultras "travaram" Adriano Moreira (1959/63), que deixa o governo sem conseguir avançar com a suas reforma do sistema colonial
- no inico dos anos 70 as direitas bloqueiam.se umas às outras, dos liberias aos ultras passando pelos marcelistas, e torna-se impossivel encontrar soluções negociadas para a questão ultramarina, tendo-se criado assim o campo ideal para o 25 de Abril
Depois da revolução, apesar de ter sido uma época dificil para a direita portuguesa, esses anos não foram tempos de erros especialmente significativos, isso apesar da instabilidade constante que se verificou também dentro da própria direita. É só depois, com a estabilização, que regressam os tiros no pé da direita, agora mais erros de perda de grandes oportunidades do que de mergulhos no desastre. É então que vêm os tempos das sucesssivas oportunidades perdidas, com Cavaco, Barroso/Santana e Passos Coelho
- Cavaco Silva liderou um primeiro governo minoritário de grande sucesso, seguido de dois governos maioritários de qualidade rapidamente decrescente. Na verdade Cavaco Silva conseguiu finalmente acabar com a economia "a caminho do socialismo", mas avançou pouco no processo de liberalização da mesma. e para ganhar a segunda maioria "comprou" os votos dos funcionários públicos com medidas que ainda hoje pesam muito nos custos da administração pública. O seu tempo foi também o do estabelecimento do "lobby do betão",que veio a minar a economia e a desenvolver a corrupção que quase tomou conta do país
- Depois de alguns anos de interregno, a direita voltou ao poder com Durão Barroso que rapidamente "desertou" para Bruxelas, seguido de Santana Lopes que, com as suas habituais trapalhadas, deu a Jorge Sampaio os argumentos necessários para o demitir
- Mais alguns anos depois, com a crise económica, a direita volta com Passos Coelho, que teve as condições ideais para fazer as grande reformas à tanto tempo adiadas, mas que se ficou pelos mínimos em termos de reformas e pelo máximo no que respeita ao desgaste da população. Mais uma vez a direita, com a teimosia de Passos, a falta de qualidade da sua equipe, e uma política de comunicação desastrosa, voltou a perder outra enorme oportunidade se ser o grande agente de modernização do país, por um período de dois ou três mandatos
Apesar de todos os erros de Passos Coelho, a direita apenas "morreu na praia" (ou seja, não muito longe da maioria absoluta), mas o grave é que essa direita parece não ter compreendido nada do que se passou e a partir daí decidiu investir tudo no rápido regresso do diabo, que para azar da sua estratégia parece tardar e com o qual já nada irá ganhar, se ele vier a chegar.
Perante todos estes desaires seria de esperar que a direita conseguisse parar para pensar, mas nada disso, não há nada para pensar, a esquerda faz jogo sujo e tem é de ser "eliminada", quanto mais depressa melhor. A isto se resume todo o sofisticado pensamento da nossa direita, fortemente coadjuvada por uma serie de elementos vindos da extrema-esquerda, hoje cegos de ódio pelas respectivas origens.
Com a qualidade desta direita é óbvio que a esquerda nem necessita de ser boa, ou mesmo razoável, ser apenas menos má é já mais que suficiente para se eternizar no poder.
Foi neste quadro que se desenrolou o triste espectaculo das eleições europeias em que o erro clamoroso na questão dos professores, e as campanhas quase histéricas de Cristas, Rangel e Melo, conduziram a direita a mais um desastre (como é evidente, sempre por culpa da esquerda).
No entretanto Rui Rio tem feito de avestruz, surgindo apenas esporádicamente com frases e silêncios tão redondos como incompreensíveis. Tudo isto enquanto no PSD se agitam um sem fim de pretensos candidatos à liderança.
Recentemente, Rui Rio parece ter querido dar prova de vida e repentinamente acordou com umas revolucionarias listas eleitorais e o anuncio de um programa eleitoral vigoroso que irá apresentar, tudo parece pouco, tardio e confuso, mas mais vale tarde do que nunca.
Como tenho defendido, o melhor que poderia acontecer ao país, seria o PSD ficar em condições de obrigar o PS a um Bloco Central, que finalmente fzesse as reformas, que a direita nunca fez.e de que o país precisa.
Se assim não for, seguir-se-á o PS, ou uma Nova Geringonça sucedendo à velha, até ao dia em que seja a vez do BE conquistar o poder, com um projecto bolivariano (de recorte europeu, já pretensamente civilizado) e a nossa direita finalmente volte a tornar possível uma solução jacobina para o país.
Será que se pode ver alguma luz ao fundo do túnel desta direita? Não vejo nenhuma, vejo apenas nuvens crescentemente negras.
Á direita, apenas Marcelo Rebelo de Sousa, tem algum prestigio politico e consciencia do país real, no entanto ele é hoje odiado por uma parte significativa da nossa direita, que quase o considera um "traidor" a eliminar.
Não sou fã do estilo presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, ou melhor não gosto dos exageros de beijos, abraços, selfies, intervenções e palpites, mas ao contrario de muita direita julgo que ele tem sido um bom Presidente.
Julgo mesmo mais, uma geringonça com um homem como Sampaio da Novoa na Presidencia, teria sido um desastre para o país e ter-nos-ia posto no caminho de uma qualquer aventura Bolivariana. Será que a direita compreende isso? Julgo que parte significativa da nossa direita não o compreende, não compreende nem quer saber, para ela Marcelo é apenas um presidente com um comportamento duvidoso e portanto a eliminar, depois logo se vê.
Esta direita que desde o séc XVI inúmeras vezes não viu nada além do seu próprio umbigo, parece voltar a estar de novo nessa situação, mas desta vez corremos riscos bem maiores do que o de entregar o país a uma esquerda jacobina como já fizemos uma vez. As condições internas e as questões geopolíticas são agora bem mais complexas do que então, isto apesar da aparente segurança que o quadro da Europa comunitaria nos parece oferecer..
Que Deus, ou os deuses, iluminem esta direita completamente perdida, parece já ser a única salvação possível.

sexta-feira, 21 de junho de 2019


TRUMP E O KAISER
EUREKA! DESCOBRI!

Há muito tempo que eu sabia que conhecia Trump de qualquer lado, mas não me conseguia lembrar de onde.
Talvez ele tivesse sido Comodus, ou Nero, ou algum outro daqueles imperadores romanos mais loucos, mas quando tentava confirmar as biografias as coisas não batiam, não, não podia ser nenhum deles.
Mas de repente fez-se  luz, a resposta estava muito mais perto do que onde eu andava à procura, Trump é a "reencarnação" do Kaiser!

A melhor prova daquela reencarnação é a frase de Bismarck, na pratica o tutor do Kaiser, quando diz dele: "quando o kaiser era ainda jovem, queria que todos os dias fossem como o seu aniversário"

Das suas biografias constam textos como os abaixo:

"dotado, de compreensão rápida, por vezes brilhante, com um gosto pelo moderno, por tecnologia, pela industria, pelas ciências, mas ao mesmo tempo era superficial, precipitado, inquieto, incapaz de relaxar, sem um nível profundo de seriedade, sem qualquer desejo por trabalhar muito ou para fazer algo até ao fim, sem qualquer sentido de sobriedade, para o equilíbrio e limites ou até para a realidade e problemas reais, incontrolável e com pouca capacidade para aprender com as suas experiências, desesperado por aplausos e pelo sucesso, sentimental e teatral, inseguro e arrogante, com uma auto-confiança infinitamente exagerada e um desejo para se exibir, um cadete juvenil que nunca deixava o tom de voz autoritário dos oficiais, e, de forma arrogante, queria deter o papel de senhor da guerra supremo, tinha um pânico medonho de viver uma vida monótona sem qualquer tipo de diversão e, no entanto, não tinha qualquer objectivo,

"acreditava na força e na 'sobrevivência dos mais aptos' tanto na política interna como na externa (...) Guilherme não tinha falta de inteligência, mas tinha falta de estabilidade e disfarçava as suas inseguranças mais profundas com exibicionismos e uma linguagem dura. Entrava em depressão e ficava histérico frequentemente (...) A instabilidade pessoal de Guilherme reflectia-se nas vacilações da sua política. As suas acções, dentro do país e no estrangeiro, tinham falta de orientação e, por isso, deixava a opinião publica confusa ou furiosa. Não se preocupava muito com objectivos específicos, como tinha acontecido no caso de Bismarck, mas antes em fazer valer a sua vontade. Esta característica no governante da potência mais importante da Europa continental foi uma das principais causas da inquietação que predominava na Europa na viragem do século"

Foi este o homem que ao longo da sua vida politica criou uma serie de crises internacionais com as suas declarações intempestivas e totalmente desnecessárias.
Foi a sua loucura que levou a Europa à grande carnificina que foi a 1ª Guerra Mundial
Apertem os cintos!


quarta-feira, 19 de junho de 2019




PRISÃO PERPETUA PARA POLITICOS CORRUPTOS?


Na sequencia das intervenções em Portalegre, do Presidente-comentador e do comentador (quase presidenciavel), talvez seja tempo de começar a ser mais objectivo e elencar medidas para que as coisas comecem a mudar.
Quero começar por esclarecer desde já que não perteço ao grupo obececado com a corrupção dos politicos, estou longe de pensar que "são todos corruptos" ou algo parecido, embora o fenomeno exista de forma indiscutivel.
O que eu defendo é que temos de ter bons politicos, competentes, honestos, dedicados e com a necessaria energia, só politicoS assim serão verdadeiramente respeitados, e é absolutamente indispensavel que os politicos sejam respeitados, porque quando nós não respeitamos os nossos politicos estamos a fazer com que parte dos melhores de entre nós fujam da politica.
Os problemas do país são extremamente complexos e não se resumem aos nossos politicos, isso é verdade, mas sem eles as mudanças necessarias tambem não acontecerão. Tal como quando se quer recuperar uma empresa em dificuldade só uma equipe de qualidade o pode fazer.
De entre os politicos a prioridade tem de ser claramente dada aos membros do governo, que como orgão executivo acabam por ser determinantes de qualquer processo. E aqui podemos divagar o que quisermos mas no final, de uma forma simplista, tudo se resume á gestão do "chicote e da cenoura", e quando digo cenoura não me refiro apenas à renumeração material, mas tambem as compensações imateriais como o prestígio e o prazer de enfrentar desafios e realizar de grandes projectos/reformas.
Os nossos governantes, assim como os quadros mais altos da nossa administração publica, não podem ter vencimentos do tipo dos que auferem hoje em dia, não porque a corrupção exista por causa das baixas renumerações, quem é corrupto continuará a sê-lo, pobre ou rico, com salarios altos ou reduzidos, mas sobretudo porque as baixas remunerações (e o desprestigio das funções) afastam totalmente os melhores, deixando os lugares apenas para os viciados em politica, os missionarios, os habilidosos/aproveutadores, os corruptos, etc
Vivemos num país em que um jogador de futebol pode ganhar 100 milhões por ano e ninguem acha mal, mas que um ministro ganhe 100 ou 200 mil, isso já seria um escandalo! Se fazemos questão de pagar mal aos que deveriam ser os melhores de entre nós, claro que o resultado tem de ser mau.
Até agora só falei da cenoura, mas não pode haver cenoura sem chicote, ou seja, temos de pagar bem aos nossos politicos, mas tambem temos de exigir deles um comportamento competente e ético impecavel. É aqui que vem a referida prisão perpetua, com ela quero significar penas mais pesadas para eles do que para o cidadão normal, sejam a "perpetua" ou outras.
Quando um politico entra em casos de corrupção ele não é um cidadão normal, ele trai a confiança do povo que de uma forma ou outra o pôs lá, ele degrada a confiança das pessoas no sistema e no país e tudo isso acaba por ter custos inconmensuraveis para toda a sociedade.
A corrupção nunca foi levada a serio em Portugal, é vista quase como algo inevitavel, e não especialmente grave. A verdade é que a corrupçãodeveria ser considerada como um crime semelhante aos crimes hediondos.É preciso compreender que se perde num acto de corrupção não é apenas o que se pagou a mais ou a menos, isso pouco importa, o que verdadeiramente é pesado é o facto de todo o sistema ficar viciado, as pessoas deixam de ser escolhidas pela sua competencia mas apenas pela sua "maleabilidade" para vender favores, e assim se entra num ciclo vicioso de perda de qualidade das pessoas e das organizações que acaba por explodir em situações como aquela em que vivemos recentemente em que mais de 50 biliões de euros se esfumaram no ar. Pior ainda quando a corrupção se estende das elites a toda a sociedade e os países se tornam totalmente ingovernaveis.
Sem pagar aos politicos e sem sistemas de controle da sua actividade e penalização agravada dos seus comportamentos corruptos não iremos a lado nenhum. Fazer falsas economias nesta área não faz qualquer sentido, aqui, claramente o barato sai caro, mas mesmo muito caro.
Independentemente dos partidos, eu quero politicos, honestos, competentes, dedicados e com energia para fazer face aos desafios enormes que se poem ao país, pouco me importa quanto isso custa, será sempre muito barato

quinta-feira, 13 de junho de 2019



RUBEN CARVALHO - O PCP E A LUTA PELA LIBERDADE

Nunca conheci pessoalmente Ruben Carvalho, mas partilho da opinião aparentemente unânime que se tratava de alguém com uma grande e eclética cultura, com uma inteligência viva e  um sentido de humor imenso.

Foram essas qualidades excecionais que lhe permitiram conjugar a dedicação de uma vida a um partido muito rígido, mantendo-se sempre fiel às respetivas chefias, com uma liberdade de estar e de pensar difícil de encontrar por aquelas bandas.

Pessoalmente via-o  como um homem para quem a liberdade, no sentido "burguês" da palavra, há muito se tinha tornado importante e não tenho duvidas de que seria capaz de lutar pela sua defesa.
No entanto a questão da "histórica luta pela liberdade" do PCP é uma questão mais complexa  que toda a gente, à esquerda e à direita evita abordar.

A verdade é que o PCP durante a maior parte da sua vida, como partido estalinista que era, lutava de facto para derrubar uma ditadura mas apenas  com a finalidade última de a substituir por um regime totalitário, embora admitisse ter de aceitar uma democracia burguesa como passo intermedio para o seu objectivo final. A "luta anti-fascista" do PCP nunca foi uma luta pela liberdade burguesa, era uma luta para implantar um regime de partido único e com ele fazer a revolução social.

Não discuto a abnegação, o sacrifício, os prejuízos e o sofrimento que muitos militantes do PCP suportaram nessa sua luta, e acredito que o fizeram maioritariamente com o sentido de construir uma sociedade mais justa do que a que tínhamos, mas nunca se tratou de uma verdadeira luta pela liberdade.

Claro que na sua estratégia a luta pela liberdade era utilizado como palavra de ordem para alargar o seu apoio popular, mas na verdade o PCP só contribuiu para a liberdade na medida em ajudou a derrubar o regime. Graças aos deuses, isso aconteceu apenas num momento histórico em que a possibilidade de tentar aqui implantar um sistema de partido único, mais ou menos estalinista, já tinha passado

No entanto, devemos todos uma coisa ao PCP, o seu realismo, foi esse realismo que permitiu que o partido no verão quente de 1975 não tivesse mergulhado o país no caos. Um dia saberemos quem foram os elementos, externos e internos, mais determinantes para travar a tentação dessa aventura revolucionaria suicida.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018



PORTUGAL 2019 - O CENTRÃO?


Não existe em Portugal configuração política mais vilipendiada que a do bloco central, isto embora a sua existência tenha sido efémera, apenas dois anos com a difícil missão de gerir a intervenção do FMI 83/85,  o que não mereceria nem especiais elogios, nem os habituais insultos.
Esta percepção pública de que um governo de bloco central é uma coisa má e que seria  o pior que poderia acontecer ao país, assume agora uma gravidade maior.
Gravidade maior porque o país vive actualmente um processo de radicalização, ainda incipiente mas que tudo leva a crer que se irá agravar no próximo ano, com dois actos eleitorais e a pioria da situação económica mundial, a que a guerra comercial de Trump nos parece querer conduzir, tudo isso agravado pelo aumento da instabilidade na Europa.

Perante esta situação, 2019 será pois a última possibilidade de termos uma governação ao Centro e Reformista, que finalmente acabe verdadeiramente com o equívoco do "caminho para o socialismo" (já não estabelecido na Constituição mas ainda presente em espirito), e normalize a nossa sociedade, como uma verdadeira democracia do mundo Ocidental, impedindo assim que caíamos num processo de radicalização incontrolável, que mais uma vez nos mostre como os nossos "brandos costumes" podem com facilidade transformar-se em anarquia violenta, como a historia o provou por diversos, e por vezes longos, períodos

Este texto é pois sobre as virtudes do Centrão e os perigos de radicalização, que à direita e à esquerda, se levantam.

Porque a solução do Centrão é tão desprezada em Portugal? Existem três razões principais para que assim seja:
- a esquerda radical tem medo dela porque sabe que isso possibilitaria as reformas que o país necessita fazer e que provavelmente a afastariam do poder por muito tempo
- a direita radical por razões parecidas, mas menos estruturadas, como aliás essa direita tem sido
- o Clubismo partidário, que confunde camisolas, com ideias e projectos e por isso mesmo é pouco dado a acordos menos óbvios
- por fim, e talvez mais importante que todos os outros, o "Bloco Central dos Interesses", que tal como os grupos anteriores não quer Centrão nenhum, porque sabe que esse Centrão não teria desculpa para não fazer as reformas sempre adiadas, o que acabaria com o seu mundo de negociatas diversas, que tão bem tem proliferado, com acordos por baixo da mesa entre influentes do PS e PSD (e por vezes do CDS). Tudo  isto, enquanto os partidos do centro em exercício no governo vão invocando a sua incapacidade para controlar as situações por falta de legislação que não têm poder para produzir

O Centrão é pois, a única forma de garantir que finalmente se façam no país as reformas sempre adiadas, a reforma política, a administrativa, a da Justiça, a da Administração Pública, a legislação séria anti-corrupção, etc. Sem essas reformas continuaremos a ser uma democracia frágil, que qualquer radicalização destruirá. É por isso que aquelas reformas são urgentes e que 2019 será provavelmente a sua última oportunidade.

O Centrão não é a solução corrente em democracias consolidadas, sendo normalmente preferidas soluções de alternância política, embora de geometria crescentemente complexas, mas a verdade é que a nossa democracia não é verdadeiramente uma democracia consolidada, embora o pareça. O nosso edifício Constitucional e legislativo tem contradições e lacunas, que têm tido um peso negativo no nosso desenvolvimento e que podem ser perigosas já a curto prazo.
Como até hoje o "clubismo" e os interesses do "bloco central dos negócios", impediram a concretização daquelas reformas em devido tempo, temos agora a última oportunidade, que só o "Centrão" pode viabilizar.

No que se refere à radicalização tudo leva a crer que vamos entrar num PRAC, tipo PREC (agora com a radicalização no lugar de revolucionário), mas talvez mais perigoso e ainda mais confuso.

À esquerda Catarina Martins deu o tiro de partida com o seu discurso sobre as pretensões do BE de ir para o governo, aquela declaração foi na altura considerado um erro e uma ingenuidade de Catarina. Catarina e o seu mentor, o "conego" Louçã, estão longe de ser ingénuos, o seu discurso tinha uma audiência e um objectivo claros, Catarina falava para a ala esquerda do PS e dizia-lhes qualquer coisa do tipo: "nós estamos prontos para começar a construir a sociedade socialista em Portugal, se isso não acontecer será apenas por vossa culpa, o país está maduro e nós temos a vontade, vocês vão vacilar? Temos a oportunidade de ser o farol do mundo e de ter sucesso onde antes de nós todos os outros falharam, terão vocês a coragem necessária para entrar na Historia pela porta grande?". O discurso classico dos amanhãs que cantam, antes do caos que sempre se segue.

São bem conhecidos alguns dos apoios incondicionais que existem dentro do PS a um projecto desse tipo, apoios a que parece se juntar agora a própria Juventude Socialista.
Será em volta do BE e do politicamente correcto que será feita a radicalização à esquerda, o que colocará  o PCP numa situação difícil e com consequências imprevisíveis.

Quanto à direita a situação é menos clara, tanto mais que a direita em Portugal deixou de existir no 25 de Abril, desde então que nenhum partido significativo se afirmou como de direita, todos têm andado entre a centro-direita e a centro-esquerda, com excepçao de pequenos partidos sem significado, como é hoje o caso do PNR.
Ou seja, os votos da direita estão algures, espalhados entre a abstenção, o CDS e o PSD, e a sua dimensão é desconhecida, assim como o seu potencial de crescimento.
Recentemente julguei que Santana Lopes fosse tentar ocupar esse espaço vazio que existe à direita, e embora isso envolvesse alguma contradição com a sua linha ideológica, a verdade é que já vimos mudanças de linha politica bastante mais drásticas, não foi essa a opção dele e ao fazê-lo deixou o campo livre para o "Chega", que certamente apontará para caminhos muito mais radicais do que Santana faria.
Vai Ventura, no reduzido espaço de tempo que tem até Outubro, ser capaz de construir um partido com possibilidade de desequilibrar o sistema? A lógica diria que não, mas por outro lado, o clima de radicalização que se está a criar e a força da novidade de uma direita "adormecida", podem vir a gerar uma surpresa.


Antonio Costa sabe que o actual modelo da gerigonça não é repetível, o preço que teria de pagar para um novo acordo seria incomportável  face aos nossos compromissos internacionais e também para o futuro do seu partido e dele proprio, por isso, tudo leva a crer que, não tendo maioria parlamentar, irá preferir uma coligação ao centro. Que espaço tem Costa para dentro do partido vir a impor esse tipo de solução sem demasiados danos?

Naquele cenário, Rui Rio, mesmo que com uma votação a rondar apenas os 20%, seria o parceiro ideal para Costa,  certamente que esse Centrão teria facilmente uma ampla maioria na Assembleia, a rondar a maioria absoluta. Sobreviverá Rio para o concretizar? Tudo leva a crer que sim, algum poder sempre é melhor que nada, e o PSD gosta e precisa de poder.


Nos seus tempos de Presidentes de Municípos os dois terão já falado muito sobre tudo isto, o "destino" acabou por os juntar, falta apenas a parte que teoricamente seria a mais fácil, a que se seguiria o enorme desafio das grandes reformas sempre adiadas, reformas que teriam de pôr de pé num ambiente crescentemente crispado à direita e à esquerda.

Neste final de 2018, de uma forma simplista diria que para 2019 "ou Centrão ou confusão", na verdade julgo que será bem pior do que isso, sem as grandes reformas, e com o agravamento da situação economica, com a instabilidade politica e social na Europa, por cá correremos o risco de caminhar para o caos, a prazo mais ou menos breve.


Façamos por ter um BOM ANO

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018



A HUMILHAÇÃO DA CHINA - VAMOS PARA A GUERRA?


Todas as grandes potencias são paranoicas, porque elas são simultaneamente muito fortes e muito frágeis, pela sua dimensão e complexidade são todas um pouco como castelos de cartas facilmente  arrazaveis. A Historia está cheia de cadáveres de grandes potencias "indestrutíveis" a demonstrá-lo.

De entre as grandes potencias actuais a China tem todas as razões para ser a mais paranoica entre elas, porque é herdeira daquele que foi o maior império do mundo, político, económico e cultural, durante séculos, e porque, depois disso foi humilhada pelo Ocidente, em especial durante o século XIX e inicio do sec XX, ao que se seguiu a humilhação japonesa.

Uma grande potencia com um passado como o da China tem de ser forçosamente muito receosa do mundo que a rodeia. Os Estados Unidos com a constante instabilidade de Trump têm vindo a agravar aqueles receios históricos, pondo em risco a economia e a paz mundiais.

Seria impossível imaginar pior figura que Trump para lidar com a China, Trump é um pato-bravo, primário e arrogante, que julga que pode tratar toda a gente como sempre tratou os seus fornecedores, e como ainda hoje trata todos os seus colaboradores, incluindo os próprios secretários e grandes figuras da política americana. O contacto de Trump com uma China que não pode "perder a face", tem tudo para ser uma relação impossível, sempre numa espiral negativa.

Tudo começou com o absurdo convite que Trump fez a Xi logo no inicio do seu mandato, para visitar os EUA, quando, em lugar de o fazer para uma das residencias oficiais, decidiu convidá-lo para a sua mansão de novo rico de Mar-a-Lago na Florida. Ridiculamente julgava Trump que impressionaria Xi com o seu pastiche de pequeno palacete, adquirido através de truques diversos. Claro que Xi, habituado à imensidão e simplicidade opulenta dos palácios chineses não se sentiu impressionado, mas compreendeu de imediato os riscos que iria enfrentar com a presidência do novo líder americano. Xi que já era um centralizador do poder, tornou-se a partir daí mais convicto que não tinha outro caminho que não o de aumentar essa centralização e acelerar a autonomia geoestrategica e tecnológica da China.

É claro que a China está muito perto de se transformar na grande potencia mundial deixando para trás os EUA, mas Trump adoptou a pior das estratégias para tentar conter esse processo, ao obrigar Xi a acelerar a fundo o processo de modernização tecnológica e de expansão geoetrategica, assim como a estancar qualquer liberalização interna no Império do Meio, liberalização essa que seria um suicido perante um inimigo disposto a explorar todas as eternas tendências centrifugas que são uma realidade do  Império  desde sempre.

Estamos portanto numa corrida, que a impreparação e o convencimento  de Trump em grande parte originaram e para a qual não se vê saída. O mundo volta a estar muito perigoso.

Todas as grandes potencias sempre fizeram acções de destabilização das outras grandes potencias, goste-se ou não, essa é e sempre foi, a dinâmica do poder mundial, mas quando são dados sinais errados pelos líderes mundiais, aquela dinâmica atinge proporções maiores e fica totalmente fora de controle, é então que as desgraças acontecem.

Um mundo com três grandes potencias, uma hegemónica, outra que é o país mais populoso do mundo e a sua segunda economia, e uma terceira que além de ser o maior país do mundo é uma grande potencia militar, um mundo assim é sempre um local com altos riscos, mas torna-se algo de muito perigoso quando entre os seus líderes existe alguém que, além de não saber o que faz, tem razões pessoais para estimular os conflitos.

Trump foi eleito sobretudo graças à estupidez e cegueira dos democratas e dos seus  companheiros "politicamente correctos". Será que os políticos americanos ainda vão a tempo de evitar o desastre?

Muller,  cuidadosamente tem reforçado o seu processo, para um momento em que ele possa vir a ser utilizado para um possível impeachment de Trump. Não será que Trump sabendo disso não vai entrar numa estratégia de "quanto pior, melhor"? Apostando tudo que num clima de guerra (ou pré) qualquer impeachment se torna impossível?

O incidente de ontem, com a prisão no Canadá da directora (e filha do dono) da Huawei, noutra conjuntura seria apenas mais um incidente, neste momento é uma declaração de Trump dizendo que não quer acordo comercial nenhum, ele quer apenas uma guerra ou a humilhação total da China. Apenas uma dessas duas coisas o pode salvar.

Trump, como criança mimada que é,  não terá nenhum escrúpulo em arrastar o mundo para o desastre, apenas numa tentativa de salvar a própria pele. Infelizmente isso nada tem de novo na Historia da humanidade, muitos outros o fizeram antes dele, mas nunca o que esteve em jogo foi tão importante, nem os riscos tão grandes.







segunda-feira, 12 de novembro de 2018




O OBSERVADOR É BOM PARA A DIREITA?

Para mim a resposta é claramente NÃO, não é.
A direita, ou melhor, as direitas, em Portugal são um poço de problemas, o Observador como um jornal moderno, quase que revolucionario para o ambito nacional, poderia e parecia querer ser um elemento para ajudar à resolução daqueles problemas, mas na verdade vem acontecendo precisamente o contrario, não só não ajuda à sua resolução, como parece agravar aqueles problemas.
A nossa direita tem problemas com traumas antigos e recentes que tem de encarar e ultrapassar. A nossa direita há muito deixou de pensar, preferindo ruminar as suas frustrações. Esta direita não irá a lado nenhum enquanto for a direita de alguns interesses e não a direita dos principios, só com base em principios a direita pode vir a traçar uma estrategia vencedora, até lá ela será apenas a dos leitores que se comprasem em ler Alberto Gonçalves ( que aliás afirma que não é de direita), pensando para eles proprios "somos optimos e havemos de dar cabo de todos esses comunas corruptos e incompetentes".
Porque o Observador tem culpa? Porque se a nossa direita é incapaz de ler a realidade, é pouco culta, traumatizada, não tem nem ideias, nem principios, nem projecto, o Observador ou é um instrumento de melhoria dessa direita ou é um logro. Hoje, julgo que é claramente um logro.
Se eu fosse dado a teorias da conspiração, diria até que um jornal "cheio" de gente que vem da extrema esquerda, até mesmo daquele partido que se dizia estar ao serviço da CIA, um jornal assim, tem tudo para ser um "infiltrado" ao serviço da Internacional Socialista, ou de outros projectos de esquerda mais radicais.
Claro que não acredito naquela conspiração, o que até certo ponto é ainda mais grave, porque não sendo assim, resulta que o Observador trabalha para a esquerda mas de graça, ou melhor, pago pelos seus acionistas e assinantes.
Esta "radicalização verbal" tem vindo a crescer de uma forma lenta, quase imperceptivel, ao longo da curta vida do Observador. O Passismo terá tido grande culpa neste processo, não intencionalmente, mas pela mentalidade que foi criando.
Para o Observador ser útil à direita teria de a ensinar a pensar, em lugar de dar prioridade a insultar a esquerda, apenas porque isso é mais facil e vende. Teria que discutir ideias e projectos, para depois ajudar a traçar as estrategias e as desenvolver. A simples masturbação de equivocos auto-congratulatorios, pode ser comoda mas não leva a lado nenhum, para além do crescimento da esquerda.
É neste quadro que o Observador acaba por ser negativo para a nossa direita, porque como tem fama de ser radical, sem o ser de facto, tudo quanto defenda é logo considerado pelo mundo exterior como "inaproveitavel", mas, ao mesmo tempo, abre as portas a reportagens e artigos de opinião de esquerda (estes, muitas vezes os mais ponderados do jornal, juntamente com os de Espada). Ou seja, não "educa" a direita, e com o seu tom-radical não atrai e até afasta o centro, tornando assim impossivel a construção de uma imagem credivel do jornal fora da sua área de influencia directa.
Li recentemente o livro de Nuno Garoupa sobre a direita portuguesa, subscrevo quase tudo o que nele é dito, e é muito e muito polemico, só que sou menos pessimista do que ele, não porque pense que a nossa direita é melhor do que ele diz, mas apenas porque ela é tão má, tão má, que lhe bastaria ser razoavel para poder ter sucesso e isso talvez seja possivel a medio prazo.
O país precisa de ter direitas, que consigam ver a realidade, que tenham ideias e ideais e que a partir daí construam projectos mobilizadores. Até agora o que fez o Observador por isso?
Tudo isto é tanto mais grave quanto acontece na mesma altura em que o Expresso, tradicionalmente um jornal do centro, virou claramente à esquerda. Não foi apenas o recrutamento de Louçã (porquê??), nem só os artigos de Santos Guerreiro, quase tudo no jornal virou à esquerda, com a honrosa excepção de Ricardo Costa, que mantem a sua posição ao centro, agora isolado.
Os tempos continuam dificeis para a direita em Portugal, mas continuo a pensar que pelo menos 90% da culpa é apenas dela mesma.