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domingo, 27 de novembro de 2016



UMA LIÇÃO MAIS

Assassino, heroi, ditador, revolucionario, etc Tudo isso é verdade mas agora pouco interessa.
O importante é compreender como Fidel foi possível, ali, à beira dos Estados Unidos, num dos países mais avançados da America Latina.
É essa enorme capacidade americana de fazer erros na política internacional que é necessario reter desta lição, porque vão existir muitos mais.
Fidel foi um produto dos habituais erros americanos, primeiro por não ver que a sociedade cubana estava bloqueada e necessitava de mudança, depois por transformar Fidel num comunista que ele não era, e ainda pela inépcia das tentativas de o derrubar.
As grandes potencias tendem a fazer erros que à partida são inimaginaveis, por arrogancia, pela existencia de informações e pressões contraditorias, pelas jogadas dos parceiros locais, pelo peso da burocracia, pelas "facilidades" dos falcões, porque estes "pequenos casos" são tratados por um um qualquer sub-sub desk-office do Departamento de Estado e só sobem na hierarquia quando já são dificilmente geríveis.
Para aqueles que pensam que tenho uma obsessão com a capacidade de errar dos americanos, e de uma forma geral das grandes potencias, recomendo que escutem McNamara, o secretario de estado de Kennedy e Jhonson, responsável pela escalada no Vietname. No filme "The Fog of War" McNamara explica pessoalmente como essas coisas acontecem

terça-feira, 22 de novembro de 2016



TRUMP E PUTIN - II

No texto anterior defendi que Trump e Putin, face às suas caracteríticas pessoais e à sua visão do mundo, têm muito boas condições para virem a ter um bom relacionamento.
Argumentei também que a Europa ocidental nunca compreendeu nenhuma das Rússias historicas, o que além de estranho, pode ser muito perigoso para o nosso futuro.
Nos proximos textos vou procurar expor o contexto russo através dos tempos e a importancia da Rússia para a Europa, isso antes de entrar nas grandes questões da geopolítica e de voltar a Putin, a Trump e à defesa dos interesses europeus.
No Ocidente, desde sempre, tendemos a olhar a Rússia com "olhos ocidentais", quando a realidade russa sempre foi muito diferente da nossa, para compreender aquela realidade é necessario ter uma visão da sua historia, da sua demografia e dos seus desafios actuais como grande potencia.
Mesmo que eu fosse historiador, seria impossível dar em meia dúzia de linhas uma visão geral do que foi a história russa e da Europa oriental ao longo dos tempos, pelo que vou referir apenas alguns pontos para que se compreenda que quando falamos daquela zona do mundo estamos a falar de uma região com uma historia muito especial e muito diferente da da Europa ocidental, sobretudo da mais ocidental.
- a Rússia tem a sua origem em Kiev, no sec IX.
- nos séculos XIII e XIV a Rússia quase que desaparece com a ocupação Mongol
- no sec. XIV o maior país da Europa oriental é a Lituânia
- nos sec. XV e XVI a grande potencia da região, e maior país da Europa, é a Lituania/Polonia
- no sec XVII a Polónia invade a Rússia
- no sec XVIII grande parte da Europa oriental é invadida pela Suécia.
- no sec XIX a Polónia desaparece
- no sec XX a independencia da Polonia é restabelecida e a Ucrania torna-se independente (por cinco anos, 1917/22)
- para além de todos os conflitos regionais, durante este período a Rússia foi invadida, destruída e saqueada por dois países da Europa ocidental ( sob Napoleão e Hitler)
Este conjunto de pontos dá ideia da instabilidade da região, da facilidade com que as coisas por ali mudam e logicamente da enorme mistura étnica que se foi formando ao longo dos séculos. Como sempre, não há aqui nem bons nem maus, apenas conflitos em virtude de interesses proprios ou de terceiros, facilitados pela historia, pela geografia, e pelas diferenças etnicas e religiosas.
É neste quadro historico que o maior país do mundo tem de ser olhado, tão grande como fragil, sempre ameaçado, do Pacífico à Europa ocidental, sabendo sempre que desaparecerá no dia em que não for uma grande potencia, como já aconteceu no passado.
Ser uma grande potencia para a Rússia não é uma opção, é uma condição da propria existencia e é neste quadro que tem de se compreender Putin, que, obviamente, não quer ser o coveiro da "Santa Rússia".
É por aquelas razões que a Rússia tem sempre defendido a necessidade da existencia de uma zona neutra (não Nato) na sua fronteira ocidental, o que a levou aos avisos que desde 2007 vem lançando após o anuncio da futura adesão à NATO da Georgia e da Ucrania.
Embora possa parecer estranha, a aparente hiper-sensibilidade russa é facil de compreender quando se olha para os EUA, a super-grande potencia, protegida por dois Oceanos, com apenas dois "inofensivos" vizinhos terrestres. Qual seria a reacção americana à simples instalação de mísseis anti-balisticos no Mexico, ou até em qualquer outro ponto da America central, ou mesmo do Sul? Todos sabemos a resposta.
Todas as grandes potencias tendem a ser paranoicas em termos da propria segurança, facto que é facil de confirmar quase todos os dias, seja com a China, os EUA ou a Rússia.
Mas o que é importante, para nós europeus. é ter-se consciencia de que. o pior que nos poderia acontecer seria o desmembramento da Grande Potencia Russa, isso sim, seria o abrir de uma caixa de Pandora de consequências inimagináveis para toda a Europa.
Esta ameaça é tanto mais grave quanto a Rússia é a mais fragil das grandes potencias, por razões demograficas, económicas, geograficas e culturais.

(continua)

terça-feira, 15 de novembro de 2016



TRUMP E PUTIN

O relacionamento entre Putin e Obama nunca funcionou, na verdade julgo que se desprezavam mútuamente, Putin via Obama como um negro pacifista com pretensões intelectuais, Obama via Putin como um troglodita racista, e um mero operacional dos serviços secretos.
Já entre Trump e Putin tudo leva a crer que o relacionamento venha a ser bem mais facil, na pratica são dois operacionais pragmáticos e brancos, um vindo dos negocios e o outro das polícias.
Para além das semelhanças temperamentais e de formas de actuar, existe outra razão muito forte para que o relacionamento entre os dois venha a fluir.
Os dois têm uma mesma visão do mundo, resumidamente pode dizer-se que os dois temem a China, os dois odeiam os muçulmanos e ambos desprezam a Europa.
Dificilmente poderia existir melhor plataforma para potenciar um entendimento.
Os dois olham a Europa como um conjunto de pequenos países que, quando não se estão a matar uns aos outros, se dividem a todo o tempo sobre as mais diversas questões, comandados por chefes palavrosos, complicados e cobardes, uma Europa ainda por cima cheia de latinos e adormecida por um estado social com custos exorbitantes.
Claro que, apesar de tudo isto, Trump não vai entregar a Europa a Putin, mas, de qualquer modo, é seguro que a nossa vida vai ser bem mais complicada, e para que ela não seja mais dificil do que aquilo que tem de ser, talvez fosse tempo de a Europa tentar compreender a Rússia.
A realidade é que a Europa, nunca compreendeu o seu maior vizinho, fosse a Rússia dos Czares, a dos sovietes, ou a de Putin, pior ainda, nunca a compreendemos, sempre a tememos e fomos continuadamente acumulando erros de relacionamento.
Este desconhecimento europeu da Rússia, é tanto mais estranho quanto foi graças à consolidação do imperio Russo que as hordas de hunos e mongois deixaram de "inesperadamente" aparecer às portas de Roma ou de Viena, antes disso, qualquer capital europeia estava sempre em risco, de que uns Átilas, ou uns Gengis Khans quaisquer, aparecessem para jantar, e alguma coisa mais...
(continua)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016



A UBERIZAÇÃO DOS MÉDICOS (E VAROUFAKIS)


Ao contrario do que por vezes somos levados a pensar, a uberização é quase tão velha como as sociedades humanas. Nos tempos modernos a sua primeira manifestação empresarial foram talvez as sociedades de "manpower".

Com a evolução tecnológica, em especial na área das comunicações/informatica, os processos de uberização vão acelerar e é totalmente ilusório pensar que eles podem ser travados.
Este fenómeno já atingiu também a classe médica entre nós, em especial no que respeita às consultas ao domicílio.
Existem já em Portugal empresas que montaram redes de médicos para fazer aquelas consultas a preço muito baixo (10 euros), serviço esse que depois é vendido pelos mais variados tipos de seguro de saúde aos respectivos beneficiários.

Quanto dos 10 euros fica para o médico? Se se aplicasse a taxa de 25% da Uber seriam 7,5 euros, neste caso concreto não sei qual o resultado final. De qualquer forma podemos estar a falar de uma taxa horaria da ordem dos 15 euros, para um médico andar de porta em porta, ao frio e ao calor, a dar consultas. Devemos já estar com remunerações perto das de Cuba

Este é certamente apenas um dos muitos novos casos de uberização, mas ao que parece apenas o processo dos taxistas teve capacidade para demonstrações de força.

Estamos assim perante uma uberização imparavel, a que se seguirá uma robotização ainda mais dizimadora do trabalho tal como o conhecemos hoje.

E Varoufakis no meio disto tudo??
Num recente artigo dedicado a estas realidades, huberização e robotização, reconhecendo a impossibilidade real de travar estes processos, Varoufakis vem defender que as nossas sociedades têm de encontrar novas soluções para integrar estas multidões de novos desempregados, o que implicará sempre altos custos a serem financiados.

Varoufakis vem propor a criação de uma "participação societária" (obrigatoria e gratuita) dos Estados em todas as empresas que venham a ser criadas, fundo esse que, assim criado, financiaria as novas necessidades sociais.

Claro que a solução proposta por Varoufakis enferma de muitas limitações, de qualquer modo tem a virtude de tentar "pôr a bola rolar", para dinamizar a procura de soluções para o equilíbrio dessas sociedades do nosso futuro mais ou menos proximo. Já agora soluções que não passem pelo extermínio sistemático dos "sobrantes".

quinta-feira, 10 de novembro de 2016



O PRESIDENTE TRUMP (reedição da publicação de junho de 2016)

Quer gostemos ou não, só muito dificilmente Hillary poderá bater Trump.
Primeiro porque os americanos gostam de mudar de presidente, em especial depois de dois mandatos, e mudar quer dizer mudar realmente, não é ir para soluções que cheiram a mais do mesmo, ainda por cima com pior qualidade.
Pode haver mudança mais radical do que de Obama para Trump? Quase impossível, e é essa uma das razões porque Trump vai ganhar.
Obama é um intelectual, Obama é cauteloso, Obama conhece todos os grandes dossiers do país, Obama é um grande comunicador e dono de um enorme auto-controle, Obama é também um diplomata consumado.
Trump é um empresário de sucesso do imobiliário e com grande pratica de show televisivo tipo USA, Trump não conhece nenhum dos dossiers nacionais e sobre todos eles tem varias opiniões, todas elas contraditorias entre si, Trump tem um caracter explosivo mas que ele sabe usar em seu beneficio e controlar quando necessario, Trump, em termos diplomaticos, é aparentemente um troglodita, mas o seu curriculum está cheio de importantes sucessos negociais.
A segunda razão porque Trump vai ganhar é porque os americanos se sentem desorientados. Onde está a realização do sonho americano? Onde estão as casas, os carros, os empregos, o futuro sempre risonho? Estes emigrantes todos vão ou não destruir a America? Vamos continuar a mandar os nossos rapazes e o nosso dinheiro para defender países que nem sabemos onde ficam e que não gostam de nós? Vamos deixar que a China e outros países destruam as nossas empresas e os nossos empregos? Vamos continuar a gastar fortunas para defender a Europa, para ela poder gastar o seu dinheiro num estado social que nós não temos? Não será que as coisas vão mal nos USA porque toda a gente se aproveita da nossa boa vontade? E por aí vai...
Pode haver alguém melhor que o cowboy Trump para responder a todas estas angustias? Desenganem-se os que pensam que existe.
Agora apenas o proprio partido Republicano poderia parar Trump, e não parece que o vá fazer.
Mas, para surpresa das surpresas, Trump poderá até vir a ser um bom presidente dos Estados Unidos.
O que é grave para nós, é que ele nunca será bom para a Europa.

domingo, 6 de novembro de 2016


PERGUNTAS IDIOTAS (?) - I

1ª - Na Caixa, nos últimos anos evaporaram-se qualquer coisa entre os 5 e os 10 biliões de euros.
O tribunal Constitucional terá largas dezenas de declarações patrimoniais dos gestores desses anos, no entanto não existem pistas para a referida "evaporação".
Alguém verificou os patrimónios das referidas declarações?
Não será tempo de encontrar sistemas de controle e fiscalização que funcionem, em lugar das aparentemente inúteis declarações?
Já agora, que sentido tem as declarações irem para o Consttucional? Não seria mais lógico o Tribunal de Contas ou a inspecção Geral de Finanças?
2ª - Será que queríamos que a França tivesse respeitado os limites de 3% do deficit?
É obvio que não.
Tal como é óbvio que o que nós deveríamos querer seria que a Alemanha também os não respeitasse, o que infelizmente não acontece.
Lá porque Hollande é o trapalhão habitual, e vem com o argumento da "grandeur de la France" e a Comissão foge de assumir polémicas, isso é desculpa para o parolismo nacional?
Existem países solventes e países insolventes, existem economias que arrastam outras e existem economias que apenas se arrastam a elas proprias.
Dá para perceber a diferença?
3ª - O Medina vai salvar a direita do desastre?
Se o diabo não aparecer antes das autarquicas apenas Medina pode ser a salvação. Será mesmo que os alfacinhas vão odiar os resultados pós-estaleiros?
4ª - E Trump?
Se Trump ganhar será que os tão amados "check and ballances" e a Constituição vão resistir à sua loucura?

quarta-feira, 19 de outubro de 2016





O ORÇAMENTO É MAU ?

Não sou especialista, nem estudei os nossos orçamentos dos últimos anos, mas na verdade não me lembro de nenhum orçamento que tenha ficado conhecido como bom.
Mesmo Cavaco Silva, professor de finanças públicas, terá feito talvez um dos piores orçamentos pós 25 de Abril, o orçamento feito para "comprar" a segunda maíoria nas eleições de 1991, um orçamento que teve custos altos e prolongados para o país.
O orçamento 2017 é apenas mais um orçamento "habilidoso", como a geringonça nos vem habituando, o que por si só não é mau, mas encerra perigos, porque os efeitos, directos e indirectos de muitas" taxas e taxinhas", com muitas regras e excepções, são por vezes difíceis de calcular e podem ter consequências perversas e inesperadas sobre a economia.
É até ironico que seja um governo de esquerda a apresentar um orçamento cheio de impostos indirectos, aqueles que a direita adora, mas que nunca teve coragem de apresentar e pelo qual seria apedrejada na praça pública, como autora incompetente de um orçamento tecnicamente mau, ineficiente e socialmente injusto.
Não sei se este orçamento é bom ou mau, mas o governo sabe.
Se é um orçamento que vai conseguir a redução do deficit à custa do investimento público, como o anterior fez, ele não será apenas mau, ele será péssimo, outra vez a mesma receita será imperdoável.
Se for um orçamento que consiga aumentar o investimento público e reduzir o deficit, ele será sem dúvida um bom orçamento.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016



O PECADO ORIGINAL DE COSTA

Continuo a pensar que o grande erro de Costa foi logo na noite eleitoral não ter deixado claro o convite ao BE e PCP para apoio a um governo do PS.
Assim, Costa teria marcado o timing, logo nessa noite tería saído em ombros da sede de campanha, e depois, rapidamente, sem o longo parto que foi a geringonça, ou estaria a governar com o programa do PS, ou poderia acusar a esquerda de ter viabilizado o governo da PAF, e reinaria absoluto na oposição.
Por razões diversas Antonio Costa não o fez, e por essa via pôs o país, o PS, e ele próprio num caminho extremamente dificil e perigoso.
Via dificil e perigosa porque as exigencias do BE e PCP desvirtuaram por completo o programa económico do PS, assim como introduziram uma enorme desconfiança nos investidores, tudo isto agravado pelo facto de que, para satisfazer simultaneamente as exigencias dos seus parceiros e as exigencias europeias quanto ao deficit, o governo teve também de travar a fundo o investimento público. Ficámos assim num país em que o investimento, que já era pequeno, se reduziu ainda substancialmente, tanto a nível privado com público, o que conduziu ao "desastre" do crescimento do PIB.
Esta "habilidade" de conseguir distribuir dinheiro para consumo, em especial aos funcionários públicos, sem afectar o deficit, só tem sido possível por via do aumento dos impostos indirectos e da reduçao do investimento público, o que pode ser uma via engenhosa ,mas que tem vida curta e custos enormes para a economia, a curto prazo, mas sobretudo a prazos mais longos.
Como é óbvio os parceiros do PS são insaciáveis, tanto mais que um "puxa pelo outro", e o governo vai ter que pagar facturas cada vez mais altas, e por essa via a estagnação da economia nacional será crescente, e o país será levado a um beco sem saída, que é o objectivo claro, embora não declarado, dos radicais do BE e PCP.
Costa tem mostrado uma habilidade política notável, uma calma invejável, e até também capacidade de lidar com alguns dossiers difíceis, mas tudo isso de nada servirá nem a ele, nem ao PS, nem sobretudo ao país, se continuar a ser condicionado pelas exigencias dos parceiros. Aquelas exigencias estão já a paralisar a economia e depois levarão o país aos caos, como aliás eles sempre quiseram.

terça-feira, 11 de outubro de 2016



SALGADO, ZEINAL E A PT

Numa entrevista recente Ricardo Salgado veio dizer que não foram os 800 milhões do financiamento ao GES por parte da PT, que destruíram a empresa.
Desta vez Salgado até tem razão, apesar de toda a sangria que a PT já tinha sofrido ao longo dos anos, não chegaria um golpe de "apenas" mais 800 milhões para acabar com ela.
Mesmo sendo aquela argumentação correcta, ela em nada altera o carácter criminoso do referido financiamento ao GES, e não o iliba, nem a ele, nem a Zeinal, nem aos outros que tornaram essa operação possível.
Mas mais importante ainda é que Salgado e Zeinal, para além de responsáveis por aquela operação, foram também responsáveis pela operação que, essa sim, destruíu a PT, e que foi a forma como foi negociada e concretizada a entrada no capital da OI.
A declaração de Salgado seria assim, quase como a de um assassino que argumenta que não foi a sua primeira facada que originou a morte da vítima, "esquecendo" entretanto de mencionar que a facada fatal também fora dada por ele mesmo.
Toda a gente sabia que a OI era uma empresa duplamente complicada, primeiro porque era uma má empresa (descapitalizada, tecnologicamente atrasada, com inúmeros vícios, etc), segundo, porque era controlada por accionistas "complicados". Neste quadro, qualquer negociação com vista uma entrada no capital da OI, ou fusão com ela, teria de ser feita com os maiores cuidados, isto supondo a existência de uma justificação segura para esse investimento.
As pressões políticas para a concretização do negócio da OI terão sido grandes, mas mesmo que assim tenha sido, tal não pode justificar a dimensão dos erros que se sucederam.
Que responsabilidade teve Salgado na operação? Apenas a de confiar em Zeinal? (porque embora Salgado formalmente nada tivesse a ver como assunto, dado que não era nem sequer administrador da PT, de facto tinha sido ele que "nomeara" Zeinal para a PT e o recebia a "despacho" no BES). Foi Salgado traído por Zeinal? Ou será que Salgado teve envolvimento pessoal directo na operação e nos seus detalhes?
Quanto a Zeinal as responsabilidades são claras e ineludíveis, nem o argumento de ter sido enganado poderia colher, porque embora Zeinal não seja o "génio da finança" que gostava que constasse por aí, era um gestor tecnicamente competente e com grande experiência neste tipo de operações. Porque se "enganou" Zeinal? Pressões políticas e "outras" de caracter urgente? Excesso de confiança? Acabou enganado pelos accionistas brasileiros? Ou será que Zeinal não se enganou, e tudo decorreu conforme ele previra e programara? Ou...?
Passado todo este tempo continuamos sem respostas,e à boa maneira portuguesa parece que já todos esquecemos.
Esquecemos a PT, como esquecemos o BCP, a CIMPOR, o BPN, a CGD, o BES, o BANIF e outros.
Devem ter sido qualquer coisa como 50 biliões (cinquenta mil milhões) perdidos, portanto nada com significado para um país rico como o nosso..
E o pior é que tudo vai acontecer de novo, porque, pura e simplesmente, mais uma vez nada mudou, nem a CMVM, nem a responsabilização dos gestores.




Foto de Eduardo Correia de Matos.

domingo, 9 de outubro de 2016



SEPARADOS À NASCENÇA?

Os dois venceram sozinhos, cada um à sua maneira, cada um a sua batalha. As suas vitorias não foram vitorias de partidos ou de instituições, foram claramente pessoais.
O que existe de comum entre estes dois homens? Que forças os animam? O que os aproxima e o que os afasta?
No aspecto físico as diferenças entre eles são grandes e crescentes, até porque enquanto Marcelo emagrece, Guterres engorda, mas de resto em tudo parecem semelhantes.
São homens da mesma geração, que convergiram nas concepções social-democratas, católicos praticantes, ex-alunos brilhantes, trabalhadores incansaveis, conhecidos pela inteligência e pelo dom da palavra, ambos com perfis "muito políticos", os dois com baixo perfil executivo, dois corredores de fundo ambiciosos, duas personalidades que com facilidade criam empatia, dois resilientes à solidão pessoal, etc
Apenas uma característica importante os afasta, enquanto Guterres sempre foi uma figura bem comportada, Marcelo só agora parece ter conseguido controlar a sua proverbial "traquinice". Para além daquele aspecto, o que os afasta parece ser muito pouco, pequenas diferenças ideológicas, diferentes níveis de extroversão, formação académica diferente, percursos também diferentes, mas tudo somado muito pouco.
Será esta uma receita para o sucesso político em cargos não executivos? (Já que para cargos executivos os perfis mais "rústicos" parecem mais adequados)
E se, nas passadas eleições presidenciais, o duelo entre os dois tivesse acontecido? Que bom teria sido assistir! Que teria restado depois de uma intensa luta fratricida?
Ter-se-ia perdido um SG da ONU, mas teríamos satisfeito uma curiosidade que nunca mais poderá ser esclarecida.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016


E AGORA?

Guterres ganhou, foi ele que venceu, não foi Portugal, não foram os portugueses, foi ele. Mesmo as nossas instituições, que podem ter ajudado alguma coisa, nunca se saberá se foram de facto importantes nesta vitória.
Quem venceu foi a habilidade política de Guterres, foi a sua determinação de entrar e de se manter num jogo que à partida estava viciado contra ele, foi a sua resistencia de maratonista, numa corrida que ele começou há muitos, muitos anos.
Como foi ele que ganhou a eleição, no final do seu mandato também será apenas ele a ser o vencedor ou o derrotado, não Portugal, não os portugueses.
Tudo parece apontar para que os proximos anos sejam especialmente difíceis em termos da política mundial. O nível de conflitualidade está aumentar, as dúvidas sobre a globalização crescem, o extremismo religioso está de volta, os "bárbaros" agitam-se, etc Neste quadro o papel de Guterres será extremamente difícil, ou ele opta por ser mais um Secretario Geral/Relações Publicas, ou terá pela frente dificuldades enormes, que irão desafiar toda a sua habilidade, a sua calma, a sua tenacidade e o seu conhecimento.
Quanto a mim vai ser difícil, muito difícil. Boa sorte!
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COMO MORTÁGUA INSULTOU A ESQUERDA
(A CONFIANÇA E A FISCALIDADE)

Mariana desmontou da sua moto, tirou o capacete, e com aquele seu ar de menina comportada e séria, que o Bloco tem feito questão de desenvolver nela e noutros camaradas, virou-se para as câmaras e disse:
"Temos de deixar de ser cobardes e pouco inteligentes, a maneira de diminuir a desigualdade é simples, tiramos um bocadinho aos muito ricos e distribuímos pelos mais carenciados, só é necessário ter coragem e visão!"
É difícil perceber como toda a esquerda, em Portugal e no mundo, nunca tinha percebido isto. Na verdade,foi preciso chegar ao sec XXI, para que uma menina, com ar ainda de colegial, lhe viesse apontar o caminho!!
O PS, meio embaraçado, balbuciou diversas posições confusas sobre o assunto.
O PC, depois de em privado ter dado meia dúzia de saltos no ar, mais uma vez engoliu em seco, perante mais esta operação de vedetismo das meninas do bloco. tudo apenas para salvar a geringonça.
A direita esbracejou quanto pôde, mesmo depois de lhe ter sido lembrado que há pouco tempo tinha defendido algo de parecido com a proposta da Mariana. No meio de tanto esbracejar, os argumentos mais importantes contra o perigo desta idéia quase que se perderam.
E assim vamos.
O BE, capitaneado por Louçâ, continua a investir tudo na sua pele de cordeiro, tanto que tem referido diversas vezes a importância de se ser como um vendedor de automóveis usados confiável (um pouco demasiado USA, para meu gosto), sempre sem qualquer preocupação de rigor económico, imperdoável para um Prof do ISEG, mas com o seu ar de São Francisco lá vai conseguindo passar uma mensagem de fiabilidade. A revolução virá a seu tempo, quando as condições materiais se concretizarem, e aí terá de ser um "pouco menos" amigável, mas tudo será feito em nome de "amanhãs que cantam".
Para o PS o que importa é o pragmatismo, é apenas "deixar pousar" que alguma solução se arranjará. Não foi assim até aqui? Não se tem resolvido tudo? Porquê stress?!
O PC, face às operações de charme das meninas e do Sâo Francisco, vai engolindo os seus sapos, procurando apenas capitalizar em cima dos disparates do Bloco relativamente às "rupturas moderninhas". Não esquecendo nunca que a revolução é o objectivo único, altura em atirará tudo fora, incluído o bébé com a água do banho.
A direita esbraceja tanto, que ficam confusos os seus argumentos no meio de tanto ruído.
Apesar de sermos hoje talvez o país mais endividado do mundo, considerando as dívidas pública, empresarial e pessoal.
Apesar do investimento público e privado estar pelas ruas da amargura.
Apesar de tudo isto, ninguém explica o que é o investimento e os seus efeitos, o que a entrada ou saída de capitais significam, como é que os países enriquecem ou empobrecem, e também, e talvez sobretudo, o valor económico e financeiro da CONFIANÇA.
Como já vimos recentemente em Portugal, e vemos constantemente noutros países, o valor da "riqueza" é altamente volátil, não só porque parte dela pode efectivamente "voar", mas sobretudo porque ações de empresas de um dia para o outro podem não ter qualquer valor, como nada valem palácios que ninguem quer para nada, ou empresas e herdades abandonadas, ou mesmo dívida pública e empresarial que nunca serão pagas, o valor de tudo isso depende sempre da tal confiança.
Perante isto, as grandes questões fiscais deveriam ser questões para pactos de regime.
É improvavel que isso venha a acontecer, e por essa razão, o nosso futuro continuará sombrio

domingo, 25 de setembro de 2016



SARAIVA, OS NOSSOS COMENTADORES E O MARKETING
Como é que foi possível que Saraiva tivesse conseguido envolver a quase totalidade dos nossos comentadores políticos, da esquerda à direita, na sua manobra de marketing?
Falta de assunto? Atracção pela polémica? Procura destes comentadores em agradar aos seus públicos? Aversão ao Saraiva?
É difícil compreender o que se passou, o que é indiscutível é a habilidade de Saraiva para pôr todos os seus inimigos, críticos e outros, ao serviço da sua operação mediática, com a finalidade única de vender enormes quantidades de um livro sem qualquer novidade ou interesse e, simultâneamente, reforçar a sua imagem como escritor/comentador polémico para futuras iniciativas (agora que está se emprego).
Ou terá sido simples solidariedade dos nossos comentadores para com o arquitecto/jornalista desempregado? Não é de crer nesta possibilidade, mas essa seria a única explicação lógica.
A verdade é que o livro é extremamente pobre, quer em termos literários, quer de conteúdos. Não existe nele nada que qualquer dona de casa que siga a política nacional não conheça. Os tão apregoados escândalos, para além de não serem novidade para ninguém, são contados de forma tão natural que ninguém os notaria caso não tivessem sido tão enaltecidos pelos nossos comentadores.
A manobra de Saraiva foi simples, fez correr pelas redacções a sua intenção de editar um livro baseado na intimidade dos políticos, e anunciando como "aperitivo" dois ou três pontos, que fez questão de sugerir como "escabrosos". Logo de seguida, inexplicavelmente, a nata dos nossos comentadores mordeu o isco e a maior campanha publicitaria gratuita que alguma vez se fez em Portugal foi desencadeada. Parabéns para o Saraiva!
Esta não foi a primeira campanha deste tipo feita em Portugal, ainda recentemente, Henrique Raposo, quando do lançamento do seu livro sobre o Alentejo, fez algo semelhante, em pequena escala e sem invocar questões pessoais ou escabrosas. Aquele lançamento de Raposo talvez tenha "inspirado" Saraiva.
Parabéns para o Saraiva, que com este livro já pagou o seu andar no Jamor, assim como o IMI para muitos anos (incluindo a sobretaxa da vista sobre o rio e tudo)!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

AINDA HÁ ESPERANÇA
As loucuras de Trump em lugar de ficarem mais moderadas, o que seria o expectável nesta fase da campanha, tornam-se de dia para dia mais loucas.
O homem perdeu totalmente o controle sobre si próprio e a sua campanha.
Esperemos que a situação se continue a agravar, o grande risco que existia de ter Trump como presidente parece agora afastar-se.
Campaign staff are reportedly “suicidal” as Republicans turn on their own nominee.
VANITYFAIR.COM|DE TINA NGUYEN