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quinta-feira, 9 de março de 2017


A GUERA ESTÁ IMINENTE?

É coisa que nunca se sabe, mesmo depois de as primeiras bombas começarem a rebentar, mas parece que sim, pelo menos há muito tempo que as condições não pareciam tão propícias.

De um lado um louco, vizinho da China e portanto numa zona de alto interesse estrategico para os USA, do outro, um presidente americano arrogante, básico e frustrado com o pântano do seu mandato. Que melhor saída do que uma guerra aparentemente fácil (como todas as outras)?

Apertem os cintos!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017


PORQUE COSTA NÃO HUMILHOU CAVACO?

Quando empossado como 1º ministro, Costa disse que faria tudo para que o Senhor Presidente da Republica acabasse o mandato com dignidade.
Depois de todas as dificuldades (desajeitadas) que Cavaco tinha posto à geringonça, após o imenso desastre dos seus últimos discursos e perante a imagem muito negativa que o Presidente então tinha, julgo que houve muita gente que duvidou da veracidade daquela intenção de Costa, entre os quais eu proprio.
Sou mesmo capaz de pensar em varios ex-primeiros ministros que em situação equivalente o não teriam feito, a começar talvez pelo proprio Cavaco.
Porque o fez Costa?
Terá sido apenas por respeito à idade do cessante?
Terá sido a pensar que um dia ainda poderia necessitar de votos da base cavaquista?
Terá sido a consciencia da importancia institucional para o regime, de um presidente não sair mal de Belém?
Se foi apenas por respeito pela idade, foi um presente pessoal a Cavaco, que ele lhe deveria agradecer.
Se foi a pensar no eleitorado de Cavaco, foi apenas uma jogada política mais, e ninguém deve nada a Costa por isso.
Se foi por pensar que, independentemente do prazer pessoal que isso lhe pudesse dar, seria muito mau para as instituições nacionais, ter um PR a sair de Belem humilhado na praça pública, se assim foi, então todos estamos em dívida para com Costa.
Como não sabemos quais as razões de Costa, temos de dar ao nosso "malabarista-simpatico" o beneficio de um credito, pelo menos parcial, neste episodio.
Será que Costa entretanto já se arrependeu?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017




O ERRO DE CENTENO

Eu digo o erro e não os erros, porque toda esta trapalhada parte apenas de um único erro.
Esse erro foi Centeno ter-se esquecido de que não é um político, não sei se virá a sê-lo, ou até se o quererá, mas na verdade não o é.
Todos os políticos têm de ser bons na "baixa política", nas pequenas mentiras, na intriga, no teatro, etc Depois há a Politica com P grande que é indispensável aos mestres, mas isso não está aqui em causa agora.
Embora Centeno não seja um politico, ultimamente começou já a fazer algumas pequenas intervenções de baixa política, que não devia ter feito, porque por essa via se foi sentindo político, e foi isso que o perdeu, isso e, claro, as estrategias recomendadas por assessores e colegas sobre a melhor forma de descalçar esta incomoda bota.
Mas o que seria a melhor forma para um político não o é para um não-politico.
Se Centeno tivesse, logo no inicio, posto a sua cara de ingénuo, e tivesse dito, que o que ele queria era apenas a melhor solução possível para um dos maiores problemas do país, e que os especialistas lhe tinham dito que as exigencias de Domingues eram exequíveis, pelo que ele, que não é jurista, se tinha comprometido com ele.
Diria também que afinal as coisas não eram bem como lhe tinham dito e por isso pedia desculpa ao indigitado e ao país.
Tudo simples e compreensivel, como o cidadão Centeno teria feito se não se julgasse político.
Ser meio-político não é possível, diria mesmo que é suicidio, o que espero não seja o caso.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017


O CASAL CAVACO SILVA E O PODER

Refiro-me ao casal, porque Cavaco não existiria sem Maria, isto nada tem de negativo, antes pelo contrario, é sinal de um casal que soube ser uma equipe de sucesso.
Este facto apenas é importante porque só à sua luz se pode compreender Cavaco.
Sem Maria, Cavaco seria apenas um director do Banco de Portugal e um professor de "Económicas", tão competente tecnicamente, como pedagogicamente desastrado, de quem os alunos fugiriam, dele, da sua rigidez e das suas piadas que ninguém percebe.
Mas Maria fez dele ministro, primeiro ministro e Presidente da República.
Como teria sido se João Salgueiro tivesse tido uma Maria que o tivesse levado à Figueira da Foz, naquele Maio do ano de 1985, quer fosse ou não para fazer a rodagem do carro novo.
Ele tinha mais experiencia, mais cultura, mais mundo, e um espirito mais aberto do que Cavaco, faltou-lhe a Maria e o seu empurrão.
Foi mau para o país? Nunca o saberemos.
Cavaco liderou aquele que foi talvez o melhor governo da democracia portuguesa, o seu governo minoritario de1985/87.
Tinha uma boa equipe, com enorme vontade de mudar o país, que, pressionada até pelo curto tempo de que potencialmente dispunha, trabalhou em força como uma verdadeira equipe, todos para o mesmo lado.
Foi um sucesso, sucesso que levou à primeira maioria absoluta de Cavaco.
Depois veio o governo daquela primeira maioria e as coisas começaram a piorar. A falta de liderança natural de Cavaco veio ao de cima.
Cavaco não é um líder natural, no sentido daqueles que com facilidade galvanizam uma equipe, falta-lhe a energia e a capacidade de empatia para o fazer, ele lidera pela disciplina, pelo trabalho, pela habilidade política, pela manobra, pelo que se resguardou por trás da sua crescente importancia, e depois manobrou, manobrou muito, até por vezes dividindo para reinar.
Foi assim que os vapores do sucesso anterior e os conflitos internos fizeram cair a qualidade da governação.
Para cúmulo, já na fase final do governo, Cavaco acaba por tomar medidas claramente eleitoralistas, para comprar a sua segunda maioria, medidas essas que tiveram um alto e prolongado custo para o país.
Do governo da segunda maioria, pouco há a dizer, foi o governo da ladeira abaixo.
Foi apenas a prova que não vale a pena comprar eleições que não merecem ser ganhas.
Apesar de tudo isto, em relação à media geral dos governos democraticos de Portugal, a qualidade média dos governos de Cavaco não será motivo de orgulho, mas também não o envergonha.
Depois foi à presidencia, que a resiliencia e a tenacidade de Maria Cavaco o levaram.
Para dizer a verdade, apesar de não ter gostado de Cavaco como 1º ministro, tive esperança de que viesse a ser um bom presidente, face á sua experiencia e ao seu perfil, mais de político do que de líder executivo.
Se o seu primeiro mandato foi satisfatorio, apesar de algumas situações pouco claras, o segundo mandato foi claramente um desastre.
Desastre em parte justificado pelas dificuldades de interagir com um politico muito dificil, como era Socrates, mas desastre sobretudo pelo seu isolamento, pela sua teimosia e pelo seu auto-convencimento.
Acabou mal.
Por ironia do destino, Costa ainda o ajudou a acabar a sua presidencia com alguma dignidade, conforme havia prometido que faria.
Em conclusão. Apesar de tudo, há sempre milagres que as Marias* não conseguem fazer, mesmo desenvolvendo os seus melhores esforços.

* (ou os Maneis, para o caso de "presidentas")

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017



SCHULZ, A ÚLTIMA HIPÓTESE PARA A EUROPA?

Quero começar por dois esclarecimentos que à frente desenvolvo, primeiro, considero que Merkel foi uma grande chanceller, e em segundo lugar, não sou dos que pensam que a Alemanha deva ter um livro de cheques em branco para distribuir aos países do sul.
Numa época muito difícil da historia europeia Merkel foi, apesar de tudo, dos poucos líderes europeus que teve uma visão do caminho a seguir.
No entanto, Merkel fez varios erros, o maior dos quais foi o de ter encabeçado a versão europeia de que a crise financeira era um problema americano sem correspondencia na Europa, isto quando era evidente que os bancos alemães estavam numa situação dificil, quer pela exposição aos produtos toxicos americanos, quer pelos imensos volumes de credito dados ao exterior.
Esta invenção da Europa continental, de que não existia aqui uma crise bancaria, levou a que a banca europeia não tivesse sido obrigada, logo no inicio da crise a recapitalizar-se, como aconteceu nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Claro que uma recapitalização da banca, envolvendo bancos de um grande numero de países, ainda para mais com contabilidades de credibilidade duvidosa, era muito dificil.
Assim, para fugir da recapitalização geral, criou-se um "cordão sanitario" em volta dos bancos alemães, e só depois desse problema controlado, se começou a pensar no resto da banca que entretanto foi vivendo num mundo artificial de facilidades, agravando os seus problemas, facilidades essas que no final foram pagas muito caro, como todos sabemos.
Merkel, certamente muito pressionada por Schauble e outros radicais, conseguiu implantar a solução alemã numa Europa "de cabeça perdida", com o apoio de Bruxelas, encabeçada por Durão Barroso.
Foi mau, mas sem Merkel teria sido pior, porque não apareceu ninguém a defender uma solução alternativa, que não fossem as que teriam levado rapidamente a Europa ao caos total.
Quanto ao segundo aspecto, do livro de cheques em branco ao sul, acho especialmente ridículo o argumento de alguns que dizem ser anti-democratico, não financiar todas as decisões democraticas dos diversos povos.
Caso tudo o que cada povo democraticamente decidisse tivesse de ser pago pelos outros,, rapidamente teríamos de ter em Frankfurt uma máquina de fazer dinheiro ainda muito maior do que a que já existe hoje, e de seguida, uma inflação de fazer inveja ao Zimbawe de Mugabe.
É evidente que é inviolavel o direito de qualquer país implantar internamente as suas "decisões democraticas", mas não pode para isso exigir que outros venham financiar essas decisões, fora dos compromissos assumidos.
A crise financeira deixou marcas profundas em muitos países europeus, da Irlanda à Grecia, passando por nós e muitos outros, a isto vieram juntar-se os problemas da concorrencia asiática, da emigração e do terrorismo, que afectaram sobretudo outro grupo de países.
Ou seja, a Europa está a viver tempos muito difíceis, financeiros, de modelo social e culturais, tempos portanto perigosos para uma comunidade em formação. Isto já sem mencionar os crescentes perigos externos.
Se não houver um grande bom senso e uma enorme vontade política para ir resolvendo os nossos problemas, dificilmemente o projecto europeu sobreviverá.
Como sempre, a Alemanha terá um papel crucial nesta encruzilhada europeia.
Alemanha essa que nos últimos tempos foi duplamente beneficiada pelos seus parceiros europeus, quando alinharam na sua politica de resguardo da banca alemã e, antes disso, quando nos tempos de Schroeder essa Europa gastava o que tinha e o que não tinha, facilitando a vida a uma Alemanha que nessa altura, já precavidamente, apertava o cinto. Isto para além da enorme e permanente vantagem que representa para a Alemanha o facto de exportar em euros.
Merkel e os seus aliados não vão ser capazes de resolver o imbroglio europeu, os Schaubes da vida nunca o farão nem deixarão fazer.,
É tempo de Schulz, como antes foi de Brandt, Schmitt e Schroeder.

domingo, 5 de fevereiro de 2017



DIOGO FREITAS DO AMARAL É DIOGO DE ANDRADE?

Como já disse num post anterior, é muito estranho que um livro de boa qualidade política, historica e literária, ao fim de seis anos permaneça como filho de pai incógnito.
A única justificação para tal, parece ser a de o seu autor pensar que o conhecimento público da respectiva autoria o pode prejudicar,
Quem, hipoteticamente, teria os conhecimentos necessarios para escrever este livro? Conhecimento não apenas dos factos mas também dos "tiques" das personagens do antigo regime. Afastando historiadores e jornalistas que não teriam razão para querer manter o anonimato, restam-nos os políticos e aparentados.
De entre os políticos, Marcelo Rebelo de Sousa seria certamente o primeiro suspeito, mas, apesar de ser óbvio o seu interesse no anonimato se fosse ele o autor, existem no entanto três razões que afastam essa possibilidade, duvido das suas qualidades de romancista, e muito mais ainda da sua capacidade para criar a personagem feminina do livro, isto para além de que um romance Marceliano teria certamente mais intriga e misticismo e menos erotismo.
Teríamos também Adriano Moreira, que teoricamente o poderia ter escrito, mas que, como "grande senador da república", não quereria certamente assumi-lo. No entanto, também o lado romancista de AM é desconhecido, para além de que, se o tivesse feito, a solução política encontrada, Kaulza/Franco Nogueira, não seria certamente a sua.
Existem outros autores potenciais, como Jaime Nogueira Pinto e José Miguel Júdice, mas que razões teriam eles para esconder a paternidade? Para além deles, na linha de personagens com conhecimento para escrever o livro em causa, outros haveria, mas todos sem razões para esconder a respectiva paternidade, poderia aqui pôr nomes como Alberto Xavier, Augusto Athaíde, etc
No meio deste puzzle resta-me um nome, por acaso (ou não) também Diogo, de seu apelido Freitas do Amaral. Como todo o bom suspeito, tinha os meios, a oportunidade e o mobil.
Tenho assim o meu suspeito perfeito.
Freitas tem experiencia como romancista, e, para além disso, a sua mulher, Maria Roma, que sempre foi tida como uma crítica do antigo regime, poderia ser uma fonte de inspiração preciosa para construção da personagem feminina.
Porque quereria Freitas esconder este seu filho?
Existem duas boas razões para isso, por um lado assumir esta autoria não seria o ideal para um político que se tem vindo a aproximar da esquerda, por outro lado, também talvez não goste de se apresentar à direita como o jovem professor de direito que Marcelo em devido tempo não escolheu para ministro da defesa e que poderia ter mudado a historia de Portugal.
Existiria uma outra hipótese, tanto mais que o livro tem uma parte importante de confronto militar urbano.
Porque não um militar? Mas que razão teria um militar, hoje já na reserva, para não assumir a autoria? Um militar político-romanesco??!!
Continuo a preferir a hipótese Freitas.
Esta é minha teoria, sobre os Diogos, aceito críticas e sugestões.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017



"A DERROTA DO 25 DE ABRIL"
QUEM ESCREVEU?

Este livro, Alvorada Desfeita, um romance, que é o melhor exercício de historia virtual alguma vez feito em Portugal, é de um autor desconhecido.
O livro parte da suposição de que a seguir ao golpe das Caldas, Marcelo Caetano demite o ministro da Defesa e nomeia para o cargo um jovem professor universitario. Na sequencia disso, o MFA é derrotado no dia 25 e Caetano é substituido por um Kaulza já federalista, e depois por Franco Nogueira. Tudo isto entremeado com um romance entre o ministro e uma jovem intelectual de esquerda que o vai traíndo.
Portugal não tem tradição de historia virtual, a tal do "E se ...?", é pena, porque ela ajuda a pensar não só a historia como o futuro. Assim, também é pena que não exista um exercício de sinal contrario, do tipo " e se Otelo tivesse vencido?", já agora com o mesmo nível de qualidade política, e literaria.
Embora tenha uma parte militar bastante detalhada, o romance é muito interessante, não apenas pela parte política mas também pelas considerações de ordem cultural.
Editado em 2010, o livro passou quase despercebido, o facto de ser filho de pai incógnito terá contribuído para isso.
Porque é que o autor nunca assumiu esta sua obra?
Trata-se de alguém que conhecia bem o antigo regime por dentro, alguém que escreve bem, que tem um elevado nível cultural e um espírito aberto, porque se esconde?
Os nomes óbvios que têm sido referidos não fazem sentido, nenhum deles teria razões para esconder este "filho".
Então quem? Tenho as minhas suspeitas, mas apenas isso, sem qualquer indício concreto, para além da análise do texto e dos agentes políticos portugueses. Será ele?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017



DA ESQUERDA À DIREITA
UM RUÍDO ENSURDECEDOR

A esquerda, depois de ter feito tudo errado e deixado Trump chegar ao poder, continua a esbracejar e a repetir os mesmos erros.
Na verdade nem sequer compreendeu o que se passou, por isso não pode compreender o que aí vem, nem o que fazer.
Ter como única estrategia, face aos perigos de Trump, não lhe dar um minuto de descanso, seria bom caso soubesse o que fazer, mas quando não se sabe, esse caminho só conduzirá ao desgaste das hostes e ao fortalecimento do inimigo, cujas bases assistem atónitas a espectaculos de "pussies", para elas degradantes, e assim reforçam a sua crença no novo redentor.
Não é que Trump não seja potencialmente muito perigoso, é exactamente por o ser que não podem ser dados tiros nos pés.
A direita festeja, também ela não sabe o quê.
Festeja sobretudo porque a esquerda está assustada, porque a esquerda foi humilhada e está revoltada, e isso já é suficiente para que a direita comemore.
Comemora-se, talvez com prazer especial, a morte do políticamente correcto, mesmo sem se saber o preço que será pago por isso.
Caso estivesse iminente o rebentar de uma bomba sobre todos nós, essa direita seria também capaz de festejar a morte da esquerda, mesmo morrendo também com ela.
No meio deste ruído todo, não são apenas os habituais primarios, mais ou menos trogloditas, de um lado e de outro, que gritam coisas desconexas e contraditorias, a surpresa é que há gente que pensa bem, envolvida no mesmo turbilhão acéfalo e ruídoso. O pensamento foi suspenso, agora é tempo de combate.
A coerencia e a lógica morreram, o primarismo e todos os ódios estão à solta.
Por entre tudo isto, o centro não comprometido, assiste atónito.
Também ele nada compreende, apenas espera.
Enquanto isso os outros dois lados, cada dia mais radicalizados, querem eliminá-lo, não é tempo para ter gente em cima do muro, a escolha vai ser obrigatoria, todos terão de megulhar de cabeça num desconhecido qualquer.
O silencio e a espera são apenas cobardia, por isso eles são dupla traição, e portanto duplamente criminosos.
Durará isto apenas até que, as muitas e diversas bílis descarreguem os seus venenos, ou vamos mesmo viver tempos perigosos?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


TRUMP E O SALAFISMO

Até agora nada foi dito sobre o assunto, nem da parte dele nem dos numerosos analistas políticos, no entanto esta é uma das questões mais importantes da ordem internacional e não pode continuar a ser escamoteada.
Há varios anos que a Arábia Saudita e outros estados do golfo, têm vindo a financiar a expansão do salafismo pelo mundo fora, ou seja, do sunismo tradicional e radical.
Face à capacidade energetica e financeira daqueles estados, o Ocidente nada tem feito para contrariar este movimento, chegando até a minimizar a sua importancia. Neste quadro o salafismo expande-se rapidamente por todo o lado, quer nos países ocidentais, quer nos países sunitas que sem ajudas do ocidente têm cada vez mais dificuldade em parar essa expansão.
Neste momento está estabelecido um quadro que facilita uma alteração radical da política americana, por um lado a independencia energetica dos Estados Unidos, por outro a quebra do isolamento do Irão, caso a isto se junte uma estrategia comum com Moscovo, o salafismo pode ser parado.
Será que Trump com a sua proverbial loucura vai inverter esta situação? Caso tivesse a clarividencia e a coragem de o fazer certamente entraria rapidamente para a lista dos melhores presidentes dos Estados Unidos.
Tempos de grande incerteza mas também de grande esperança.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017



TRUMP E MAY APOIAM COSTA

Calma, eu sei que Trump nem sequer sabe quem Costa é, e que, se soubesse não o apoiaria. Mas na verdade Trump converteu-se num inesperado aliado de Costa e dos governos do sul da Europa.
Também May vai apoiar Costa, espera-se que no seu discurso de hoje venha dar mais uma ajuda. 
O nosso Costa, malabarista simpático, continua a ter sorte.
A Alemanha vai ter mesmo de flexibilizar as suas posições, se não quer que isto tudo se desfaça, e tem de começar a ser de facto o motor do crescimento europeu.
Assim, a geringonça, apesar das suas habilidades, com a distribuição de benesses à custa do investimento público e do aumento do contas a pagar, vai continuar o seu caminho.
Tudo corre às mil maravilhas para Costa, para Marcelo e por enquanto não vai mal de todo para o país, é preciso é não abusar da sorte e não julgar que os resultados são fruto de outra coisa, que não apenas da referida sorte.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017



FUNERAIS DE ESTADO

Vou tentar abordar aqui duas questões, a participação popular e os aspectos cenograficos.
A baixa participação popular no funeral de Soares só foi uma surpresa para quem não tivesse pensado no assunto. Nos tempos que correm as pessoas só se motivam para se deslocarem a assistir ao vivo a um acontecimento, no caso de tal proporcionar um espectaculo que o justifique, ou se estiver envolvida nesse acontecimento uma grande carga emocional.
Nada disso acontecia com Soares, ele era já velho e estava doente há bastante tempo, era uma morte natural e esperada, além disso estava afastado do poder há muitos anos, e, para mais, os jovens não viveram os seus tempos aureos, pelo que seria difícil a sua mobilização, e eles são sempre a população mais disponível para ser mobilizada.
Nesta situação era evidente que os velhos e a meia-idade iriam participar das cerimonias confortavelmente em casa, pela televisão e pelas redes sociais, foi o que aconteceu.
Últimamente tem sido dito muito disparate sobre os perigos das redes sociais, mas no que se refere à participação ao vivo em actos públicos, elas são de facto um factor de redução dessa participação, salvo quando a emoção vence a inercia.
Se foi assim com Soares, tudo leva a crer que com os outros ex-presidentes irá ser bem pior. E isso leva-me aos aspectos cenograficos.
As cerimónias foram altamente elogiadas por toda a gente, no entanto, permito-me levantar algumas reticencias.
Ou se faz um funeral digno mas simples ou se faz um funeral com intençao de ser impactante. Se é para ser impactante não faz sentido poupar uns tostões, não digo gastar fortunas, estou a falar de milhares de euros a mais ou a menos.
Um funeral de estado ou é uma coisa simples e digna, ou é um espetaculo, meia coisa é um disparate.
Ninguém vai faltar ao funeral da raínha Isabel porque, para além da ligação emocional a uma raínha em exercício, o espectaculo é garantido e raro.
Na linha de fazer "solenes" funerais de estado, julgo que existem aspectos que deveriam ser melhorados:
- não faz sentido um longo percurso pela cidade, ele deve ser concentrado e muito impactante
- o refeitorio dos Jeronimos não me parece uma boa solução (a sala em si e os acessos), pelo que ou se investe em decoração ou se escolhe outro local
-não compreendo que no passeio dos Jeronimos, entra a rua e a entrada do mosteiro, não houvesse uma guarda de honra
- o pessoal necessita de melhor treinamento, em especial no que respeita ao transporte do caixão
-etc.
- enfim, foi um bom esforço mas tudo tem de ser repensado e melhorado
Por último:
. a Servilusa deveria ter tido o bom gosto de tapar o seu logotipo no carro que levou o corpo até à Praça do Municipio, julgo que não era o momento para fazer publicidade
. tenho dúvidas sobre a decisão do "dinamico Medina" de pôr um cravo na bandeira, se a família e o protocolo o não fizeram, porquê ele?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017



O LADO NEGRO DOS GRANDES HOMENS E A HISTORIA

A historia está cheia de grandes homens, com enormes defeitos, defeitos que deveriam ser exclusivo apenas dos homem comuns, mas que o não são, muitas vezes esses defeitos são ainda mais e maiores entre os tais "grandes".
Quando me refiro a grandes homens, não me circunscrevo aos políticos, mas também a pintores, músicos e outros artistas, ou escritores e poetas, ou ainda cientistas e individuos de outros campos, homens e mulheres que se impuseram pelos seus feitos ou pela sua capacidade intelectual ou artística, e dos quais seria expectavel um comportamento moral e ético acima de qualquer suspeita, mas a realidade é que isso raramente se confirma.
Por exemplo, na política apenas me recordo de dois nomes que claramente escaparam a esta maldição dos homens grandes, Ghandi e Mandela, e mesmo estes apenas depois de se terem dedicado às suas grandes missões. E fora da política o "super-grande" Einstein é talvez o exemplo maior.
Porque as coisas são assim?
Talvez porque os "grandes" têm de ter, além de muitas outras qualidades, pelo menos uma de duas características pessoais, um grande sentido de missão, e/ou um grande ego, assim, sempre que o ego é igual ou maior que o espirito de missão, o risco de um grande homem "pecar" aumenta exponencialmente, porque a dimensão do ego o cega.
Nos referidos pecados temos de tudo, desde o assassinato à simples mesquinhês, passando pela arrogancia, falta de escrupulos, nepotismo, amiguismo, pouco respeito pela coisa pública, teimosia, obsessões, desprezo pelos outros, etc
Como verá a Historia os grandes homens dos tempos modernos? A historia do passado nunca avaliou os homens pelo seu comportamento moral. Na verdade, a historia até aqui sempre foi a historia dos vencedores e da sua versão dos acontecimentos. Será sempre assim?
Será que no futuro a historia exigirá mais dos homens para os considerar grandes, mais do que apenas o rol dos seus feitos?
A democracia e a elevação do nível cultural geral serão determinantes de uma maior exigencia na definição dos nossos futuros herois?
Será que pelo menos vamos ter "herois com reservas"?
Penso que apenas quando isso acontecer poderemos esperar que a qualidade humana dos nossos herois vá melhorando, mesmo sem que, repentinamente, se transformem em impossíveis santos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017



O PRESIDENTE E A SEGURANÇA

O mais popular dos nossos presidentes tem sido, apesar disso, alvo de varias polémicas.
Porque aparece demais, porque fala demasiado, por causa de selfies, beijos, abraços, sorrisos e conversas também em demasia, etc
Assim, as opiniões dividem~se entre as dos que pensam que Marcelo vai por esta via desgastar o capital que acumulou e as dos que, ao contrario, pensam que que com este comportamento o seu capital vai continuar a aumentar, se possível for, exponencialmente.
Não sei o que pensam disto tudo os assessores presidenciais, mas julgo que devem andar completamente perdidos e totalmente frustrados com a sua inutilidade, dado que sabem que o Presidente fará sempre tudo e apenas o que lhe apetecer, independentemente do que eles pensem. Assessores esses que, aliás, duvido que ele ouça.
Um Presidente que ganhou as eleições sózinho, parece assim ser um problema grave de indisciplina. Se ele fez a parte mais dificil sem praticamente apoios, porque haveria de necessitar de assessores agora? Parece ser este o raciocínio de Marcelo.
É discutível se a acção de um Presidente deve ou não ter limites para além dos que constam da Constituição, mas existe pelo menos uma área em que julgo têm de existir limites à autonomia do "individuo-presidente", trata-se da área da segurança.
Um PR, com afectos ou sem eles, é uma figura pública de enorme importancia, para o país e não só. No nosso contexto actual, a segurança de qualquer pessoa física que seja PR, é importante até mesmo em termos europeus.
Os riscos de segurança de um qualquer PR europeu têm sempre de ser reduzidos ao mínimo possível, quer esse PR goste, quer não.
Daqui resulta que um PR, não tem períodos de folga, pelo menos públicos, como não pode ter autonomia para decidir onde vai, como vai, ou com quem vai.
O Marcelo, tão referido, tão amado, tão comunicativo, já não pode existir, quem existe é um PR, que por acaso se chama Marcelo e é muito querido.
Qual o valor político-mediático e quais os possíveis impactos resultantes da eliminação física de um qualquer PR europeu?

Existirá melhor passaporte para o Paraíso, cheio das melhores das virgens, do que o assassinato de um Presidente infiel e de um país da Europa Ocidental? 
Melhor ainda se representante de um país há seculos ocupante de territorio sagrado do Islão?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016





A DIREITA E MARIO SOARES

Há muito que Soares é o saco de pancada preferido da direita portuguesa. Talvez por ter sido a figura maior de um período da história nacional, foi nele que a direita decidiu concentrar todas as suas desilusões com o regime, assim como as suas frustrações consigo propria.
Também eu nunca fui um apoiante de Soares, sobretudo nunca gostei da promiscuidade entre o mundo dos negócios e o da política, realidade que ele parecia encarar como uma prova de modernidade, por oposição ao rigor sombrio do velho "Botas". Embora aquela promiscuidade já venha dos tempos de Marcelo Caetano, foi de facto com Soares que ela começou a ser sentida pela opinião pública.
Apenas mais tarde tive consciência do que se passou com Cavaco e alguns dos seus amigos, e a verdade, é que ao pé deles Soares e companhia foram apenas uns "meninos do coro". Nos tempos de Cavaco, o seu ar sério e rígido, foram a cortina que nos impedia de ver a realidade, e que, de uma forma ou de outra, foi a protecção de muitas das actividades que, entre outras, vieram a engrossar a enorme crise que ainda vivemos. Isto já para não falar de outros e sobretudo de Socrates, e dos seus ainda mais estranhos amigos.
Mas não é tanto destes aspectos que a direita acusa Soares, para ela a coisa é mais grave, Soares é acusado de traição, mais específicamente de alta traição. É aqui que eu penso que a direita entra num processo que eu diria de "transferencia", ao pretender empurrar as suas responsabilidades para um terceiro. E Soares é o terceiro ideal para o efeito, apenas porque foi a grande figura política no pós 25 de Abril, e por isso, óbviamente, origem de todos os males nacionais mais recentes.
A verdade é que grande parte desta direita que acusa Soares de tudo, no Verão quente de 75 estava já em Copacabana, ou Londres, ou entre Lausanne e Berna, ou ainda conspirando inconsequentemente em Madrid, enquanto que por cá, a Igreja, o povo do norte, Soares, Jaime Neves e outros, lutavam para impedir a radicalização do regime.
Eu sou dos que pensa que o PCP nunca quis uma revolução sangrenta em Portugal, porque Moscovo a não queria (por demasiado cara para os seus interesses) e porque Cunhal era obediente e mandava mesmo, apesar disso, o perigo que se viveu em Portugal de descambarmos numa guerra civil e de assassinatos em massa, foram perigos reais, em especial por causa de Otelo, das FPs e de outros grupúsculos de assassinos que podiam ter sido o detonador de um processo imparável. Nesse período foi de facto necessária coragem para fazer frente ás ameaças, em especial por parte das figuras públicas, e Soares foi dos que a teve.
Mas ainda não é tanto pela "compreensão" para com o PC, que Soares é acusado, a grande traição foi a descolonização. Tudo correu mal por culpa de Soares, tudo poderia ter sido diferente, tudo poderia ter sido bem feito, tudo sem os enormes custos, pessoais, sociais, políticos e económicos que a descolonização indiscutivelmente teve. Este é o grande fenómeno catártico da direita portuguesa, ela fez tudo certo, só que Soares traíu o país e arrastou-o, a ele e às antigas "colónias", para a desgraça!
Para a nossa direita, Soares foi pior que De Gaulle, que entregou a Indochina e depois a Argélia, Soares entregou tudo.
A direita teve mais de 40 anos para encontrar uma solução para as "Províncias Ultramarinas" e nada fez, diz-se que Salazar tinha um plano que foi posteriormente escondido, diz-se...
Apesar de tudo isso, existe uma direita que acha, que, mesmo depois da "quartelada", e já sem tropas efectivamente no terreno, Mario Soares podia e devia ter feito em uns poucos meses, aquilo que ela, direita, não tinha feito em 40 anos, como Soares o não fez, logicamente, só pode ter sido um traidor.
Portugal precisa de ter uma direita, melhor, o país necessitaria mesmo de ter varias direitas, pelo menos uma direita conservadora e uma direita liberal, seria bom para Portugal, ajudar-nos-ia a pensar mais claro e a melhor preparar o nosso futuro. Mas para que o país possa ter as suas direitas são necessarias varias coisas, entre elas, que as direitas compreendam/assumam o nosso passado Salazarista, e também que assumam as suas responsabilidades pelo desastre da descolonização. Enquanto isso não acontecer, o país não terá uma direita e viverá entregue a esquerdas diversas.
A direita portuguesa necessita do divã de um psicanalista de alto nível, até lá será apenas um zombie, escondida atrás das suas desculpas, sem encarar os seus fantasmas.
Esta pseudo-direita que temos prepara-se para festejar efusivamente a morte de Mario Soares, continua sem perceber que ao fazê-lo festeja apenas o seu primarismo, a sua miopia e o seu crescente desnorte.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016



OS PALÁCIOS DA BANCA PÚBLICA

O palácio da CAIXA é de fazer inveja a Ceausescu, o futuro palácio do Banco de Portugal vamos ver, mas tudo leva crer que a festa vai continuar.
Como pode um país falido, permitir que um banco central sem moeda, e um pequeno banco (tambem falido), como é a Caixa em qualquer parte do mundo, se possam permitir a ter dezenas de milhares de metros quadrados para passeio dos seus administradores e serviços diversos de apoio?
Quando é que vai haver um governo com coragem para estancar este tipo de comportamento novo-rico à custa dos dinheiros públicos?
Será só a mania das grandezas que leva à construção destes palácios ou existirão outros interesses ainda mais escabrosos?

domingo, 27 de novembro de 2016



UMA LIÇÃO MAIS

Assassino, heroi, ditador, revolucionario, etc Tudo isso é verdade mas agora pouco interessa.
O importante é compreender como Fidel foi possível, ali, à beira dos Estados Unidos, num dos países mais avançados da America Latina.
É essa enorme capacidade americana de fazer erros na política internacional que é necessario reter desta lição, porque vão existir muitos mais.
Fidel foi um produto dos habituais erros americanos, primeiro por não ver que a sociedade cubana estava bloqueada e necessitava de mudança, depois por transformar Fidel num comunista que ele não era, e ainda pela inépcia das tentativas de o derrubar.
As grandes potencias tendem a fazer erros que à partida são inimaginaveis, por arrogancia, pela existencia de informações e pressões contraditorias, pelas jogadas dos parceiros locais, pelo peso da burocracia, pelas "facilidades" dos falcões, porque estes "pequenos casos" são tratados por um um qualquer sub-sub desk-office do Departamento de Estado e só sobem na hierarquia quando já são dificilmente geríveis.
Para aqueles que pensam que tenho uma obsessão com a capacidade de errar dos americanos, e de uma forma geral das grandes potencias, recomendo que escutem McNamara, o secretario de estado de Kennedy e Jhonson, responsável pela escalada no Vietname. No filme "The Fog of War" McNamara explica pessoalmente como essas coisas acontecem

terça-feira, 22 de novembro de 2016



TRUMP E PUTIN - II

No texto anterior defendi que Trump e Putin, face às suas caracteríticas pessoais e à sua visão do mundo, têm muito boas condições para virem a ter um bom relacionamento.
Argumentei também que a Europa ocidental nunca compreendeu nenhuma das Rússias historicas, o que além de estranho, pode ser muito perigoso para o nosso futuro.
Nos proximos textos vou procurar expor o contexto russo através dos tempos e a importancia da Rússia para a Europa, isso antes de entrar nas grandes questões da geopolítica e de voltar a Putin, a Trump e à defesa dos interesses europeus.
No Ocidente, desde sempre, tendemos a olhar a Rússia com "olhos ocidentais", quando a realidade russa sempre foi muito diferente da nossa, para compreender aquela realidade é necessario ter uma visão da sua historia, da sua demografia e dos seus desafios actuais como grande potencia.
Mesmo que eu fosse historiador, seria impossível dar em meia dúzia de linhas uma visão geral do que foi a história russa e da Europa oriental ao longo dos tempos, pelo que vou referir apenas alguns pontos para que se compreenda que quando falamos daquela zona do mundo estamos a falar de uma região com uma historia muito especial e muito diferente da da Europa ocidental, sobretudo da mais ocidental.
- a Rússia tem a sua origem em Kiev, no sec IX.
- nos séculos XIII e XIV a Rússia quase que desaparece com a ocupação Mongol
- no sec. XIV o maior país da Europa oriental é a Lituânia
- nos sec. XV e XVI a grande potencia da região, e maior país da Europa, é a Lituania/Polonia
- no sec XVII a Polónia invade a Rússia
- no sec XVIII grande parte da Europa oriental é invadida pela Suécia.
- no sec XIX a Polónia desaparece
- no sec XX a independencia da Polonia é restabelecida e a Ucrania torna-se independente (por cinco anos, 1917/22)
- para além de todos os conflitos regionais, durante este período a Rússia foi invadida, destruída e saqueada por dois países da Europa ocidental ( sob Napoleão e Hitler)
Este conjunto de pontos dá ideia da instabilidade da região, da facilidade com que as coisas por ali mudam e logicamente da enorme mistura étnica que se foi formando ao longo dos séculos. Como sempre, não há aqui nem bons nem maus, apenas conflitos em virtude de interesses proprios ou de terceiros, facilitados pela historia, pela geografia, e pelas diferenças etnicas e religiosas.
É neste quadro historico que o maior país do mundo tem de ser olhado, tão grande como fragil, sempre ameaçado, do Pacífico à Europa ocidental, sabendo sempre que desaparecerá no dia em que não for uma grande potencia, como já aconteceu no passado.
Ser uma grande potencia para a Rússia não é uma opção, é uma condição da propria existencia e é neste quadro que tem de se compreender Putin, que, obviamente, não quer ser o coveiro da "Santa Rússia".
É por aquelas razões que a Rússia tem sempre defendido a necessidade da existencia de uma zona neutra (não Nato) na sua fronteira ocidental, o que a levou aos avisos que desde 2007 vem lançando após o anuncio da futura adesão à NATO da Georgia e da Ucrania.
Embora possa parecer estranha, a aparente hiper-sensibilidade russa é facil de compreender quando se olha para os EUA, a super-grande potencia, protegida por dois Oceanos, com apenas dois "inofensivos" vizinhos terrestres. Qual seria a reacção americana à simples instalação de mísseis anti-balisticos no Mexico, ou até em qualquer outro ponto da America central, ou mesmo do Sul? Todos sabemos a resposta.
Todas as grandes potencias tendem a ser paranoicas em termos da propria segurança, facto que é facil de confirmar quase todos os dias, seja com a China, os EUA ou a Rússia.
Mas o que é importante, para nós europeus. é ter-se consciencia de que. o pior que nos poderia acontecer seria o desmembramento da Grande Potencia Russa, isso sim, seria o abrir de uma caixa de Pandora de consequências inimagináveis para toda a Europa.
Esta ameaça é tanto mais grave quanto a Rússia é a mais fragil das grandes potencias, por razões demograficas, económicas, geograficas e culturais.

(continua)

terça-feira, 15 de novembro de 2016



TRUMP E PUTIN

O relacionamento entre Putin e Obama nunca funcionou, na verdade julgo que se desprezavam mútuamente, Putin via Obama como um negro pacifista com pretensões intelectuais, Obama via Putin como um troglodita racista, e um mero operacional dos serviços secretos.
Já entre Trump e Putin tudo leva a crer que o relacionamento venha a ser bem mais facil, na pratica são dois operacionais pragmáticos e brancos, um vindo dos negocios e o outro das polícias.
Para além das semelhanças temperamentais e de formas de actuar, existe outra razão muito forte para que o relacionamento entre os dois venha a fluir.
Os dois têm uma mesma visão do mundo, resumidamente pode dizer-se que os dois temem a China, os dois odeiam os muçulmanos e ambos desprezam a Europa.
Dificilmente poderia existir melhor plataforma para potenciar um entendimento.
Os dois olham a Europa como um conjunto de pequenos países que, quando não se estão a matar uns aos outros, se dividem a todo o tempo sobre as mais diversas questões, comandados por chefes palavrosos, complicados e cobardes, uma Europa ainda por cima cheia de latinos e adormecida por um estado social com custos exorbitantes.
Claro que, apesar de tudo isto, Trump não vai entregar a Europa a Putin, mas, de qualquer modo, é seguro que a nossa vida vai ser bem mais complicada, e para que ela não seja mais dificil do que aquilo que tem de ser, talvez fosse tempo de a Europa tentar compreender a Rússia.
A realidade é que a Europa, nunca compreendeu o seu maior vizinho, fosse a Rússia dos Czares, a dos sovietes, ou a de Putin, pior ainda, nunca a compreendemos, sempre a tememos e fomos continuadamente acumulando erros de relacionamento.
Este desconhecimento europeu da Rússia, é tanto mais estranho quanto foi graças à consolidação do imperio Russo que as hordas de hunos e mongois deixaram de "inesperadamente" aparecer às portas de Roma ou de Viena, antes disso, qualquer capital europeia estava sempre em risco, de que uns Átilas, ou uns Gengis Khans quaisquer, aparecessem para jantar, e alguma coisa mais...
(continua)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016



A UBERIZAÇÃO DOS MÉDICOS (E VAROUFAKIS)


Ao contrario do que por vezes somos levados a pensar, a uberização é quase tão velha como as sociedades humanas. Nos tempos modernos a sua primeira manifestação empresarial foram talvez as sociedades de "manpower".

Com a evolução tecnológica, em especial na área das comunicações/informatica, os processos de uberização vão acelerar e é totalmente ilusório pensar que eles podem ser travados.
Este fenómeno já atingiu também a classe médica entre nós, em especial no que respeita às consultas ao domicílio.
Existem já em Portugal empresas que montaram redes de médicos para fazer aquelas consultas a preço muito baixo (10 euros), serviço esse que depois é vendido pelos mais variados tipos de seguro de saúde aos respectivos beneficiários.

Quanto dos 10 euros fica para o médico? Se se aplicasse a taxa de 25% da Uber seriam 7,5 euros, neste caso concreto não sei qual o resultado final. De qualquer forma podemos estar a falar de uma taxa horaria da ordem dos 15 euros, para um médico andar de porta em porta, ao frio e ao calor, a dar consultas. Devemos já estar com remunerações perto das de Cuba

Este é certamente apenas um dos muitos novos casos de uberização, mas ao que parece apenas o processo dos taxistas teve capacidade para demonstrações de força.

Estamos assim perante uma uberização imparavel, a que se seguirá uma robotização ainda mais dizimadora do trabalho tal como o conhecemos hoje.

E Varoufakis no meio disto tudo??
Num recente artigo dedicado a estas realidades, huberização e robotização, reconhecendo a impossibilidade real de travar estes processos, Varoufakis vem defender que as nossas sociedades têm de encontrar novas soluções para integrar estas multidões de novos desempregados, o que implicará sempre altos custos a serem financiados.

Varoufakis vem propor a criação de uma "participação societária" (obrigatoria e gratuita) dos Estados em todas as empresas que venham a ser criadas, fundo esse que, assim criado, financiaria as novas necessidades sociais.

Claro que a solução proposta por Varoufakis enferma de muitas limitações, de qualquer modo tem a virtude de tentar "pôr a bola rolar", para dinamizar a procura de soluções para o equilíbrio dessas sociedades do nosso futuro mais ou menos proximo. Já agora soluções que não passem pelo extermínio sistemático dos "sobrantes".