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segunda-feira, 30 de março de 2020


SERÁ QUE SÓ AGORA A EPIDEMIA VAI COMEÇAR NO NORTE DA EUROPA?
BOA NOTICIA PARA O FUTURO DA EUROPA?

Na minha visão, na Europa a situação é a seguinte:
No Sul, Espanha parece ter entrado na fase de melhoria, Itália ainda não mas parece estar proxima disso, Portugal ainda está longe de entrar naquela fase.
No Norte/Centro, a Alemanha, Austria, Suiça e até a Belgica, parecem ter a situação sob controle, França e Luxemburgo aproximam-se dos anterioress, já a Holanda, Dinamarca, Noruega, Finlandia, e Suécia, apesar de o nº de mortos ser relativamente baixo, parecem estar longe de ter a situação controlada, têm no entanto a vantagem de ter muito dinheiro para pôr em "cima do problema". (também a Irlanda parece estar neste grupo.
O reino Unido está ainda na fase explosiva, fora de qualquer controle.
No Leste, incluíndo aí a Grecia, a situação parece estar bem, mas os nºs são pouco significativos para tirar conclusões


PICOS, PROJEÇÕES, ETC SÃO TUDO EXERCICIOS POUCO INTERESSANTES

Que me desculpem os especialistas mas o indicador mais importante é dado pela formula seguinte:
(nº total de mortos+nº de casos graves) dividido pelo (nº de recuperados)
Se esse valor está acima de 1 a epidemia está em expansão, se abaixo é porque começou a retração, como é evidente quanto mais alto pior (e mais baixo melhor).
Se fizerem estas contas vão ter muitas surpresas, positivas e negativas, como Espanha e a Holanda.
Claro que o indicador só funciona se não forem alterados os criterios "para ficar bem na fotografia". Tambem outros factores como um novo surto noutra região podem vir a falsear o indicador.

domingo, 29 de março de 2020


REGRESSAR À NORMALIDADE EM MAIO!
É NECESSARIO COMEÇAR JÁ A PREPARAÇÃO!

Segundo um estudo feito pelo NYT, existe uma curva clara que representa a diminuição do nº de casos e o do nº de mortos,em função do nº de dias de "contenção".
Em termos resumidos, teríamos para os diferentes períodos de contenção, as seguintes %s de redução dos nºs de casos e de mortos:
- 15 Dias -22% de casos e -25% de mortos
- 30 Dias -52% de casos e -54% de mortos
- 45 Dias -72% de casos e -82% de mortos
- 60 Dias -92% de casos e -95% de mortos
- 90 Dias -98% de casos e -99% de mortos
Sendo assim, com as duas semanas de contenção, já teremos reduzido os nºs de casos e de mortos em cerca de 22/25%
Olhando para o quadro é evidente que o ideal seria uma contenção de 90 dias, no entanto essa é apenas uma conclusão matematica, pois com uma contenção de 90 dias já a economia estaria totalmente destruída.
Muito antes daqueles noventa dias, já teríamos fome, motins e uma economia de tal forma destruída que levaria muitos anos a recuperar, pelo que sendo em teoria esse o cenario ideal na pratica ele não existe, ele conduziria a muito mais morte e destruição do que qualquer dos outros.
Por tudo isso, para mim parece-me claro que a solução de compromisso possível é a dos 45 dias de contenção, devendo nós a partir dessa data entrarmos em normalização gradual e controlada.
No entanto, até àquela data não podemos facilitar na contenção, pelo contrario, temos mesmo de a reforçar ao maximo, para depois poder ir abrindo de forma mais segura.
Começar a normalização no inicio de Maio, implica começar desde já a respectiva preparação, incluindo a realização a nível nacional de testes para determinar o nível de imunidade da nossa populaçã e depois, a divulgação de toda a estrategia a seguir, tudo isso já no inico da 2ªquinzena de Abril.
O modelo apresentado foi feito para os EUA e pode ainda vir a ser revisto, de qualquer forma ele é uma boa representação das opções que se nos poêm face ao conhecimento actual, conhecimento esse que pode ser melhorado e adaptado à realidade nacional, de qualquer modo é duvidoso que se venha a chegar a concluões radicalmente diferentes.
Julgo que apenas em caso de se virem a alterar de forma substancial os pressupostos deste racicínio, se poderia pensar em alterar de forma sigmificativa a data do inicio da normalização.
Voltarei a este assunto, sobretudo à normalização e às formas como o país pode tentar transformar este desastre numa oportunidade.

sábado, 28 de março de 2020



QUE SE PASSA COM A HOLANDA, BELGICA, SUIÇA E FRANÇA??
SERÁ QUE O MINISTRO HOLANDÊS DEU ORDEM DE EXTERMÍNIO?
COMO EXPLICAR QUE O Nº DE MORTOS SEJA 7 VEZES O DA ALEMANHA?

Para além dos casos de Italia e de Espanha que estão totalmente fora de controle, com 151 e 106 mortes por milhão de habitantes, atrás destes dois países vem um estranho pelotão com nºs também muito altos, entre os 24 da Suissa e os 32 da Holanda (em que está também o Luxemburgo)..
No resto do mundo apenas o Irão com os seus 28 mortos por milhão de habitantes está proximo daqueles valores.
Que se passa naqueles países ricos da Europa?

sexta-feira, 27 de março de 2020



QUANDO É QUE FINALMENTE A ALEMANHA DEIXA O EURO E VOLTA PARA O SEU DEUTSCHE MARK?


OS EUA ULTRAPASSARAM JÁ A CHINA E ITALIA E SÃO O PAÍS COM MAIOR Nº DE INFECTADOS

quinta-feira, 26 de março de 2020


TESTES PARA QUÊ???
É LOGICO QUE A % DE DE INFECTADOS NOS TESTES ESTEJA A AUMENTAR, ASSIM TEM DE SER, SÓ É PENA QUE AINDA NÃO SEJA DE 70%
Agora existe a psicose dos testes, quanto a mim eles são indispensaveis mas face a três criterios absolutos que não têm sido respeitados:
- a todas as pessoas vindas do estrangeiro
- a todos os casos suspeitos
- para amostragem do nivel imunidade, porque esse nível é importante para definir a politica de normalização


PREPARAR! ESTÃO PRONTOS? LARGAAAR !!!!

Lembram-se?
Era assim quando nós eramos miúdos, entretanto a formula pode ter mudado mas a ideia mantem-se.
Também agora é tempo de preparar a saída do estado de confinamento.
Preparação, preparação, preparação.
Neste período de contenção que não deve demorar mais de 4 ou 5 semanas, mas que tem de ser rigoroso (mais do que tem sido), é o tempo de preparação para a tal largada.
Temos aproveitado este tempo para essa preparação? Seja mental, seja no delinear de projectos, seja a tratar de condição condição física, etc? Ou apenas nos limitámos a lamentar o sucedido, e a procurar culpados?
Agora estamos nos abrigos (anti bomba corona), mas não vamos poder ficar eternamente por aqui, temos de voltar à normalidade (Maio?).
Entretanto haverá medicamentos que vão reduzir os riscos, mas mesmo assim teremos que proteger os mais frageis.
De qualquer forma haverá baixas, como em todas as guerras, só que nesta serão mais entre os mais velhos.
É tempo de preparação, pessoal, organizacional, institucional e politica.
Já nos atrasamos na primeira fase, num processo de contenção mal preparado, não podemos atrasar-nos outra vez, então no regresso à normalidade, seria demasiado caro e o que é caro significa sempre muitas vidas perdidas.
Prever e preparar para não improvisar.
Não seria de explicar desde já isso às pessoas? Não seria motivador para o sacrificio da contenção e para a preparação do futuro?

quarta-feira, 25 de março de 2020



E SE O COVID TIVER VINDO PARA FICAR?

Se assim for, e não houver nem vacina nem medicamento seguro, vamos mesmo ter de conviver com ele, não nos podemos esconder indefinidamente.
O confinamento faz sentido durante algum tempo, enquanto se procura "aplanar a curva", se espera por conhecer melhor o inimigo e ter o medicamento para o combater. Se nada disso acontecer, a única estrategia possivel é apostar na imunização da maioria da população.
Esperemos não chegar áquele ponto, já há sinais positivos em relação a medicamentos para o Covid, se assim for, vamos massificar o seu uso e voltar à normalidade.

terça-feira, 24 de março de 2020




QUANTO TEMPO FALTA PARA TRUMP PEDIR AJUDA A CUBA?

PASSATEMPO??!!

A palavra passatempo sempre me pareceu disparatada, porque na verdade podemos estar descansados que o tempo passa, quer nós queiramos quer não.
De facto o que importa sempre é aproveitar o tempo e agora mais do que nunca.
Em vez de entediados procurarmos como passar o tempo, não seria mais logico nos perguntarmos como aproveitar este precioso tempo que ainda temos à nossa disposição?

sábado, 21 de março de 2020



SALAZAR E AS ILUSÕES DOS NEGOCIOS DO TURISMO

Há mais de trinta anos, num Conselho de Ministros (em que eu estava em representação do ministro) o assunto do potencial do turismo veio à baila, perante um certo mal estar dos elementos do Conselho, em parte pela personalidade invocada, mas também pela minha ousadia, eu relembrei o que Salazar dizia sobre esse assunto.
Salazar dizia que o turismo era um negocio perigoso porque era dificil ter a noção exacta dos seus ganhos, perdas e riscos, isto aliás na linha de também muitos pensadores de esquerda.
De um modo caricatural ele dizia qualquer coisa como "eles vêm nos seus aviões, andam nos seus automoveis, bebem o seu whisky e gastam outras coisas, como petroleo e bens de luxo, que nós importamos para eles, depois deixam-nos o lixo físico e "moral" ( a pratica de comportamentos que o Estado Novo gostaria de banir)".
Inúmeras vezes eu tenho referido esta ideia para diversas audiências, sempre com a mesma gelada receptividade.
A galinha dos ovos de ouro tinha de estar acima de qualquer suspeita.
Chegámos à hora da verdade e as coisas não vão ser faceis.
Não é que o turismo não seja um bom negocio apesar daqueles problemas e da volatilidade potencial, o problema é que para a economia como um todo ele não é tão bom como se gosta dizer, porque nunca se calcula de facto o saldo real da balança do turismo ( entre o que ele deixa na nossa economia e o que nos obriga a importar em bens e serviços), isto para além das outras implicações sociais que ele envolve (e não me refiro aos problemas da moralidade Salazarista).
Para além da conta corrente do deve e haver do turismo, existe o problema do imobilizado investido em actividades turisticas. Quem o financiou? Em que condições?
O problema volta assim a ser especialmente grave para o imobiliario. Será por aqui que nova crise financeira se poderá juntar à da economia real.

sexta-feira, 20 de março de 2020



COVID - AGORA É A VEZ DOS EUA?

Por enquanto os nºs parecem relativamente pequenos para a dimensão do país, no entanto, olhando mais atentamente, eles tornam-se um pouco assustadores,. O nº de infectados e de mortos está a crescer a taxas altas, quase do tipo das espanholas.
Se a situação não for rapidamente controlada, teremos em breve um quadro parecido com o Italiano e de uma dimensão imensa.
Caso a tendencia actual se mantenha, tudo será ainda mais grave por não existir nos EUA um sistema mínimamente sólido de saúde pública, isto para além dos problemas do urbanismo americano e das questões culturais.
O desastre sanitario viria agravar imensamente a situação da economia mundial e até também a situação política.
É imprevisivel o que um Trump, acossado por uma situação de que ele é em parte responsavel, poderia vir a fazer.
Será que vamos ter a boa surpresa com um Trump a ser o líder à altura deste imenso problema?

quinta-feira, 19 de março de 2020


COVID - OS Nºs QUE REALMENTE IMPORTAM

Os valores que são mais divulgados são os respeitantes ao nº de infectados, esse nº, apesar de ser o mais popular, tem muitas limitações, quer por causa da "mania das projecções", quer porque ele pode variar por razões externas à real evolução da epidemia. Quando por exemplo, se aumenta muito o nº de testes realizados, o nº de infectados aumenta anormalmente, mesmo que nada de mais negativo se tenha passado nessa população.
Penso que quando a epidemia entra na fase em que começa a haver mortes, os valores mais significativos são o nº de mortos e o nº de infectados em estado grave
Esses nºs são já alarmantes em Itália e Espanha.
Na China nunca houve mais 150 mortos por dia, esses valores já foram ultrapassados por aquele dois países europeus (apesar de populações muito mais pequenas), tendo mesmo o nº diario de mortos em Italia andado perto dos 500 nos últimos dois dias.
Nº Mortos + Nº Doentes graves:
China - 5.400
Italia - 5.900
Esp. - 1.600
Note-se que a China não só é muito maior que os outros dois países, como ainda tem já o quadro completo da epidemia enquanto que nos outros países ela ainda está em fase de crescimento, isto embora todos esperemos que a dramatica situação de Italia comece a registar melhoria efectiva

terça-feira, 17 de março de 2020


PROJECÇÕES PARA TODOS OS GOSTOS
PROCURAR LER OS Nºs DA CHINA

O debate está aberto com economistas, matematicos, epidemologistas, etc, a apresenarem diversos modelos que acabam por esclarecer muito pouco.

Que uma epidemia deixada "à solta" tem crescimento exponencial (e possívelmente até a taxas crescentes) é sabido por todos, os calculos ficam dificeis é quando passam a existir medidas eficazes de contenção.
Veja-se o caso da China:

22 Jan - 600 (casos activos)

11 Fev - 38.800 activos (crescimento de 1.600/dia no período)

12 Fev - 55.600 activos (PICO Diário14.000 novos infectados)

17Fev - 58.000 activos (cresimento de 500 por dia no período) - PICO do total de activos

16Mar - 9.000 activos (Diminuição de 1.750 por dia)

CONCLUSÃO - Projecções cada um faz as que quiser, como sempre o "papel aceita tudo"
Atenção- Os casos activos corresponde ao nº total de infectados, deduzido dos curados e dos mortos.

sábado, 14 de março de 2020



Nº DE INFECTADOS EM ITALIA JÁ SUPERA EM 5 VEZES OS DA CHINA (valores per capita)

A Europa parece continuar a minimizar o problema e quando toma medidas são sempre poucas e sempre demasiado tarde.
Em vários países europeus o crescimento do nº de infectados é superior a 10% ao dia, como sejam Italia, Suiça e Espanha, isto falando apenas dos países com maior nº de infectados.
Abaixo vai o TOP MUNDIAL do nº de infectados per capita (nº de infectados por milhão de habitantes):
1º Italia 292
2º Noruega 191
3º Suiça 159
4º Coreia 158
5º Irão 152
6º Dinamarca 143
7º Espanha 127
10º Suecia 87
15º China 56
15º França 56
16º Alemanha 47
26º Portugal 17
É de notar que apesar de Portugal ter ainda um valor relativamente baixo, tem vindo a subir sistematicamente no ranking mundial.
Apesar de o nosso governo finalmente ter acordado para o problema, não sabemos se, como é hábito, não terá sido pouco e demasiado tarde.
O nosso problema pode ser agravado pelo caso de Espanha, que parece estar numa situação gravíssima (explosiva?) e que tem um governo em estado de negação.


O CORONA MATA MAIS NO OCIDENTE? (Facebook 10/3/20)

São simples razões estatísticas que o explicam ou trata-se de algo diferente?
Considerando para calculo das taxas de mortalidade o nº de mortos a dividir pela soma de mortos e doentes curados, essas taxas dão os resultados seguintes:
USA - 65%
França - 65%
Italia- 40%
UK 25%
Coreia 20%
Espanha 20%
Alemanha 10%
China 5%
H Kong 5%
Atenção- estes valores são calculados com base em número de casos que podem ainda ser pouco significativos na Europa e USA (salvo em Italia em que esses valores já são muito significativos)

E SE O PROBLEMA FOR OUTRO?  (Facebook- 28/2/20)
O ECON-CORONA VIRUS?

Qual é de facto o risco de uma pandemia?
Os números relativos à quantidade de infectados parecem pouco alarmantes, olhemos para o nº de infectados por dia (a nível mundial) nos últimas dias:
-11/13 Fev 9.600/dia
-13/18 Fev 4.140/dia
-18/24 Fev 830/dia
Claro que, para além daqueles números, se teme que alguns países, como é o caso do Irão, tenham poucas condições para lidar com o problema, o que poderia vir a agravar a situação global.
No entanto, julgo que os riscos potenciais mais importantes são sobretudo o de uma possível mutação do virus (talvez improvavel) e sobretudo a forma como se vai comportar a economia mundial.
A verdade é que o Corona está já a afectar profundamente a economia e pode levar à desarticulação total da economia mundial, se isso acontecer, vamos rapidamente estar num novo mundo, mundo esse em que provavelmente a China terá um papel ainda mais relevante.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020




O RACISMO E OS PORTUGUESES
(DANIEL OLIVEIRA E OUTROS)

Era minha intenção não voltar aos grandes textos, que poucos lêem e exigem algum tempo para produzir.
No entanto a importância deste tema para o nosso futuro colectivo e o volume de disparates que sobre ele se vão propalando, obrigam-me a este esforço.
Estou convicto de que se a actual falta de senso sobre estes problemas continuar a prevalecer, nas próximas eleições presidenciais Ventura ultrapassará facilmente os 20%, e a partir daí tudo será possível.

Para facilitar aos leitores a selecção de algum tema que lhes possa interessar neste longo texto, refiro abaixo o índice:

1-O "Ensaio" de Daniel Oliveira no Expresso

2-Portugal e a Escravatura

3-Colonialismo Português igual ao dos outros?

4-Colonialismo Tardio

5- Portugal dos mais racistas da Europa?

6-O que é o Racismo

7-Combater o Racismo

1- O "Ensaio" de Daniel Oliveira

Quero começar por dizer que sou um leitor assíduo de Daniel Oliveira e embora muitas vezes não concorde com ele, reconheço-lhe uma enorme capacidade de análise e também de síntese,
Ao contrario de muitos textos seus que, apesar de curtos, podem justamente ser classificados como ensaios, este texto nada tem de ensaio, não é possível descortinar nele uma tese e a sua demonstração/defesa, trata-se de facto apenas da apresentação de uma serie de teses sem qualquer demonstração, em resumo, o texto é apenas um grande desabafo.
É pena que assim seja, o país certamente não precisava deste texto, sobretudo neste momento.

2-Portugal e a Escravatura

Nem Portugal nem a Europa inventaram a escravatura, nem mesmo o esclavagismo africano, que ali já estavam implantados muito antes dos países europeus lá chegarem. Os europeus apenas desviaram a corrente do trafico de escravos do eixo africano Sul/Norte para o Atlântico.
Também não foram os europeus que andaram pelas "savanas" africanas a perseguir potencias escravos, esse trabalho era feito desde há muito pelos povos locais, que, no contexto das permanentes lutas tribais faziam escravos os inimigos que não matavam, esses escravos depois ou eram mantidos junto dos vencedores ou vendidos para as redes esclavagistas continentais, tendo como principal destino o norte de África.
O Grande Pecado europeu foi ter entrado nesse "negocio" quando a moral oficial europeia já não admitia tais praticas, pecado agravado por ter dado uma muito maior dimensão a essas praticas, quando as transformou num negocio Intercontinental, para um mercado imenso e sedento de mão de obra.
Tudo o que se passou nesses tempos foi imoral, mesmo para os padrões da época e claramente criminoso aos olhos de hoje, mas tal só foi possível pelas praticas milenares desses povos,
Nestes processos os únicos inocentes foram os que acabaram sujeitos à escravatura, todos os outros foram culpados, por acção ou omissão. Se fossemos agora procurar entre os nossos avós todos os culpados, brancos e negros, a lista não será bonita de se ver, mas para que serviria isso?
Sempre que a logica dominante for a de Rousseau e do seu bom selvagem, versão tão querida à esquerda, não iremos a lado nenhum, apenas construiremos um radicalismo oposto a esse radicalismo do bom selvagem e da maldade do homem branco.
Este tipo de raciocinios no limite levariam a que a Alemanha viesse a exigir indemnizações a Itália, pela quantidade imensa de escravos germânicos feitos por Roma!
Ou vamos ser sérios, analisamos a nossa historia à luz da realidade do que eram e do que fizeram as nossas sociedades em cada época, ou não iremos compreender nada do que se passou, nem evitar erros futuros e apenas fomentaremos a radicalização que não controlaremos.

3-Colonialismo Português igual ao dos outros?

O colonialismo português teve características muito especificas que não fazem dele um colonialismo "bonzinho", mas um colonialismo com características especiais que não podem nem devem ser ignoradas.
O nosso colonialismo foi diferente pela sua antiguidade, pela nossa dimensão, pela nossa pobreza, pelo impossível sonho imperial, pelo tardio e sobretudo pela nossa personalidade individual.
Samora Machel, o presidente que, para mal de Moçambique e da Lusofonia, morreu demasiado cedo, explicou melhor do que ninguém essa característica portuguesa que nos fazia diferentes dos outros colonizadores. Machel, que tinha uma relação de amor-ódio com Portugal e os portugueses, dizia que numa conversa com outro presidente africano em que lhe contava como os portugueses o tinham ensinado a apreciar o vinho e a distinguir a qualidade dos diferentes vinhos, ao que o outro presidente lhe terá dito "vocês tiveram sorte, a nós os ingleses nunca nos ensinaram nada das coisas do mundo deles".
Podemos também lembrar o conto de Somerset Maugham, sobre o Governador inglês de uma minúscula colónia inglesa perdida no Pacifico (ou local semelhante), que anos a fio, todas as noites vestia o seu smoking para jantar sozinho na mesa impecavelmente posta pelos criados indígenas, sempre solitário, aguardando apenas a ordem de regresso a Londres, ordem essa que ao que parece nunca chegou., isto tudo no meio de uma população indígena que nada lhe dizia. É óbvio que isto seria impossível com qualquer governador português, que, o mais tardar ao segundo dia, estaria já na sanzala a conviver com quem por lá andasse.
Fico pelas razões que advieram das nossas características pessoais e que justificaram parte das nossas diferenças como agentes coloniais, para entrar nos outros pontos (dimensão, pobreza, sonhos imperiais,etc) seriam necessários longos textos, que não cabem aqui.
O nosso colonialismo não terá sido bonzinho, mas foi certamente diferente e isso deveria ser estudado de forma objectiva.

4-Colonialismo Tardio

Aqui Daniel Oliveira tem razão, o nosso colonialismo efectivo é tardio, tão tardio que é quase espantoso como foi possível atravessar todo o secXIX e grande parte do XX, sem ter perdido essas colónias para outras potencias, isso foi conseguido por via de uma boa diplomacia e da tenacidade dos nossos colonos, aventureiros ou não.
O nosso colonialismo foi tardio por causa da nossa pobreza e da nossa desorganização.
Apenas depois de Salazar arrumar as contas públicas e depois de acabada a 2ª Guerra Mundial se pôde começar a pensar e executar uma politica colonial/ultramarina.
A verdade é que o nosso colonialismo tardio, foi ao longo de mais de cem anos, culpa de diversos governos, monárquicos e republicanos, autoritários e democráticos, mas o que interessa discutir não é como isso aconteceu, até porque em linhas gerais isso é conhecido.
A grande questão é saber se o colonialismo tardio foi bom ou foi mau? E para quem foi bom e para quem foi mau?
A direita e a esquerda que me desculpem, mas para mim esse colonialismo tardio só foi mau para Portugal (o chamado Continente e Ilhas) e foi bom para a Lusofonia (valha isso o que valer) e para as ex-colónias.
Foi mau para Portugal porque nesse processo perdemos enormes recursos, em especial de vidas humanas, durante os 13/14 anos de guerra, além de que, esse esforço colonial final, atrasou enormemente a nossa integração na Europa moderna.
Foi bom para as ex-colónias porque se não tivesse existido esse último fôlego do colonialismo tardio, essas colónias teriam sido desmembradas e dividas entre países vizinhos, além de dilaceradas por enormes guerras mais ou menos tribais. Isto, porque foi apenas o colonialismo tardio que permitiu de facto a expansão da utilização da língua portuguesa como elemento de unidade nacional e de diferenciação dessas ex-colónias em relação aos países vizinhos.
Para o bem ou para o mal, dificilmente esses países existiriam hoje se não tivesse existido o tal "colonialismo tardio".

5-Portugal dos mais Racistas da Europa?

Sem dúvida que existe racismo em Portugal, racismo esse que será maior que em alguns outros países europeus, como seja o caso francês e talvez alguns outros, mas o pior é que esses níveis de racismo podem vir a aumentar se se continuarem a acumular erros neste campo, tema esse que será desenvolvido no ponto seguinte.
Neste ponto quero apenas referir um estudo recente, que é citado como científico, que analisa os diferentes níveis de racismo nos países europeus, estudo que foi divulgado recentemente e que teve eco na comunicação social, tendo nela sido referido por Conraria, Marques Lopes e Daniel Oliveira.
Aquele estudo atribui a Portugal péssimos resultados tanto em termos de racismo biológico, como também de racismo cultural.
Para quem conheça minimamente a Europa, os resultados são totalmente incompreensíveis, não sei se o problema foi a amostra utilizada, a formulação das questões ou mesmo a falsificaçaõ da aplicação do estudo noutros países, mas é óbvio, para qualquer pessoa que conheça bem a realidade europeia, que o estudo é um aborto
Alguém acredita que os níveis de racismo sejam mais baixos na Hungria ou ou na Polónia do que em Portugal?
Que o estudo é um disparate, pago pelos dinheiros públicos, não pode haver dúvida, se isso aconteceu por incompetências diversas ou se faz parte de alguma agenda politico-social é que seria interessante saber.

6-O RACISMO

Para enquadrar o problema é indispensável começar por uma analise do que é o racismo em termos gerais.
Dos identitários de direita até ao identitarismo de esquerda, existem muitas teorias sobre racismo, todas elas são obcecadas apenas pelo conceito de raça.
Julgo que a base do racismo só aparentemente é simplesmente a raça, o racismo corresponde a um fenómeno humano que tem a ver com os nossos medos ancestrais, com os contextos históricos e geográficos dos diferentes povos e com a instrumentalização politica daqueles medos e contextos.
Curiosamente, dizer que existem povos racistas e outros que o não são, é em si mesmo uma concepção racista pelo que afirmar que o racismo é um exclusivo branco (ou de qualquer outra cor) é em si mesma uma declaração racista.
Não é a raça que determina o racismo, mas sim os medos, a historia e os aproveitamentos político-económicos que artificialmente são construídos..
O racismo tem que ser compreendido como aquilo que ele intrinsecamente é, ou seja como um fenómeno humano, portanto de todos os humanos.
Ao longo de dezenas de milhares de anos, os humanos e os seus antepassados, tal como os outros animais, só sobreviveram graças ao medo e à desconfiança, desconfiança de tudo mas especialmente do que fosse diferente, e não existe nada mais estranho que um outro humano que seja aparentemente muito diferente e simultaneamente muito semelhante, é essa a base do racismo.
Em cima daquela base veio a longa historia dos encontros e desencontros daqueles humanos fisicamente diferentes entre si, que, como todos os humanos, se guerrearam, se mataram, se escravizaram, se alternaram no poder e que por essas vias se foram aproximando e afastando, com resultados mais ou menos traumáticos.
Não quero com isto dizer que o racismo seja igual em todos os países,isto embora a origem do fenómeno seja a mesma.
O racismo tem diferentes características e intensidade de país (região) para país, mas essa diferenças nada têm a ver com as raças envolvidas, mas sim com a historia dos contactos desses mesmos povos com outros povos diferentes, assim como com questões de ordem económica, social, cultural e política.
Naquele quadro é óbvio que populações de países com menor contacto com povos diferentes, ou com experiências muito negativas desses contactos, sejam mais "desconfiadas-racistas", como seria por exemplo o caso dos países da Europa Oriental e tendencialmente o caso de todos os povos de regiões mais isoladas ou mais martirizadas por invasões diversas. Neste quadro o racismo relativamente a povos nómadas (ou semi-nómadas) reveste características especiais e diferentes.
Para além deste racismo "natural", existe um outro tipo de racismo, substancialmente mais perigoso, que é o racismo instrumental, o racismo que é construído com objectivos políticos, económicos ou sociais. Nestes casos diaboliza-se a "diferença", seja física, cultural ou religiosa, para atingir outros fins.
A historia, e até o presente, estão cheios de exemplos dessa instrumentalização.
Para Portugal é imperioso combater, reduzir e anular o "racismo natural" e sobretudo não dar tréguas ao racismo instrumental, venha ele de onde vier. Isto tanto mais que os níveis de racismo são facilmente agravados em qualquer crise económica ou social.

7- Combater o Racismo

Combater o racismo tem de ser uma prioridade nacional, por causa da nossa historia e sobretudo por causa do nosso futuro.
Seremos cada vez mais um país de imigração, sobretudo vinda de outros países de língua portuguesa, mas esse processo só terá sucesso e será benéfico para todas as partes se existirem políticas públicas que baixem o nível de conflitualidade potencial.
O nosso maior problema nesta área é a baixa percentagem de negros que em Portugal ascende às classes médias, mas isso não pode ser encarado como um problema a resolver com quotas para os negros, o que apenas viria agravar de forma violenta os problemas raciais em Portugal, nós precisamos é de quotas/apoios para os mais pobres, independentemente da sua cor.
Para combater o racismo é indispensável impedir a guetização, garantir a segurança publica para todos os cidadãos, emigrantes ou não, investir forte na educação e na promoção social dos extractos mais pobres da população independentemente das respectivas raças, assim como impedir que a criminalidade se aproveite dos mais desprotegidos e recrute nessa juventude para o mundo do crime, tem também de ser feito trabalho a nível cultural, desportivo, de actividades sociais e de comunicação que normalize o relacionamento inter-racial, é também preciso re-educar as forças de segurança, mas fazendo-o de de uma forma inteligente (são eles que apanham directo com toda a conflitualidade) e não com o tipo de medidas habituais.
É indispensável não pensar que o racismo se pode combater com racismo de sinal contrario, como é também necessário que a comunicação social enverede por outro caminho em relação às questões raciais, embora ela não possa ser caixa de amplificação dos conflitos que se verifiquem, ela tem de ser um palco permanente de procura de soluções e não se refugiar no "assunto tabu".

domingo, 2 de fevereiro de 2020



O CORONAVIRUS ESTÁ MUITO ARREPENDIDO

Em declarações à imprensa o Vírus manifestou o seu profundo arrependimento por ter tentado expandir-se na China.
O regime totalitário daquele país ter-lhe-á criado enormes dificuldades, "dificuldades essas profundamente injustas, os vírus também têm direito à vida!" declarou o Vírus em causa.
O Vírus terá dito ainda que da próxima vez irá directo para Portugal, país onde não existe o obsceno e imoral regime da quarentena.
O Vírus terá declarado ainda que naquele país do sul da Europa espera contar com o apoio de uma nova mas já celebre deputada, identitarista de esquerda e defensora de todas as minorias e géneros, que certamente apoiará a justa causa do tão maltratado Corona.

sábado, 1 de fevereiro de 2020





SERÁ QUE MARTA TEMIDO VAI SER A PRIMEIRA VÍTIMA DO CORONAVIRUS EM PORTUGAL?
Calma! Não estou a falar de morte física.
Estou a referir-me apenas à morte política da senhora!
Como é que um avião fretado pela Comissão Europeia vai à China buscar algumas centenas de europeus, estando previsto que todos esses cidadãos sejam retidos em quarentena de pelo menos 14 dias nos respectivos países e apenas em Portugal! tal não está previsto!
Apesar de existir o risco de haver algum infectado nesse grupo de algumas centenas de pessoas, grupo esse que vai estar por longas horas fechado num avião, apesar de tudo isso, a ministra acha que basta falar com as pessoas e se tudo estiver bem cada um vai para onde quiser!
O que eu tenho esperança é que alguém em Bruxelas, já que em Lisboa parece que isso não vai acontecer, se aperceba das intenções da ministra e determine o que tem de ser feito

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020



A PROVOCADORA E O APROVEITADOR

O assunto em si é uma falsa questão, a devolução da arte africana está há já algum tempo a ser estudada entre Portugal e os países africanos, pelo que levar agora esse assunto para o Parlamento só pode ser visto como uma provocação, de uma deputada tresloucada que o Livre levou para o Parlamento.
É evidente que esse foi o melhor presente que poderia ser dado a Ventura, que o aproveitou de imediato.
De seguida, a quase totalidade da classe politica juntou-se solidariamente em torno de Joacine, dando a Ventura um segundo presente.
Só que uma coisa é a opinião da classe politica e outra a opinião da população que, dizendo-o ou não, está há já muito tempo farta da Joacine, que aliás festejou a sua eleição para o Parlamento com bandeiras da Guiné, o que até poderia ser natural se tivesse incluído uma simples bandeira portuguesa que fosse.
Este caso que deveria ter sido tratado como uma simples provocação de Ventura, converteu-se num acontecimento politico importante.
O que é grave é que casos como este têm tudo para ser muito negativos para as relaçoes inter-raciais em Portugal, pelo que a classe politica tem de se mostrar à altura das suas responsabilidades, o que não está a parecer que venha a acontecer.
O que sucedeu pode servir os interesses de Ventura assim como os dos identitaristas de Joacine, o que certamente não serve são os interesses do país.
Haja bom senso!

terça-feira, 28 de janeiro de 2020



AMIGOS TÓXICOS


Existem amigos que convém ter o mais longe possível, em especial na política.
As razões para essa "toxidade" são muito diferentes de caso para caso, vou aqui referir apenas alguns casos recentes e todos casos à direita e ao centro, que são os que me preocupam.

Miguel Relvas - não interessa se Relvas é ou não o mais tóxico dos amigos, mas na verdade essa é a imagem que a opinião pública tem dele.
O maior problema de Relvas é que insiste em continuar a ter um "papel" activo e público na política portuguesa, enquanto que outros com imagem semelhante à dele se retiraram discretamente para a sombra, a bem dos seus negócios e da sua influencia.
Não sei se foi Relvas que levou Montenegro à derrota, mas que não o ajudou, não ajudou

Pires de Lima - um gestor de sucesso que nunca se "sacrificou" pelo seu partido, não pode aparecer no congresso desse partido a dar um "raspanete" aos jovens e às bases desse mesmo partido (que são quem dá o litro), para mais, tudo feito com o ar de uma superioridade imensa e até deixando claro o incomodo de ter feito o favor de ir a Aveiro perder o seu precioso tempo.
Neste caso, o amigo tóxico chegou a um jogo empatado e desempatou-o a favor do adversário!

Passos Coelho - ao contrario de grande parte da direita tenho uma ideia muito negativa do que foi o governo de Passos Coelho, mas não é disso que se trata agora.
A verdade é que Passos ligou para sempre a sua imagem à do diabo, enquanto o diabo não vier (e tem de ser forte e não demorar muito), Passos será sempre um amigo tóxico.
Apesar de eu ser um critico do governo dele, até lamento essa toxidade de Passos, ele tem ainda fortes apoios, mas tem também um sem fim de anti-corpos que o tornam claramente um activo tóxico.

domingo, 26 de janeiro de 2020



O CDS, A DIREITA E RUI RIO

Como era previsivil o CDS virou à direita.
Previsivil porque, graças aos exageros do politicamente correcto, quase todo o mundo Ocidental está a virar á direita.
Previsível tambem, porque o PSD continua refém da paixão impossível de Rio por Costa.

O CDS percebeu que o eleitorado a conquistar e também aquele a não perder, estão à direita e nunca ao centro.
O centro, além de já estar sobre-ocupado, tem vindo a perder sex-appeal, processo esse que só se inverterá quando a radicalização voltar a assustar o eleitorado, até lá a vertigem de qualquer aventura é muito mais atractiva que a modorra do centro.

Tenho sido acusado de ser um radical de centro, acusação que talvez seja justa.
Foi por isso que acreditei que Rio conseguiria um acordo com Costa para fazer as grandes reformas sempre adiadas de que o país necessita. Aquele acordo ao centro não aconteceu e cada dia que passa ele é menos provável.
Foi por isso que julguei preferível a liderança de Montenegro, que talvez tivesse mais possibilidade de estancar a hemorragia à direita.

Salvo o caso de acontecer uma crise política antes das autárquicas que leve o PS a procurar o PSD, Rio levará o partido para o desastre eleitoral já nessas eleições e aí já não terá qualquer tipo de desculpa, será tudo sua responsabilidade .
O fervilhar de actividade política e de ideias a que vamos assistir à direita vão tirar muito abstencionista da apatia em que mergulhou.
Para além de não ir buscar eleitores nem à abstenção nem ao centro, o PSD vai continuar a os perder para a direita de forma crescente, como já perdeu para o IL e para o Chega.
Resta ao PSD esperar que os partidos à sua direita façam muitos erros, em especial na área social, para que o seu desastre não seja total.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020


AVISO GERAL DE JOÃO LOURENÇO?

O tratamento dado Isabel dos Santos terá sido um caso especial ou foi um aviso geral?
Caso se trate apenas de um caso especial, nada de positivo trará a Angola, ao contrario, se se tratar de facto de um aviso geral poderá vir a ter resultados muito positivos.
Desde a sua posse que João Lourenço anda a pressionar os plutocratas angolanos no sentido de repatriarem os seus bens no exterior, para isso foi até concedido um periodo gracioso de devolução sem penalizações, ao que parece esses repatriamentos foram poucos e de valor apenas simbolico.
Face à dificil situação economica de Angola aquele repatriamento, pelo menos parcial, é indispensavel e urgente.
Esse repatriamento poderia revestir a forma de uma compra de divida angolana emitida no exterior, ou até, ser feito por via da participação num "fundo especial" financiado no exterior e com objectivos de investimento pré-definidos.
Seja como for, se João Lourenço não conseguir mobilizar no exterior umas dezenas de milhares de milhões de dolares, ele e Angola estarão numa situação muito dificil.
Isso deveria preocupar-nos a todos muito mais do que a novela da ex-princesa, dos seus ex-amigos, agora encarniçados inimigos e da nossa sempre voluvel imprensa.

sábado, 18 de janeiro de 2020


GANHOU O PROJECTO DO CENTRÃO
Com a ajuda de Relvas, Carreiras e até do ausente Passos Coelho, Rio ganhou.
Assim ganhou o projecto do Centrão, que na minha opinião vem já demasiado tarde e por isso não terá grande futuro.
Boa sorte!


PSD - DUAS TEORIAS

Antes de serem conhecidos os resultados das eleições de hoje é importante pensar no que está em causa.
Não existe aqui um lado bom e outro mau, assim como é um facto que existem personagens sinistras a apoiar cada um dos lados, como aliás é comum em todos os partidos, mas de facto não é nada disso que realmente importa.
Para o futuro do PSD o que importa saber é se as possibilidades de crescimento e afirmação do partido estão à direita ou no centro-esquerda.
Rio acredita que vai poder crescer ao centro, conquistando indecisos e votantes do PS, vindo assim a liderar um grande Centrão.
Montenegro pensa que não pode perder para as direitas mais radicais parte do elitorado tradicional do PSD, assim como julga que é nos abstencionistas que está o grande eleitorado potencial do PSD.
Rio quer liderar um Centrão, Montenegro quer liderar toda a direita verdadeiramente democrata.
Vamos ver.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020


AQUECIMENTO GLOBAL - DE TATCHER A GRETA

Por ironia do destino a mãe da diabolização do CO2 foi Margaret Tatcher, nessa altura ela queria reforçar o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear no Reino Unido, isso com o objectivo de reduzir o peso político dos mineiros e também o dos países produtores de petróleo.
Nessa sua cruzada contra o CO2 ela envolveu a Royal Society, a quem financiou os estudos "científicos" para comprovar a tese que lhe interessava, dando assim inicio a uma bola de neve imparável.
Sentindo o impacto na opinião pública e o alarme social que essa primeira onda originou, primeiro os ambientalistas e depois toda a esquerda (para mais, entretanto órfã do Muro), compreenderam o potencial do tema e a partir daí deram origem a um movimento "estilo testemunhas de Jeová" só que muito, muito rico, e por isso com a enorme vantagem de poder dispensar a necessidade do proselitismo de porta em porta.
O tema do aquecimento global tornou-se assim num enorme negocio, que simultaneamente é também uma religião, com toda a tradicional inflexibilidade das religiões, sempre prontas a excomungar qualquer herege sem sequer o ouvir, religião esta que tem a grande vantagem de não ter uma liderança clara, mas que se vai espraíando numa lógica de rede aparentemente sem orquestrador, apenas apóstolos e missionários, todos, aparentemente, desinteressados salvadores da humanidade.
Os mais velhos, como eu, lembrar-se-ão das previsões catastróficas do Clube de Roma nos anos 60/70 do século passado, segundo aquelas previsões, as nossas sociedades estariam hoje já completamente destruídas, porque a maior parte dos recursos necessários ao nosso desenvolvimento económico estariam esgotados já há muito.
Aquelas previsões não se confirmaram, em parte graças aos desenvolvimentos científicos e tecnológicos, que permitiram a melhor pesquisa, exploração e aproveitamento dos tais recursos naturais escassos.
Apesar do tom catastrófico das conclusões do Clube de Roma, existia nelas uma mensagem importante no que dizia respeito aos problemas da poluição do ar, das terras, dos rios e dos mares, campos estes em que se avançou muito pouco e em que deveria ter-se concentrado o essencial do nosso esforço para salvar a nossa casa comum.
O enorme erro da previsão do Clube de Roma não foi grave, simplesmente porque o desastre previsto não se verificou, mas agora a situação é totalmente diferente, agora o aquecimento é real, pelo que não podemos desperdiçar os poucos recursos que temos para essa batalha, disparando em alvos errados.
Temos de ter a humildade necessária para analisar seriamente todas as possibilidades.
O aquecimento global é indiscutível, o que é discutível e tem de ser discutido, são as razões que o estão a originar.
Qual efectivamente a importância do papel da actividade humana nesta nova onda de aquecimento global?
Esta onda de aquecimento é apenas mais uma das ondas cíclicas que já vivemos, ou é uma onda "especial"?
Para além do que possamos fazer em relação ao CO2 o que é que podemos e devemos fazer mais?
Essas é que são a grandes questões que têm de ser respondidas e sem lhes dar resposta de uma forma objectiva, sem qualquer tipo de preconceitos, corremos o risco de estar a perder tempo, escasso e precioso, para fazer frente àquilo que pode ser um enorme problema para toda a humanidade.
É por tudo isso que julgo imprescindível olhar também para os argumentos dos inúmeros cientistas que defendem que o papel desempenhado pela intervenção humana na actual onda de aquecimento é reduzido, pelo que apresento abaixo alguns desses argumentos:
- Desde sempre a Terra teve períodos de aquecimento e arrefecimento, por razões naturais
- Na Idade Média, por exemplo, as temperaturas foram muito mais altas do que na época actual
- Entre os gases que produzem o efeito estufa o CO2 tem um papel insignificante
- As quantidades de CO2 geradas pela actividade humana, mesmo no tempo actual, são extremamente pequenas face às originadas pela própria natureza
- Não se constata qualquer correlação entre a quantidade de CO2 na atmosfera e o nível de actividade económica/industrial
- O nível de CO2 na atmosfera caiu de forma drástica exactamente no período de maior actividade industrial da historia do mundo 1940/1970
- Parece ser o aquecimento que origina o aumento do CO2 e não o inverso
- Tudo leva a crer (segundo estes cientistas) que o que, até hoje, tem originado os grandes ciclos de aquecimento e arrefecimento da Terra tem sido a actividade solar, manifestada nas manchas solares
- Ao contrario do que se insinua, está longe de existir qualquer unanimidade na comunidade cientifica mundial, sobre este assunto
Perante isto, o que é grave é que, face àquele que pode ser o maior problema da historia da humanidade, estamos numa situação estranha, em que a falta de diálogo ente as duas visões do que se passa parece ser a norma.
Alguém já assistiu a um debate serio sobre este assunto?
Dos dois lados existem os grupos radicais que pensam pouco e falam muito, mas para além deles existem os grupos dos que efectivamente estudaram, pensaram e pensam muito sobre este assunto, mas o que é curioso é que esses grupos não se falam e não debatem publicamente entre eles, na verdade, cada um defende a sua dama, ou os muitos interesses aqui envolvidos, e por aí ficamos.
Se os catastrofistas tiverem razão, estamos a caminho do grande desastre e aparentemente ninguém está genuinamente preocupado.
Greta foi transformada no grande símbolo de uma destas versões do combate à "crise" climática, nenhum adulto poderia fazer esse papel melhor do que ela o tem feito, de forma tão sincera e convincente.
Da qualidade da campanha a favor da diabolização do CO2/humano ninguém duvida (Tatcher foi uma boa professoara), de Greta a Al-Gore, passando pela ONU e Leonardo di Caprio, tudo está extremamente bem montado e muito convincente.
Também o Clube de Roma, face à modéstia dos tempos de então, teve boa imprensa, o que não o impediu de estar estrondosamente errado.
Só que os erros do Clube de Roma não tiveram qualquer gravidade, mas desta vez não podemos correr o risco de estar apenas preocupados com a torneira que pinga, quando pode vir aí uma avalanche de água e lama.
Não é admissível que, perante a gravidade potencial para toda a humanidade de uma questão como esta, continuemos a assistir a esta incapacidade de dialogo entre as duas linhas de pensamento, tudo por causa do caracter religioso que este movimento adoptou, assim como por causa de egos e interesses secundários.
No Titanic também a orquestra não parou, nem ela, nem o baile.


PS - Recomendo
https://www.youtube.com/watch?v=tpvpiBiuki4&feature=youtu.be&fbclid=IwAR3n4bDA7krGjiQTk9jdSe_Gd5m072itelze_uwfFCDRiElrXrCXl6yqyVg





quinta-feira, 9 de janeiro de 2020


TRUMP GANHA O 1º ROUND

Goste-se ou não a verdade é que Trump venceu de facto o primeiro round, quer no ponto de vista inerno dos EUA, quer do ponto de vista da sua posição no Médio-Oreinte.
Nos EUA Trump conseguiu varios sucessos:
- reforçou claramente o apoio dos seus fãs e atraíu até alguns indecisos
- enfraqueceu ainda mais o processo de impeachment
-deixou o partido democrata numa posição dificil
-apesar dos disparates que disse, pela primeira vez mostrou alguma imagem de um líder forte e não do bufão habitual
No Médio Oriente, apesar do assassinato ter momentaneamente levado ao reforço do apoio aos Ayatolahs, conseguiu também varios sucessos:
-eliminou fisicamente um inimigo que lhe tornaria a vida muito mais dificil
-deixou a liderança Iraniana "encostada às cordas"
-enfraqueceu a imagem do Irão como líder de um movimento anti-americano no Médio-Oriente
- parece ter abalado fortemente o poder de resposta iraniano, com pouca vontade de assumir riscos maiores
Agora Trump ameça com mais sanções, pretende assim pressionar ainda mais o governo dos Ayatolahs.
Perante esta situação, o regime será obrigado a ter reações fortes e desgastantes dos interesses americanos nos proximos tempos, sejam elas claramente assumidas ou não.
A melhor hiotese para o mundo seria que o regime Iraquiano tivesse a capacidade/vontade para entrar num processo de transição, gradual e controlada, para um estado laico, se isso acontecesse seria então a grande vitoria de Trump e que faria dele um estadista.
Aquele seria o ideal, infelizmente uma daquelas coisas que apenas costuma acontecer nos filmes romanticos.
Tudo leva a crer que vai haver 2º round, ou uma sucessão de rounds menores mas desgastantes.
Os mercados continuam optimistas, vamos ver.