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domingo, 23 de maio de 2010

DERRUBAR O GOVERNO

Pelos seus erros a anterior direcção do PSD viabilizou a vitória do PS e a manutenção do actual governo.
De forma correta Passos Coelho abandonou a estratégia que vinha a ser seguida, concentrou a sua actuação nas críticas sobre as questões substanciais e assumiu uma posição de responsabilidade de estado face à crise que se vive.
No âmbito daquela actuação o PSD fez o que tinha de ser feito em relação à moção de censura do PCP, mas não é para mim claro que tenha explicado bem aos portugueses porque o faz.
É demasiado vago ter uns números para controlar mensal e trimestralmente, e um reforço da equipe que no Parlamento para isso dá apoio técnico. Por essa via corre-se o risco de basear toda a actuação do partido numa discussão de pequenos números, acusações de falta de informação, de informação errada, de interpretações equivocadas, etc., ou seja o habitual pântano quando se vai por estes caminhos.

O PSD não pode manter esta postura de viabilizar o actual governo sem se demarcar mais claramente dele, sob risco de perder o seu timing e entregar de novo o controle de todo o jogo a Sócrates, com os consequentes prejuízos para o país e para o partido.
Porque é que o PSD faz isto? porque não se sente em condições de participar de outras soluções governativas? ou porque teme que essas outras soluções não passem por ele? ou só porque as Presidenciais estão aí? ou porque o PS ainda não tem alternativa à chefia de governo actual? ou porque o PSD conta que o actual governo leve sozinho todo o desgaste de gerir a crise e depois lhe entregue o poder de mão beijada? ou por qualquer outra razão, baseada em fantasmas ou milagres salvadores?

Esta postura se for prolongada não é boa para o país, porque não vai pressionar o governo para fazer o que tem de ser feito, e que assim continuará pela via mais fácil para não correr riscos, e não é boa para o PSD porque inviabiliza o seu futuro político.
Quer queira quer não, mantendo a actual postura o PSD vai se enrolar com a actuação do actual governo de tal forma que lá na frente não vai aparecer ao eleitorado como alternativa, de facto terá sancionado tudo quanto de mau tiver sido feito, não terá mostrado coragem para assumir a liderança, e não terá provado a capacidade técnica de encontrar melhores soluções, então porque apoiar o PSD nessa altura?

Como este PSD tem dito desde o principio a grande questão de maior urgencia em termos económicos é a redução da despesa pública, sem essa redução feita de forma drástica não existe solução para a economia nacional, enquanto ainda der podemos aumentar impostos para tapar buracos no imediato mas isso não resolverá problema nenhum, antes os agravará para o futuro. A questão da redução da despesa é uma urgência nacional, se este governo a não fizer o PSD vai ter que avançar com uma moção de censura, para não se tornar conivente no arrastar de problemas que terão custos cada vez mais altos para o país e depois se tornarão mesmo insolúveis.
Mas como o PSD tem de ser um partido responsável não pode parecer que um dia acordou mal disposto e decidiu derrubar o governo, o PSD tem de dizer agora, num prazo curto, qual é o seu caderno de encargos para o governo e o timing para a sua execução, se o governo não cumprir com o previsto o PSD terá de avançar com a sua moção e caberá ao Parlamento encontrar a solução governativa que julgue melhor, sem dramatismos, como numa democracia adulta.
O PSD não pode é ficar como o garante de um governo que não faz o que tem de ser feito e com ele ir-se afundando sem honra nem glória (como se diria noutros tempos), enquanto o país se atola mais numa crise que ninguém sabe quanto tempo ainda vai durar, no âmbito de uma Europa que a tudo isto soma a sua própria crise de identidade, e para a qual o contributo de Portugal é cada vez menos credível face à irresponsabilidade que temos vindo a demonstrar.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A REFORMA DO SISTEMA FINANCEIRO AMERICANO

A segunda grande vitória de Obama na política interna, uma vitória também para Volcker que viu grande parte das suas ideias aprovadas (referido em texto de 8 de Fevereiro).

Um regresso parcial às regras anteriores às mudanças realizadas em 1999, mudanças essas que aliadas à crise da Ásia de 1997 são em grande medida as verdadeiras causas dos problemas actuais.
Na prática ainda estamos no rescaldo da crise de 1997, verdadeiramente aquele incendio nunca foi apagado.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

GOVERNOS - 1, ESPECULADORES -0

Ao contrário do que se esperava o euro e os mercados accionistas não conseguiram subir durante a noite, a Ásia parece ter mandado um recado ao Ocidente do tipo "problemas do Atlântico são para resolver aí mesmo", e assim o euro não passou os 1.244 nesse período.

Durante todo o dia o euro tentou várias vezes subir sem sucesso, mas às 13 horas de Nova Iorque, quando os mercados europeus já estavam fechados, uma intervenção maciça certamente capitaneada pelo BCE fez o euro subir mais de 250 pips em menos de duas horas, o que provavelmente terá esmagado muitos pequenos especuladores distraídos.

A operação "realizada" pelo BCE foi um sucesso, só que não resolve nada, é a utilização da tal luva de boxe para matar pulgas, foi positiva por aumentar o espaço de manobra mas não por ser a solução do problema.
Não existe possibilidade de o BCE fazer este tipo de operação todos os dias ou mesmo apenas de forma assídua, logo a única verdadeira solução para todo este embrulho é a Europa conseguir ter uma história credível para contar ao mundo, enquanto isso não acontecer tudo se vai manter na mesma, só que com mais volatilidade.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

GOVERNOS/ESPECULADORES - 0/0

O primeiro round desta guerra resultou num empate técnico.

Até ao fecho de Nova Yorque o euro subiu mais de 250 pips, o que sendo bom ficou aquém das expectativas face à artilharia utilizada pelos "governos" e à provável ajuda de muito especulador. Simultâneamente os mercados accionistas sofreram pesadas baixas realizando novos mínimos, e embora tenham tentado uma recuperação já depois do fecho dos mercados europeus não conseguiram no entanto encerrar em máximos do dia.
Durante a noite o euro vai tentar passar o 1,244 (máximo do dia 18) e é natural que o consiga, tudo leva a crer que as "tropas governamentais" asiáticas o façam.

Mas a Europa tem de saber que esta só aparentemente é uma guerra de valores financeiros, de compras e de vendas, que vai ser ganha por quem tiver mais poder de fogo, não é assim, trata-se de uma guerra de guerrilha, por isso de nada servirá pôr outro trilião em cima da mesa, e depois desse um outro, e mais outro, até ao desgaste completo.
A Europa ganha esta guerra sem dinheiro, sem artilharia, sem sangue, basta-lhe dizer de uma forma clara, coerente e convincente o que quer fazer, se o não fizer de nada lhe vai valer tentar matar pulgas com luvas de boxe (lembram-se?), por essa via conseguirá apenas que cada vez o buraco seja mais fundo, para ela e para a economia mundial.
GUERRAS - GOVERNOS/ESPECULADORES

De um lado bolsos quase sem fim, do outro bolsos largos mas sobretudo muito conhecimento do terreno, guerras sempre muito caras com grandes ganhos e grandes prejuízos, no final ganha sempre e apenas quem tem razão.
Veja-se o que aconteceu com a batalha entre Soros e o Banco de Inglaterra, e depois com com os Bancos da Hungria e da Malásia, Soros só ganhou no Reino Unido, é duvidoso que o seu saldo global tenha sido positivo financeiramente, no entanto para a sua vaidade pessoal pode ser que sim.

No presente caso da Europa, a razão é nossa mas isso não chega, é preciso ter uma versão clara e coerente dos factos e das políticas, assim como saber transmiti-la.

Para já apenas enorme turbulência nos mercados mundiais, para os pequenos o melhor é manter distancia, "agora é tempo de briga de cachorro grande".

terça-feira, 18 de maio de 2010

A EUROPA ENLOUQUECEU?

Os políticos europeus estão a entrar num pânico descontrolado que não tem objectivamente nenhuma razão de ser, a situação europeia não é cómoda mas está longe de ser dramática, a menos que se continuem a fazer erros sobre erros.

A actual situação europeia apesar de complicada é das menos difíceis do mundo no âmbito da actual crise. Em termos globais a nossa dívida é moderada, a nossa balança comercial é positiva, o nosso crescimento é débil mas não põe a sobrevivencia em risco, os nossos bancos estão tão falidos como os dos outros, vários estados de alguns pequenos países europeus estão também mais ou menos quebrados o que é caso vulgar no mundo de hoje, e por aí vai... Então porquê este histerismo que se apoderou de toda a gente? Pessoalmente julgo que tem a ver com uma certa arrogância europeia que se julgava um grande líder moral e guardião de uma certa forma de solidez financeira no mundo, e agora, de repente, a Europa sente-se completamente perdida, sem referencias e sem saber para onde se voltar, e vai daí e começa a disparar para todas as sombras que vê, ou até mesmo apenas pressente. Se os nossos políticos tivessem por perto alguns conselheiros dos que viveram por dentro o dia a dia das grandes crises financeiras dos últimos 20 anos talvez ajudasse, pelo menos a acalmar os espíritos.

Claro que existem os problemas institucionais que os outros países não têm, na verdade não somos um país mas apenas uma associação com regras pouco claras, muitos egos e muitos fantasmas, no entanto isso não tem que forçosamente agir contra nós, pode haver vantagens nesta ambiguidade. O que é necessário é saber o que é que se quer, se a Europa souber o que quer e acreditar nisso, o mundo vai acreditar. O problema é que a Europa não sabe o que quer e por isso não pode acreditar, e como é evidente também não se pode pedir ao mundo e aos mercados que acreditem naquilo em que nós próprios não acreditamos.
E não vale a pena esbracejar, insultar, culpar sinistras campanhas contra nós. Se acreditarmos e formos claros eles vão acreditar.

Andamos há muito tempo a queixarmos-nos dos mercados, dos especuladores, de uma campanha sinistra contra o Euro, das agências de rating, etc., em alguns casos com razão noutros sem, mas sempre mal, mal na forma, mal no timing, mal nas respostas, o que só agrava os problemas em vez de os resolver.

Na fatídica noite da reunião dos ministros das finanças (pós Conselho Europeu), quando foi apresentado o comunicado final, ficou logo claro que o mercado não ia "comprar" a solução apesar da dimensão do pacote, e não iria comprar porque não era clara e sobretudo porque não encarava a questão da reestruturação da dívida grega, o que foi visto pelo mercado como sendo maior a preocupação de salvaguardar interesses de alguns bancos do que o de verdadeiramente limpar a casa (e aquela reestruturação poderia ter sido feita sem premiar os especuladores cheios de CDSs). Depois daquela noite os mercados tiveram uma ligeira recuperação e logo de seguida afundaram de novo, o que deixou os políticos europeus no estado que temos constatado.

A Europa tem de ter um discurso coerente sobre o que quer, e tudo quanto tem dito é tudo menos coerente, diz que não faz bailouts e temos o caso grego, simula uma grande operação de salvaguarda do euro mas faz tudo por via de um SPV a financiar, agora quer ter uma feroz polícia fiscal mas dispensa uma política económica, assim não vai dar, não dá para acreditar, isso ninguém vai comprar.

Os mercados nem sequer são difíceis de serem convencidos, basta ver os "road-shows" empresariais, o que é indispensável é apenas ter um discurso totalmente coerente e transmitido de forma absolutamente convicta (se assim for até se pode mentir). O que não dá é para não ter coerência ou falta de convicção.

Mas no final a grande questão é salvaguardar a Comunidade Europeia, não se pode correr o risco de perder a Comunidade por causa de sermos incapazes de gerir o Euro, risco que se pode correr se se continuar a improvisar. Espero que neste momento existam grupos de especialistas dedicados 24 horas por dia a simular todos os cenários possíveis e que garantam que a Europa vai saber lidar da melhor forma com qualquer cenário que se venha a pôr.
Que se percam os anéis mas fiquem os dedos.
PREOCUPANTE, PREOCUPANTE MESMO, É O DEFICIT ALEMÃO

Finalmente parece que toda a gente compreendeu que não pode haver união monetária sem união económica.
Só que parece julgar-se que união económica se resume apenas a ter uma força policial europeia especializada em questões fiscais, que vai detectar, processar e impedir de actuar todos os "estados criminosos" que não respeitem os orçamentos aprovados pela UE. Só que uma união económica reduzida a isso é apenas a garantia de uma Europa que, embora tentando ser cada vez mais rigorosa, se irá afundar cada vez mais numa espiral recessiva sem fim.

A existência de uma união económica tem de implicar uma política económica para a dita união, e isso quer dizer que na actual crise mundial se por um lado existem países europeus que têm de apertar os respectivos cintos e enfrentar recessões internas, por outro lado os países que têm situações financeiras mais desafogadas têm de deixar para depois o seu apertar de cinto, sob risco de apenas se mergulhar o conjunto europeu numa recessão dolorosa e interminável.
Vem isto a propósito da intenção alemã de limitar constitucionalmente o seu deficit a 0,35% do GDP a partir de 2016, o que por si só não seria preocupante atendendo a que 2016 está ainda longe, no entanto essa decisão não só vai implicar a imediata tomada de medidas recessivas como vai alimentar ainda mais o tradicional terror alemão em relação a deficits e inflação.

É certo que uma Europa envelhecida não pode continuar a acumular deficits para gerações futuras virem a pagar, gerações essas que parecem não existir, mas dar o passo para dispositivos constitucionais tão limitativos como aqueles de que agora se fala é claramente perigoso.
Ao contrário do que muitas vezes se diz não é imoral que a Alemanha obrigue os outros a apertar o cinto e ela o não faça, imoral e suicida é que ela numa altura destas também o aperte.
Será que entre a irresponsabilidade dos PIIGS e os fantasmas alemães a Europa se vai afundar?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A APOSENTAÇÃO DE LULA E O IRÃO

Ao aproximar-se o fim do mandato Lula procura afincadamente encontrar um espaço próprio na política mundial para a sua pós presidência.
Lula sabe que depois de ter convivido com todos os grandes do mundo, sendo mesmo um deles, não dá para acabar a vida em S. Bernardo do Campo a jogar futebol e a beber umas cachaças e cervejas com os amigos.

Por outro lado Lula também sabe que não é um intelectual que possa dedicar o seu tempo a ler, investigar, escrever e pôr ideias e papéis em ordem.
Lula é um daqueles fenómenos da natureza com uma intuição e sensibilidade políticas extraordinárias, que não necessita de perder tempo nos detalhes dos processos ou em debates prolongados sobre questões mais ou menos existenciais, ele é apenas um grande emotivo com um enorme sentido de oportunidade que os deuses decidiram bafejar com toda a sorte, depois de se terem arrependido de lhe terem dado um começo tão difícil.
Claro que Lula poderá tentar ser um novo tipo de ex-presidente conferencista, longe das dissertações mais ou menos intelectualizadas, e mais perto do emotivo e do discorrer sobre experiências de vida sem fim que certamente tem, mas também isso parece não lhe chegar. Sobretudo Lula não quer que o mundo o esqueça, perdido em S. Bernardo do Campo.
Foi por isso que Lula tentou colocar-se como medianeiro do conflito Israelo-Palestino, mas foi rejeitado pelas duas partes que claramente não viram qualquer interesse na sua intermediação.

Agora Lula voltou-se para, juntamente com a Turquia, intermediar o problema nuclear Iraniano, parece que as coisas estão a correr bem. É urgente uma solução para este problema, principalmente para os USA que estão metidos num beco sem saída, mas também para o mundo porque não só um conflito armado no Irão seria a catástrofe para a economia mundial, como a nuclearização do Irão iria arrastar a da Arábia Saudita, do Egipto, da Síria, da Turquia e do próprio Brasil, tornando o mundo um lugar ainda mais perigoso. Esperemos que os deuses continuem com Lula.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

BRINCAR AOS PECs

O governo e as oposições andaram durante meses a brincar aos PECs, o governo continuava a tentar passar a imagem de que a situação não era especialmente grave, mas a contragosto lá avançou com uma "intenção de meio PEC", as oposições desancaram o projecto que por si só já era insuficiente, mas por fim o PSD lá acabou por viabilizar um "meio PEC reduzido".

Como sempre, depois de tanto disparate, acabou por ter de ser feito um PEC a sério, até mais duro do que teria de ter sido se tivéssemos feito o que tinha de ser feito no momento certo, vantagens da demagogia...
Mas o custo maior não foi o de termos um PEC um pouco mais pesado do que teria sido necessário, mas sim o de termos reforçado a nossa habitual imagem de irresponsabilidade, e pior ainda, de puro seguidismo em relação a Espanha.

Caro leitor, ao fim e ao cabo qual das duas é que é a verdadeira questão: Porque é que os mercados não confiam em nós??? ou alternativamente, Porque é que ainda há mercados que confiam em nós? O leitor que escolha.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

BRASIL - SINAIS DE PERIGO?

Inflação, irresponsabilidade político-fiscal, e balança comercial. Os problemas estão de volta?

Embora os dados oficiais continuem a mostrar a inflação controlada, os consumidores queixam-se do disparar dos preços dos bens de primeira necessidade. Mas para quem chega de fora o que mais espanta são os preços totalmente desajustados de alguns produtos e serviços (aliás tal como acontece na Grécia), a título de mero exemplo um café expresso custa em qualquer café de bairro pelo menos 2,5 reais (mais de 1,1 euros) isto na terra do café!, uma hora de estacionamento pode custar 10 reais (mais de 4 euros), e por aí vai, restaurantes, cinemas, etc. Apenas desajustamentos, ou expressão de um problema mais fundo?

A maior contribuição do governo de Fernando Henrique Cardoso para a estabilização do Brasil foi a Lei da Responsabilidade Fiscal, foi ela que permitiu finalmente controlar os gastos e as dívidas dos poderes central, estaduais e municipais, mas agora a irresponsabilidade do Congresso (Câmara e Senado) parece crescente e aprova medidas bilionárias (a última festança é de 60 bi) sem "cabimento" orçamental que obrigarão Lula ao desgaste de ter de as vetar sob risco de voltar a afundar todo o sistema. Meras jogadas eleitorais, ou regresso de velhas práticas?

Apesar do disparar dos preços das comodities a balança comercial começa a apresentar resultados negativos. Questão conjuntural, ou retorno ao eterno ciclo brasileiro - euforia/depressão?

Continuo a pensar, como aliás escrevi há muito tempo atrás (os brasileiros que desculpem o pleonasmo), que o governo deveria ter feito tudo quanto fosse possível para impedir a valorização do real para além dos 2,5 por USD (eu sei que teria sido difícil e totalmente heterodoxo), como isso não aconteceu as importações dispararam, muita produção interna foi inviabilizada e a balança comercial e toda a economia só não derraparam porque os preços de exportação das comodities dispararam.

Caso tivesse sido possível controlar a valorização do real, não só as reservas brasileiras seriam hoje muito maiores do que são, como também o parque industrial seria maior e mais competitivo, e sobretudo o Brasil estaria muito mais imunizado em relação à crise mundial do que de facto está, ou seja, se a crise mundial se agravar os preços das comodities irão despencar e com eles os saldos comerciais brasileiros e as suas reservas, num filme que através da história já se viu muitas vezes. Infelizmente o argumento de que "desta vez é diferente" normalmente não funciona.
Claro que controlar o câmbio e a inflação, sem controle total da despesa pública, era uma missão difícil, mas teria sido a única via de garantir um Brasil à prova de todas as crises.

Julgo que os dois candidatos presidenciais têm ideias concretas, e diferentes das praticadas até aqui, sobre a futura política económica brasileira, em especial José Serra que deve ter essas ideias já muito bem digeridas, agora é só esperar ....
AFINAL BARROSO FALA?!

Há muito que Barroso provou a sua imensa capacidade de flutuar reduzindo-se a dizer lugares comuns sem qualquer risco para a sua estratégia pessoal, mas hoje parece que finalmente resolveu dizer alguma coisa: "se não tivermos uma união económica é melhor esquecermos a união monetária". Nada mau para primeira vez! (vantagens de ter um Presidente do Conselho?)

terça-feira, 11 de maio de 2010

TAP E A DESCULPA DO VULCÃO
A empresa está a utilizar a desculpa do vulcão para cancelar todos os voos que não lhe interessa fazer, mesmo que nada tenham a ver com o vulcão, tem sido assim com o Brasil.
Como é que a TAP vai querer manter o seu "título" de maior operador entre o Brasil e a Europa com este comportamento de monopolista com total falta de consideração pelo utilizador-pagador (sim estas empresas não têm clientes, apenas vítimas).

segunda-feira, 10 de maio de 2010

EURO - O PACOTE BILIONÁRIO
Será que vai chegar? A questão não é o montante mas toda mecânica de funcionamento que parece não desmerecer em nada as habituais confusões da burocracia europeia. Falta ainda que o BCE diga o que vai fazer da sua parte, será que daí vem alguma verdadeira novidade? infelizmente tudo leva a crer que não, vamos ver.
Caso não haja uma estratégia clara, coerente e inovadora os mercados não vão comprar a solução, mas provavelmente vão até aproveitar para fazer uma boa recuperação antes de voltarem a cair com maior violência, "cèst la vie".

domingo, 9 de maio de 2010

O TGV - JOGOS DE CENA

O tempo e as energias que se perdem em jogadas teatrais pode ser aceitável em tempos normais mas não quando se está à beira do abismo.
Desde que o PR deu luz verd ao TGV (apesar de ter lavado as mãos como Pôncio Pilatus) era evidente que o dito "comboio" era para avançar bem rápido antes de a crise se agravar mais, a partir daí tudo não foi mais do que puro teatro.
O pequenos países precisam do apoio dos grandes e não é realista supor que no momento actual Portugal se pudesse dar ao luxo de fazer outra coisa.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

BE DÁ LIÇÃO À DIREITA

O país está a ficar cada dia mais surrealista, o BE confirma a sua posição de salvaguarda dos direitos individuais enquanto a direita se atola em contradições, foi a isto que o pragmatismo acima de todos os princípios nos conduziu no caso das escutas, e isso vai ser pago por alto preço mais cedo ou mais tarde.
Mas não é só o BE a dar lições à direita, é também o MRPP através do depoimento de Garcia Pereira que se pode ver no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=9WXfCLXCGIY, apesar de ser já de Março vale a pena.
G7!

Parece que hoje vai haver uma conference-call do G7, demasiado tarde e demasiado cedo. E já agora também demasiado pouco e, simultâneamente, demasiado demais.
Tarde porque já há semanas que se deveria saber que toda a situação a nível mundial está embrulhada, cedo porque julgo que para já ninguém tem sequer uma pista para sair daqui. Pouco porque não vão ser uns telefonemas a resolver o assunto, demais porque vai alarmar sem soluções. É só rezar.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O DILEMA DA ALEMANHA

Dilema de rico é sempre melhor que dilema de pobre, o que não quer dizer que tudo seja fácil. Entre ficar no euro e ter que suportar um conjunto de países mais ou menos indisciplináveis, mas graças aos quais tem um euro de tão baixo valor que as exportações alemãs estão a crescer explosivamente, ou sair e ficar com um marco que vai valer mais de 2 dólares e arrasar toda a economia alemã, "son coeur balance"...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

SÃO PAULO

Grande, feia, dura.
Suponha uma mulher assim, grande, feia, mas com qualquer coisa que você não sabe o que é e que o atrai, com o tempo começam a surgir pequenos detalhes curiosos, e depois vem a sensação agradável dada por aquela mistura contraditória de garra e doçura. Então você começa mesmo a ficar preso sem saber bem a quê, e de seguida, quando menos espera, você está pura e simplesmente apaixonado, "se cuide!"

terça-feira, 4 de maio de 2010

EURO - QUE RAIO DE INTERVALO É ESTE?
Eu dizia ontem que até dia 7 de Maio (reunião magna europeia) estaríamos no intervalo entre o 1º e o 2º acto do drama euro, mas parece que este intervalo está muito mais agitado do que é suposto estes tempos serem, até o BCE tem ajudado à agitação. A continuarmos assim o 2º acto vai já ser trágico.
ENERGIA EM ESPANHA

Parece que o governo espanhol está mesmo disposto a mudar as regras do jogo no país, indo até à utilização de medidas retroactivas. Ver o Expansion de hoje.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O CASO GREGO NÃO PODE SER MAIS DRAMÁTICO QUE O DA CALIFORNIA

Para quem gosta de textos mais técnicos vale a pena ler Jacques Melitz no voxeu.org de 2 de Maio, apesar de como sempre ser mais fácil enunciar do que fazer.
O DRAMA DO EURO

Estamos no intervalo do 1º acto, a reacção do público esteve abaixo das expectativas apesar da tentativa de fechar em tom apoteótico. Dia 7 começa a chamada para o 2º acto. Quantos actos até ao grande momento?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

RENOVÁVEIS
O governo espanhol começou ontem negociações com a oposição com vista ao estabelecimento de um Pacto Energético de longo prazo (EXPANSION), e por cá?
ROUBINI
Hoje no FT, finalmente alguém diz o que tinha de ser dito sobre a questão grega, apesar de o caminho ser difícil espero que não se continue nos adiamentos habituais em que tudo será ainda muito pior.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PORQUE MERKEL TEM RAZÃO

As críticas a Merkel têm sido mais ou menos generalizadas por toda a Europa, pela sua alegada "falta de visão e de espírito europeu", fora da tradição alemã e sobretudo da visão de Helmut Khol e de Adenauer. Para estes críticos Merkel está apenas preocupada com as suas eleições regionais e outros aspectos da política interna alemã.

Julgo que aquelas críticas a Merkel não têm razão de ser, não se pode comparar a margem de manobra que a Alemanha de hoje tem com a que teve no tempo dos seus antecessores, por diversas razões mas sobretudo devido à dimensão e peso da crise económica que se vive, e cujos desdobramentos são ainda dificilmente previsíveis.

A teoria do aval claro e urgente à Grécia, que correu solta por essa Europa fora, e que apenas não se concretizou graças a Merkel, tinha como base uma política voluntarista muito arriscada não só para o Euro mas para a Europa como um todo. No estado actual da economia mundial não era possível à Europa e muito menos à Alemanha, avalizar nenhum país em dificuldades fora de um quadro legal bem definido, quadro esse que não existe, mesmo que esse país fosse conhecido pelo seu bom comportamento o que como todos sabemos não era sequer o caso.

Aquele aval não era (nem é) possível por uma simples razão, a situação financeira mundial está presa por fios débeis e a qualquer momento pode "despencar", pelo que todas as posições que se tomem têm de ter em conta esse quadro, tomar qualquer decisão sem ter aquele risco em consideração é uma atitude suicida, seria isso que o aval rápido e cego à Grécia teria significado para toda a Europa, tanto mais quanto não se trata de uma simples crise de liquidez mas de problemas de solvência.

Claro que a Grécia, Portugal ou a Irlanda são economias demasiado insignificantes para serem por si só um problema maior, mesmo nos tempos difíceis que correm, no entanto considerando-as em grupo e juntando Espanha e Itália, teremos riscos potenciais que podem atingir os triliões (US) de euros, ou seja, totalmente ingeríveis.

Merkel foi depois acusada de ter acabado por ceder em toda a linha, mais uma vez não foi assim, no quadro que foi aprovado ficou absolutamente claro, para a Europa e para o mundo, qual é limite da responsabilidade alemã se amanhã a Grécia entrar em incumprimento. O risco da pretensa solução rápida e voluntariosa era que com ela teríamos "um por todos e todos por um", até ao último euro nos cofres de Berlim...

Qual é de facto a situação financeira mundial? No quadro da grave crise em que ainda estamos mergulhados os diversos Estados injectaram quantidades astronómicas de dinheiro nas economias para evitar o colapso da actividade económica e financeira, e com ele todo o subsequente conjunto de desgraças agravadas para as populações (não vem agora ao caso se a política foi ou não correcta). Como consequência daquela actuação dos Estados eles próprios ficaram enormemente endividados, mesmo os que ainda o não estavam, as populações que na maioria dos casos já estavam sobre-endividadas ficaram ainda em piores condições (embora com o alívio temporário da queda das taxas de juro), as empresas que estavam menos endividadas aguentar-se-ão enquanto houver consumidores, e os bancos continuarão de pé enquanto haja dinheiro a custo praticamente zero, novas injecções de capital e não tiverem de avaliar os seus activos a preços de mercado efectivos.

Ou seja, estamos perante um castelo de cartas, que todos queremos que se estabilize e consolide, mas ao mesmo tempo não podemos deixar de tomar todas as precauções para o caso de as coisas correrem mal, e isso quer dizer que não há avais nem cheques em branco para ninguém. Aliás o processo grego tem vindo a confirmar a necessidade daquelas cautelas, com as sucessivas surpresas sempre que se aprofundam os números (cada cavadela uma minhoca).

Com este panorama de fundo tudo pode vir a acontecer no quadro monetário europeu se as coisas se complicarem mais a nível mundial, e como é evidente a Alemanha mais do que nenhum outro país tem que que estar preparada para o que der e vier, e exigir dos outros países da zona euro que façam a sua parte no sentido de tentar salvar tudo o que ainda não está totalmente perdido.

Pôr mais "dinheiro bom em cima de dinheiro mau" não resolve nada e só torna as coisas mais difíceis para todos. Se os países em dificuldades não quiserem, ou lhes for impossível, fazer o que tem de ser feito, não vai haver solução que não passe pelo repensar da zona euro.

Esperemos que Merkel, embora tendo razão, não "force a barra" para além do exequível.

(na sequência ver texto: O regresso do marco alemão?)
O REGRESSO DO MARCO ALEMÃO?
(publicado no Jornal de Negócios a 27/4/10)

Os países da zona euro em dificuldades, embora estejam em situações de gravidade e características diferentes, têm em comum vários aspectos dos quais é de realçar a baixa produtividade relativa (e padrões de consumo não consentâneos com ela), do qual todos os outros problemas em grande parte derivam: deficits comerciais e de transacções, peso da dívida pública relativamente ao PIB, endividamento externo das economias como um todo, reduzidos níveis de poupança, etc. Portugal e a Grécia são os países que fazem o pleno e padecem de todos aqueles males, embora o nosso país em doses mais reduzidas que os gregos. Os outros países têm situações negativas mais focalizadas em alguns sintomas concretos, o que não quer dizer situações globais menos graves, quer pela dimensão, quer por outros aspectos específicos.

Estamos assim perante um conjunto de países que tem de fazer um verdadeiro milagre económico no meio de uma crise mundial extremamente difícil, milagre económico porque terão de expandir as suas economias e simultâneamente reduzir o consumo interno, num quadro de investimentos reduzidos, economias abertas e uma moeda forte que não controlam, ou seja, terão de reforçar vendas ao exterior no momento em que esse é o objectivo de todos os outros seus concorrentes que para tal têm mais margem de manobra. Pode dizer-se que se tratam de missões quase impossíveis, será que alguém o vai conseguir? no quadro actual dificilmente. Na verdade o que toda a gente espera (ou apenas tem esperança?)é de que as coisas se comecem a compor na economia mundial e isso acabe por dar espaço para estes países virem a recuperar-se lentamente ao longo do tempo. Mas, e se assim não for?

Se não for assim, o destino serão as suspensões de pagamentos ao exterior, os incumprimentos, as renegociações de dívida, etc. Poderá isso ser feito no quadro do actual euro? Aqui temos de recordar que ninguém pode (pelo menos em teoria) ser expulso do euro mas pode sê-lo da UE, o que no entanto seria um caminho complicado e totalmente desintegrador da Europa. Mas por outro lado, ter países "em default" dentro do euro, além de extremamente complexo seria uma humilhação sem fim para os países da moeda forte (Alemanha, Holanda, Áustria e Finlândia) e um factor de destabilização das suas economias.

Dentro deste quadro pessimista, mas infelizmente longe de inverosímil, teríamos então uma situação extremamente grave com diversos países sem condições de honrarem os seus compromissos, mas que não poderiam ser expulsos do euro e para os quais a desvalorização da moeda se tornaria uma necessidade cada vez mais premente, e face à concentração do seu comércio dentro da própria Europa o ideal seria mesmo a desvalorização do seu euro em relação ao dos "países europeus de moeda forte".
Ou seja, dado que os incumpridores não podem ser expulsos, nem sair pelo seu pé porque tal levaria à falência generalizada das respectivas economias (endividadas em euros e operando em novas moedas), restaria como solução que fossem as economias fortes a sair do euro, o que nesse quadro seria a melhor solução para todos. Quando isso acontecesse essa nova moeda (ou moedas) teria uma rápida valorização ao mesmo tempo que o euro teria forte desvalorização.

É verdade que as desvalorizações por si só não resolvem nada, elas apenas podem facilitar processos de ajustamento que por outras vias são mais difíceis ou até impossíveis, mas as desvalorizações são operações de reconhecimento de empobrecimento (elas não o criam apenas o reconhecem) e em que é transferida riqueza dos aforradores para os devedores, mas esse é o preço a pagar por quem não faz o que deve, quando deve.

Teríamos duas vias possíveis para um segundo e novo euro, na primeira hipótese a Alemanha abandonava o euro regressando ao marco ou coisa parecida e, de imediato ou posteriormente, algumas das outras economias a seguiam. A via alternativa seria a referida por Martin Taylor (ex-CEO do Barclays) da criação institucional de dois euros, um para o Sul e outro para o Norte (sudo e neuro), nesta hipótese todos os depósitos e compromissos financeiros seriam transformados 50% em cada uma das moedas que a partir desse momento começariam a divergir. Obviamente a primeira via seria a mais interessante para os países do sul.

É curioso voltar a Keynes em 1941 quando no seu texto sobre o novo sistema financeiro internacional defende a criação de várias uniões monetárias, entre as quais a germânica com a Alemanha, Holanda e Áustria (e também Suiça), e a união latina com França, Bélgica, Portugal, Espanha e Itália, neste quadro a Grécia ficava na união balcânica.

O fim do euro tal como o conhecemos é inevitável? Obviamente que não, mas se a crise se agravar o estreito caminho que tem pela frente irá tornar-se cada vez mais difícil e estreito e então poderá não haver outra saída. Seja como for, julgo mais do que nunca indispensável acelerar os mecanismos de controle e concertação das políticas fiscais e orçamentais dentro da zona euro, não só porque ainda há esperança, como porque um "novo euro" necessitaria ainda mais daqueles mecanismos.

terça-feira, 27 de abril de 2010

MEIO PEC TAMBEM SERVE?

Apesar de todos os que sabem alguma coisa de economia, quer em Portugal quer no estrangeiro, dizerem que as medidas do PEC seriam insuficientes e que seria necessário ir mais longe, afinal decidiu-se reduzir o PEC em vez de o aumentar, aparentemente devido ao encontro Sócrates/Passos Coelho.

Claro que o PSD tem razão quando diz que sobretudo o que é preciso é reduzir a despesa pública e não aumentar as receitas, mas a verdade é que conseguir no curto prazo efeitos significativos na redução da despesa é praticamente impossível, e a apresentação de resultados desta vez é urgente, a UE e os mercados precisam de sinais concretos e não apenas de intenções piedosas.

Perante este aparente acordo que pelo menos adiou a decisão relativa à redução dos limites máximos das deduções fiscais, Teixeira dos Santos, para salvar a honra do convento, terá forçado o primeiro ministro a avançar com o imposto das mais valias, ora este imposto é o mais traiçoeiro dos impostos, porque no caso de a crise se agravar (que é o caso em que estas receitas seriam mais necessárias) não vão existir mais valias, e logo não vão existir receitas!

E se o PSD em vez de dramatizar o "aumento de impostos" sobre a classe média, ao mesmo tempo que no seu congresso houve quem defendesse claramente a redução significativa de todos os salários do país, viabilizasse com o PS o aumento temporário e gradual do IVA (podia começar com 0,5%), o que teria efeitos imediatos, daria credibilidade às nossas intenções e seria facilmente desmontável assim que começassem a aparecer resultados do lado da despesa?

Voltando à despesa pública, ainda mais importante e urgente do que eliminar desperdícios, é a necessidade de parar rapidamente esta corrente vertiginosa de crescimento do estado que todos os dias inventa novas funções, novos serviços, novas instalações, etc., tanto a nível da administração central como dos municípios, o que aliado ao Cavaquismo/Fontista que Sócrates no passado tanto criticou e de que agora se transformou no grande defensor, conduzem ao crescimento imparável de um monstro tentacular cada vez mais difícil de controlar.

Estamos claramente em zona de grande perigo mas ninguém parece preocupado, assim como é que a população pode compreender alguma coisa quando tiver que pagar a conta?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

TEXTOS IMPERDÍVEIS

O Finantial Times de hoje tem dois textos sobre a crise grega de enorme interesse, também o VOX-EU de 22 de Abril tem um texto de Daniel Gros e Alcidi Cinzia mais técnico mas absolutamente imperdível, este sobre as diferenças entre os casos mais problemátcos da zona euro.

O texto de hoje do FT assinado por Gideon Rachman, compara a reacção da Grécia às recentes medidas de austeridade ao que se passou na Latvia, que no ano passado teve de tomar medidas bem mais pesadas do que aquelas até agora anunciadas por Atenas. Tudo leva a crer que a Grécia mais uma vez se vai envolver nos habituais conflitos intestinais crónicos desde que deixou o império Otomano, e assim dentro em breve teremos uma rica Latvia e uma Grécia empobrecida mas ao sol do Mediterrâneo, e nós? que vamos fazer quando não der mais para brincar?

O outro texto é de Wolfgang Munchau e compara a actual crise europeia à sub-prime americana.

domingo, 25 de abril de 2010

DÍVIDA E ESPECULADORES

O disparate é livre, essa liberdade já existia até antes do 25 de Abril, mas se não se praticasse tanto era capaz de ser bom para o país.
Vem isto a propósito do que se tem dito sobre a acção dos especuladores e de outras forças sinistras (sobretudo anglo-saxónicas) contra o euro, a Grécia e Portugal.

Neste âmbito merecem especial destaque as declarações de Francisco Louçã, não contra os anglo-saxões, mas contra os europeus continentais de França e da Alemanha que ele descobriu agora que detêm grande parte da dívida portuguesa, logo perigosos especuladores contra Portugal! Ora nós que devíamos comprar aquela dívida não o fazemos (e provavelmente Louçã também não) e preferimos outras aplicações que nos parecem mais interessantes, e por outro lado os fundos e os particulares daqueles países têm confiança em nós e compram a dívida que nós não compramos, fazem-nos um favor e são insultados na praça pública como especuladores!! Está tudo a delirar ou é só ignorância?

Vamos ver se de uma vez por todas se deixa de dizer tanto disparate, os especuladores só compram dívida pública quando ela está na bacia das almas, até lá eles só vendem dívida e quando muito compram CDS`s para especularem contra, não os emitentes de dívida, mas os compradores da dita dívida que depois são insultados como especuladores pelos nossos políticos.

Espero que o Prof Dr Louçã nunca veja os especuladores comprarem dívida nacional, porque se isso viesse a acontecer quereria dizer que ela já teria um desconto de pelo menos 50%, o que como é evidente significaria tão só e apenas estaríamos completamente falidos, e ele talvez mais perto do seu sonho revolucionário.

Também a versão da conspiração anglo-saxónica contra o euro é outra confabulação sem sentido, claro que os USA não gostariam de perder o seu papel chave no sistema monetário internacional mas certamente não é essa a sua maior preocupação neste momento, isto por duas razões, o euro nunca chegou perto de pôr aquela hegemonia em causa, e neste momento para a recuperação das exportações americanas um euro forte seria muito melhor que a debilitada moeda a que a crise mundial e os erros das economias europeias conduziram.

domingo, 18 de abril de 2010

GEORGE SOROS E O INET

Soros foi indiscutívelmente um dos grandes "traders" dos tempos modernos, por essa via tornou-se um homem muito rico (dos mais ricos do mundo utilizando critérios mais alargados), mas o que o distingue são sobretudo as suas preocupações com as questões sociais, políticas e económicas, raras em homens que tiveram o seu sucesso económico e que lhe permitiriam passar os últimos anos de vida a exibir o seu dinheiro, poder, ou até jovens namoradas, em lugar do tipo de preocupações que o ocupa.

A verdade é que Soros sempre sonhou em ficar na história não como um homem muito rico mas como um filósofo, e foi por isso que escreveu diversos livros sobre a sua "teoria de reflexividade", sem qualquer sucesso diga-se de passagem, até porque aquela teoria no que é aproveitável nada tem de original e para além desse aspecto é simplesmente uma grande confusão. É curioso que Soros pouco ou nada escreveu sobre como ganhar dinheiro nos mercados, apesar de isso ser a coisa sobre a qual ele comprovadamente sabe.

Na sua juventude Soros foi aluno de Karl Popper que o marcou profundamente e que ficou como a figura tutelar que ele procura não digo igualar mas de quem pelo menos quer sentir-se condigno discípulo, e é por isso que tem sido um filantropo que abraçou várias causas político/sociais e culturais sempre longe da habitual "caridadezinha internacional". Foi nesse âmbito que em 2009 ele criou o Institute of New Economic Thinking, instituto esse que agora em Abril realizou a sua sessão inaugural no King`s College em Cambridge (a casa de Keynes) com a quase totalidade da nata dos economistas do mundo.

Aquela sessão inaugural produziu uma série de conferencias que se podem ver no site do instituto e que são de enorme interesse (http://ineteconomics.org/), ou ainda no Youtube.

É verdadeiramente prodigiosa a quantidade de informação que hoje existe disponível à distância de um clic na internet, em todas as áreas mas também na da economia, neste campo para além do site do referido instituto gostaria de realçar, entre muitos outros, os sites europeu e americano que constam dos blogs do Só Curtas:
http://www.voxeu.org/ e http://economistsview.typepad.com/economistsview/.