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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017


O CASAL CAVACO SILVA E O PODER

Refiro-me ao casal, porque Cavaco não existiria sem Maria, isto nada tem de negativo, antes pelo contrario, é sinal de um casal que soube ser uma equipe de sucesso.
Este facto apenas é importante porque só à sua luz se pode compreender Cavaco.
Sem Maria, Cavaco seria apenas um director do Banco de Portugal e um professor de "Económicas", tão competente tecnicamente, como pedagogicamente desastrado, de quem os alunos fugiriam, dele, da sua rigidez e das suas piadas que ninguém percebe.
Mas Maria fez dele ministro, primeiro ministro e Presidente da República.
Como teria sido se João Salgueiro tivesse tido uma Maria que o tivesse levado à Figueira da Foz, naquele Maio do ano de 1985, quer fosse ou não para fazer a rodagem do carro novo.
Ele tinha mais experiencia, mais cultura, mais mundo, e um espirito mais aberto do que Cavaco, faltou-lhe a Maria e o seu empurrão.
Foi mau para o país? Nunca o saberemos.
Cavaco liderou aquele que foi talvez o melhor governo da democracia portuguesa, o seu governo minoritario de1985/87.
Tinha uma boa equipe, com enorme vontade de mudar o país, que, pressionada até pelo curto tempo de que potencialmente dispunha, trabalhou em força como uma verdadeira equipe, todos para o mesmo lado.
Foi um sucesso, sucesso que levou à primeira maioria absoluta de Cavaco.
Depois veio o governo daquela primeira maioria e as coisas começaram a piorar. A falta de liderança natural de Cavaco veio ao de cima.
Cavaco não é um líder natural, no sentido daqueles que com facilidade galvanizam uma equipe, falta-lhe a energia e a capacidade de empatia para o fazer, ele lidera pela disciplina, pelo trabalho, pela habilidade política, pela manobra, pelo que se resguardou por trás da sua crescente importancia, e depois manobrou, manobrou muito, até por vezes dividindo para reinar.
Foi assim que os vapores do sucesso anterior e os conflitos internos fizeram cair a qualidade da governação.
Para cúmulo, já na fase final do governo, Cavaco acaba por tomar medidas claramente eleitoralistas, para comprar a sua segunda maioria, medidas essas que tiveram um alto e prolongado custo para o país.
Do governo da segunda maioria, pouco há a dizer, foi o governo da ladeira abaixo.
Foi apenas a prova que não vale a pena comprar eleições que não merecem ser ganhas.
Apesar de tudo isto, em relação à media geral dos governos democraticos de Portugal, a qualidade média dos governos de Cavaco não será motivo de orgulho, mas também não o envergonha.
Depois foi à presidencia, que a resiliencia e a tenacidade de Maria Cavaco o levaram.
Para dizer a verdade, apesar de não ter gostado de Cavaco como 1º ministro, tive esperança de que viesse a ser um bom presidente, face á sua experiencia e ao seu perfil, mais de político do que de líder executivo.
Se o seu primeiro mandato foi satisfatorio, apesar de algumas situações pouco claras, o segundo mandato foi claramente um desastre.
Desastre em parte justificado pelas dificuldades de interagir com um politico muito dificil, como era Socrates, mas desastre sobretudo pelo seu isolamento, pela sua teimosia e pelo seu auto-convencimento.
Acabou mal.
Por ironia do destino, Costa ainda o ajudou a acabar a sua presidencia com alguma dignidade, conforme havia prometido que faria.
Em conclusão. Apesar de tudo, há sempre milagres que as Marias* não conseguem fazer, mesmo desenvolvendo os seus melhores esforços.

* (ou os Maneis, para o caso de "presidentas")

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