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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017



SCHULZ, A ÚLTIMA HIPÓTESE PARA A EUROPA?

Quero começar por dois esclarecimentos que à frente desenvolvo, primeiro, considero que Merkel foi uma grande chanceller, e em segundo lugar, não sou dos que pensam que a Alemanha deva ter um livro de cheques em branco para distribuir aos países do sul.
Numa época muito difícil da historia europeia Merkel foi, apesar de tudo, dos poucos líderes europeus que teve uma visão do caminho a seguir.
No entanto, Merkel fez varios erros, o maior dos quais foi o de ter encabeçado a versão europeia de que a crise financeira era um problema americano sem correspondencia na Europa, isto quando era evidente que os bancos alemães estavam numa situação dificil, quer pela exposição aos produtos toxicos americanos, quer pelos imensos volumes de credito dados ao exterior.
Esta invenção da Europa continental, de que não existia aqui uma crise bancaria, levou a que a banca europeia não tivesse sido obrigada, logo no inicio da crise a recapitalizar-se, como aconteceu nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Claro que uma recapitalização da banca, envolvendo bancos de um grande numero de países, ainda para mais com contabilidades de credibilidade duvidosa, era muito dificil.
Assim, para fugir da recapitalização geral, criou-se um "cordão sanitario" em volta dos bancos alemães, e só depois desse problema controlado, se começou a pensar no resto da banca que entretanto foi vivendo num mundo artificial de facilidades, agravando os seus problemas, facilidades essas que no final foram pagas muito caro, como todos sabemos.
Merkel, certamente muito pressionada por Schauble e outros radicais, conseguiu implantar a solução alemã numa Europa "de cabeça perdida", com o apoio de Bruxelas, encabeçada por Durão Barroso.
Foi mau, mas sem Merkel teria sido pior, porque não apareceu ninguém a defender uma solução alternativa, que não fossem as que teriam levado rapidamente a Europa ao caos total.
Quanto ao segundo aspecto, do livro de cheques em branco ao sul, acho especialmente ridículo o argumento de alguns que dizem ser anti-democratico, não financiar todas as decisões democraticas dos diversos povos.
Caso tudo o que cada povo democraticamente decidisse tivesse de ser pago pelos outros,, rapidamente teríamos de ter em Frankfurt uma máquina de fazer dinheiro ainda muito maior do que a que já existe hoje, e de seguida, uma inflação de fazer inveja ao Zimbawe de Mugabe.
É evidente que é inviolavel o direito de qualquer país implantar internamente as suas "decisões democraticas", mas não pode para isso exigir que outros venham financiar essas decisões, fora dos compromissos assumidos.
A crise financeira deixou marcas profundas em muitos países europeus, da Irlanda à Grecia, passando por nós e muitos outros, a isto vieram juntar-se os problemas da concorrencia asiática, da emigração e do terrorismo, que afectaram sobretudo outro grupo de países.
Ou seja, a Europa está a viver tempos muito difíceis, financeiros, de modelo social e culturais, tempos portanto perigosos para uma comunidade em formação. Isto já sem mencionar os crescentes perigos externos.
Se não houver um grande bom senso e uma enorme vontade política para ir resolvendo os nossos problemas, dificilmemente o projecto europeu sobreviverá.
Como sempre, a Alemanha terá um papel crucial nesta encruzilhada europeia.
Alemanha essa que nos últimos tempos foi duplamente beneficiada pelos seus parceiros europeus, quando alinharam na sua politica de resguardo da banca alemã e, antes disso, quando nos tempos de Schroeder essa Europa gastava o que tinha e o que não tinha, facilitando a vida a uma Alemanha que nessa altura, já precavidamente, apertava o cinto. Isto para além da enorme e permanente vantagem que representa para a Alemanha o facto de exportar em euros.
Merkel e os seus aliados não vão ser capazes de resolver o imbroglio europeu, os Schaubes da vida nunca o farão nem deixarão fazer.,
É tempo de Schulz, como antes foi de Brandt, Schmitt e Schroeder.

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