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quinta-feira, 8 de outubro de 2015


PORQUE COSTA NÃO FOI O VENCIDO/VENCEDOR?

(Ou o discurso que Costa não fez na noite eleitoral)
Camaradas!
Em 1º lugar quero agradecer a dedicação e o esforço que todos no Partido puseram nesta campanha. A todos o meu eterno obrigado.
Em 2º lugar quero cumprimentar a Coligação, e os partidos que a constituem por terem sido a força política mais votada.
Em 3º lugar quero assumir pessoalmente inteira responsabilidade pela derrota de hoje. Não atingimos os nossos objectivos e o único responsável de isso ter acontecido fui eu.
Por último e mais importante, não posso deixar de destacar a leitura que faço dos resultados eleitorais.
Para além do facto de a Coligação de direita ter sido a força política mais votada embora sem maioria, é clara a existencia de uma maioria de esquerda com mais de 62% dos votos.
Esta maioria resulta para já apenas de um exercício aritmético, não corresponde a uma maioria política, e a nossa história tem demonstrado a dificuldade de passar de uma a outra.
No entanto, o PS, como a maior força da esquerda portuguesa, tem o dever moral de tentar construir essa maioria política, mesmo sabendo da sua improbabilidade e das dificuldades de um processo desses.
O PS nunca deixou de assumir as suas responsabilidades com o País, com o povo português e com os nossos ideais de esquerda, e continuará a fazê-lo.
(Aí suponho que a sala já estaria a aplaudir de pé)
Mas não julgue ninguém que nos poderá utilizar apenas para nos desgastar e nos abandonar nos momentos difíceis da governação, o PS não servirá nunca de mero trampolim para as ambições de quem quer que seja.
Antes de qualquer negociação, o PS deixa desde já bem claro que não abdica de nenhuma das suas responsabilidades no quadro europeu, no que respeita à moeda única, à dívida pública, ou aos tratados europeus. O PS orgulha-se de ser um pilar da construção europeia, com os seus acertos, falhas e correcções e não será nunca um factor de instabilidade desse grande projecto.
Também para nós é claro que qualquer acordo à esquerda, apenas poderá ser estabelecido com base no programa de governo apresentado pelo PS ao eleitorado.
Portanto só poderá existir uma maioria de esquerda, no quadro das nossas responsabilidades no ambito europeu e no enquadramento do nosso programa de governo.
Assim, manifesto desde já a minha disponibilidade para negociar com o PCP e o BE, um acordo para a formação de uma maioria política de esquerda, que respeite o quadro que descrevi.
O PS dedicará toda a proxima semana a essas negociações se tal for necessário. Após o que, caso não haja sucesso, o PS assumindo as suas responsabilidades de grande partido português, estará então, e só então, disponível para viabilizar um governo da Coligação.
O PS nunca será uma força de bloqueio, temos demasiada história e sentido das responsabilidades para o poder fazer.
Nunca alinharemos em coligações negativas.
Ou a esquerda tem capacidade para estabelecer uma maioria política construtiva, ou não iremos brincar às maiorias.
Mas deixo desde já à Coligação o mesmo aviso que deixei ao PCP e ao BE, o PS não servirá de trampolim para ninguém, o PS assumirá as suas responsabilidades como sempre fez, mas não será nunca usado para benefício de outras forças, ou de outros ideais.
Hoje é um dia histórico, que abre caminho a tempos menos sombrios dos que aqueles que temos vivido.
VIVA PORTUGAL!
VIVA O PS!
(Aí, suponho que Costa teria sido levado em ombros.)
(Porque Costa não fez isto?)


COISAS DE CAVACO

Elas já são habituais, umas mais ou menos inofensivas, salvo para o ridículo do próprio, outras mais graves e esta agora gravíssima. Não há ninguém em Belém que consiga controlar o senhor?
O país tem neste momento duas maiorias, uma de esquerda com mais de 60% e outra, pró-Euro, com tudo o que isso implica, de mais de 70%.
Só que aquelas duas maiorias são meramente aritméticas, não são maiorias políticas convertíveis em coligações governamentais. Digo que não são convertíveis em coligações, não óbviamente porque tal não seja possível em teoria, mas porque para que uma coligação possa funcionar tem de haver um nível mínimo de confiança entre os coligados, o que claramente não existe, e não poderá existir no futuro mais proximo, nem na maioria de esquerda, nem na maioria pró-Euro. E todos sabemos que essa confiança não se estabelece de um dia para o outro, por decisão Presidencial, ou pelas saudades de poder de João Soares.
Os inúmeros exemplos europeus de coligações com vários partidos, têm origens históricas completamente diferentes das nossas, são países onde normalmente existem quatro ou cinco partidos centrais, que ao longo dos tempos se têm aliado de diversas formas, e em que, portanto, todos os acordos são possíveis.
A nossa história é a de três partidos centrais e dois outros contra o sistema. As coligações seriam bem mais fáceis em Portugal se os nossos 70% pró-Euro, os tais "centrais", estivessem distribuídos por quatro partidos em vez de três, na prática tenderia a haver acordos em que um ou dois partidos ficariam de fora, quase que de forma "rotativa".
Para bem ou para mal, também a possibilidade da solução tipo Bloco Central, está afastada, pelo menos na actual conjuntura e com os actores de serviço.
A somar àqueles problemas temos o facto de Portugal estar numa situação económica e financeira muito grave, embora não suficientemente grave para justificar um governo de "Salvação Nacional", o que torna muito mais perigosa qualquer tipo de "experiência". Não é tempo para amadorismos, invenções ou experiências.
Neste contexto não se pode querer estabilidade e durabilidade, qualquer tentativa de durabilidade levará a uma coligação contra-natura, pelo que resta procurar a estabilidade.
Vamos ano a ano, entretanto muita coisa pode mudar.
Até pode ser que venhamos a ter quatro partidos centrais, mais cedo do que se espera...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015


A CAMPANHA OCIDENTAL DE PUTIN
Não, não se trata de uma campanha militar (pelo menos para já!), trata-se de uma operação de confusão da opinião pública ocidental, que já começou há algum tempo mas que a partir da intervenção russa na Síria tem vindo a crescer.
Ao contrario da maioria dos ocidentais não sou Putin- fóbico, acho mesmo que o Ocidente tem muita culpa na deterioração do relacionamento internacional no que respeita à Rússia.
Foi aquela deterioração que acabou por gerar as difíceis situações em que estamos, na Ucrânia, na Síria, na Líbia, nas ondas imigrantes, etc. Problemas esses que ainda não sabemos até onde irão, e que poderão ficar totalmente fora de controle.
Farto de ser constantemente flagelado dentro da Rússia por ONGs diversas, todas elas totalmente "independentes", e dedicadas às melhores e mais diversas causas humanitárias, Putin tem vindo há já bastante tempo a montar uma rede de comunicação no Ocidente com o fim de "devolver" o bom tratamento que tem recebido da comunicação Ocidental.
Em alguns países a Rússia já comprou mesmo alguns jornais, mas o meio privilegiado de intervenção tem sido a internet e as redes sociais. Apenas agora essa "rede" começou a produzir informação em quantidade, embora eu julgue que estamos apenas numa fase de teste de várias experiências, e ainda não dentro de uma campanha totalmente estruturada.
Quem esteja atento, tem reparado nas diversas novas newsletters de origem desconhecida dedicadas à geopolítica, assim como de notícias nas redes sociais, entre o totalmente forjadas e as apenas muito parcialmente verdadeiras.
No Facebook, hoje foi um dia rico para os "exercícios" desta campanha, lembro-me de três, mas certamente houve muito mais:
- Obama vira o púlpito onde está a falar e sai porta fora (totalmente fake)
- A força aérea chinesa junta-se à russa nos ataques na Síria (igualmente fake)
- Os ataques russos resolveram a questão em três dias, o que o Ocidente não fez em mais de um ano (no mínimo uma divagação)
Tempos interessantes, vamos ver se não demasiado perigosos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

COSTA DEMITE-SE?
Demitir-se porquê, depois de uma vitória tão difícil contra a direita? Vitória clara porque para a direita apenas a maioria absoluta servia, sem ela que vai fazer essa direita?
Todos sabem como ele se esforçou nesse combate desigual que foram estas eleições, todos sabem da sua garra, da sua disponibilidade, da sua vontade, de servir o país e o partido.
Agora é tempo de o partido decidir se o quer no Parlamento a continuar a sua luta contra a direita, o que fará com o mesmo espírito de combate e de serviço que tem tido até aqui. Ou se, em alternativa, o partido o quer como candidato presidencial, onde com a sua longa experiência, tem todas as condições para ser um candidato vencedor, numas eleições que não estão inquinadas à partida como estas estavam.
Cabe ao partido decidir onde ele poderá ser mais útil. Como sempre, ele estará disponível para se empenhar totalmente em qualquer batalha que lhe seja atribuída, com o mesmo espírito de serviço ao país e ao partido, com humildade, com energia, e com disponibilidade total para todos os combates

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

CONTRA A EUFORIA
Há alguma garantia? Já se ganhou alguma coisa? Mesmo que a coligação vença, o problema fica resolvido?
Eu sei que as sondagens têm sido sempre positivas, sei também que o PS tem tido uma estratégia suicida, sei ainda que já faltam apenas três dias.
Mas será este o tempo de euforias e festa? Não será que este é o tempo crucial para o "sprint" final? É preciso ganhar indecisos, é necessário convencer hesitantes, é imprescindível mobilizar "preguiçosos".
Se o PS não tivesse radicalizado a sua posição, uma "boa maioria" seria suficiente, o país poderia ser gerido por dois ou três anos com base em acordos inter-partidários, mas com a radicalização do PS isso será impossível.
Ou a coligação vence com maioria absoluta, ou iremos entrar de imediato num período de grande instabilidade, que é exactamente aquilo que o país não pode ter neste momento.
A maioria absoluta da Coligação, que noutro contexto poderia ser dispensável, foi tornada uma necessidade imprescindível pela actuação do PS.
É agora necessário o esforço final, só com ele a vitória será conseguida. Apenas esse esforço poderá garantir que o país não vai rapidamente entrar em forte instabilidade institucional.
Deixem a festa para depois.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A BOMBA ATÓMICA DE COSTA  (FB  26/9/2015)
Depois de um início de mandato atabalhoado, seguiu-se uma pré- campanha em que as gaffes se sucederam.
Por fim António Costa lá fez um bom debate contra Passos, mas logo depois voltou a enredar-se em confusões diversas.
No entanto o pior veio recentemente. Quando foi evidente que não conseguia arrancar nas sondagens, Costa jogou aquilo que ele julga ser a sua bomba atómica. O PS não viabilizará nada à direita, seja governo, seja orçamento, seja o que for, nada.
Assim Costa coloca o PS na pior das posições, ou tem uma maioria absoluta em que ninguém, nem ele, acredita, ou vai governar à esquerda.
Mas como é que Costa vai governar à esquerda com um programa neoliberal que ele tanto anunciou, embora não tenha compreendido?
Então Costa anuncia desde já que vai trair o eleitorado que votar no seu programa?
Mas se é assim, a tal bomba atómica não será sobre a sua própria cabeça?
Não será que Costa não destrói qualquer hipótese de o PS ter qualquer voto útil? Apenas um que seja?
- A parte do eleitorado de centro que habitualmente vota PS, não o vai fazer porque sabe que o PS terá um outro programa desconhecido que irá negociar com o BE e/ou PCP. A grande maioria destes eleitores irá votar na Coligação.
- A ala centro esquerda do eleitorado do PS, sem saber o que aí vem, vai dividir-se entre a abstenção e a Coligação.
- O eleitorado de esquerda que por vezes vota útil no PS não terá razão nenhuma para o fazer, já que sabendo que ele se irá aliar à esquerda o melhor é garantir que o faça nas piores condições possíveis, e usarão os seus votos para reforçar o peso negocial dos seus partidos de coração.
- Por esta via Costa e o PS vão ficar apenas com os votantes de "camisola" do Partido, aqueles que votarão sempre no PS, aconteça o que acontecer.
Com a sua bomba atómica, Costa arrisca a dar ao PS a pior derrota da sua história.
PORQUE COSTA GANHOU?  (FB 10/9/2015)
Não vale a pena fazer de conta que não foi assim, António Costa ganhou o debate de ontem. Face à situação difícil em que a campanha do PS se encontrava a vitória no debate era era vital para ele e para o partido.
Se assim não tivesse sido a única questão que se poria neste momento seria a de saber se a coligação iria, ou não, ter a maioria absoluta. O PS estava desmoralizado, o eleitorado não tinha confiança em Costa, e por isso ele sabia que só sobreviveria se o debate lhe corresse bem, e de facto correu.
O que agora importa à coligação é analisar porque o debate correu mal a Passos e corrigir os erros: Costa não fez nada de inesperado, não disse nada que não fosse expectável, porque é que Passos acabou por ficar paralisado à defesa?
- Passos estava mal preparado?
- Passos estava demasiado optimista?
- Passos estava cansado?
Ser um Primeiro-ministro em funções tem inconvenientes, os problemas do dia a dia do país continuam, no seu espírito, a ter prioridade sobre as necessidades de campanha. Enquanto Costa está 100% focado na campanha e com ar relaxado Passos estava cansado e claramente desfocado.
O debate foi obviamente mal preparado, por ele ou pelos assessores. Sendo conhecidos todos os pontos em que Costa ia atacar, e atacou, porque nunca Passos teve respostas curtas com impacto televisivo? Mesmo os ataques de Passos foram pouco claros e muito embrulhados no passado de Socrates.
Pessoalmente, julgo que Passos terá ido demasiado optimista para o debate, pensou que seria apenas "mais fácil do que uma ida ao Parlamento".
Na prática Passos desprezou o adversário, e quando levou o primeiro "murro no estômago" perdeu o controle do jogo. Ainda por cima, este tipo de debate com tempos de resposta muito curtos não é o ideal para Passos, o que o deveria ter obrigado a uma muito melhor preparação.
Lições para a próxima: humildade, foco, preparação
A campanha poderia ter "acabado" ontem, não foi assim, agora está tudo em aberto, tudo pode ainda acontecer.
A campanha começou ontem
QUANTOS ISIS ENTRE OS REFUGIADOS?  (FB 3/9/2015)
Poucos, muito poucos, uma insignificância certamente, mas é evidente que aquele movimento não vai perder uma oportunidade destas.
Deve esse facto mudar o que pensamos em relação aos refugiados? 
Certamente que não, as questões se que devem pôr são outras: 
-Estamos preparados para detectar os infiltrados e impedi-los de fazerem grandes estragos? 
-E sobretudo, estamos preparados para não entrar em paranóia quando a "tal desgraça" acontecer, e não passarmos de repente a ver um ISIS em cada refugiado?
Quando se entrega a política às emoções os perigos são muitos, por isso é necessário ter desde já, a frio, as respostas para o que se vai seguir.
A CRISE QUE APENAS ESTÁ A COMEÇAR  (FB 3/9/2015)
Mais uma vez a Europa vai correr atrás dos acontecimentos, que aliás em grande parte ela própria criou. A ficção de uma hipotética e burocrática diferenciação entre refugiados e imigrantes, para gente que vem daquelas paragens, provar-se-á ser apenas apenas desculpa para mais burocracia e para a falta de uma política e de uma estratégia de actuação.
Em Março de 2010 escrevi:
A LÍBIA E O CINISMO OCIDENTAL
Kadhafi é um louco perigoso, já fez muito mal ao mundo enquanto teve espaço para navegar entre os grandes poderes mundiais, e depois, continuou com a sua arrogância cabotina e ridícula, comprando as venais amizades dos seus antigos inimigos.
Agora Kadhafi vai cair, mas não por ser um assassino ou por neste momento comportar riscos especialmente importantes, ele vai acabar porque está fraco, e o Ocidente que sempre o odiou (com toda a razâo) pode enfim deixar cair a mascara, e atacar o seu ex-parceiro de negócios diversos.
Ao contrario da União Soviética e agora da China, que sempre apoiaram de forma sistemática e incondicional todos os amigos que suportassem os seus interesses, os países ocidentais, enredados no seu discurso das liberdades acabam por ter grandes hesitações sempre que têm de fazer o contrario do que apregoam, o que acontece inúmeras vezes, quando os seus interesses não coincidem com o referido discurso. Por tudo isso o Ocidente apesar de ser um parceiro poderoso e rico, é pouco confiável e imprevisivel.(1)
Kadhafi não vai cair por ser um perigo, os alegados massacres parecem ter existido tanto quanto o arsenal de destruição em massa de Saddam, e também não seria isso a preocupar o Ocidente, como outros massacres agora em curso o não preocupam. Kadhafi vai morrer porque perdeu o poder, porque Cameron é um jovem político ambicioso, porque Sarkozy é uma velha raposa perseguida, e porque relutantemente Obama acabou por alinhar em mais esta aventura.
A primeira parte vai ser fácil, um passeio mais ou menos acidentado até tomar conta de Tripoli. O difícil vai ser depois, gerir umas quantas tribos mais ou menos incontroláveis, e a partir daí construir um estado moderno, e com base nele, na Tunisia e outros países, criar um novo Norte de África que seja uma barreira efectiva à pressão demográfica sobre a Europa. Essa será a parte difícil, que eles não vão fazer, e provavelmente vão até agravar a situação já existente.
Quando tanto se fala de dívidas inter-geracionais, essa é a verdadeira dívida por saldar que vamos deixar às novas gerações. Quando chegar a hora da verdade serão elas que terão de explicar aos novos poderes mundiais o papel do "homem branco" e das suas contradições, mas pior, tal como Kadhafi agora, elas então já não terão qualquer poder, e como sempre a versão final será a dos vencedores.
(1)- A este propósito não resisto a recordar Ceausescu, terá sido por acaso que o único líder do antigo bloco de leste que foi fuzilado tenha sido o único "amigo" do Ocidente?
OS MERCADOS VÃO CAIR? A GRÉCIA E A CHINA  (FB 7/7/2015)
Tudo leva a crer que sim, só que a Grécia nada tem a ver com isso.
Nas últimas duas semanas os mercados accionista e de matérias primas desabaram mais de 30% na China,uma queda muito substancial. Apesar das importantes decisões tomadas pelas autoridades chinesas não é certo que se consiga conter rápidamente o pânico gerado.
Até agora os mercados accionistas europeus e americano têm sofrido quedas relativamente pequenas, entre os 4 e os 9%, mas não é líquido que consigam escapar ao contagio chinês.
Ao sucedido na China acresce que os mercados accionistas, sobretudo nos USA, já há muito tempo que são considerados sobrevalorizados, pelo que se espera a qualquer momento uma correcção significativa (de 10 a 20%).
Como é evidente nunca se sabe exactamente como e quando de facto acontecerá aquela queda. No entanto, este parece o momento ideal para que tal se verifique, pois ao problema na China acresce a entrada em período de férias e consequente queda da liquidez nos mercados, o que os torna potencialmente mais voláteis.Nada de grave, correcções habituais nos mercados, desta vez desencadeada pela China.
Claro que se esta queda se verificar nos próximos dias o gáudio à esquerda será geral, toda a crise será considerada como originária no modo como se lidou com a crise grega, e orgulhosamente a Grécia dirá que abalou a economia mundial!
Como é habitual, a esquerda e a Grécia dirão que foi a cauda que abanou o leão!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A REVOLUÇÃO GREGA E PORTUGAL
Ao contrario do que tem sido dito Tsipras não é o bipolar, ingénuo, incompetente, inconsistente, etc que tem sido anunciado, ele parece-me mesmo ser o único competente no meio desta ópera-bufa europeia que vai acabar em tragédia, grega e não só.
E o mais estranho é que ele sempre disse ao que vinha. Os pequenos objectivos de simples melhoria de vida das população, são claramente objectivos pequeno-burgueses desprezíveis para ele, o seu objectivo foi sempre a revolução, a mudança radical da sociedade grega e se possível europeia, a bolivinização da Europa.
Ainda pouco tempo antes de ser governo, Tsipras afirmou: " o nosso objectivo não é o socialismo imediato, mas apenas o princípio do fim da Europa tal como a conhecemos", lembrando então que faria como fez Chavez, "nós não pedimos o voto no socialismo, nós pedimos o voto para uma mudança real na vida das pessoas, e assim gradualmente as pessoas irão se aperceber que o socialismo é uma boa idéia, tal como aconteceu na Venezuela".
E quando o sonho é grande, e os objectivos também, que interessam os meios utilizados? as mentiras apregoadas? as alianças com quem quer que seja? os custos do processo para as populações? Nada disso é relevante quando a História nos chama para uma missão regeneradora da humanidade!
Assim já pensaram muitos antes dele, com os resultados que se sabe, Lenine foi o primeiro estratega que adaptou o pensamento de Maquiavel aos tempos modernos e que com o dinheiro americano fez a revolução Russa, depois os seguidores foram muitos à direita e à esquerda, com destaque para Hitler e Mao.
A base é sempre a mesma, confundir o inimigo, depois fatiá-lo e finalmente aniquilar qualquer suspiro oposicionista, da forma mais radical que for possível, ao mesmo tempo que se vai negando toda a realidade porque se sabe que os burgueses bem instalados darão tudo para não ter que tomar iniciativas difíceis e irão sempre acreditar até chegar a vez deles. Ao fim e ao cabo trata-se apenas de cozinhar rãs em lume brando.
Como tenho dito, e apesar de toda a propaganda em contrario, em termos económicos o facto de a Grécia sair da zona euro não enfraquece a zona, antes pelo contrario, as questões dos perigos da "geometria variável`e outras não têm qualquer fundamento, apenas a saída de uma grande economia ou de um grupo de economias afectaria de forma significativa a solidez da zona euro. Esse é apenas mais um mito que a Grecia com os seus amigos tem conseguido vender, e em que os mercados farão de conta acreditar enquanto isso der dinheiro para ganhar.
Dentro da zona Euro os campeões da Grécia têm sido Juncker e França, agora já menos Juncker. Fora da zona Euro temos os ingleses, que como sempre não querem pagar nada mas que acham que nós temos de pagar para amparar o país que eles inventaram para chatear os turcos. e os americanos que querem fazer mais uma vez o que já fizeram em muito lado, ou seja, alimentar um pequeno animal perigoso na doce ilusão que assim se estabiliza a área, quando o que vai acontecer é o contrario, o animal vai virar grande e vai pôr todo o espaço em polvorosa.
Todos sabemos da importância geopolítica da Grécia, em especial agora, mas julgar que ao apoiar as pretensões de Tsipras se está a contribuir para a estabilizaçao da região isso é uma idiotice sem fim, pior que o dinheiro que os americanos deram a Lenine, ou que a ingenuidade de Chamberlain com Hitler.
No meio disto tudo não sei se a Comissão Europeia e os governos europeus tencionam continuar a ser os palhaços desta história, mas se tencionam fazê-lo Portugal vai ter agora de assumir de forma clara e pública uma posição sobre esta situação.
Portugal tem de deixar claro que, ao contrario do que se tem dito nada tem contra que à Grécia sejam dadas condições especiais, dado que a Grécia está na pior situação entre os países da zona euro, mas que a bem do processo europeu e da protecção dos nossos interesses, só aprovará medidas que signifiquem alterações nos montantes, nas maturidades e no nível dos juros da dívida grega que proporcionalmente se apliquem também ao caso português. Qualquer outro caminho, além de injusto para Portugal seria consagrar dentro da Comunidade o prémio à indisciplina.
Já que, que por culpa das instituições comunitárias tudo isto vai acabar muito mal, pelo menos não sejamos os parvos da história.
A ZONA EURO ESTÁ MAIS FORTE
Ao contrario de todos os disparates que se têm dito por aí, o facto de a chantagem grega não ter sido aceite não enfraquece o Euro, pelo contrário, reforça-o.
Isto porque uma moeda que é partilhada por um vasto e crescente número de estados só poderá ter credibilidade se viver sob regras claras e não ao sabor de chantagens individuais de qualquer estado membro.
Se a Europa tivesse cedido ao jogo grego teria morto o Euro a prazo mais ou menos curto. Teria ficado claro que, de chantagem em chantagem, a moeda iria morrer.
O que estava, e continua em causa para a Europa, não é o pagamento das dívidas astronómicas do Sul, que toda a gente sabe que são mais ou menos impagáveis. O que está em causa é que a Europa necessita de acabar de construir o sistema que permitirá que grande parte dessas dívidas venha a ser "absorvida" de forma natural por vias diversas, até lá as dívidas continuarão a constar das contabilidades nacionais dos países devedores e não existe alternativa a essa realidade.
Neste processo ficou claramente provado que a via que o Syriza pretendeu seguir não leva, nem levará, a lado nenhum, esperemos que o aviso seja compreendido por todos. A via Syriza foi inútil e negativamente agressiva, só justificável caso o objectivo real do Syriza fosse de facto a saída do Euro e até da Comunidade Europeia, criando uma situação de expulsão por culpa dos países ricos a explorar políticamente. Esta possível estratégia para uma saída revolucionária, é uma hipótese que ainda está de pé, os próximos dias nos esclarecerão...
Em termos práticos o que resta como lição para os outros países é que se podem conseguir alguns pequenos sucessos no âmbito comunitário usando linhas de negociação mais duras, desde que tal se faça com moderação. Para ir para além daqueles pequenos ganhos, apenas conseguindo criar grupos de pressão constituídos por vários países se poderão almejar objectivos mais importantes.
O único grande problema que a questão grega representa para a Europa é geopolítico, por causa dos Balcâs, da Turquia, da Rússia, do Mediterrâneo Oriental, das ondas migratórias, etc Mas também neste quadro ceder ao Syriza não era garantia de melhorar a situação, antes pelo contrario. Por incompetência, ou propositadamente, o Syriza até conseguiu desperdiçar o único trunfo efectivo que tinha.
O Euro está mais forte. Isso quer dizer que os mercados vão ficar calmos? Não forçosamente, é da natureza dos mercados a instabilidade, a agitação, e acontecimentos como estes têm muito a explorar, mas será tudo fogo de artifício, de facto nada de grave aconteceu.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015




JUNCKER E A GRÉCIA


Juncker é um político na linha de Barroso, apenas mais simpático e sem o ar de boxer aposentado do português.
Ao dizer que são políticos da mesma linha  isso nada tem a ver com opções partidárias, mas apenas com o seu comportamento político, com isto  quero dizer  que Juncker tem  tão poucas ideias como Barroso e simultâneamente tem  a mesma habilidade política, o mesmo jogo de cintura. Tratam-se enfim de dois virtuosos do jogo político que fizeram as suas carreiras com base nisso e não têm qualquer outro projecto ou ideal, para além da própria carreira.

Perante esta realidade que se pode esperar de Juncker face a qualquer situação delicada? Obviamente que nada, tal como aconteceu com Barroso, primeiro porque não tem conhecimento profundo dos dossiers, segundo porque para este tipo de políticos a solução será sempre a que no imediato seja a mais fácil.
É por estas razões que Juncker aceita qualquer coisa vinda da Grécia, porque nem sequer sabe bem o que está em causa, e também porque a última coisa que ele quer é ter de gerir uma situação como seria a de uma saída da Grécia do euro, sobretudo no início do seu mandato.

Se Juncker fosse um político com P grande, saberia que este é um bom momento para correr o risco de uma saída de um país do euro, apesar de ainda não estar montado todo o sistema da união monetária, grave seria isso acontecer numa altura em que os mercados estivessem em polvorosa.
Mas Juncker quer apenas sobreviver e por isso está aberto a todo o jogo de chantagem que a Grécia queira fazer, se não forem os estados membros a controlar a situação vamos ter desastre.


O NEOLIBERALISMO NA EUROPA -I


Não vou falar de Von Mises, nem de (Von) Hayek, a minha intenção aqui é bastante mais prosaica.

Vou falar desse neoliberalismo que é a política que os partidos socialistas praticam depois de ganharem eleições.
E também daquele outro, mais radical, que aqueles mesmos partidos praticam depois de terem tentado concretizar os seus programas eleitorais, e a que apressadamente recorrem, a meio dos seus mandatos, tentando não sucumbir à derrota eleitoral que se aproxima. Deste segundo caso Hollande é o melhor exemplo, que chegou mesmo ao ponto de passar a governar por decreto-lei, para acelerar as reformas neoliberais que ele abjurara, e por via desse artifício  evitar o desgaste público nas suas hostes.

Enfim, o neoliberalismo filho de Margaret Tatcher, e que levou a que ela dissesse que o seu maior orgulho era o New Labour, seu enteado talvez.
Sim, o neoliberalismo, "esse monstro, desumano, capitalista, perverso e fonte de todos os males" das nossas sociedades...

Agora sem ironias. O neoliberalismo está longe dos verdadeiros liberais libertários que odeiam o estado sob qualquer forma e que pensam que o principal papel do cidadão é vigiar o pouco estado que tenha de existir  O neoliberalismo é sobretudo um sistema não dogmático que conhece os perigos e a falta de capacidade dos estados para actuarem  de forma sistemática em todas as áreas da vida social e que por isso julga que fora das áreas que são da sua  competencia especifica, justiça, defesa e segurança o papel dos estados tem de ser analisado, discutido e decidido cuidadosamente, para bem da sociedade.

Como foi possível surgir já na segunda metade do século XX o neoliberalismo? Ainda por cima no Reino Unido com todas as suas tradições de apoio social e sindicais?

Este movimento resultou do efeito conjugado de dois acontecimentos com características opostas. Por um lado o alívio do fim da 2ª Grande Guerra encheu as populações de esperança, era o fim de tempos muito duros, era o momento das classes trabalhadores tomarem nas suas mãos os destinos da sociedade, é esse fenómeno que leva à inesperada derrota eleitoral de Churchill perante os trabalhistas. Mas simultâneamente, esse é também o tempo do princípio do fim do domínio económico da Europa sobre grande parte do 3º mundo.

Assistimos assim no pós guerra  ao surgimento do peso político das classes trabalhadoras e dos seus sindicalistas , em simultâneo com a perda de importância económica gradual da Europa no contexto mundial.
Aquela perda de importância deriva do aumento do peso  de outros poderes económicos actuando em espaços que anteriormente eram de "exploração" europeia quase exclusiva,  com destaque evidente para os Estados Unidos, mas também para outros estados e para os novos movimentos e estados independentes.

Poder-se-ia quase que dizer que o desenvolvimento do estado social se dá no pior momento histórico possível, exactamente quando a Europa deixa de poder com facilidade transferir acréscimos dos seus custos de produção para os seus mercados cativos. Este é o problema original do chamado Estado Social, a que no futuro se viriam a juntar outros

Mas na época,  o optimismo em relação ao futuro, conjugado com o poder económico  de que o Reino Unido ainda dispunha, permitiram  montar um sofisticado e caro estado social, estado esse não parou de crescer, tornando-se um peso cada vez mais difícil de suportar para uma sociedade que entretanto empobrecera em termos relativos.

Os  custos crescentes do estado social, por um lado, e a força cada vez maior dos sindicatos, por outro, conduziram à quase paralisação da economia do Reino Unido. A modernização era entravada pelos sindicatos, a despesa pública absorvia cada dia porções maiores do PIB,e tudo isto acontecia ao mesmo tempo em que o poder de exportar a qualquer preço se ia reduzindo.

É neste cenário que surge Tatcher. De braço de ferro em braço de ferro, a dama de aço, consegue limitar o poder dos sindicatos, controlar a despesa pública e relançar e modernizar a economia.
Ainda hoje odiada por uns, venerada por outros,  Tatcher foi o grande agente modernizador do Reino Unido, tendo desencadeado um processo que acabou por ser continuado pelos próprios trabalhistas com o New Labour.

Esta é a origem do neoliberalismo, a que os países da Europa continental foram resistindo e aplicando apenas esporádicamente em doses homeopáticas, até à crise de 2008.  Com excepção do caso alemão, aspenas quando a realidade se impõe e  são mesmo  obrigados a eliminar os bloqueios, corporativos e outros, que entravam a modernização e o crescimento, os países do continente recorreram à medicina neoliberal, tal como foi o caso da súbita e recente conversão francesa.

domingo, 22 de fevereiro de 2015





      A QUESTÃO GEOPOLÍTICA GREGA - PUTIN GANHA SEMPRE

       Já se percebeu que para a Europa não existe um problema económico com a Grécia, o país pode falir, sair do Euro, e mais o que quiser, que tudo isso não será mais do que uma beliscadura na economia europeia, que em menos de um mês estará esquecida. Nesse caso haverá, então sim, uma enorme crise humanitária na Grécia, que a Europa não vai poder ignorar, mas cada coisa a seu tempo.

       No ponto de vista geo-político a questão é muito mais complicada, mas a decisão não será também muito difícil, dado que não existe uma solução boa resta escolher a menos má. A escolha é entre viabilizar um projecto Chavista na Europa, ou deixá-lo desenvolver-se fora da Europa numa zona geográfica já muito complicada e importante para nós.

      A escolha parece-me clara, é preferível um problema junto às nossas fronteiras, por mais delicado que isso seja, do que um cavalo de Troia dentro de casa. Não que o problema dentro de casa leve a uma revolução Chavista na Europa, não é essa a questão, a razão é muito pior, o Chavismo em dois ou três países levará à radicalização na Europa, provavelmente mesmo a guerras civis, e isso será o caos, e o fim do projecto europeu.

       Se a Europa hoje viabilizar a aventura do Syriza, não o obrigando a seguir o essencial das regras comunitárias (certamente com adaptações), podemos dizer desde já adeus ao sonho do projecto de uma Europa una e democrática. Os nacionalismos estarão de volta, com as personagens habituais.

       No meio de tudo isto o grande vencedor é Putin, qualquer solução é boa para ele, Troia seria melhor porque destablizaria e radicalizaria, a solução da Grécia fora só destabiliza, de qualquer modo um ganho importante.

      Se a Europa sobreviver ao dia de hoje , é melhor começar a pensar a sério numa política de defesa.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015



BENTO, O EXPLICADOR

Victor Bento tem sido o melhor explicador nacional de como as economias funcionam. Nunca disse nada de original, nunca sequer se preocupou em ser o mais actualizado dos economistas, mas sempre foi o que melhor explicou ao comum dos mortais os mecanismos da economia. De tal forma que até Cavaco, que séculos atrás até foi um bom economista, se apaixonou por Bento e o levou para o Conselho de Estado, certamente para explicar aos outros conselheiros aquilo que ele, Cavaco, nunca conseguiu fazer.

Tudo corria bem até à aventura do BES, Bento nunca foi um banqueiro, tinha umas ideias vagas também sobre esse assunto, e o governo e o BP, tal como ele, também estavam perdidos, depois foi o que todos sabemos... em resumo, as coisas correram mal. Vai daí Bento resolve repensar a sua visão da economia europeia, e como tinha pressa, e o país e a Europa não podiam esperar mais para conhecer as importantes revelações que tinha a fazer, decidiu não esperar pelo seu novo livro e entregou ao Observador o texto base da sua nova visão.

O texto de Bento parte de uma descoberta que ele fez recentemente, os países do Euro têm uma moeda única! Como têm uma moeda única mas orçamentos nacionais e balanças comerciais e de pagamentos também nacionais, acabaram por se gerar situações perversas para a recuperação da crise. Quase que parece o outro  Victor, o  Constâncio, que até à ida para Frankfurt sempre defendeu que com o Euro o facto de os países terem saldos positivos ou negativos nas suas balanças deixara de ter qualquer importância.

Até à revelação de Bento nunca ninguém se lembrara desta vertente das economias europeias, apenas ele, com o seu faro aguçadíssimo, agora o descobriu, e ao descobrir viu rapidamente que temos estado todos a ser enganados pela Europa rica, facto esse que no entanto, todos os economistas da esquerda já tinham "percebido" à bastante tempo.

Ou seja, depois do BES, Bento é um novo economista da esquerda! A esquerda não terá ganho grande economista, mas ganhou um grande explicador, o que já não é mau.

Como bom economista de esquerda Bento fica pelo meio do caminho, limita-se a dizer que o norte explorou o sul, e o fez para mal de todos, mas nunca diz o que deveria ter sido feito, talvez porque aí teria de dizer claramente o contrario de tudo quanto andou a dizer.

A Revelação de Bento, não é ainda motivo para o Nobel, mas é sem dúvida um passo importante!



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015



CARTA ABERTA AOS POVOS DA EUROPA (Projecto)


O Syriza tem tentado por todos os meios junto das instituições comunitáriass, defender o povo da Grécia e com ele os povos de toda a Europa.

Mas, na realidade, todos os nossos esforços em prole dos nossos povos e da humanidade, têm sistemáticamente esbarrado no autoritarismo alemão, e dos seus apaniguados, assim como de outros governos amedrontados, sem coragem para dizer basta à Alemanha.

Para que a Grécia possa iniciar esta nova fase da sua vida, libertar o seu povo e vencer a crise humanitária que vive, querem os burocratas de Bruxelas que lhes apresentemos um plano detalhado do que pretendemos fazer. Os burocratas incompetentes e irresponsáveis são sempre assim, enquanto o povo morre de fome eles querem mais papeis! Vivem do papel e para o papel.

Como é óbvio nós não podemos dizer o que pretendemos fazer, nem como vamos pôr a Grécia no que eles dizem ser o bom caminho, os burocratas e os governos reacionarios que dominam neste momento a Europa, não podem ter esse tipo de informação, porque se a tivessem usá-la-iam para nos destruir, a nós e ao nosso projeto de uma nova Europa!

Que melhor garantia podem os burocratas de Bruxelas querer do que os curriculla, e a palavra  dos nossos líderes?

O nosso líder, Tsirpas, ainda recentemente afirmou que o nosso objectivo não é o socialismo imediato, mas apenas o princípio do  fim da Europa tal como a conhecemos, lembrando então que faria como fez Chavez, "nós não pedimos o voto no socialismo, nós pedimos o voto para uma mudança real na vida das pessoas, e assim gradualmente as pessoas irão se aperceber que o socialismo é uma boa idéia, tal como aconteceu  na Venezuela". Portanto é falso que sejamos comunistas ou queiramos uma revolução, queremos apenas uma nova Europa, beneficiando da riqueza da experiencia Venezuelana. Temos esse direito e não vão ser os burocrats europeus e a Alemanha que nos vão parar!

Depois, temos como responsável da economia e das finanças gregas um professor que é a inveja de toda a Europa, apoiado por vários prémios Nobel, como Krugman e Stiglitz, e que apresentou logo no início das negociações uma enorme panóplia  de soluções aos iletrados ministros e burocratas europeus, pelas quais teria sido possível de imediato resolver todos os problemas da Europa e foi logo recusada, porque se aceite ficaria patente a incompetencia geral. Depois de tão brilhante apresentação, aqueles eurocratas refugiaram-se em mais um pedido de medidas concretas para fazer face à crise grega, sem inteligencia e sem visão os burocratas acabam sempre no mesmo. Agora para tentar destruir a imagem do nosso génio financeiro, os seus inimigos passam o tempo a relembrar que ele terá dito que é um economista acidental e um marxista errático. Mas nem com todas as campanhas eles vencerão, o mundo sabe que temos razão, e que temos as melhores soluções para a Grécia, para a Europa e talvez  mesmo para o mundo.

A campanha contra nós já envolve também o nosso parceiro de coligação, chegam ao ponto de dizer que Kammenos é xenofobo e anti-semita, tudo apenas porque ele é um patriota que luta pela dignidade grega dentro da Europa, melhor, pela Grécia  como lanterna da Europa como históricamente foi, e temos direito de voltar a ser.

Perante esta realidade apelamos a todos os povos da Europa, que se revoltem e imponham aos seus governos, o apoio claro e irrestrito aos desejos do governo grego, porque esse é o único caminho que resta à Europa.

Viva o Syriza! Viva a Nova Europa! Abaixo a Alemanha e seus apaniguados! Abaixo os eurocratas!




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015



UMA EXPERIÊNCIA DE ESQUERDA, POR FAVOR!

Este texto vai ser um pouco complicado. Os meus amigos à direita não gostam das minhas posições, para eles ambíguas, sobre estas guerras da direita e esquerda, os de esquerda raramente lêem o que escrevo e quando o fazem, fazem-no com dificuldade. Este será mais um desses textos que  não vai agradar a ninguém.

Desde pequeno, tenho ouvido falar do sonho de uma sociedade diferente daquelas em que temos vivido, uma sociedade igualitária, fraterna e livre. Apesar de nunca ter acreditado em nenhuma das propostas que ao longo dos tempos foram sendo apresentadas, não perdi a esperança de que um dia surja alguma coisa com sentido e de que finalmente a esquerda consiga apresentar um projecto viável e executá-lo de forma convincente. Até agora as desilusões têm-se seguido.

Nos tempos modernos, a esquerda deu-nos a Revolução Francesa que começou por assassinar a nobreza nacional, guilhotinar os reis, os altos funcionários, depois os burgueses, e finalmente os revolucionários começaram a guilhotinar-se e assassinar-se sucessivamente uns aos outros, abrindo caminho para Napoleão que por fim estabeleceu a "sua ordem" na casa, e tentou estendê-la a toda a Europa. A primeira grande aventura da esquerda não correu propriamente bem, mas..

Depois de aventuras menores diversas, veio o socialismo científico de Marx e mais tarde as ditaduras do proletariado de Lenine e Estaline, que após implantadas,  rapidamente se transformaram em ditaduras das nomenclaturas em nome do proletariado, de Cuba à China foi assim, com os resultados económicos, sociais e ecológicos que hoje são conhecidos, isto para além do que, pelo caminho, foi acontecendo às "liberdades burguesas".

Recentemente a América Latina tem tentado algumas experiências socialisto-populistas a maior parte delas com especificidades muito locais que têm a ver com o problema nunca resolvido das populações indígenas. Mas de novo estamos perante experiências todas elas mais ou menos desastradas, a única  mínimamente equilibrada parece ser a do Equador, embora nada de fascinante, nada que que aponte um novo caminho para as sociedades do século XXI.

A Europa, berço de todas estas ideias e ideais, tem contribuído bem pouco para novas experiências, socialistas e sociais-democratas aburguesaram-se e pouco os distingue dos democrata-cristãos, o nosso Abril foi o equívoco de que não vale a pena falar agora e recentemente, Hollande foi uma esperança fugaz que não deu em nada. A esperança que resta é o Syriza, vai o Syriza resistir ao choque da realidade?

O grande problema da esquerda radical é que nunca gostou da realidade, o seu jogo foi sempre  comparar  a realidade capitalista, com todos os seus defeitos reais mais os por ela inventados, com situações imaginárias que a esquerda dizia existirem noutras sociedades ou em sociedades também imaginárias que iriam, ou irão, construir.

Só que para construir alguma coisa é preciso um projecto, até agora nunca ninguém viu um projecto dessa esquerda, o único objectivo parece ter sido sempre e apenas a conquista do poder, depois logo se vê. Mas existe alguma credibilidade nisso? Criticar a realidade e pedir um mandato para construir algo que nem ela, esquerda, sabe o que é?

Na verdade  até tive esperança que o Syriza fosse diferente, acreditei mesmo que eles tinham um plano para uma sociedade alternativa, que precisasse de ser ajustado aqui e ali, mas que existisse um projecto. Afinal não, o único projecto era sacar um cheque em branco à Europa. É isto o melhor que a esquerda pode fazer?

Porquê esta incapacidade de apresentar um novo projecto de sociedade? Falta de capacidade intelectual? Preguiça? Medo de que nenhum eleitorado o "compre"?

Ninguém  espera que a esquerda possa fazer o milagre de conseguir juntar todas as benesses das sociedades de consumo capitalistas a uma muito maior igualdade, todos sabemos que não há almoços grátis, mesmo almoços socialistas, mas qual é o seu projecto de sociedade? Como vamos para lá? Como desmontar os mecanismos de mercado/preços sem destruir as economias? Por favor, vamos ser sérios, somos todos adultos.

Até lá vamos ficando com as esquerda que há, a esquerda caviar (beluga ou não), a dos seus intelectuais diletantes, a das múmias simpáticas dos PC's, e a dos exaltados que não têm ideia do que querem, para além da catarse do reclamar  e gritar. A única verdadeira novidade que até agora a esquerda nos deu foram aquelas meninas, até bonitinhas, inteligentes, agressivas, articuladas e palavrosas que hoje em dia preenchem mais de metade dos nossos telejornais.

Estou a ficar velho (aliás já estou, só que ainda não assumi) e ainda preciso de ver essa grande eperiencia socialista. Por favor apressem-se, já agora se possível não a façam aqui em Portugal, deixem isso para depois de ver os resultados em outro lugar.

Os meus amigos de direita devem ter razão, no fundo eu sou um esquerdista, só que, depois destes mais de dois séculos de desastres, e tal  como São Tomás, preciso de ver para acreditar.





quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015



 AMERICAN SNIPER E OS ERROS DA DEFESA DOS EUA


Um filme eminentemente político, de que os republicanos não terão gostado nada.
Um filme sobre a estupidez destas guerras que não se podem vencer e deixam cicatrizes profundas em todas as partes envolvidas.

Fez-me lembrar outro filme, esse basicamente um documentário, "estrelado" pelo ex Secretário da Defesa dos EUA Robert McNamara. o tecnocrata Presidente da Ford que  Kennedy convidou para seu Secretário e que foi responsável pela escalada no Vietname.
Naquele filme, The Fog of War, umas dezenas de anos depois do fim da guerra, McNamara explica como ao fim e ao cabo tudo não passou de um acumular de mal-entendidos, sem eles nunca teria havido guerra.
Foi esse filme que me fez perder por completo a confiança que tinha nas decisões da defesa americana, uma grande potencia com a qualidade e quantidade de informação que tem, nunca poderia entrar em aventuras que não tivessem uma forte justificação, mesmo que tudo apontasse no sentido contrário, acreditei nisso até ver e ouvir McNamara. A partir de então desconfio de toda a política de defesa americana,  sobretudo quando se trata de intervenções directas em países estrangeiros.

No meio das pressões dos falcões, dos interesses da industria de defesa e outros fornecedores, das manobras de políticos estrangeiros que procuram ganhar peso nos seus países envolvendo os americanos nas suas jogadas, e também obviamente dos humanos erros, no meio disto tudo, todas as loucuras são possíveis, em nome de qualquer coisa que se queira inventar.

O filme de Clint Eastwood aborda estas questões não pela via do ensaio mas contando de forma magistral e emocionante uma história verídica de um herói americano, do seu duelo com outro herói (embora o filme o não assuma como tal) anti-americano, das condições daquelas guerras de ocupação impossível, e das dificuldades de um regresso a casa para heróis, menos heróis e "cobardes".

Infelizmente tudo leva a crer que desta vez as sequelas vão ser muito piores do que as do Vietname, não que a guerra tenha sido mais violenta, não porque os conflitos durem há mais tempo - ambos são heranças coloniais que se arrastam do século XIX - mas porque o mundo muçulmano continuará a ver em tudo isto sobretudo como uma guerra religiosa, que não irá acabar só por os canhões se calarem.

Quem depois do American Sniper ainda  acreditar na clarividencia militar americana, recomendo com urgência The Fog of War.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015



A VERDADE SOBRE AS DÍVIDAS EUROPEIAS  - A GRÉCIA


Esta questão das dívidas nunca é abordada de forma global e sem preconceitos, uns porque querem esconder a verdade, e outros porque querem apenas transformar este assunto em arma de arremesso.
É importante  analisar esta problemática de uma forma realista e independente, sem segundas intenções, porque só depois disso se podem tomar opções conscientes sobre a forma como cada um pensa que o problema deve ser gerido.
Assim, existem à partida duas grandes questões:
.qual a origem das actuais dívidas públicas?
.as dívidas são "pagáveis"?

-Qual a origem das actuais dívidas públicas?
As actuais dívidas podem ser decompostas em três partestes, a dívida pré-crise, a dívida fruto da socialização dos prejuízos do sistema financeiro, e a dívida resultante do acumular dos novos deficits orçamentais entretanto verificados.
As dívidas "pré-crise"  normalmente apresentadas estão muito sub-avaliadas, porque era normal em todo o Sul esconder dívida do sector estatal em empresas públicas deficitárias, debaixo do tapete, do colchão e onde mais fosse possível... artifícios esses de desorçamentação diversa que depois foram eliminados. Na verdade essas dívidas efectivas na Europa do Sul eram já muito maiores do que aquilo que usualmente aparece referido, sendo em toda a região já no início da crise da ordem dos 100% do PIB, isto nos casos menos graves.
A outra componente, a socialização da dívida do sistema financeiro, é a componente injusta que resulta da total incompetência da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. A Europa adiou enquanto foi podendo o reconhecimento de que vivia uma crise financeira, argumentando que isso era um problema americano ao qual o Euro estava imune. Assim, enquanto os EUA e o UK obrigaram o bancos a recapitalizarem-se com dinheiro público, contra a vontade dos respectivos accionistas que tiveram mais tarde de comprar ao estado as novas acções entretanto emitidas (estado esse que as vendeu realizando um lucro substancial), enquanto isso na Europa a questão foi sendo empurrado com a barriga, graças ao lobbie da banca, e como os problemas não foram encarados de frente logo no início, foram tornando-se maiores e acabaram por ser transferidos para os orçamentos dos estados em lugar de ter sido assumidos pela banca. A grande vítima deste processo foi a Irlanda, que tem a maior percentagem da sua dívida proveniente desta origem.
A terceira parte das dívidas é fruto de estes países terem continuado com deficits orçamentais e portanto com necessidade de recorrer a novos financiamentos.

- Estas dívidas são pagáveis?
Na generalidade dificilmente, basta pensar que mesmo a um juro médio de 2% indexado ao PIB  e amortizando as dívidas a 50 anos se teria um desembolso anual superior a 3% do PIB por cada 100% de dívida/PIB que se quizesse anular, o que não sendo totalmente incomportável seria no entanto muito limitativo do investimento público.
A Europa do norte, melhor, a Alemanha, vai impedir a reestruturação destas dívidas? Não acredito, a Alemanha sabe que é melhor para ela que as economias do sul ganhem dinamismo, mas o norte tem dois problemas, um  são os seus eleitorados e o outro  é a fé dos respectivos governos em que o sul venha mesmo a resolver os seus problemas e a aumentar a sua produtividade.
Os "incomportáveis" custos da dívida têm assim dois objectivos, obrigar o sul a fazer o trabalho de casa e não assustar os eleitorados do norte. Apenas isto, porque todos os governos sabem que um dia todas estas dívidas vão ser reestruturadas, só que seria um desastre duplo dizer isso publicamente neste momento.

- Que fazer?
 Até agora têm coexistido dois caminhos, caminhos esses que são melhor exemplificados pelos casos diametralmente opostos da  Irlanda e da Grécia.
A Irlanda , que foi de facto a grande vítima da incompetência europeia, aceitou as regras do jogo, não discutiu, não hesitou, fez rapidamente uma grande reestruturação da sua economia, com os custos sociais inerentes, e é hoje de novo o tigre celta, apesar de alguns problemas que ainda tem.
A Grécia foi sempre o doente que fez batota, aquele que diz ao médico que toma os remédios e não o faz, assim dedicou-se a simular reformas que não fez, impostos que não recolheu, etc A culpa, essa, foi sempre dos remédios e do médico, tudo no meio de uma confusão bem Mediterrânica. O resultado só podia ser o desastre que se verificou, não vale a pena dizer que a culpa é da Europa, da austeridade, etc,  a culpa é da Grécia, poderá não ser do seu povo, ou se se quiser, sê-lo-á apenas na medida em que continuou a suportar as suas elites.

- A Grécia
A Grécia do Syriza surge agora com um hipotético terceiro caminho, que teria pelo menos a vantagem de acabar com o faz de conta grego.O Syriza quer virar a mesa e começar tudo de novo. Tudo bem, concordo que existem outras soluções se a Europa der algum apoio, o que é estranho é que só agora o partido e o seu economista chefe parecem ter começado a pensar nisso, esse trabalho não devia ter sido feito antes das eleições? O Syriza esperava que a Europa se rendesse de joelhos às suas reivindicações que  se limitavam a que a Europa lhe passasse um cheque em branco, ainda por cima  ao seu pior aluno? Agora, em quinze dias a Grécia vai ter um plano alternativo minimamente credível?
Existem caminhos alternativos e essa experiência de um novo socialismo seria interessante, só que não existem alternativas que sejam um caminho fácil, acreditar nisso é a receita para o insucesso, o único caminho que resta à Grécia é o da austeridade distribuída de outra maneira, mas esse caminho também não é fácil, como percorrê-lo sem paralisar a economia?
Não sou dos que deseja o desastre para o Syriza, até porque a conta seria paga pelo povo grego, mas neste campo não existem milagres, se não existir uma proposta bem fundamentada não haverá aprovação e a Grécia estará à beira do desastre. e depois dele, a saída do euro.
A ilusão de que a Grécia é a carta que sustenta um castelo que  hipoteticamente seja o euro é apenas isso, uma ilusão.
Apostar tudo na sua importância geopolítica, esperando que isso viabilize o inviabilizável não é solução, por muitos telefonemas de Obama e Cameron que haja.
Uma Grécia fora do euro financiada por americanos, russos e ingleses? Possível?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015



A UCRÂNIA, PUTIN E A EUROPA

Quando da negociação do acordo entre a Ucrânia e a CE, Putin defendeu a realização de um encontro a três para garantir que o processo decorreria sem sobressaltos. Naquela altura a Europa assumiu a posição formalmente correta de recusar qualquer negociação a três, dado que sendo a Ucrânia um estado soberano não fazia sentido sentar à mesa com uma Rússia, que se assumia como parte interessada no processo. Isto deu no que todos sabemos hoje em dia. Podia ter sido diferente?

Podemos gostar ou não de Putin, mas temos de reconhecer que ele tem de gerir o problema político mais complicado do mundo. A Rússia é o maior país do mundo, com uma densidade populacional muito baixa e em redução, com uma grande diversidade étnica e religiosa, tudo agravado por se tratar de uma população envelhecida e com um nível de alcoolismo extremamente elevado. A Rússia continua a ser uma grande potencia militar, continua e tem de continuar, no dia em que o não for a Rússia deixará de existir, as forças centrífugas internas e as ambições de diversos e poderosos vizinhos tornariam a sua existência impossível. Obviamente Putin não quer ser o último dos Czares da Santa Rússia.

Agora assistimos à peregrinação a Moscovo dos principais líderes da Europa continental,pedindo a Putin que viabilize uma solução para a crise Ucraniana. Vai ser  ainda possível recuperar a situação depois dos enormes estragos, traumas e compromissos assumidos, entretanto verificados? Vamos ver.

A lição mais importante que a Europa deve tirar desta crise é sobre a necessidade do realismo político na gestão das relações internacionais, o formalismo é importante mas só se pode ser infléxivel na sua defesa, quando se está preparado e decidido a assumir no campo militar, de forma imediata todas as consequencias necessárias. Quando assim não é a defesa de formalismos tem tudo para acabar mal.

A maneira como a Comissão Europeia geriu a crise Ucraniana, assim como a forma como geriu a crise económica europeia, irão ficar na história como exemplo do que não deve ser feito.

JAIME GAMA  - PORQUE ESPERA O PS?

Com a desistência de António Guterres,  Jaime Gama seria a escolha óbvia para o PS, porque existem dúvidas?
Jaime Gama é talvez o mais culto dos homens públicos portugueses, tem sempre dado provas de bom senso em todas as situações, varias vezes ministro e também  Presidente da Assembleia da República tem uma experiência política difícil de igualar, é um político com grande aceitação mesmo  fora do partido e com grande capacidade de construir consensos.
Apesar de tudo isto o seu nome  vai surgindo sempre nas analises dos comentadores como uma hipótese quase que secundária. Porquê?
É a ala mais à esquerda que não gosta da figura? São os habituais grupos das negociatas e das maçonarias que querem outro tipo de solução?
Falta de carisma? Um presidente num regime como o nosso não precisa de ser uma figura carismática, no sentido de um líder que arrasta multidões. O país está cansado de figuras com passados duvidosos, é tempo de gente de idoneidade indiscutível, e que simultâneamente sejam figuras que tenham uma visão de longo prazo dos interesses do país, dando garantia de os prosseguir, em lugar de se envolverem nas guerras dos pequenos interesses.
Se o PS fizer esta escolha isso terá também a vantagem de elevar a fasquia, e obrigar a direita a subir o nível das suas propostas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

GRÉCIA, O LABORATÓRIO - III
VIVA O GEURO!
Esta proposta para que a Grécia crie uma segunda moeda, pode vir a agravar ainda mais a grande confusão que se desenha, mas face às despesas adicionais em que eles já embarcaram não vão ter nenhuma saída boa. Pelo menos esta era uma experiência importante para os economistas estudarem. Laboratório por laboratório seja o que os deuses quiserem...

from Claude Hillinger The Syriza party under Alexis Tsipras won the Greek election on a promise to end austerity. Negotiations between the new Greek government and the European Union have at this w...
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015



GRÉCIA, O LABORATORIO - II  

A IRRELEVANCIA?

Embora haja quem ache que as coisas até não começaram mal com a vitória do Syriza, atrevo-me a pensar exactamente o contrario.

Uma aliança de governo com um partido da direita "radical"??? É desespero? É aventureirismo? Porque é que a aliança óbvia com a esquerda moderada não foi possível? Quanto tempo pode durar este casamento contra-natura? Seja como for, um casamento que tem como único padrinho o mais básico dos nacionalismos não anuncia nada de bom.

Depois veio a benção dos mercados financeiros, a começar pelo alemão, o que pode isso significar? Apoio ao Syriza? Crença em que vai ser fácil um acordo com um governo com um programa que é apenas uma lista de desejos contraditorios e impossíveis, de um menino mimado?
Feliz ou infelizmente o que o mercado está a dizer é apenas que a Grécia já passou o ponto da relevancia, aconteça o que acontecer à economia grega é irrelevante para a Europa e para a economia mundial. Ou seja, agora sim, agora o povo grego está á beira de uma catástrofe.

Mas os mercados podem estar enganados, a Grécia é hoje económicamente irrelevante, mas existem também os aspectos geopolíticos, como dizia no texto anterior, e um Syriza desesperado irá tambem entrar em chantagens diversas nesse campo, numa região geográfica ultra-sensível.
O Syriza vai namorar Putin, outro nacionalista, para tentar ganhar o peso que não tem.
Os ideiais do partido  foram logo arrumados no primeiro dia depois da vitoria, agora vamos assistir apenas a um jogo de poder, sem regras e com riscos imensos. Tudo pode acontecer.

Pobres gregos

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015


A OI VAI TER DE FAZER UMA OPA SOBRE A PT-SGPS

Realizou-se hoje a tão esperada AG, que foi conduzida de forma muito habilidosa pelo seu Presidente, que em reunião prévia conseguiu convencer o CA da empresa a ser ele a propor o adiamento da AG, face ás dúvidas e à posições tornadas públicas  pela CMVM.
Tudo cordato, tudo negociado com muita habilidade, mas na verdade a votação para escolha da data da nova AG deixou claro que todos os accionistas institucionais votaram na proposta da OI que teve 90% dos votos.

Estamos assim perante uma situação delicada, para fazer frente à qual talvez nem toda a habilidade do Presidente da AG seja suficiente. É claro para todos que o negocio da fusão foi um negocio ruinoso para a PT e seus accionistas, e não vale a pena tentar confundir isto com a falência do BES, porque como  já escrevi varias vezes as perdas com a Rio Forte são apenas 16% das perdas havidas desde a fusão, ou seja, mais de 70% das perdas verificadas têm a ver apenas e tão só com os termos em que a fusão foi negociada.

Se o negócio foi ruinoso, e existem pareceres sobre a possibilidade de reversão do negócio, porque razão os accionistas institucionais estão já todos em conluío com a OI? Troca de favores diversos? Medo de se envolverem num processo infindável? Porquê infindável? Não teria a OI a certa altura também a necessidade de um acordo sobre o assunto? Porquê entregar à OI sem contrapartidas o único poder que a PT-SGPS tem em todo este processo?

E os minoritários? Que fazer com eles? Sacrificados numa fusão que tudo leva crer ter sido feita numa negociação com laivos criminosos?

Que vai fazer agora a CMVM? Continua tudo sem responsáveis? A OPA de Isabel dos Santos foi impedida com base numa interpretação restritiva da lei, e agora que resta aos accionistas?

Face ao enorme embrulho que se foi criando só vejo uma saída para a presente situação, que a OI , sozinha ou com outros parceiros, lance uma OPA sobre a PT-SGPS a um valor não inferior ao proposto por Isabel dos Santos. Tudo o resto poderá levar, isso sim, a um processo infindável contra PT-SGPS e o Estado.

PT - QUE ESPERAR DA AG

Fala-se agora que a AG poderá ser adiada se nesse sentido votarem a maioria dos acionistas presentes, ou seja, caso os apoiantes da venda à Altice tenham os dois terços necessários para assegurar a aprovação da venda eles votarão contra qualquer adiamento procurando arrumar o assunto o mais rapidamente possível, portanto só haverá adiamento se não existir maioria qualificada favorável à venda.
Tudo isto salvo, se o presidente da AG decidir por ele mesmo adiar a reunião. Num país normal, numa empresa normal, seria o que aconteceria, mas como até aqui nada tem sido normal resta esperar...

Olhando agora para o que pode ser o futuro próximo para os principais "stakholders" da PT, seja a AG realizada hoje ou nos proximos dias:

Trabalhadores - Gostaria de dizer que existem outras soluções muito melhores para os trabalhadores do que a da Altice, infelizmente não o posso afirmar, primeiro porque não sei de forma exacta o que aquela empresa quer, depois porque não conheço solução alternativa que seja expectável ou facilmente "construível". Na verdade ao longo de diversas administrações o problema da produtividade na empresa nunca foi encarado de frente, e dessa forma as deficiencias foram se agravando. Se a OPA de Belmiro tivesse tido sucesso, o choque de produtividade teria sido feito nessa altura, com a vantagem de que então a empresa era rica, a posição no mercado muito mais forte do que é hoje e a economia do país com muito maior potencial para absorver mão de obra. Infelizmente não vejo boas perspectivas neste campo.

Acionistas - Há muito tempo que os acionistas têm vindo a ser "cozinhados" em lume brando pela administração da empresa, no entanto a partir do processo de fusão esse cozinhar acelerou-se de forma substancial. Com uma fusão mal negociada em que a PT se entregou inteira (PT Portugal mais cinco mil milhões de euros) em troca de uma participação minoritária e com direitos de voto reduzidos, tudo engalanado como uma operação de grande sucesso, acordo de fusão esse seguido de uma renegociação ainda mais penalizadora para os acionistas (feita no seguimento do caso da Rio Forte),
Neste quadro só com o esta fusão, os acionistas viram em pouco mais de um ano o seu património reduzir-se de cerca de 5.000 milhões para menos de 600 milhões,  se os acionistas não fizerem nada AGORA, em breve esse patrimonio será de 100 milhões ou menos. Ou seja, até agora os acionistas tiveram uma perda em função da fusão de quase 90%, em que "apenas" 16% são consequencia da Rio Forte, sendo todo o restante consequencia dos termos em que a fusão foi negociada.
O único poder efectivo que a PT-SGPS tem dentro da OI é o de autorizar ou não a venda da PT Portugal, até agora o CA da empresa decidiu não exercer esse poder, o que podia ter feito vetando a venda na reunião do CA da OI, fica pois para a AG a oportunidade de o fazer, se os acionistas da PT-SGPS não vetarem essa venda vão demonstrar mais uma vez que bem merecem o que lhes tem acontecido. Os acionistas têm de vetar a venda para que a PT-SGPS possa reverter a fusão, ou que a OI faça uma OPA sobre a PT-SGPS, ou em que pelo menos possa negociar junto da OI contrapartidas em termos do peso da participação da PT na OI.
Certamente que alguns acionistas relevantes da PT-SGPS já negociaram acordos particulares com a OI para se protegerem, mas isso não resolve o problema da generalidade dos acionistas da empresa que depois de esmagados serão reduzidos a pó se nada fizerem.

País -  Não sou dos acredita na grande missão (quase que diria "civilizacional" para alguns) que a PT desempenhou no quadro da economia nacional, esse papel sem dúvida importante teve tambem para o país custos significativos em termos fiscais, tarifários e outros. O que neste momento me preocupa são os custos sociais que o futuro proximo nos reserva, já referidos atrás, e os custos de imagem de todo este processo. Qual a credibilidade de um país em que se passa tudo isto e não existem consequencias? Com que cara podem as empresas portuguesas procurarem colocar dívida e capital nos mercados? Todas as piadas do português que o Brasil gosta de contar há séculos serão muito pouco em relação ao que se vai seguir, e o pior é que não serão apenas piadas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015


JE NE SUIS PAS CHARLIE

Respeito quem em nome da liberdade de expressão faz humor na imprensa  fazendo sátira de convicções profundas, sejam elas de grupos, partidos, seitas ou outros, e, quer sejam aquelas convicções,  políticas, religiosas ou de outro tipo.

No entanto não acho que tal actividade seja absolutamente  indispensável, nem pilar da liberdade de expressão de uma sociedade aberta, o que não quer dizer que essa actividade deva ser limitada, ou mesmo deixar de ser protegida, ela e os seus profissionais.

No entanto, será sempre muito difícil a uma sociedade aberta impedir que fanáticos expressem de forma desproporcionada, até mesmo com violência selvagem, a sua fúria pela forma como as suas convicções profundas são alvo de ridicularização pública.

Foram assassinados 10 jornalistas que certamente pensavam que desempenhavam um papel importante no enriquecimento destas nossas sociedades, foram assassinados dois polícias que provavelmente não tinham opinião sobre o assunto, mas sabiam que o seu papel é defender as nossas sociedades abertas. Valeu a pena?

Não será que existem coisas que as sociedades abertas devem elas próprias se coibir de fazer? Para que um dia, para se defenderem, não venham elas a tornar-se sociedades fechadas?

terça-feira, 6 de janeiro de 2015


"GOVERNANCE" EMPRESARIAL EM PORTUGAL
Depois do que se passou com o BCP, BPN, CIMPOR, BES e PT, será que finalmente chega para que se faça alguma coisa de efectivo neste campo? Ou será ainda necessário destruir mais umas dezenas de milhares de milhões de euros?
Para além dos prejuízos materiais e sociais, o país ficou com a sua imagem de rastos, o mercado de capitais foi destruído, as privatizações e o capitalismo desacreditados.
Por ironia do destino o capitalismo é o único inocente no meio de tudo isto, como a história tem demonstrado incompetência e corrupção surgem por todo o lado, independentemente dos sistemas políticos, elas só são domáveis se existirem regras de funcionamento e controle que as tornem difíceis e arriscadas para os infractores.
Tudo isto acontece entre nós não por falta de grupos de trabalho, estudos, propostas, recomendações, resoluções e até normas. A CMVM e o IPGC (Instituto Português de Corporate Governance) têm feito disso em quantidade, e até qualidade, mas o problema nacional é sempre o mesmo, se ninguém remata à baliza tudo são apenas floreados.
Tudo quanto foi feito até agora pela CMVM e pelo IPCG padece de um pecado capital, não existem propostas para responsabilizar civil e criminalmente os administradores de empresas em que se registem acontecimentos importantes de informação falsa, ou destruição de valor para accionistas e para a sociedade em geral.
Julgam aquelas entidades que os administradores independentes são a solução para todos os problemas do governance, claro que o não seria mesmo que existissem administradores independentes, só que eles não existem entre nós, na verdade não são nem administradores, nem independentes , nem competentes.
Apenas quando o primo do primo, ou o amigo do clube, perceberem que ao aceitarem cargos de administração para os quais não têm as competências mínimas,poderão acabar na prisão, apenas quando os administradores de empresas tomadas de assalto por accionistas ou gestores pouco escrupulosos, souberem que é melhor oporem-se a actos danosos, do que fazer de conta que não vêem, apenas então poderão existir administradores independentes.
Em tudo isto TODOS os partidos políticos têm muita culpa, os do arco da governação porque se têm deixado influenciar pelos grupos interessados em que tudo fique na mesma, e os outros partidos exactamente pela mesma razão, estes com a desculpa que quanto pior melhor, de que é preciso deixar que "as contradições do capitalismo se agravem" de forma a que o sistema se torne ingovernável.
Em casos graves como estes nos Estados Unidos há bens congelados, bens arrestados, julgamentos rápidos nos tribunais, prisões e até suicídios. Entre nós a única penalização parece ser os culpados ficarem temporariamente suspensos da lista de condecorações anuais do Presidente da República...
???????
OUTRA TRAPALHADA??
A PT-SGPS que já conseguiu reduzir o valor do património líquido da empresa de 5.000 milhões para menos de 600 milhões, prepara-se agora para o reduzir para 300 milhões ou menos.
Em pouco mais de um ano o valor da empresa pode ser reduzido em 94%, e não acontece nada? Tudo isto é normal??!!
E a CMVM? Mais uma vez nada tem a dizer?
Não foi o CA da PT-SGPS que disse que o negócio da fusão poderia ser revertido? E então? Enquanto houver possibilidade de reversão da fusão nenhuma outra possibilidade pode ser encarada.
Assinar agora um acordo com a Altice é o disparate dos disparates, aliás na linha dos anteriores.
Só há uma estratégia para a PT-SGPS, desfazer a fusão. Caso tal se mostre impraticável exercer todos os poderes que possa ter dentro da OI para valorizar a sua posição, saindo da empresa de forma honrosa ou participando efectivamente do controle da mesma.
Tudo o resto são trapalhadas, se é que não mais operações dolosas, em prejuízo de todos os stakeholders.